Na sucessão presidencial, a direita contra si mesma e o impasse de 2026

Disputa revela um campo político incapaz de se estruturar

Marcelo Copelli
Revista Fórum

Enquanto o confronto entre governo e oposição organiza o debate público, uma dinâmica paralela ganha densidade no campo conservador: a disputa interna sobre direção, limites e identidade política. Não se trata apenas de candidaturas em formação, mas de um processo mais profundo de definição — ou, mais precisamente, de indefinição — sobre o que a direita brasileira pretende ser no próximo ciclo eleitoral. O que se desenha não é um ajuste pontual, mas um movimento de fundo que expõe a ausência de um princípio organizador capaz de conferir coerência ao conjunto.

A presença de nomes competitivos no cenário não resolve essa equação; ao contrário, torna-a mais visível. A tentativa de projetar Flávio Bolsonaro como vetor de continuidade não produziu alinhamento nem reorganizou o espaço conservador. Funcionou, antes, como um ponto de tensão que escancarou a falta de um critério comum capaz de ordenar interesses, discursos e estratégias. Em vez de unificar, revelou os limites de um arranjo sustentado mais por circunstâncias do que por bases estáveis.

MÚLTIPLAS CANDIDATURAS – Nesse contexto, a multiplicidade de candidaturas deixa de ser sinal automático de vitalidade e passa a indicar superposição de iniciativas. Diferentes atores avançam sobre o mesmo eleitorado, mobilizam repertórios semelhantes e disputam um território que não se expande na mesma proporção em que se fragmenta. O resultado não é diversificação estratégica, mas concorrência direta por um espaço restrito, o que intensifica tensões e enfraquece a articulação interna.

A posição de Romeu Zema ajuda a delimitar esse cenário com precisão. Ao sinalizar que não aceita compor como vice em uma eventual chapa e ao afirmar que seguirá na disputa pelo Planalto, ele não rompe com o campo conservador, mas também não se submete a uma lógica de hierarquia automática. Seu movimento explicita uma linha de atuação mais autônoma e se insere em uma tendência mais ampla, na qual diferentes atores passam a reivindicar protagonismo simultaneamente, sem que exista um mecanismo capaz de ordenar essas pretensões concorrentes.

É nesse mesmo espaço que Ronaldo Caiado atua de forma direta, aprofundando a disputa interna ao avançar sobre o mesmo segmento eleitoral. A consequência não é apenas o aumento da concorrência, mas a consolidação de um conflito que deixa de ser episódico e passa a afetar o funcionamento do conjunto. A disputa não fragmenta apenas candidaturas — compromete a própria capacidade de ação política desse campo.

SEM REFERÊNCIA – O efeito acumulado desse processo é a formação de um ambiente que opera sem referência estável. Há aproximações pontuais e entendimentos circunstanciais, mas não uma base consistente capaz de sustentar unidade ao longo do tempo. A recomposição no segundo turno, embora provável, não elimina esse problema de origem. Disputas prolongadas geram custo, e rivalidades construídas ao longo da campanha não desaparecem por necessidade eleitoral; tendem a ser administradas de forma incompleta, produzindo resistências e limitando a eficácia da convergência posterior.

Ainda assim, persiste o esforço de preservar uma aparência de coesão. Encontros públicos, agendas compartilhadas e declarações calibradas sustentam a imagem de um campo que ainda dialoga internamente. Essa imagem, no entanto, não altera o movimento real. A cooperação, quando ocorre, é episódica; a competição, por sua vez, é contínua e estruturante, moldando o comportamento dos principais atores.

No centro desse processo está uma questão que permanece em aberto: qual é, hoje, o elemento capaz de organizar a direita brasileira. O legado recente deixou marcas profundas, mas não produziu uma síntese apta a orientar o campo no presente. Sem um ponto de referência claro, o que se observa é uma disputa pelo significado desse legado — e, sobretudo, pelo seu uso político em um cenário de competição ampliada.

INSTABILIDADE –  Flávio Bolsonaro representa uma tentativa de continuidade, ainda que ajustada às novas condições. Romeu Zema opera por meio de uma reinterpretação pragmática, deslocando o foco para gestão e eficiência. Ronaldo Caiado aposta em uma reafirmação mais direta e tradicional. Nenhuma dessas estratégias, até o momento, conseguiu se consolidar como referência capaz de dar forma estável ao conjunto.

Essa ausência de síntese também se reflete no conteúdo das propostas. Há pontos de contato em críticas ao governo e na defesa de pautas conservadoras, mas falta um eixo estruturado que articule essas posições em uma agenda coerente e compartilhada. O que predomina é a coexistência de discursos paralelos, e não a construção de um projeto comum com capacidade de agregação duradoura.

