Após críticas a Bolsonaro, CGU impõe mordaça a professores que participarão de curso de ética como punição

Professores estão proibidos de se manifestarem politicamente na universidade

Camila Mattoso
Folha

O professor Eraldo dos Santos Pinheiro, pró-reitor de Extensão e Cultura da Ufpel (Universidade Federal de Pelotas), classifica o processo instaurado pela CGU (Controladoria-Geral da União) contra ele como uma forma do governo tentar “silenciar o outro lado do diálogo”. Além dele, o ex-reitor Pedro Hallal também foi alvo do órgão.

Os dois professores assinaram um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com a CGU após a abertura de um processo disciplinar contra eles por criticarem o presidente Jair Bolsonaro em uma live. “Quando se acabam os argumentos se entra numa retórica agressiva a fim de silenciar o outro lado do diálogo. Acho que é exatamente isso que acontece”, diz Pinheiro ao Painel.

PROIBIÇÃO – Pelo acordo, os dois professores estão proibidos de fazer qualquer tipo de manifestação política dentro da universidade e terão que participar de um curso de ética no serviço público. Pinheiro diz evitar tecer comentários sobre a ação da CGU para não desrespeitar o acordo firmado, mas diz que caso não assinasse o TAC poderia ser alvo de punições mais duras.

“Não sei se foi uma forma de censura explícita, porque tínhamos opção de não assinar o TAC, mas a questão é que, se não assinar, uma comissão é criada e é fácil encontrarem elementos para uma exoneração ou algo nesse sentido. A questão em si não é o TAC, mas sim o simbolismo por trás desse TAC”, afirma.

A CGU abriu a apuração após denúncia do deputado federal Bibo Nunes (PSL-RS). A fala que deu origem ao processo disciplinar foi durante uma live, em 7 de janeiro, em que os professores falavam sobre a nomeação da nova reitora da Ufpel. Bolsonaro nomeou Isabela Fernandes Andrade, segunda colocada na lista tríplice.

DEFENSOR DA TORTURA – Na live, eles chamaram Bolsonaro de presidente com “p” minúsculo, defensor de tortura e afirmaram que ele seria contra a vacinação contra a Covid-19. O processo foi aberto porque a CGU entendeu que como a live foi feita em canais oficiais da Ufpel os dois professores estavam no local de trabalho.

“A mensagem que a gente passa é que vamos continuar lutando pela autonomia da universidade, continuamos com o trabalho aqui na nossa comunidade e os pensamentos não serão cerceados, isso eles podem ter certeza”, concluiu.

Por fim, ele voltou a falar que enviará uma equipe para Israel a fim de selar uma possível aquisição do spray israelense, EXO-CD24. O mandatário pretende testar a terceira fase da medicação no país. Medicação, contudo, não possui comprovação de eficácia e carece de estudos aprofundados. Ele também voltou a defender o tratamento precoce, que também não possui comprovação contar a covid-19.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGOs educadores disseram que Bolsonaro é um presidente com “p” minúsculo, defensor da ditadura e contra a vacinação. Em que momento mentiram? Se der uma volta no quarteirão de qualquer cidade facilmente será ouvido coisa muito pior. Enquanto isso, Bolsonaro se desdobra a cada dia para criar novos factoides e insuflar seus seguidores com desinformação. Mas cadê que é punido ? (Marcelo Copelli)

10 thoughts on “Após críticas a Bolsonaro, CGU impõe mordaça a professores que participarão de curso de ética como punição

  1. É tudo muito pequeno e egocêntrico..
    O Supremo não se importa em soltar bandidos, mas manda prender quem fala mal do supremo.
    Sob Bolsonaro, ( que iria mandar prender todos os ladrões do brasil), o número de crimes continuou igual, mas ele está mandando prender quem fala mal dele.

    • Sr. Copelli…Vamos se ater a determinados princípios…Estes cidadaos se querem falar de política…que se filiem a um partido politico.O que não podem e ficar politizando dentro fe seus cargos publicos ao invés de irem trabalhar…afinal eles estão sendo pagos para isso…trabalharem.
      E se tivessem culhoes era só não assinar tac algum…que fossem a luta pela defesa dos seus direitos de livre expressão…no fundo no fundo …são uns párias covardes.
      YAH ALLELUYA sempre

      • Carlos, Universidade Federal NÃO Ë repartição pública. Procure o significado da palavra “universidade”. Numa universidade o direito à livre expressão é tão fundamental quanto dentro da Câmara ou do Senado. A única diferença é que os professores não são eleitos, entram lá por concurso público, precisam ter mestrado e geralmente doutorado. Mas não são contratados para só falarem bem de governo nenhum. Ao contrário do que parece pensar o nosso atual presidente.

  2. Enquanto isso a iniquidade grassa:

    “MP do Rio encerra núcleo que investiga suposto esquema de rachadinhas de Flávio Bolsonaro” (Estadão)

  3. Depois que uma tal “Ordem dos Advogados Conservadores” publicou um número 0800 para que quem achar que Bolsonaro foi ofendido por qualquer pessoa denuncie e eles, segundo suas próprias palavras, “vão processar todos”, não tenho como não me lembrar dos tempos da Gestapo nazista, da NKVD russa, da PIDE salazarista, da Stasi da Alemanha Oriental,a Agencia 610 da China e de tantas outras polícias totalitárias que conclamavam até os filhos a denunciarem os pais que não estivessem dentro da ortodoxia do Partido.

  4. Até que enfim pq tem professores que não dão aula. Só ficam politicando o tempo todo adestrando os seus seguidores e o aluno e/ou o governo pagando caro as horas de adestramento.

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