Funcionário dos EUA deixa o Brasil após governo adotar reciprocidade

Senador da oposição diz que Messias dificilmente será vetado pelos senadores

Cartum: quadrinhos, tirinhas e charges - 22/11/2025 | Folha

Charge do Cláudio Oliveira (Folha)

José Carlos Werneck

Está marcada para o próximo dia 29 a sabatina no Senado de Jorge Messias, advogado-geral da União indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal.

Não obstante os esforços da Oposição para que o nome seja rejeitado, parlamentares já admitem que a indicação deve ser aprovada, tanto na Comissão de Constituição e Justiça quanto no plenário.

SEM ESPERANÇAS – “Eu duvido que ele [Jorge Messias]seja reprovado, infelizmente, porque o sistema está aí”, afirmou o senador Marcos do Val, do Avante do Espírito Santo, em entrevista à imprensa.  Apesar de manifestar seu voto contrário à indicação de Messias, ele ressalta que “não adianta ter esperança agora”.

Assim como não vislumbra  condições para a reprovação da indicação de Messias, do Val também descarta o avanço no Congresso de pedidos de impeachment contra ministros do STF.

“Não vai ter impeachment. Sabe por que não vai acontecer nada daqui até as eleições? Porque os atores são os mesmos”, afirmou, apostando na renovação do Legislativo a partir das próximas eleições”.

Caso Master: delações podem atingir direita, esquerda e expor na campanha e crise no STF

Lucido e atuante, Sarney ainda reina nos bastidores do poder em Brasília

Sarney celebra 96 anos exaltando o amor e a memória

Sarney e o bolo rubronegro (Foto Junior Pereira)

Vicente Limongi Netto

Os deuses da energia e da lucidez saúdam os 96 anos de idade do ex-presidente José Sarney. Responsável, na chefia da nação, pela transição democrática. Homem telúrico, poeta, escritor lido e consagrado no mundo inteiro.

Como jornalista, ex-deputado federal, ex-senador, ex-governador e ex-presidente do Congresso Nacional, ex-presidente da Repúblca e imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL), o maranhense José Sarney é respeitado por todos os segmentos da sociedade e ainda encontra tempo para ser conselheiro de políticos famosos e consagrados. Entre eles, o presidente Lula.

Nessa linha, analistas do primeiro time da política acreditam que diante da confusa quadra brasileira, Lula precisa tirar um tempo para nova rodada de conversas com o experiente autor de “Marimbondos de Fogo”.

Uma década após Dilma, país segue dividido, refém de um legado sem reconciliação

Reação de Gilmar dá fôlego a Zema e reforça discurso de vítima na corrida presidencial

Zema ganhou holofotes que não alcançaria sozinho

Bernardo Mello Franco
O Globo

Romeu Zema iniciou uma cruzada contra o Supremo para tentar sair da rabeira da corrida presidencial. A tática ainda não produziu efeito nas pesquisas, mas acaba de ganhar um impulso inesperado. No início da semana, Gilmar Mendes apresentou uma notícia-crime contra o ex-governador de Minas. Pediu que ele fosse investigado no inquérito das fake news, conduzido pelo colega Alexandre de Moraes.

O supremo ministro se irritou com vídeos publicados nas redes de Zema. Numa das peças, fantoches satirizam o envolvimento de juízes da Corte, chamados de “intocáveis”, com o escândalo do Banco Master. Em entrevista à TV Globo, Gilmar acusou o ex-governador de “sapatear” sobre a crise de imagem do Supremo. É verdade, mas a reação exagerada só ajuda o político do Partido Novo.

HOLOFOTES  – Ao ser ameaçado de processo pelo decano da Corte, Zema ganhou holofotes que jamais alcançaria por conta própria. Passou a se apresentar como vítima de perseguição judicial, tentativa de censura e abuso de poder.

A direita cerrou fileiras para apoiá-lo. Flávio Bolsonaro prestou solidariedade e aproveitou para criticar o “ativismo judicial”. O senador já batia no Supremo por causa da condenação do pai. Agora ganhou um pretexto para posar de defensor da liberdade de expressão.