Durante anos, a polarização funcionou como elemento de organização. A existência de um adversário claro era suficiente para alinhar o campo e reduzir divergências internas. Esse mecanismo, no entanto, perde eficácia quando a disputa se desloca para dentro. Nesse cenário, a coesão deixa de ser automática e passa a depender de definição interna — algo que, no momento, ainda não se completou.

INDEFINIÇÃO POLÍTICA – O problema, portanto, não está na ausência de competitividade eleitoral, mas no excesso de indefinição política. A direita brasileira entra no ciclo com presença e capilaridade, mas sem direção clara. Isso altera a natureza da disputa: antes mesmo do confronto externo, suas próprias tensões passam a operar como fator de limitação, condicionando o alcance de sua atuação.

A eleição de 2026, nesse contexto, começa antes do calendário formal e se apresenta, desde já, como um teste interno de viabilidade política. Sem articulação consistente, sem projeto unificado e com múltiplas candidaturas concorrentes, o risco não é apenas perder a disputa externa, mas chegar a ela já condicionado por divisões que dificultam a construção de uma estratégia eficaz.

No fim, a questão deixa de ser quem lidera e passa a ser outra, mais estrutural: sob quais bases essa liderança poderia se sustentar. Sem um elemento comum, a liderança deixa de ser ponto de partida e passa a ser consequência de um processo que ainda não encontrou resolução. Até aqui, o cenário permanece aberto, mas um dado já se impõe: a principal dificuldade da direita brasileira, neste momento, não está no adversário — está na incapacidade de se definir como campo político.

Trump é retirado às pressas após disparos em evento com jornalistas em Washington

Atirador foi detido; um agente ficou ferido

Isabella Menon
Folha

O presidente Donald Trump e a primeira-dama Melania Trump foram retirados às pressas do jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca por agentes do Serviço Secreto na noite deste sábado (25) após barulho de tiros.

Outros membros do governo Trump presentes no jantar também foram evacuados depois de uma grande comoção gerada por sons de disparos perto do salão de baile do hotel Washington Hilton, onde o evento estava sendo realizado, na capital americana. O presidente afirmou que o atirador foi detido e que um agente do Serviço Secreto foi ferido.

“LOBO SOLITÁRIO” – Trump disse que o motivo do ataque ainda não está claro e definiu o homem como “lobo solitário”. Segundo a imprensa americana, ele seria Cole Tomas Allen, 31, de Torrance, cidade no estado da Califórnia. “Eles [Serviço Secreto] acreditam que ele era um lobo solitário e eu acredito nisso também”, disse Trump.

O homem que fez os disparos estava em uma área de triagem no hotel, não dentro do salão onde a festa ocorria. Uma foto do atirador detido foi publicada por Trump na rede Truth Social, assim como um vídeo de câmeras de segurança do hotel. A gravação mostra o homem correndo e disparando, tentando passar pela segurança, e sendo bloqueado por diversos agentes.

O chefe da polícia de Washington, Jeffery W. Carroll, afirmou que o homem estava carregando uma escopeta, um revólver e diversas facas. Ele não teria sido ferido, mas foi levado para um hospital para passar por uma avaliação médica. Carroll também contou que autoridades acreditam que o suspeito estava hospedado no hotel do evento, mas que a investigação ainda está no começo.l

SAÍDA DO HOTEL  – Segundo Trump, as forças de segurança solicitaram que todos saíssem do local da festa. Ele disse ter pedido para continuar no jantar, porém, teria sido orientado pelo Serviço Secreto a deixar o hotel. O evento com os jornalistas será reagendado dentro de 30 dias, anunciou o presidente. “Quero agradecer à imprensa, que foi muito responsável na cobertura”, afirmou em entrevista coletiva iniciada na Casa Branca por volta das 23h30, cerca de duas horas após o incidente no jantar.

“Tínhamos democratas, republicanos, independentes naquele salão. Eu assisti e fiquei muito impressionado. Eu e a primeira-dama fomos retirados muito rapidamente do palco e o vice-presidente, J.D. Vance, estava dizendo como todos agiram rapidamente”, declarou, com o diretor do FBI, Kash Patel, e o secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, ao seu lado. Trump parabenizou as forças de segurança do governo pela ação.

“É sempre um choque quando isso acontece. Eu ouvi um barulho, eu achei que era uma bandeja caindo. E era bem longe, ele não chegou na área, mas era uma arma”, narrou. Perguntado se ele seria o alvo do atirador, o presidente disse: “Eu acho que era [o alvo]. Essas pessoas são loucas. Tinha muitas pessoas no salão, ele teria que percorrer um longo caminho”.

