Apoiando Sarney, Dilma perde mais do que ganha

Pedro do Coutto

Mesmo encontrando surpreendentes resistncias no PT, o presidente Lula decidiu empenhar-se para manter Jos Sarney na presidncia do Senado. At a, sob a tica do governo, uma questo aparentemente voltada para assegurar o apoio do PMDB e a maioria parlamentar sempre indispensvel ao Executivo. E tambm a coligao vigente na campanha presidencial da chefe da Casa Civil. Entretanto a interveno aberta da ministra Dilma, declarando solidariedade absoluta ao ex-presidente da Repblica, representa algo inusitado na vida poltica e passa opinio pblica uma sensao de fraqueza. No caso, inclusive, dupla.

Em primeiro lugar a permanncia de Sarney na direo do Senado deixaria de depender dele mesmo, passando a ficar condicionada ao Palcio do Planalto. Ningum deve presidir o Legislativo em tais condies, pois isso caracteriza a necessidade de uma sustentao junto a outro Poder. Em segundo lugar, agora sobre o ngulo de Dilma Roussef, a iniciativa passa a ser interpretada pela sociedade como a dependncia de sua candidatura presena de seu nome na chapa e na plataforma do PMDB.

Quer dizer que se o PMDB sair do governo a candidata perde o rumo? No pode ser assim. Um candidato, como certa vez numa entrevista me disse o presidente Juscelino, tem que se afirmar por si. Os apoios so adicionais, no essenciais. Candidato que depende de apoio para sustentar seu projeto no convence e portanto no motiva o eleitorado.

No episdio de agora isso no tudo. O PMDB, de fato, jamais romper com o governo Luis Incio ou se afastar dele. Jogo par arquibancada esta hiptese. O PMDB detm cinco ministrios, alm depostos na administrao estatal. Romper por que e para qu? No faz o menor sentido. Assim, vinculando parte de seu rumo poltico ao destino do senador Jos Sarney, a ministra Dilma perde muito mais votos na jornada de 2010 do que ganha. Sarney encontra-se fortemente desgastado de forma direta ou indireta em funo de suas aes ou omisses. No passado, presidiu o Senado por duas vezes. Agora pela terceira. Os assuntos que se desenrolaram l ele no podia ignorar. No ignorou. Apenas a eles no atribuiu a importncia que mereciam e merecem.

Se os que lideram e dirigem no se preocupam com a atuao dos que o cercam vo terminar sempre luz da opinio pblica, oscilando entre a omisso e a conivncia. Esta dvida no acrescenta densidade poltica ou votos na urna queles que, como Dilma Roussef, se apresentam como voluntrios para salvar os que erram. No caso da Casa Civil, sem a menor necessidade. Lula j havia assegurado o apoio permanncia de Sarney. Por que motivo ela deveria manifestar publicamente o seu apoio tambm? As palavras do presidente da Repblica, por si, j deveriam ser suficientes. Para qu mais? Na campanha, a ministra perdeu votos sem acrescentar apoios a seu nome para o desfecho do ano que vem. Foi um equvoco.

Agora um outro assunto equivocado. Setores do governo esto propondo a Lula reduzir de 20 para 15% a contribuio das empresas para o INSS. Se for feito isso, a Previdncia Social entra em crise total. Setenta e cinco por cento dos recursos que formam seu oramento de 250 bilhes de reais para 2009 so fornecidos pelos empregadores, alm de 2% destinados aos acidentes de trabalho. Menos 5% significa diminuir-s um quarto da contribuio empresarial. E um quinto da receita geral. Um desastre.

APOIANDO SARNEY, DILMA PERDE MAIS DO QUE GANHA

Mesmo encontrando surpreendentes resistncias no PT, o presidente Lula decidiu empenhar-se para manter Jos Sarney na presidncia do Senado. At a, sob a tica do governo, uma questo aparentemente voltada para assegurar o apoio do PMDB e a maioria parlamentar sempre indispensvel ao Executivo. E tambm a coligao vigente na campanha presidencial da chefe da Casa Civil. Entretanto a interveno aberta da ministra Dilma, declarando solidariedade absoluta ao ex-presidente da Repblica, representa algo inusitado na vida poltica e passa opinio pblica uma sensao de fraqueza. No caso, inclusive, dupla. Em primeiro lugar a permanncia de Sarney na direo do Senado deixaria de depender dele mesmo, passando a ficar condicionada ao Palcio do Planalto. Ningum deve presidir o Legislativo em tais condies, pois isso caracteriza a necessidade de uma sustentao junto a outro Poder. Em segundo lugar, agora sobre o ngulo de Dilma Roussef, a iniciativa passa a ser interpretada pela sociedade como a dependncia de sua candidatura presena de seu nome na chapa e na plataforma do PMDB. Quer dizer que se o PMDB sair do governo a candidata perde o rumo? No pode ser assim. Um candidato, como certa vez numa entrevista me disse o presidente Juscelino, tem que se afirmar por si. Os apoios so adicionais, no essenciais. Candidato que depende de apoio para sustentar seu projeto no convence e portanto no motiva o eleitorado.

No episdio de agora isso no tudo. O PMDB, de fato, jamais romper com o governo Luis Incio ou se afastar dele. Jogo par arquibancada esta hiptese. O PMDB detm cinco ministrios, alm depostos na administrao estatal. Romper por que e para qu? No faz o menor sentido. Assim, vinculando parte de seu rumo poltico ao destino do senador Jos Sarney, a ministra Dilma perde muito mais votos na jornada de 2010 do que ganha. Sarney encontra-se fortemente desgastado de forma direta ou indireta em funo de suas aes ou omisses. No passado, presidiu o Senado por duas vezes. Agora pela terceira. Os assuntos que se desenrolaram l ele no podia ignorar. No ignorou. Apenas a eles no atribuiu a importncia que mereciam e merecem. Se os que lideram e dirigem no se preocupam com a atuao dos que o cercam vo terminar sempre luz da opinio pblica, oscilando entre a omisso e a conivncia. Esta dvida no acrescenta densidade poltica ou votos na urna queles que, como Dilma Roussef, se apresentam como voluntrios para salvar os que erram. No caso da Casa Civil, sem a menor necessidade. Lula j havia assegurado o apoio permanncia de Sarney. Por que motivo ela deveria manifestar publicamente o seu apoio tambm? As palavras do presidente da Repblica, por si, j deveriam ser suficientes. Para qu mais? Na campanha, a ministra perdeu votos sem acrescentar apoios a seu nome para o desfecho do ano que vem. Foi um equvoco.

Agora um outro assunto equivocado. Setores do governo esto propondo a Lula reduzir de 20 para 15% a contribuio das empresas para o INSS. Se for feito isso, a Previdncia Social entra em crise total. Setenta e cinco por cento dos recursos que formam seu oramento de 250 bilhes de reais para 2009 so fornecidos pelos empregadores, alm de 2% destinados aos acidentes de trabalho. Menos 5% significa diminuir-s um quarto da contribuio empresarial. E um quinto da receita geral. Um desastre.

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