Os ataques de Zema são tudo, menos espontâneos. Nos últimos dias, ele publicou mais de uma dezena de vídeos contra o Supremo, a maioria produzida com inteligência artificial. O objetivo é pegar carona na crise e se vender como candidato antissistema, que não teme peitar os poderosos.

“HOMEM SIMPLES” – Em outra frente, o ex-governador investe no figurino de homem simples, embora seja herdeiro de um dos maiores grupos empresariais de Minas. Ao debochar de seu jeitão caipira, Gilmar também dá gás a essa marquetagem.

Em campanha há oito meses, Zema segue empacado no pelotão dos nanicos. Oscila entre 3% e 4% das intenções de voto, desempenho pífio para quem governou o segundo estado mais populoso do país. Ainda não está claro se ele quer mesmo a Presidência ou se busca um convite para a chapa do filho de Bolsonaro. Em qualquer cenário, a escada oferecida por Gilmar pode ajudá-lo.

BC reverte decisão sobre Banco Master e mantém lacunas em análise de recursos

Nada pode disfarçar o apuro do amor, na poesia de Ana Cristina Cesar

Tribuna da Internet | Ana Cristina Cesar, genial poeta, em busca de um amor  cada vez mais difícilPaulo Peres
Poemas & Canções

A professora, tradutora e poeta carioca Ana Cristina Cruz Cesar (1952-1983) é considerada um dos principais nomes da geração mimeógrafo (ou poesia marginal) da década de 1970. Na sua visão romântica, nada pode disfarçar o apuro do amor.

NADA DISFARÇA O APURO DO AMOR
Ana Cristina Cesar

Um carro em ré.
Memória de água em movimento.
Beijo.
Gosto particular da tua boca.
Último trem subindo ao céu.
Aguço o ouvido.
Os aparelhos que só fazem som
ocupam o lugar
clandestino da felicidade.
Preciso me atar ao velame
com as próprias mãos.
Singrar.
Daqui ao fundo do horto florestal
ouço coisas que
nunca ouvi, pássaros que gemem.

Lula usa crise com os EUA para reforçar discurso de soberania e mirar avanço eleitoral

Lula endossa retórica de ‘guerra contra o crime’

Jeniffer Gularte
O Globo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem usado o mais novo atrito entre Brasil e Estados Unidos, a retirada de um delegado da Polícia Federal dos EUA a pedido do governo Donald Trump, para retomar o discurso de soberania nacional e defesa da pátria.

Com dificuldade de ampliar a percepção na população sobre o que avalia como pontos positivos da própria gestão e em meio ao acirramento da disputa presidencial com Flávio Bolsonaro (PL), Lula pegou carona na divergência com a Casa Branca.

RECIPROCIDADE – O chefe do Executivo usou o princípio da reciprocidade, com a determinação da perda de credenciais de um oficial americano que atuava da PF em Brasília, e aproveitou para fazer um gesto à corporação, chamando mil aprovados no concurso público. Assim, Lula combina o discurso de soberania com o endurecimento das falas sobre segurança pública, estratégia de campanha para conquistar o eleitor indeciso que flerta com a possibilidade de votar no filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em menos de 24 horas, Lula citou duas vezes que está enfrentando o crime organizado. Na primeira, no vídeo publicado nas redes sociais na quarta-feira, em que anuncia a convocação de 630 agentes, 160 escrivães, 120 delegados, 69 peritos e 21 papiloscopistas para PF, afirma que o “assumiu um compromisso de fazer uma guerra contra o crime organizado”.

CONTRA O CRIME – Nesta quinta-feira, na abertura da Feira Brasil na Mesa em Planaltina (DF), voltou a tratar do tema e afirmou que quer mais policiais federais para “prender bandido”. “Assinei decreto dando mais mil vagas na PF, chamando as pessoas que prestaram concurso. Pela primeira vez na história, a PF vai conseguir ocupar todos os cargos que tem. Nós vamos derrotar o crime organizado e precisamos de todos delegados e todos os agentes trabalhando para prender bandido nesse país”,disse Lula.

Foi na toada da defesa da soberania que Lula alcançou os melhores índices de popularidade em 2025, em resposta aos tarifaços de 50% imposto pelos EUA sobre a importação de produtos brasileiros. Na época, de acordo com a Quaest, a aprovação subiu de 40% para 43%, enquanto a desaprovação caiu de 57% para 53%, entre junho e julho de 2025.

