A batalha do Rio de Janeiro

Pedro do Coutto

A verdadeira guerra que explodiu na cidade do Rio de Janeiro e se intensificou no decorrer da ltima semana vai exigir um esforo coletivo das foras militares e policiais, com a participao do governo federal, atravs do Ministrio da Justia, pois no se trata apenas de um confronto, j por si assustador, das foras da lei contra os que atuam no crime e, portanto na ilegalidade. No somente essa a questo. que existe o risco direto da populao civil viver encurralada pelo imprevisto e pela falta de uma soluo efetiva. Os problemas se acumularam ao longo do passar dos anos, a partir da favelizao e a ocupao desse territrio onde as penetraes so difceis e cada vez mais desafiadoras. A remessa de armamentos pesados aos refgios e sombras da questo desafiadora cada vez mais enigmtica. So muitas as razes do processo sinistro. Mas onde est o caminho para enfrentar a realidade? Os trgicos acontecimentos que estranhamente sempre culminam com o incndio de nibus, o meio de transporte mais usado na cidade, j se transformaram em ameaas permanentes contra todos.

H muitos anos, o Rio no vive uma semana sem conflitos e confrontos. Os habitantes pedem paz, a exemplo da frase pronunciada por um jovem na janela de um nibus que conseguia livrar-se da rea de fogo cerrado. A afirmao do passageiro de aproximadamente vinte anos falou por todos. Quase todos querem apenas isso. Que possam utilizar o direito bsico de ir e vir, sem ter que superar os obstculos de uma tragdia, cuja histria infelizmente est se incorporando ao cotidiano.

Nessa histria entrelaam-se os trficos de drogas e de armas,comrcios que dramaticamente se revelam custa da vida e da integridade humana. Um mistrio, ou ento um claro enigma como o de Carlos Drumond de Andrade, a forma com que os artefatos da destruio chegam ao alto dos morros. Neles no existem aeroportos, estaes rodovirias, terminais ferrovirios, muito menos portos. Estes pontos, todos eles, podem ser, e so, as portas de entrada no pas. Mas como atravessam as ruas do Rio e de outras cidades brasileiras?A conflagrao no s carioca. So Paulo constitui outro exemplo crtico. O que induz logicamente a uma ao conjunta dos dois governos estaduais, apoiados ambos, claro, pelo Palcio do Planalto. Ilusoac4reditar que alguma fora isolada possa enfrentar a situao. Tem que haver unidade. Sem esta unidade, envolvendo informaes e aes, o poder pblico no conseguir avanar no seu projeto porque muitas aes vo se projetar em espaos taticamente vazios, criando um esgaramento que s interessa aos inimigos da sociedade e da populao. O panorama exige um esforo integral e coordenado, partindo de levantamentos estatsticos definidos quanto a incidncia dos crimes e sua proliferao. Inclusive tm que ser medidas as adeses dirias de jovens ao canto de sereia dos que vivem fora da lei. E tambm traduzir em linguagem de ao o porque isso ocorre. Enfim, identificar as fontes de uma verdadeira tragdia do sculo 21. No , evidentemente, tarefa fcil. Pelo contrrio. dificlima. Mas neste ponto que se localiza o desafio. No s o do presente, mas tambm o do futuro, pois se no contivermos a onda assustadora, espaos foram sendo cada vez mais ocupados, desalojar os criminosos transforma-se em tarefa extremamente complexa.No so Rio de Janeiro joga seu destino como o centro olmpico do pas para 2016.Todo o pas estar tolhido em seu projeto de viver em liberdade com dignidade. O futuro est em jogo. fundamental assegur-lo.Toda populao aguarda uma resposta.E j no vir sem tempo.

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