A importância de Minas na sucessão. Favorecendo Serra, com Aécio na vice. Sem ele, o estado se movimentará no caminho de Dona Dilma. Tremenda a luta para governador, PSDB, PMDB, PT. Sem tumulto, certos Aécio e Itamar, senadores

Na República Velha (ou Primeira República), havia composição para a disputa da Presidência. O presidente de São Paulo ou Minas, o vice do Norte/Nordeste. Exclua-se Afonso Pena (1906), de Minas, com Nilo Peçanha (Estado do Rio) de vice. Pela primeira vez se quebrava o “apelo” dos nordestinos para que paulistas e mineiros tivessem votos lá.

Depois, não houve mais nada. Vieram os 15 anos selvagens de Vargas (garantido pelos militares ) e os 21 anos torturantes dos militares (apoiados pelos civis), os presidentes só tinham aspas, os vices eram apenas para “constar”, não assumiam mesmo.

Na transição de 1985, Sarney, vice, ficou com o mandato inteiro. No impeachment de 1992, Itamar assumiu a metade. Em 1954, Café Filho já havia ficado 1 ano e 4 meses que Vargas deixou, saindo da vida para entrar na História.

Agora, a guerra se trava em Minas, os presidentes já escolhidos, mas desesperadamente querendo, tentando ou exigindo um vice de Minas. Para José Serra, nenhuma dúvida, tem que ser Aécio Neves. Não desistiu nem desanimou, vai esperar o tempo que for necessário, o vice tem que vir de Minas.

Exatamente o mesmo problema de Lula (é ele que coordena e decide tudo, ele sabe pelos jornais, às vezes pela televisão ou internet), o vice tem que ser de Minas. Se para Serra o nome é Aécio, para a chapa oficial tem que ser Helio Costa.

Com a grande vantagem de preencher dois vazios, melhorar sensivelmente a posição nacional e estadual. Dona Dilma ganharia um vice que é do ramo, caminhariam para encurtar o trajeto para o Palácio da Liberdade, de onde o PT está longe há tanto tempo, ou melhor, desde sempre.

Mas o obstáculo Helio Costa é intransponível, mesmo com o próprio Lula como coordenador. Colocaram para Helio Costa, duas propostas. 1 – Vice de Dona Dilma. 2 – Em Minas ele apoiaria um candidato do PT a governador. Só que o ex-ministro nem admite conversar sobre as duas hipóteses. E suas razões são indiscutíveis.

É a terceira possibilidade de ser governador, (e logicamente a última, não desiste de jeito algum. Na última vez perdeu por milímetros no primeiro turno e por diferença ainda maior no segundo.

A vice não interessa, primeiro porque acha governador de Minas mais importante. E segundo, porque não tem certeza da vitória de Dona Dilma. Helio Costa está na plataforma esperando “o último trem para Berlim”, e não troca a passagem por nenhum outro trajeto.

Além do mais, o PT quer que Helio Costa apoie um candidato do partido a governador, mas não tem candidato. Patrus Ananias deixou o ministério para ser candidato, mas a preferência em Minas, sem dúvida alguma, no momento está com o ex-prefeito reeeleito, Fernando Pimentel.

Sem ter jamais conquistado o governo de Minas, o PT “sente” que ficará fora mais 4 ou mais 8 anos, não resistirá. Helio Costa vem tentando desde 1990, afinal é agora ou nunca, ele não é Lula que se elegeu na quarta tentativa, depois de três derrotas. Além do mais, a conquista do governo está cada vez mais difícil, e só deve ocorrer no segundo turno.

Contra Helio Costa, há o candidato de Aécio, Antonio Anastácia, que além de excelente nome e de ótimas credenciais, está no governo e conta com o entusiasmo de Aécio.

Embora aprisionado por dois nomes, o PT precisa lançar um candidato, mesmo que saiba que não vai ganhar. Mas trabalha para o segundo turno, quando então poderá obter vantagens e compensações. Além de servir de palanque para Dona Dilma.

Esse segundo turno está reforçado por uma decisão que me surpreendeu e que passo aos seguidores, como revelação. O jovem deputado federal, José Fernando (filho de Aparecido de Oliveira) lança no próximo dia 9, sua candidatura a governador pelo PV. Não aceita nem admite conselhos, acha que assim reforça a candidatura de Dona Marina a presidente. Terá no máximo cinco por cento dos votos, elege um deputado federal e 2 estaduais, que é o seu objetivo, mesmo com o sacrifício da carreira política, que vem construindo solidamente.

Assim, garantido o segundo turno, que será Antonio Anastácia contra Helio Costa, não existe mais ninguém. Mas, apesar de Aécio ser o fiador e “o Cabo Canaveral” de Anastácia, Dona Dilma será favorecida. Ela ainda não percebeu, mas Serra sabe disso há muito tempo.

Falta então, dentro dessa análise isenta e irrefutável, preencher a cédula de senador. São duas, serão eleitos Aécio e Itamar. E na mais perfeita harmonia e camaradagem, até na campanha. Quando Aécio estiver em Juiz de Fora, Itamar estará no Trângulo, Aécio na Zona da Mata, Itamar no ângulo oposto, mas sentarão no Senado, bem perto um do outro.

A única dúvida nessa multidão de dados que estou servindo, poderá surgir apenas de uma alteração: SERRA CONSEGUIR CONVENCER AÉCIO A SER O VICE. Tentará até o último momento.

***

PS – Já venho dizendo há meses, que Aécio não pode, não tem por que aceitar, mas a pressão virá de todos os lados.

PS2 – Existe hoje, em Minas, mais do que visível, um sentimento de frustração, de decepção, de omissão pelo fato de Aécio não ter sido presidenciável. Não apenas por ele, mas inteiramente por Minas.

PS3 – Desde Itamar em 1992, Minas não dá um presidente. A colocação do próprio Itamar como senador, ameniza as coisas, diminui um pouco a tristeza, mas não resolve totalmente o problema. Sem Aécio na vice, Serra não ganha em Minas. Dona Dilma também namora eleitoralmente um vice que só quer ser governador.

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