TRAPALHADAS DE EDUARDO – Naquele período, Lula também se beneficiou das derrapadas dadas pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que endossava as sanções americanas contra o Brasil. Agora, no entanto, Flavio Bolsonaro tem evitado tratar do tema.

Ao anunciar as contratações para a Polícia Federal, Lula elogiou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e endossou a reciprocidade diplomática aos EUA, no tom de “toma lá, dá cá”: “Parabéns pela sua posição em relação ao delegado americano, colocando a reciprocidade, ou seja, o que eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles. Esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltar à normalidade”, disse Lula.

Apesar de reforçar o discurso de soberania, o presidente não deve pesar a mão nas críticas a Donald Trump. O governo brasileiro segue trabalhando na possibilidade de um encontro entre Lula e Trump na Casa Branca e não pretende estressar a relação com Washington a ponto de inviabilizar a ida do petista aos EUA. Na quinta-feira, Lula falou que quer levar jabuticaba e maracujá para Trump “se acalmar”.

RETIRADA DE CREDENCIAIS – Nesta semana, Rodrigues, anunciou a retirada das credenciais diplomáticas de um servidor dos Estados Unidos que atua no Brasil. O oficial era um policial americano que trabalhava dentro de uma unidade da PF em Brasília. A partir de agora, o agente deixa de ter acesso à unidade e a bases de dados usadas para as cooperações entre as polícias do Brasil e dos Estados Unidos. O chefe da PF afirmou que esse procedimento foi mesmo que aconteceu com o delegado brasileiro que atuava em Miami.

A medida ocorreu após o governo Donald Trump pedir a retirada dos Estados Unidos do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho, envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) em território americano.

PF conclui que Sicário atentou contra a própria vida e apresenta conclusão de investigação

Luiz Phillipi é considerado operador de Vorcaro

Mariana Muniz
O Globo

A Polícia Federal concluiu o inquérito que apurou as circunstâncias da tentativa de suicídio de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, investigado ligado ao caso do Banco Master, e encaminhou o relatório final ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira. O documento foi entregue ao ministro André Mendonça, relator das investigações.

Mourão estava sob custódia na Superintendência da PF em Minas Gerais quando tentou tirar a própria vida. Ele chegou a ser socorrido, mas morreu dias depois em uma unidade hospitalar. A investigação foi aberta para esclarecer as condições do episódio ocorrido nas dependências da corporação e eventuais responsabilidades. Com a conclusão do inquérito, caberá agora ao STF analisar o material e definir os próximos passos do caso.

CRONOLOGIA – Mourão havia sido preso no âmbito da operação que investiga o banqueiro Daniel Vorcaro e um suposto esquema de fraudes financeiras e intimidação de adversários. No início do mês, o O Globo fez uma cronologia da prisão de “Sicário” até o momento de sua morte.  Por volta das 6 horas do dia 4 de março, agentes da Polícia Federal bateram na porta de Mourão para cumprir a ordem de prisão preventiva e mandados de busca e apreensão ordenados pelo Supremo.

As ações se davam na terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada naquele dia, que se destina a apurar os crimes de fraude financeira, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça. Na residência, os agentes deram voz de prisão a Mourão e apreenderam equipamentos eletrônicos, documentos, relógios de luxo, joias e uma pistola sem registro. Se ele não tivesse morrido, ele responderia a um outro processo por porte ilegal de arma de fogo.

Por volta das 9h, ele foi levado à cela 2 do terceiro andar da superintendência da PF em Belo Horizonte. Nesse momento, como é praxe com alvos da corporação, ele passou por uma revista completa, na qual precisou deixar o cinto, relógio e cadarço. Às 12 horas, Mourão foi encaminhado à sala de interrogatórios, onde ficou por cerca de duas horas. Na cela, Mourão aparentava estar inquieto. Por volta das 15h20, ele tentou se matar.