“PROFISSÃO PERIGOSA” – “É uma profissão perigosa. Eu vivo uma vida normal considerando que é uma vida perigosa”, disse o presidente. Ele afirmou também que não acha que a tentativa de ataque esteja ligada à guerra no Irã. O presidente aproveitou sua fala para defender a construção de um salão de festas na Casa Branca, cuja obra foi paralisada por decisão da Justiça. Ele argumentou que a construção permitirá maior segurança em eventos deste porte.

Trump já foi atingido de raspão por uma bala em uma tentativa de assassinato durante um comício em julho de 2024 em Butler, no estado da Pensilvânia. Muitos dos 2.600 participantes do jantar neste sábado em Washington se abrigaram enquanto os garçons corriam para a frente do salão. A multidão gritou “abaixem-se, abaixem-se!”, conforme relatos de jornalistas presentes.

A polícia cercou as proximidades do hotel, e helicópteros passaram a rondá-lo após o incidente. Jornalistas que estavam no jantar se reuniram na parte de fora. À Folha o jornalista colombiano Juan Merlano, da Caracol TV, que estava no salão, diz que, em um primeiro momento, ele e colegas pensaram que se tratavam de sons de tambores. Porém, na sequência, ele conta que o serviço secreto entrou no lugar gritando: “Tiros foram disparados”.

EVACUAÇÃO – “Todo mundo foi para debaixo das mesas, no chão”, afirmou ele. “Neste momento, o presidente deixou o salão. O serviço secreto e a polícia entraram, todos com armas grandes. Saíram um a um os funcionários do gabinete. Várias pessoas começaram a evacuar também.”

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, se pronunciou sobre o ataque em uma mensagem na rede social X: “A violência nunca deve ser o caminho”. “Que bom que o presidente Trump e sua esposa estejam bem, após os acontecimentos recentes. Enviamos nosso respeito. A violência nunca deve ser o caminho”, escreveu.

ARRECADAÇÃO DE FUNDOS – O jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca (WHCA, na sigla em inglês) é realizado todos os anos no fim de abril. Nele comparecem centenas de jornalistas e executivos de imprensa com seus convidados do mundo político e econômico, para arrecadar fundos para bolsas de estudo e prêmios. Trump, ao contrário de todos os seus predecessores desde a década de 1920, sempre havia faltado no evento na condição de presidente, com exceção da festa deste sábado.

O Washington Hilton é o mesmo hotel no qual, do lado de fora, o presidente americano Ronald Reagan sofreu uma tentativa de assassinato, em março de 1981. Na ocasião, Reagan andava até a limusine após um discurso quando John Hinckley Jr. desferiu seis disparos. Cinco pessoas ficaram feridas, incluindo o então presidente, atingido abaixo da axila esquerda.

Fraude na nomeação de Messias comprova o aparelhamento do funcionalismo pelo PT

Notícias e artigos sobre o ministro da AGU, Jorge Messias | Gazeta do Povo

Messias foi nomeado duas vezes sem estar inscrito na OAB

Carlos Newton

Era de se esperar que a indicação de Jorge Messias para ministro do Supremo Tribunal Federal motivasse investigações da imprensa sobre sua capacidade profissional, como sempre ocorre quando o indicado é apenas um ilustre desconhecido – no caso, um dedicado militante petista que se formou em Direito no final de 2003, quando o presidente Lula da Silva estava concluindo o primeiro ano de mandato.

O que causou surpresa foi o fato de que, em apenas uma semana, o trabalho investigativo da Tribuna da Internet tivesse constatado que o atual ministro da Advocacia-Geral da União foi beneficiário de fraudes em suas duas nomeações sucessivas – em 2006, para procurador do Banco Central, e em 2007, para procurador da Fazenda Nacional, cargo do qual está licenciado há anos, para servir aos governos do PT.   

APARELHAMENTO – A surpresa foi constatar que o exame da vida pregressa do candidato a ministro do STF acabaria remetendo a uma das estratégias nada republicanas adotadas pelo governo Lula a partir de sua posse, em 2003.

O então chefe da Casa Civil, José Dirceu, que era uma espécie de Rasputin sem barba, decidiu imitar a política do governo de Fernando Henrique Cardoso, que delegou ao superministro Sérgio Motta a tarefa de conduzir o aparelhar a máquina administrativa com os tucanos, para permanecer no poder por 20 anos, pelo menos.

A ordem de Dirceu foi transmitida a todos os ministros, que passaram a cumpri-la, abrindo concursos públicos de todo tipo, anunciando poucas vagas, como 17, 29 ou 32, mas na verdade nomeando centenas de novos funcionários a cada vez, num festival que parecia não ter fim

ÁREA ECONÔMICA – O maior número de nomeações ocorria na área econômica, e o inchaço da estrutura funcional foi realmente inacreditável, com destaque para a multiplicação de vagas inúteis de procurador da Fazenda Nacional.

