A festa acabou

Carlos Chagas

Esto em festa o Clube dos Otimistas, a Associao dos Sonhadores, a Escola de Samba Me Engana que Eu Gosto, a Sociedade dos Amigos do Dr. Pangloss e outras entidades dedicadas a visualizar o planeta como se fosse a morada apenas de anjos, arcanjos e querubins. bem verdade que nas prximas horas cairo todos em estado de prostrao e frustrao, com o fim da festa.

Fala-se da entrada em pauta, hoje, na Cmara Federal, do projeto de lei estendendo a todos os aposentados o mesmo reajuste anual dado queles que recebem o salrio mnimo. Um aumento acima da inflao, da ordem de 16.5%. Alm do mais, retroativo a 2008.

claro que as bancadas oficiais, lideradas pelo deputado Michel Temer, preparam-se para sabotar a votao e seus resultados. O presidente Lula no admite o benefcio. Segundo os tecnocratas, custaria mais de seis bilhes de reais aos cofres pblicos. Como o primeiro-companheiro no quer ser obrigado a vetar o projeto, se aprovado, o remdio adiar a votao, obstruir os trabalhos, pedir verificao de quorum ou adotar qualquer outro expediente capaz de evitar a gritaria dos velhinhos contra o primeiro-companheiro, a menos de um ano das eleies.

A proposta, j aprovada no Senado, faria justia a milhes de aposentados sendo gradativamente nivelados por baixo, a cada ano recebendo menos do que quando deixaram de trabalhar. Como os aposentados votam, a estratgia do Lula deixar que o nus do adiamento caia sobre a Cmara. Salvaria Dilma Rousseff de perder algumas centenas de milhares de votos.

O diabo que a maioria dos deputados sabe que o eleitorado tem memria. Ficariam bem posicionados para a reeleio quantos votassem a favor do projeto, mas tomariam o rumo das profundezas os que tivessem seus nomes divulgados como algozes do benefcio. A briga, assim, para saber quem levar a culpa, se o Congresso ou o palcio do Planalto. De qualquer forma, uma coisa certa: a Cmara no votar hoje, nem amanh, nem depois, o reajuste dos aposentados. A festa acabou…

Basta de intermedirios

Insistem Dilma Rousseff, o presidente Lula e os aderentes em transformar a sucesso presidencial num plebiscito entre os modelos de governo atual e passado. Seria o ideal, para o PT e adjacncias, caso o eleitorado se pronunciasse entre a administrao Fernando Henrique e a administrao Lula. Especulao financeira contra realizaes sociais, para uns. Neoliberalismo versus estatismo, para outros. Livre mercado em oposio presena do poder pblico.

Essa dicotomia pode at pegar, apesar da existncia de mais de dois candidatos na corrida sucessria. Tudo depender de como os pretendentes venham a desenvolver suas campanhas.

O irnico, no fim de semana que passou, que enquanto o Alto Tucanato fugia da imagem plebiscitria como o diabo foge da cruz, emergia no ninho personagem at ento tido como descartado: ele mesmo.

Fernando Henrique Cardoso surpreendeu oscompanheiros do PSDB com longo artigo publicado na imprensa, onde sustenta a inevitabilidade da deciso entre os seus dois mandatos e os dois do Lula. Uma comparao a respeito de quem mais beneficiou o pas.

Jos Serra, sem poder dar o brao a torcer, elogiou o texto, ainda que na intimidade o tenha abominado. Afinal, no e espera no ser tido como um vdeo-tape do socilogo. Como ministro, discordou de uma srie de postulados neoliberalizantes, e como candidato sustenta objetivos distintos. Valoriza o estado mais do que o mercado.

Qual a concluso a tirar de mais essa confuso no PSDB? Que Fernando Henrique alimenta a iluso de vir a tornar-se candidato? Afinal, para que intermedirios?

A rainha e a candidata

Hoje, amanh e depois, o presidente Lula estar em Londres. Vai vender uma vez mais as oportunidades de investimentos estrangeiros no Brasil, encontrando-se com empresrios e investidores do Reino Unido. No perder a oportunidade de encontrar-se com a Rainha, tambm travestida de camel de seu pas.

O singular que o presidente braasileiro levar Dilma Rousseff a tiracolo, como fez dias atrs na Venezuela, junto ao presidente Chaves, e como faz h tempos aqui dentro, viajando pelos estados. Dona Elizabeth II no deixar de receber a candidata, menos em nome do feminismo institucional, mais porque a economia inglesa anda na pior. Pelo protocolo e por suas caractersticas pessoais, dificilmente repetir o presidente venezuelano, transformado em cabo eleitoral de Dilma.

A propsito da ida do Lula Inglaterra, bom lembrar a vinda da Rainha ao Brasil, h precisamente 51 anos. O ento presidente Costa e Silva recepcionou-a com caprichado banquete no palcio da Alvorada. S se viam casacas com condecoraes, primeiros-uniformes que mais pareciam rvores de Natal. O prncipe Philliph, consorte sob todos os aspectos, abusara do copo. Em dado momento deparou-se com o general Jaime Portella.De pequena estatura, o chefe do Gabinete Militar ostentava todas as suas medalhas e comendas. O visitante, impertinente, indagou, cheio de malcia,sehavia recebido as condecoraes na guerra. Portella emperdigou-se, explicou a origem de cada uma das medalhas e, de repente, apontando para as dezenas de similares no peito do marido da Rainha, perguntou: e a suas, o senhor ganhou na cama?

Melhor conquistar o Maluf

Nesse perodo de viagens, o governador Jos Serra no perdeu tempo. Mandou-se para a Turquia, certamente a convite e para cumprir alguma agenda oficial. Em So Paulo comearam as gozaes, com muita gente indagando se a viagem teria conotao sucessria. Afinal, a colnia turca, rabe e libanesa grande, no estado, merecendo ser agradada. Foi quando um gaiato atalhou que se era para conquistar votos entre os descendentes de famlias do Oriente Mdio, Serra poderia ter economizado tempo e dinheiro. Bastaria ter dado um telefonema local para Paulo Maluf…

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.