GRAVIDADE –  Passaram-se cerca de dez minutos até que os agentes da PF percebessem o incidente e iniciassem a tentativa de reanimá-lo com massagem cardíaca e ventilação. Ao constatar a gravidade da situação, eles acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que chegou por volta das 16h15. Mourão foi levado ao hospital João XXIII, em Belo Horizonte, onde foi internado às 17h56. Dois dias depois, a defesa dele confirmou a falecimento do preso após o “encerramento do protocolo de morte encefálica”.

Procurada, a defesa de Mourão não quis se manifestar. Nos bastidores, os advogados e familiares dele vão esperar a conclusão do inquérito da PF para decidir se pedem uma investigação paralela sobre a morte dele ou se movem alguma ação de indenização contra o Estado.

Esta Eva que defende penduricalhos de juízes precisa ser expulsa do Paraíso…

Desembargadora que falou em 'escravidão de juízes' recebeu mais de R$ 117  mil em março

A desembargador Eva simboliza o próprio retrato do Inferno

Vicente Limongi Netto

O troféu indecoroso de porta-estandarte da estupidez nacional pertence a uma desembargadora do Tribunal de Justiça do Pará, Eva do Amaral Coelho.  A despudorada juíza Eva cobriu a consciência nacional de vergonha ao reclamar do salário líquido de março de 91.211,82 reais.

Para a infame magistrada, a redução dos penduricalhos para magistrados, determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), significa a volta da escravidão.

ABISSAL IGNORÂNCIA – A nação indignada repudiou a abissal ignorância da desprezível togada. Eva do Amaral deslustra ainda mais o Judiciário, ultimamente atravessando inferno astral sem precedente. 

Diaristas e trabalhadores em geral não ganham, trabalhando durante anos, o salário da patética e chorona desembargadora. A desonra tomou conta do Brasil. Acabou o pudor, a esperança de dias melhores. A escória togada ajuda a arrastar o Brasil para o ralo da imundície social.  

Esta Eva precisa ser expulsa do Paraíso e purgar suas penas no inferno.

APENAS NO ZOO – Passaram sem festas os 66 anos de Brasília. Mas a data não ficou totalmente em branco. O amplo zoológico foi de graça.  O brasiliense viu hienas e abutres e lembrou de Ibaneis Rocha, Paulo Henrique Costa e Daniel Vorcaro, que destruíram o Banco Regional de Brasília.

A população também se divertiu com os pavões de cauda aberta, recordando as figuras de Alexandre de Moraes, Dias Toffoly, Flávio Dino e Gilmar Mendes.

As éguas, burros, cavalos, jumentos e cobras venenosas representaram políticos, especialmente do PT, do Centrão e do Partido Liberal.  O show de palhaços homenageou crianças, em particular e o povo, em geral, que desde sempre vem fazendo papel de palhaço.  

Delações no caso do Banco Master elevam tensão e pressionam as instituições

Ex-presidente do BRB que fechar acordo de delação premiada

Pedro do Coutto

O escândalo envolvendo o Banco Master evoluiu rapidamente de uma investigação financeira complexa para um potencial ponto de tensão entre instituições no Brasil. A possibilidade de uma delação premiada por parte do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, introduz um novo elemento de instabilidade em um caso que já mobiliza o sistema político, o mercado e setores do Judiciário.

Em episódios dessa natureza, não é apenas o conteúdo das revelações que importa, mas o alcance que elas podem ter sobre a estrutura de poder e a confiança pública. Embora não haja confirmação de envolvimento direto de ministros do Supremo Tribunal Federal em irregularidades, o simples fato de o caso tangenciar o ambiente da Corte já é suficiente para ampliar sua dimensão política e institucional.

MODELO SOFISTICADO – As suspeitas já conhecidas apontam para operações complexas envolvendo transferência de ativos, possíveis irregularidades na gestão de carteiras de crédito e indícios de benefícios indevidos, sugerindo um modelo sofisticado de engenharia financeira com potenciais ramificações institucionais.

O problema, contudo, não se limita ao conteúdo das investigações, mas à percepção pública que delas decorre. Quando nomes ligados ao topo do sistema de Justiça aparecem, ainda que de forma indireta ou sem comprovação de ilícitos, o impacto não é apenas jurídico — é político e simbólico. A credibilidade do Judiciário passa a ser tensionada, e o debate deixa de ser estritamente técnico para se tornar parte de uma disputa mais ampla sobre confiança institucional.