Basta dizer que desde a criação da carreira, em 1952, os governos Vargas, Juscelino, Jânio, Jango, Castelo Branco, Medici, Geisel, Figueiredo, Sarney, Collor, Itamar e FHC, todos juntos, haviam nomeado apenas 459 procuradores da Fazenda Nacional, com média de 9 admissões por ano. No governo do PT, em apenas 5 anos foram nomeados 1.592 novos procuradores, numa média de 318 por ano, que literalmente não tinham o que fazer.

Jorge Messias foi um dos beneficiários dessa política, que transformava 29 vagas em 942 nomeações, como ocorreu em 2008, exatamente na carreira de procurador da Fazenda Nacional.

FACILITAÇÕES – Além da multiplicação das vagas, o aparelhamento consistia também em afrouxamento das exigências e em fornecer informações sobre o tema das provas discursivas, que tinham peso decisivo.

As demais provas eram de múltipla escolha e qualquer candidato, mesmo se selecionasse as respostas a esmo, teria probabilidade de acertar 16% das questões. E como a ciência do Direito baseia-se exclusivamente na lógica e todas as leis ou doutrinas têm objetivos pautados pela coerência, com um pouco se sorte é o candidato de baixa qualificação pode ser aprovado, especialmente se tiver se saído bem na discursiva.

No caso do petista Jorge Messias, ele foi aprovado em dois concursos sucessivos para procurador do BC e da Fazenda, sem ter dois anos de prática forense e sem estar inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil.

SEM OAB – Como Messias morava em Recife quando fez as provas, que eram realizadas simultaneamente em diversas capitais, obrigatoriamente tinha de estar inscrito na Seccional da OAB em Recife. No entanto, jamais foi registrado.

O único registro de Messias que existe na OAB foi feito em Brasília, com inscrição nº 31.448, o que significa ter sido realizada no final de 2010 ou começo de 2011, vários anos depois de ter sido nomeado mediante fraude.

O certo é que o aparelhamento da máquina administrativa pelo PT funcionou, e Jorge Messias é a melhor prova disso. Logo após ser nomeado, já havia mais militantes do PT do que antigos funcionários de carreira, e o calouro Messias foi eleito presidente da Associação Nacional dos Procuradores do Banco Central, no período 2006/2007. Em seguida, também logo após ser nomeado procurador da Fazenda Nacional, foi eleito presidente do Sindicato Nacional da categoria, o SINPROFAZ, para o período 2008 – 2010. Sem o aparelhamento, jamais seria eleito  aos 26 anos na Associação e aos 27 anos no Sindicato.

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P.S. 1 –
 Realmente, é inacreditável que um personagem como Messias, sem notório saber e sem reputação ilibada, esteja prestes a ser aprovado como ministro da Suprema Corte brasileira. É uma vergonha para a nação e para seu povo. Amanhã voltaremos ao assunto. (C.N.)

TSE barra lei do Congresso e mantém voto de presos em 2026, citando segurança jurídica

Princípio da anualidade impede mudanças neste ano

Pepita Ortega
O Globo

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu nesta quinta que a vedação aos votos de presos temporários e provisórios, previstas na Lei Antifacção aprovada pelo Congresso, não vale para as eleições de 2026. Segundo a Corte eleitoral, o alistamento e a instalação de seções eleitorais em presídios devem ser mantidos para o pleito deste ano.

A avaliação do TSE é que as mudanças no Código Eleitoral a partir da legislação endossada pelos parlamentares não podem ser adotadas nas eleições deste ano em razão do princípio da anualidade eleitoral. Assim, as mudanças, consideradas “estruturantes” só devem valer para os pleitos seguintes.

QUESTIONAMENTO – A decisão foi proferida após um questionamento feito ao TSE pela Corregedoria Regional Eleitoral de São Paulo (CRE-SP). Nos termos do voto do relator, Antônio Carlos Ferreira, os ministros entenderam que a lei é inaplicável ao pleito deste ano em respeito ao princípio da anualidade, que visa “garantir a previsibilidade, a segurança jurídica e a adequada organização” da eleição.

Durante a sessão administrativa, o TSE ainda reconheceu a “impossibilidade material” de implementar as mudanças previstas em lei, no sentido de que prisões temporárias e provisórias agora são motivo de impedimento para o alistamento eleitoral e de cancelamento da inscrição.

