A luta pela vice com Dilma ou Serra: mais disputada, mais incerta, mais impenetrável do que a Presidência

Com Serra se definindo e Dona Dilma, definida, aparentemente o quadro presidencial está completo. Não significa o fim de outras candidaturas, mas a impossibilidade de se concretizarem ou se consolidarem dentro desse exótico quadro partidário.

Se mais 2 ou 3 nomes forem confirmados, haverá segundo turno, como tem acontecido desde que esse princípio constitucional foi estabelecido. (Juscelino teve 36 por cento dos votos, Vargas, depois de uma vida como ditador, 43 por cento, no plano estadual Lacerda ganhou de 29 a 28 por cento).

A luta então se transfere para a vice, não só pelo fato de ser vice, mas por causa de vários fatores. 1 – É a segundo autoridade da República. 2 – Se acontecer alguma coisa ao presidente, o vice assume e CUMPRE INTEGRALMENTE O RESTO DO MANDATO. (José Sarney ficou o tempo inteiro).

Na História brasileira, é quase igual o número de vices que assumiram, e de eleitos que completaram o mandato. Logo no início da República, o vice assumiu e não realizou eleições, (na Constituição de 1891 era obrigatório). Floriano, o vice, derrubou Deodoro, o “presidente”, e ficou até o fim.

Assim, é justo que o leilão de nomes e siglas partidárias, demore algum tempo. Todos, (pessoal ou coletivamente, com voto ou sem voto) estão abertos a conversas, acordos ou seduções.

O PMDB, maior partido nacional, não se interessa muito pela Presidência e nas duas últimas eleições se desinteressou até da vice. É responsável pelo fato de Luta ter 37 ministros, fato que aceita “gostosa e satisfatoriamente”.

Em matéria de quadros o PMDB é muito melhor (?), o PSDB quase consumava Arruda vice de Serra. Agora a dificuldade é maior do que em 2002. O governador de São Paulo tem apenas “um vice, que até agora tem resistido a convites, hipóteses e até pressões”.

Vejamos as possibilidades que se apresentam, tenham os supostos, pseudos ou presumíveis nomes, votos ou representatividade eleitoral.

Dilma-Meirelles

É o sonho de Lula, o comandante em chefe da “esquadra eleitoral”. Partindo do princípio de que Dilma se elege, no Planalto-Alvorada existe um consenso: ela ganha, mas para governar precisa de ajuda, sabe pouco de muita coisa. Para Lula, esse homem é Meirelles, eliminaria as dúvidas e aumentaria as dívidas, internas e externas. O susto provocado pelo nome de Dona Dilma, diminuiria ao se acrescentar o de Meirelles.

Dilma-PMDB

O acordo mais desejado, do ponto de vista eleitoral, é com o partido. Mas se antes, Lula se manifestava francamente pelo acordo e citava Temer como companheiro de chapa, agora considera que “ela está eleita”, nem quer mais saber de Temer, aí, ato sensato.

Dilma-Ciro

O cearense-paulista mergulhou num silêncio e numa profundidade maior do que a do pré-sal, não por acaso. Ciro disse ao Carlos Chagas, de forma textual e irrevogável: “Faço tudo o que o presidente Lula determinar, serei candidato a governador, a vice (para garantir a vitória no segundo turno) ou até a presidente”.

Dilma-Quércia

Na questão da sucessão, Lula acordou bem cedo, ou muito antes de todos. Quando chamou Quércia ao Palácio-Alvorada, não era para comentar o “disque Quércia para a corrupção”. E sim para a-l-e-a-t-o-r-i-a-m-e-n-t-e, falar sobre a vice.

Dilma-Requião

Nesses cálculos esdrúxulos, periféricos e até escalafobéticos, para formar ou fechar a chapa presidencial, vale tudo. Ou não vale nada. Já que PT e PMDB, se dizem aliados e partidos da base, por que não juntam logo os nomes que estão no título desta nota?

Governador em 1994, senador em 1998, novamente governador em 2002 e 2006, é tido como muito agressivo. Mas não é isso que Dona Dilma está precisando e procurando?

É apenas sugestão, ninguém preenche minha expectativa ou esperança. Haja o que houver, farei oposição a qualquer governo, defendendo o país.

Serra-Quércia

O governador de São Paulo imediatamente cooptou o ex-governador e ex-senador, mas Quércia só queria o Senado. Ganhou a indicação e vai ganhar a eleição.

Serra-PCdoB

Como o ex-stalinista Alberto Goldman, é vice de Serra e vai ganhar, no mínimo 9 meses de governo, outros ex-stalinistas “se assanharam”. Só que Serra nem quis conversar. Sabe que eles só têm votos proporcionais, e não queria “torpedear” a tal “chapa-pura” com Aécio.

Serra- Aécio

O ainda governador de Minas não quer hostilizar Serra, mas também não deseja afagá-lo. Já reeeleito, favoritíssimo para senador, vai “mineirando” cabalisticamente. Sai no dia 3, fica descansando no Rio, um de seus maiores prazeres, que tem praticado com intensidade nos últimos 8 anos.

Serra-Itamar

Há meses conversando, perguntei a ele se seria candidato ao Senado. No seu estilo tradicional, disse tudo o que podia ou queria, elogiou muito Aécio, não concluiu nada. Concluí e publiquei: “É candidato a senador com Aécio”. Completa 79 anos em junho, em plena forma, se preserva. Já foi tudo: governador, embaixador, senador 16 anos seguidos, vice, presidente, depois de Aécio é a melhor escolha em Minas.

PS – Fora dos partidos, Serra gostaria de ter como vice o senador Jarbas Vasconcellos, do PMDB que resiste à cúpula. Convidado em 2002, Jarbas não pôde aceitar, agora, se a legislação permitir, aceita correndo.

PS2 – Jarbas tem voto, agressividade, representatividade, e não arriscará nada, como aconteceria em 2002. Seu mandato no Senado vai até 2014.

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