É nesse ambiente que uma eventual delação ganha peso estratégico. Dependendo do que for apresentado — e, sobretudo, do que puder ser comprovado — o país pode assistir a uma ampliação significativa do caso ou a um reposicionamento das responsabilidades já conhecidas.

DUPLO EFEITO –  Mas há um risco evidente: o uso político de narrativas não verificadas ou a antecipação de julgamentos com base em vazamentos pode contaminar o processo e comprometer a própria busca pela verdade. A experiência recente brasileira mostra que grandes operações têm esse duplo efeito — fortalecem mecanismos de controle, mas também podem gerar crises de legitimidade quando atingem estruturas sensíveis do poder.

O caso, portanto, coloca o sistema diante de uma encruzilhada. De um lado, a necessidade de investigar com profundidade, sem blindagens e sem seletividade; de outro, a responsabilidade de evitar que suspeitas não confirmadas sejam tratadas como fatos consumados.

O equilíbrio entre esses dois vetores será determinante. Mais do que eventuais responsabilizações individuais, o que está em jogo é a capacidade das instituições de atravessar mais uma crise preservando sua autoridade e sua legitimidade perante a sociedade. Porque, ao fim, escândalos dessa natureza não testam apenas pessoas — testam a solidez do próprio Estado.

Sem Bolsonaro no jogo, Flávio enfrenta rebelião interna e vê alianças ruírem pelo país

Gilmar minimiza crise do Master e aponta falha estrutural no sistema financeiro

Messias passou em 4º lugar no primeiro concurso, e ficou em 586º lugar no segundo

Lula indica Jorge Messias para a vaga de ministro do STF no lugar de Barroso #charge #cartum #cartoon #humor #política #humorpolitico #desenho #art #caricatura #caricature #jornal #opovo #jornalismo #illustration #ilustração #editorialcartoon ...

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Carlos Newton

Recordar é viver. No início do primeiro governo petista, em 2003, Lula da Silva e a cúpula do PT, liderada pelo ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, buscaram repetir a iniciativa de seu antecessor Fernando Henrique Cardoso, que tentou aparelhar com tucanos a máquina administrativa federal, para ficar no governo por 20 anos, objetivo alardeado à época pelo ministro Sérgio Motta, que operava o esquema.

Essa ambição de ficar no poder é comum a qualquer presidente, mas existem leis e normas a seguir, que os ministros nomeados por Lula rigorosamente não procuraram respeitar.

EXEMPLO DA FAZENDA – Desde 1952, quando foi criada, e até 1º de janeiro de 2003, quando Lula da Silva assumiu seu primeiro mandato, a carreira de Procurador da Fazenda Nacional teve escassos 4599 funcionários. Ou seja, em 51 anos (de 1952 a 2002), o Ministério da Fazenda funcionou com uma média de somente 09 procuradores nomeados por ano.

Mas essa rigorosa e comedida prática ficou no passado. No esforço de aparelhar a administração, os ministros da base aliada esqueceram a ética, o mérito e a dignidade dos concursos públicos e exageraram na dose. Nesse particular, os ministros da Fazenda do governo petista – primeiro, Antônio Palocci, e depois, Guido Mantega – tiveram o mais extraordinário desempenho.

Facilitando as inscrições e manipulando os concursos, as equipes dos ministros aprovaram um número enorme de candidatos, que incluíam muitos militantes petistas, como Jorge Messias, cabo eleitoral do partido em Pernambuco.

NOMEANDO ADOIDADO – O aumento do número de servidores chegou a ser incrível, fantástico e extraordinário, notadamente na área econômica, como se constata ao analisar essa importante carreira de Procurador da Fazenda Nacional.