A área técnica do TSE destacou por exemplos que não é possível adequar os sistemas eleitorais para este ano, considerando que o prazo para alterações nos cadastros eleitorais vai até o dia 6 de maio. Apontaram ainda que não há integração entre os sistemas eleitorais e de órgãos de segurança para o registro das prisões provisórias, o que impede o cancelamento automático dos títulos de eleitor.

Pressionado nas urnas, Lula aposta até em pauta feminina sob influência de Janja da Silva

Ao tentar blindar o Supremo, Gilmar Mendes amplia exposição da crise na insituição

Gilmar tenta isolar o Supremo de questionamentos

Thais Herédia
CNN

O ministro Gilmar Mendes foi explícito ao dizer que Edson Fachin, presidente da Corte, errou ao defender um Código de Conduta para o STF (Supremo Tribunal Federal).

Gilmar Mendes esteve na CNN, nesta sexta-feira (24), depois de passar a semana dando entrevistas para o que ele mesmo definiu como uma espécie de “missão autoimposta” de defesa do STF.

ATAQUES – Na entrevista ao Bastidores CNN, ele repetiu a estratégia de se defender atacando personagens envolvidos na crise com o STF, como o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) e o ex-governador Romeu Zema (Novo).

Ele insiste em sentenciar o caso Master a um problema da Faria Lima, distante da Corte. A novidade foi apontar o dedo para Edson Fachin, ao rejeitar o debate sobre a necessidade de um Código de Conduta, ou de ética para o Supremo.

Decano da Corte, Gilmar Mendes usa o peso da experiência para sustentar um discurso que busca isolar o STF de questionamentos, desqualificando, para dizer o mínimo, quem ouse fazê-los.

Governo avalia recuo na “taxa das blusinhas” e enfrenta resistência do Congresso e da indústria

PSOL aciona PGR contra Caiado e tenta barrar venda bilionária de mineradora

Na guerra da escala 6×1: governo age para frear desoneração e evitar rombo fiscal

Planalto tenta investir em debate sobre regra de transição

Clarissa Oliveira
CNN

Depois de a Câmara dos Deputados aprovar, na última quinta-feira (22), o fim da escala 6×1 na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se mobiliza nos bastidores para frear o risco de um impacto fiscal da proposta. A ordem agora é tentar frear a articulação por uma desoneração de impostos para os setores mais impactados pela medida.

O assunto pautou as conversas entre líderes governistas envolvidos na tramitação do projeto. Segundo os relatos feitos à CNN, a ideia é investir prioritariamente no debate sobre uma regra de transição, como forma de aliviar os efeitos da redução da jornada para o empresariado.

COMPENSAÇÃO – Embora admitam que há forte pressão por uma compensação, aliados do presidente Lula dizem que o avanço de uma desoneração poderia tornar “inviável” a redução da jornada de trabalho nos moldes em discussão. Mesmo que o impacto seja adiado com uma regra de transição, afirmam, a mudança daria origem a uma bola de neve com efeitos expressivos sobre o Orçamento nos próximos anos.

A CCJ da Câmara aprovou a proposta de emenda à Constituição que acaba com a escala 6×1. O relatório do deputado Paulo Azi (União-BA) foi aprovado de maneira simbólica, limitando-se a analisar a admissibilidade da proposta, ou seja, sua adequação à regra constitucional. O debate sobre como viabilizar a redução da jornada ocorrerá agora na comissão especial que vai analisar o tema.

PROTAGONISMO – Embora olhe com preocupação para a discussão de uma compensação da redução da jornada, o governo se diz otimista quanto ao avanço da proposta, que é estratégica para o presidente Lula do ponto de vista eleitoral. A avaliação entre aliados do petista é de que a disputa por protagonismo no projeto é questão superada, uma vez que Planalto e Câmara concordaram na tentativa de fazer andar a PEC.

O projeto de lei do governo que trata do mesmo assunto seguirá na manga, caso haja dificuldade de articular os votos necessários para aprovar uma mudança constitucional. Mas o entendimento na base governista é que o cenário é propício a um acordo com a oposição, dado o efeito eleitoral da medida.

Ex-coronéis do 8 de Janeiro selam trégua e evitam acusações mútuas na prisão

Distância estratégica: Tarcísio evita Flávio enquanto direita disputa espaço em SP

Um dilema existencial confundia e inquietava o poeta e compositor Antonio Cícero

Marina Lima lamenta morte de Antonio Cícero: 'Foi coerente com tudo que pensava' | G1

Antonio Cícero e a irmã Marina Lima

Paulo Peres
Poemas & Canções

O filósofo, escritor, compositor e poeta carioca Antonio Cícero Correa de Lima escreve poesia desde jovem, mas seus poemas só apareceram para o grande público quando sua irmã, a cantora e compositora Marina Lima, passou a musicá-los. Antes, porém, já eram suas as canções como FullgásPara Começar e À Francesa – as duas primeiras em parceria com a irmã, e a última com Cláudio Zolli. Neste poema que transcrevemos, Cícero reconhece um dilema existencial, que o confunde bastante.