De repente, como um furacão, o ministro Palocci saiu abrindo concursos sempre para poucas vagas, no máximo 32, mas aprovando e nomeando centenas de “aprovados”, sem o menor controle. Na carreira dos procuradores da Fazenda Nacional, logo de cara o primeiro concurso nomeou 205 novos procuradores em 2003. E não parou por aí. O aparelhamento da máquina administrativa tornou-se incontrolável. Dois anos depois, em 2005, Palocci nomeou mais 104, perfazendo 309 novos integrantes da Procuradoria. E foi em frente

Em 2006, antes de se demitir no dia 27 de março, por causa do escândalo das orgias sexuais delatadas pelo caseiro Francenildo Costa, o ministro Palocci ainda teve disposição para convocar mais um concurso, em que foram nomeados 341 candidatos, totalizando exatos 650 novos contratados – ou seja, em apenas quatro anos o governo do PT nomeou mais procuradores do que a carreira havia tido nos 51 anos anteriores.

TUDO NORMAL – Tanta nomeação não seria um exagero? Para o governo petista, claro que não. Como não houve protestos, a base aliada continuou empenhada na contratação de militantes, manipulando concursos e multiplicando vagas desvairadamente.

Em 2008, foram batidos todos os recordes em um só concurso. O edital 35 da Escola de Administração Fazendária, em 23 de junho de 2007, abriu espantosas 250 vagas, mas no final houve nomeação de 942 candidatos, fazendo com que a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional passasse a ter 1.592 novos integrantes em apenas cinco anos.

Portanto, o principal palco do aparelhamento da máquina administrativa era mesmo a área econômica, através da Escola de Administração Fazendária (ESAF) e da Procuradoria-Geral do Banco Central. Os ministros não participavam diretamente, é claro, deixavam que a burocracia fizesse o papel sujo.

MANTEGA E TOFFOLI – Mas o poder embriaga, e nesse ambiente de euforia e êxtase os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e Dias Toffoli, da Advocacia-Geral da União, resolveram participar do esquema.

Ao invés de deixar que a direção da ESAF e o Conselho Superior da Advocacia-Geral da União cuidassem de tudo, decidiram intervir diretamente e ampliar as nomeações de participantes do concurso para Procurador da Fazenda Nacional realizado em 2006, com 27 vagas, que tinha Jorge Messias como um dos candidatos, após já ter sido  nomeado Procurador do Banco Central em concurso anterior.

Nota-se claramente que a Portaria Conjunta, publicada no Diário Oficial por Mantega e Toffoli em 7 de novembro de 2007, não foi redigida por especialistas em recursos humanos.

Sem qualquer justificativa, estabelece que os ministros decidem “nomear, para cargos efetivos de Procurador da Fazenda Nacional de 2ª Categoria, os candidatos aprovados e classificados no referido concurso público, que requereram sua recolocação no final da lista de aprovados, relacionados em Anexo.

TEXTO CONTRADITÓRIO – O uso da palavra “recolocação” desses 66 candidatos é indevido, porque a expressão técnica utilizada oficialmente é “reclassificação”.

Esses 66 aprovados pediram para ser nomeados no final d fila porque tinham problemas para cumprir as exigências do edital. Messias, por exemplo, ainda não era inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil nem tinha os obrigatórios dois anos de experiência forense. Por isso, requereu o adiamento da nomeação.

O pior e mais patético foi a “reclassificação” que esses 66 candidatos passaram a ter na Portaria Conjunta de Mantega e Toffoli. O afortunado Jorge Messias, por exemplo, ficou na posição nº 586 entre os aprovados, mas foi nomeado, embora o edital do concurso previsse apenas 27 vagas.

E O REGISTRO DA OAB? – Aí surge uma pergunta que não quer calar… Como Messias conseguiu ser aprovado e nomeado no concurso anterior que fizera, para Procurador do Banco Central?

Segundos seus currículos (Portal da Transparência do governo federal, Lattes, Escavador e Wikipédia), Messias morava em Recife no ano da nomeação. Ou seja, teria de estar inscrito na Ordem dos Advogados na Seccional de Recife, mas até hoje ele só tem registro na OAB do Distrito Federal, e o número 31.448 indica que ele inscrito como advogado efetivo em 2010 ou 2011, anos depois de ser nomeado duas vezes seguidas para o cargo de Procurador.

É difícil acreditar numa barbaridade administrativa desse teor. Mas a verdade é uma força irrepresável, um dia arrebenta as comportas.

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P.S. 1 –
 A política brasileira é assim mesmo, não dá para entender o que acontece nos bastidores. Por isso, personagens nebulosos como Jorge Messias acabam sob as luzes da ribalta, representando papéis de alto protagonismo.

P.S. 2 O assunto é eletrizante, e logo voltaremos, com novas informações. (C.N.)

Justiça rejeita ofensiva de “Careca do INSS” e libera o uso de seu apelido

Se eu fosse sabatinar Jorge Messias no Senado, somente faria a ele quatro perguntas…

Em artigo no NY Times, Jorge Messias defende STF e soberania do Brasil | Agência Brasil

O notório saber de Jorge Messias é ignorado pela opinião pública

Jorge Béja

Em 43 anos seguidos do exercício da advocacia, trabalhei e estudei muito e muito. Comprei muitos livros. Hoje, somados, são perto de 1.300. Estão lá no escritório na cidade. Tudo lá está abandonado e empoeirado. Há 6 anos que não vou lá. São estantes e mais estantes, livros, muitos livros. Todos lidos, de ponta a ponta. Todos jurídicos. Agora estou aposentado e no dia de hoje completo 80 de idade.

Nunca encontrei na bibliografia de todos os livros que comprei e li, — bibliografia que os autores dos livros colocam no final de cada obra—, nunca encontrei referência a Jorge Messias, como autor de uma só obra. De um só parecer. De uma só citação. Nada. Nada. Nada.

“BESSIAS” NO STF – Da ilibada conduta dele não duvido, embora naquele áudio em que Dilma Rousseff manda para Lula ela tenha dito “o Bessias vai levar…. Referia-se a um documento em que Dilma nomeava Lula para algum cargo. Entendi que se tratava apenas de um portador. De um contínuo. Nada mais do que isso.

As sabatinas no Senado para avaliar indicado a ministro do STF deveriam ser feitas por juristas renomados. Deveriam ser exclusivamente sobre questões jurídicas. Se a mim coubesse integrar esse grupo de juristas-sabatinadores, faria apenas quatro perguntas ao indicado:

Quais são os efeitos da citação válida? O que diferencia prescrição de decadência? O que é preclusão? Queira dissertar sobre o enunciado “Narrat Mihi Factum Dabo Tibi Ius”

Sem mulheres no Planalto: Lula e Flávio lideram disputa que simboliza retrocesso histórico

Fim da escala 6×1 vira moeda de troca: oposição exige contrapartida e pressiona governo

Sóstenes diz que governo terá que apresentar compensação

Gabriela Echenique
Folha

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), disse que para aprovar o fim da escala 6×1 na Câmara, o governo terá que apresentar uma contrapartida robusta às empresas.

A declaração é feita após o texto ter sido aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), deve determinar a instalação da comissão especial nos próximos dias.

RESISTÊNCIA – Petistas resistem à ideia de bancar uma ajuda às empresas e também não querem aprovar uma desoneração. Mas, nos bastidores, admitem que terão que encontrar alternativas para acelerar a votação na casa. O PL quer propor, inclusive, ao menos duas mudanças no texto. Uma delas é o pagamento por hora trabalhada, como propôs também a campanha do presidenciável, Romeu Zema (Novo).

Sóstenes afirmou que se não houver contrapartida, o texto não passa com facilidade. “Ou o governo abre o cofre para aprovar o texto ou vai ter muita dificuldade aqui na Câmara”, afirmou. Alguns deputados da oposição articulam para protelar a votação da PEC e querem usar o máximo de sessões previstas pelo regimento —são 40, no total. Se isso acontecer, o projeto não será aprovado no primeiro semestre.

O deputado Fausto Pinato (PP-SP) reclamou da pressa em votar o texto. “Tudo está sendo feito de forma açodada e eleitoreira. Não dá para tratar um tema tão importante dessa forma”, afirmou. Governistas ouviram do presidente da Câmara a garantia de que dará celeridade à matéria e quer aprovar em plenário até o final de maio.

Flávio retoma discurso de 2018 e reacende confronto entre agro e terras indígenas

Flávio volta à cartilha do ex-presidente Jair Bolsonaro

Luísa Marzullo
O Globo

No palanque de uma das principais feiras do agronegócio do país nesta quarta-feira, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) retomou o discurso que marcou a ascensão de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2018, ao explorar a oposição entre produtores rurais e habitantes de terras indígenas.