DILEMA
Antonio Cícero

O que muito me confunde
é que no fundo de mim estou eu
e no fundo de mim estou eu.

No fundo
sei que não sou sem fim
e sou feito de um mundo imenso
imerso num universo
que não é feito de mim.

Mas mesmo isso é controverso
se nos versos de um poema
perverso sai o reverso.

Disperso num tal dilema
o certo é reconhecer:
no fundo de mim
sou sem fundo.

Câmara acelera o PL da misoginia e debate opõe proteção e liberdade de expressão

Ilustração DA Editoria de Arte/CB/D.A Press

Anna Júlia Lopes
CNN

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), instituiu nesta sexta-feira (24) a criação de um grupo de trabalho para debater o PL (projeto de lei) da Misoginia, que equipara o ódio ou a aversão a mulheres ao crime de racismo.

O grupo terá um prazo de 45 dias para concluir seus trabalhos e será coordenado pela deputada Tábata Amaral (PSB-SP). Cada um dos partidos presentes na Casa Baixa poderá indicar um deputado para integrar o colegiado. Em vídeo publicado em seu perfil no Instagram, Hugo afirmou que a criação do grupo tem o objetivo de promover um debate “técnico e profundo”, ao mesmo tempo que agiliza a tramitação da pauta para que seja votada em plenário.

PROPOSTAS – “Proteger as brasileiras é prioridade absoluta nessa casa. Por isso, faço questão de dar celeridade a todas as matérias que tratam da segurança das nossas mulheres”, declarou o presidente da Casa Na publicação, Hugo citou ainda uma série de propostas aprovadas nos últimos meses pela Câmara.

Diante de um cenário de aumento de violência contra as mulheres em todo o país, o Congresso Nacional aprovou, por exemplo, o porte de spray de pimenta para defesa pessoal para mulheres; a obrigatoriedade do uso de tornozeleira eletrônica para agressores; e a tipificação do crime de vicaricídio (quando há o assassinato de filhos ou parentes com o intuito de causar sofrimento à mulher).

Escolhida para comandar o grupo, Tabata foi uma das deputadas que comemorou o avanço da pauta. Defensora de pautas relacionadas às mulheres, a congressista é autora de um projeto que propõe a distribuição de absorventes em espaços públicos.

PL DA MISOGINIA – O PL da Misoginia propõe a tipificação do crime envolvendo a misoginia (palavra utilizada para definir o ódio às mulheres). Até o momento, a misoginia não é tipificada como um crime específico no Código Penal brasileiro, sendo muitas vezes equiparada a delitos de injúria e difamação, que possuem penas mais brandas.

A proposta estabelece penas de dois a cinco anos de reclusão para esse tipo de crime e equipara a misoginia ao crime de racismo. Dessa forma, a misoginia se tornaria um crime inafiançável, ou seja, que não admite fiança e impede que o preso pague para responder o processo em liberdade; e imprescritível, que não perde a validade e pode ser punido a qualquer momento.

“MACHOSFERA” – Diante de uma crescente onda de ódio às mulheres nas redes sociais, incentivada por movimentos como o “Red Pill” e a “machosfera”, o projeto visa combater discursos de ódio e discriminação contra mulheres com base na ideia de uma suposta supremacia masculina.

No Senado Federal, o texto foi aprovado por unanimidade. Na Câmara, no entanto, enfrenta resistência entre parte dos deputados. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) já se posicionou de forma contrária ao texto. Segundo ele, o PL ameaça a liberdade de expressão. A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) definiu a proposta como “censura” e disse que ela pode ser usada “por quem se veste de mulher para atacar e calar mulheres”.

 

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Michelle se opõe a Frias e acirra disputa do PL pelo Senado em São Paulo

Ex-primeira dama e deputado já trocaram farpas 

Carlos Petrocilo
Folha

A ex-primeira dama Michelle Bolsonaro tem sido contrária à possível candidatura do deputado federal Mário Frias (PL-SP) ao Senado paulista pelo PL. O favorito é o presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado, e corre por fora o vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo.

A relação entre Frias e Michelle não é boa, principalmente depois que o deputado afirmou, em abril de 2025, que “ladainha da inclusão deve ser eliminada da direita”. Michelle, que tem a inclusão como bandeira, publicou um vídeo em repúdio a Frias, defendendo a acessibilidade.