Buscando avançar sobre o setor do campo, Flávio indicou que o tema será incorporado aos discursos durante a campanha eleitoral. “Nenhuma dessas reservas será demarcada se depender do nosso governo”, disse Flávio, ao discursar para produtores presentes na Norte Show, em Sinop (MT).

VELHO DISCURSO – A formulação ecoa uma das frases mais repetidas por Bolsonaro ainda antes de assumir o Planalto. Em novembro de 2018, em entrevista ao programa Brasil Urgente, da Band, o então presidente eleito afirmou: “Eu tenho falado que, no que depender de mim, não tem mais demarcação de terra indígena”.

À época, o argumento vinha acompanhado da promessa de garantir segurança jurídica ao campo e frear o avanço de novas áreas protegidas. No governo, a diretriz foi mantida: não houve novas demarcações homologadas entre 2019 e 2022.

Ao recuperar esse eixo, Flávio não apenas mobiliza o repertório do pai, mas tenta reativar a mesma lógica política que aproximou o bolsonarismo do agronegócio: a ideia de que a expansão da produção depende de freios à política indigenista e à regulação ambiental.

MAIS DO MESMO – A passagem pela feira foi desenhada para sinalizar essa continuidade. Depois de chegar ao estado com uma camiseta com o slogan “o agro é top”, Flávio trocou de roupa e vestiu outra blusa com os dizeres “o futuro nasce do campo”. Circulou entre produtores, participou de encontros com lideranças e repetiu gestos associados à campanha de Bolsonaro, incluindo a realização de uma motociata.

O pré-candidato também apresentou um pacote de acenos ao setor. Interlocutores relatam que os pontos apresentados pelo senador estavam alinhados a um documento entregue por representantes de entidades do setor, uma espécie de “cartilha” com prioridades do agro — que vão desde crédito e segurança jurídica até posicionamentos sobre regulação ambiental e política fundiária.

O senador defendeu a retomada de linhas de crédito do Plano Safra com juros mais baixos, a facilitação do financiamento aos produtores e a redução de burocracias. Também afirmou que pretende atuar contra a moratória da soja, com a intenção de levar o tema ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica e ao Supremo Tribunal Federal.

CRÍTICA – No campo ambiental, Flávio voltou a criticar o que chamou de uso “ideológico” da pauta e disse que o papel do governo deve ser o de “não atrapalhar” o setor produtivo, outra formulação recorrente no discurso de Bolsonaro quando tratava da relação com o agro. A movimentação ocorre em um cenário mais competitivo do que o enfrentado pelo ex-presidente em 2018. O setor segue majoritariamente alinhado à direita, mas já não se organiza de forma automática em torno de um único nome.

A entrada de Ronaldo Caiado (PSD) na corrida presidencial alterou esse equilíbrio. Com histórico ligado ao setor, tendo sido uma das principais vozes da bancada ruralista no Congresso, e interlocução consolidada com produtores, o ex-governador passou a disputar o mesmo eleitorado e, na avaliação de aliados de Flávio, freou uma adesão que antes era tratada como natural ao bolsonarismo.

PLEITO POR VICE –  Esses movimentos também dialogam com pressões internas do próprio agronegócio. Lideranças do setor têm defendido, nos bastidores, que a chapa da direita em 2026 inclua um vice com origem ou forte ligação com o segmento, como forma de garantir interlocução direta em temas sensíveis.

Nomes como o da ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina (PP-MS) aparecem com frequência nesse debate, justamente por reunirem trânsito no setor e experiência na condução da política agrícola. No entanto, a senadora tem se mostrado relutante e já disse a Flávio que pretende disputar a presidência do Senado no próximo biênio.

Sem Tereza, outros nomes com trânsito no setor, como a deputada federal Simone Marquetto (PP-SP), são citados. Também aparecem alternativas fora do agro, como a vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL-CE) e a deputada federal Clarissa Tércio (PP-PE), ligadas ao eleitorado conservador e evangélico, além do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), que tem perfil mais voltado à gestão e ao empresariado.