Senado, PGR e AGU se unem contra ação do PT no STF à sombra das delações do Master

Combustíveis, poder e narrativa: a política econômica no fio da eleição

Charge do Cazo (Correio Braziliense)

Pedro do Coutto

Há momentos em que a economia deixa de ser apenas um campo técnico e se transforma, sem disfarces, em instrumento político. A decisão do governo Lula da Silva de utilizar a receita extra gerada pela exportação de petróleo para aliviar o preço de combustíveis como diesel e gasolina se insere exatamente nesse território.

Trata-se de uma medida que combina lógica fiscal, oportunidade de mercado e, sobretudo, sensibilidade eleitoral. Em um país onde o preço na bomba influencia diretamente o custo de vida — e, por consequência, o humor do eleitor —, qualquer intervenção que reduza esse impacto tende a produzir dividendos políticos quase imediatos.

COMPENSAÇÃO – O raciocínio é simples, mas não trivial. O Brasil consolidou-se como exportador relevante de petróleo, ao mesmo tempo em que ainda depende da importação de derivados. Essa assimetria abre espaço para uma engenharia econômica em que ganhos externos compensam perdas internas.

Ao subsidiar combustíveis com receitas vindas do mercado internacional, o governo busca amortecer a inflação e proteger o consumo doméstico. Não há ilegalidade ou ruptura institucional nesse movimento — pelo contrário, ele se insere dentro das prerrogativas legítimas do Executivo. A questão central não é jurídica, mas política: o timing e os efeitos dessa decisão dialogam diretamente com o calendário eleitoral.

Reduzir o preço do diesel significa aliviar o custo do transporte; baratear a gasolina impacta a percepção imediata do consumidor; mexer nos tributos federais amplia ainda mais esse efeito. O resultado é uma cadeia que vai do bolso do cidadão à urna.

“FORÇA DA CANETA” – Não se trata de determinar o desfecho eleitoral, mas de reconhecer que medidas dessa natureza alteram o ambiente de disputa. A chamada “força da caneta” — expressão recorrente na política brasileira — manifesta-se com clareza quando decisões administrativas reverberam no cotidiano da população.

Esse movimento ocorre em paralelo a um cenário econômico e institucional mais amplo, marcado por tensões e transformações. O caso do Banco Master, por exemplo, segue alimentando debates sobre regulação, transparência e o papel do sistema financeiro.

Declarações de Gilmar Mendes, ao deslocar o foco da crise para o coração do poder econômico na Faria Lima, revelam uma tentativa de reposicionar o debate: menos sobre instituições formais e mais sobre estruturas de influência. Ao mesmo tempo, o embate entre o ministro e o ex-governador Romeu Zema mostra como o conflito institucional pode ser convertido em capital político — especialmente em um ambiente pré-eleitoral.

CRISE DOS CORREIOS – No campo econômico estrutural, outras mudanças silenciosas ajudam a compor o quadro. A crise dos Correios ilustra a transição acelerada para o ambiente digital. A queda no volume de correspondências tradicionais, substituídas por comunicações instantâneas e gratuitas, redefine modelos de negócio e impõe desafios a empresas estatais com estruturas rígidas e custos elevados. É um exemplo claro de como a tecnologia não apenas transforma mercados, mas também pressiona o Estado a se reinventar.

Essa transformação digital também chega ao centro do debate regulatório. O avanço de plataformas como Google levanta discussões sobre uso de conteúdo jornalístico, remuneração e equilíbrio concorrencial. A atuação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica nesse campo pode se tornar um divisor de águas, não apenas para o setor de mídia, mas para a definição de regras mais amplas sobre poder econômico na era digital.

Enquanto isso, problemas mais antigos seguem à margem da agenda com a mesma gravidade de sempre. A situação da Rodovia BR-393, marcada por abandono, acidentes e perdas humanas, expõe um contraste incômodo: enquanto o debate político se concentra em grandes narrativas — combustíveis, bancos, Supremo —, a infraestrutura básica continua sendo um ponto cego persistente. E esse tipo de negligência também produz efeitos políticos, ainda que menos imediatos e mais difusos.

CUSTOS E BENEFÍCIOS – O que emerge desse conjunto de fatos é um retrato complexo do Brasil pré-eleitoral. De um lado, um governo que utiliza instrumentos econômicos para estabilizar preços e melhorar a percepção popular. De outro, um ambiente institucional tensionado, onde disputas judiciais, financeiras e políticas se entrelaçam. No meio disso tudo, uma sociedade que experimenta, simultaneamente, os benefícios de decisões pontuais e os custos de problemas estruturais não resolvidos.

A eleição que se aproxima não será decidida por um único fator. Mas seria ingênuo ignorar o peso de medidas que afetam diretamente o cotidiano. O preço do combustível, afinal, não é apenas um número — é um termômetro político. E, neste momento, ele está sendo cuidadosamente calibrado.

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Escritores como Conan Doyle, Agatha Christie, Maurice Leblanc e Allan Poe sabiam que não há crime perfeito; o que existe são investigações equivocadas que não conseguem solucionar o caso. Mas todo crime, por sua própria natureza, é sempre um ato imperfeito, pois demonstra a deformação social de seus autores.

No caso da nomeação do atual ministro Jorge Messias para procurador da Fazenda Nacional, em 2007, houve várias ilegalidades. Ocorreram há quase 20 anos, em Brasília, mas vêm passando despercebidas. Era como se fossem crimes perfeitos.

FRAUDES DE MESSIAS – As provas até agora coletadas mostram que Jorge Messias foi beneficiário das fraudes que a partir de 2003 passaram a ocorrer em concursos públicos, para aparelhar a máquina administrativa em favorecimento ao PT.

As fraudes aconteciam através da atenuação das exigências legais aos candidatos ligados ao partido, além da espantosa multiplicação de vagas que não existiam e até do fornecimento de dicas aos favorecidos. No caso específico de Messias, a ilegalidades ocorreram no concurso convocado em Edital da Escola de Administração Fazendária (ESAF), em 1º de dezembro de 2005 para provimento de 27 vagas no cargo de Procurador da Fazenda Nacional.

Ele se formara em dezembro de 2003 e precisa demonstrar dois anos de prática forense e ser inscrito na OAB. Seus quatro currículos (Portal da Transparência, Lattes, Escavador e Wikipédia) registram que nessa época (2005/2006) ele morava em Recife, onde era empregado de dedicação exclusiva na Caixa Econômica Federal e trabalhava na agência Teatro Marrocos.

IMPOSSIBILIDADE – Surge uma grande dúvida. Como Messias poderia ter dois anos de prática forense pós- formado, conforme é exigido, se à época do concurso ainda trabalhava em horário integral na Caixa?

Mesmo assim, os dirigentes da ESAF entenderam que ele cumpriu as exigências e Jorge Messias participou do concurso, embora ainda hoje existam dúvidas pertinentes também quanto ao exame exigido pela Ordem dos Advogados do Brasil para exercício da profissão.

Em 2005, Messias ainda morava em Recife, continuava trabalhando na Caixa Econômica, e deveria se inscrever  na Seccional de Pernambuco. Porém, isso jamais ocorreu. A única inscrição que tem é de Brasília, com o nº 31.448 indicando que foi feita em 2010 ou 2011, anos depois de ser nomeado. Ele jamais foi inscrito em Recife, seu nome não consta como ativo ou inativo.

SURGIRAM PROBLEMAS – A homologação do concurso ocorreu em 22 de junho de 2006, quando Jorge Messias constou na lista de aprovados, no 86º lugar. Mas havia problemas em relação a ele e a outros 65 inscritos, porque a nomeação deles para o cargo de Procurador da Fazenda Nacional só ocorreu um ano e meio depois, em 6 de novembro de 2007.

Na Portaria Conjunta assinada pelos ministros Guido Mantega (Fazenda) e Dias Toffoli (AGU), fica claro que Jorge Messias e os outros 65 aprovados pediram para serem colocados no final da lista de nomeação.

Esse tipo de solicitação só ocorre quando o candidato tem dificuldades de apresentar documentos, como diploma, exame da OAB, comprovação de dois anos de prática forense etc. É mais uma dúvida no nebuloso início de carreira de Messias, que acabou ficando como 586º nomeado num concurso para 27 vagas, o que demonstra o aparelhamento da máquina administrativa pelo PT.

JOVEM PRODÍGIO – Detalhe importante: nessa época, o jovem Jorge Messias já tinha sido  aprovado para Procurador do Banco Central, onde não havia exigência de dois anos de prática forense.

Ficou em surpreendente quarto lugar, com apenas 25 anos, mesmo sendo empregado da Caixa Econômica Federal em horário integral, que impediu ter experiência como advogado.

Na verdade, a fraude é inquestionável, porque Jorge Messias não tinha registro na Ordem dos Advogados do Brasil, Morava em Recife quando foi nomeado, e jamais  teve inscrição na OAB de Pernambuco, repita-se. Para conferir, basta consultar os sites da OAB nacional e da OAB pernambucana.

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P.S. 1 –
 Tudo que se refere ao futuro ministro do Supremo tem jeito de fraude. Mas o assunto não está esgotado e amanhã voltaremos a ele. (C.N.)

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