Mourão diz que redução do desmatamento na Amazônia no último ano ficou abaixo da meta

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Mourão destaca a importância de reduzir o desmatamento

Guilherme Mazui
G1 — Brasília

O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta segunda-feira (2) que provavelmente não será cumprida a meta de redução de desmatamento na Amazônia. Contudo, a queda abaixo do esperado representará um “caminho andado” na preservação da floresta.

Ao apresentar em julho a nova operação de garantia de lei e da ordem (GLO) contra crimes ambientais na região, a Operação Samaúma, o vice declarou que desejava atingir até 12% de redução na taxa anual de desmatamento, calculada entre agosto de 2020 e julho de 2021.

FECHOU O CICLO – Nesta segunda, ao ser questionado sobre o andamento da ação militar, Mourão declarou que a redução deve ficar na faixa de 4% a 5%. O vice preside o Conselho Nacional da Amazônia Legal.

“Fechou o ciclo, o ciclo fechou no dia 31 de julho, provavelmente não vou cumprir aquilo que eu achava que seria o nosso papel de chegar a 10% de redução. Acho que vai dar na faixa de 4% a 5%, uma redução muito pequena, muito irrisória, mas já é um caminho andado”, disse mourão.

O vice tem apontado que apresentar bons resultados no combate ao desmatamento é fundamental para que outros países retomem o financiamento a ações de preservação, como o Fundo Amazônia.

ÁREA DESMATADA – No último ciclo aferido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a área desmatada na Amazônia foi de 11.088 km² entre agosto de 2019 e julho de 2020, um aumento de 9,5% em relação ao período anterior (agosto de 2018 a julho de 2019), que registrou 10.129 km² de área desmatada.

O emprego de militares das Forças Armadas foi a principal aposta do governo do presidente Jair Bolsonaro para reduzir os índices de desmatamento e queimadas na Amazônia, cujas altas geraram críticas de ambientalistas, empresários, políticos, organizações não-governamentais e lideranças estrangeiras.

TERCEIRA OPERAÇÃO – O operação Samaúma é a terceira do gênero na amazônia. A primeira (Verde Brasil 1) foi feita entre agosto e outubro de 2019, e a segunda (Verde Brasil 2) ocorreu entre maio de 2020 e abril de 2021.

Após o término da segunda operação, os órgãos civis de fiscalização deveriam ter o protagonismo no combate ao desmatamento, porém o governo verificou que a estratégia não funcionou e decretou uma nova GLO (Garantia da Lei da Ordem).

Cúpula do TSE e 15 ex-presidentes do tribunal saem em defesa das urnas eletrônicas

Charge: ver-o-fato.com.br

Charge do Bruno Galvão (Arquivo Google)

Mariana Muniz
O Globo

O atual presidente, ministro Luís Roberto Barroso, o vice-presidente, ministro Edson Fachin, o futuro presidente, ministro Alexandre de Moraes, e todos os ex-presidentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde 1988 divulgaram nesta segunda-feira uma nota em defesa do atual modelo de eleições no Brasil.

“A Justiça Eleitoral, por seus representantes de ontem, de hoje e do futuro, garante à sociedade brasileira a segurança, transparência e auditabilidade do sistema. Todos os ministros, juízes e servidores que a compõem continuam comprometidos com a democracia brasileira, com integridade, dedicação e responsabilidade”, diz o texto.

REAÇÃO A BOLSONARO – A manifestação ocorre em meio às sucessivas declarações do presidente da República, Jair Bolsonaro, contra o atual modelo de urna eletrônica adotado pelo Brasil e em defesa do voto impresso.

Neste domingo, durante manifestação a favor do “voto auditável”, Bolsonaro voltou a dizer que não haverá eleições caso a PEC do voto impresso, em discussão na Câmara dos Deputados, não seja aprovada.

“O voto impresso não é um mecanismo adequado de auditoria a se somar aos já existentes por ser menos seguro do que o voto eletrônico, em razão dos riscos decorrentes da manipulação humana e da quebra de sigilo. Muitos países que optaram por não adotar o voto puramente eletrônico tiveram experiências históricas diferentes das nossas, sem os problemas de fraude ocorridos no Brasil com o voto em papel. Em muitos outros, a existência de voto em papel não impediu as constantes alegações de fraude, como revelam episódios recentes”, afirmam os ministros.

CENÁRIOS DAS FRAUDES – Na nota, os integrantes e ex-integrantes do TSE também apontam que a contagem pública manual de cerca de 150 milhões de votos significará a volta ao tempo das mesas apuradoras, “cenário das fraudes generalizadas que marcaram a história do Brasil”.

Os ministros também lembram que as urnas eletrônicas são auditáveis em todas as etapas do processo, antes, durante e depois das eleições. E que todos os passos, da elaboração do programa à divulgação dos resultados, podem ser acompanhados pelos partidos políticos, Procuradoria-Geral da República, Ordem dos Advogados do Brasil, Polícia Federal, universidades e outros que são especialmente convidados.

“É importante observar, ainda, que as urnas eletrônicas não entram em rede e não são passíveis de acesso remoto, por não estarem conectadas à internet”, ressaltaram.

ONZE PARTIDOS – Neste sábado, um grupo de 11 partidos pediu que a Corregedoria do TSE cobre explicações do presidente sobre as supostas fraudes em urnas eletrônicas relatadas por ele em transmissão ao vivo nas redes sociais.

Em junho, o corregedor da Corte eleitoral, ministro Luís Felipe Salomão, já havia determinado que Bolsonaro apresentasse evidências e informações que corroborassem as falas. O prazo para resposta se encerra nesta segunda-feira.

Fux não consegue intimidar Bolsonaro, que volta a atacar as urnas: “O inimigo está aí!”

Jair Bolsonaro ironiza quem o aconselha a ter cuidado

Mayara Oliveira
Metrópoles

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a criticar o atual sistema eleitoral nesta segunda-feira (2/8) e, ao defender o voto impresso, afirmou que “o inimigo está aí”. Recentemente, o chefe do Executivo federal foi aconselhado por aliados a adotar um discurso menos agressivo sobre o assunto, mas Bolsonaro sinalizou que manterá sua postura.

O presidente tem intensificado ataques ao atual sistema eleitoral — direcionados ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso — e prega que as urnas eletrônicas permitem fraude. Bolsonaro já admitiu não ter provas das acusações.

MAIS IRONIAS – O presidente é defensor do voto impresso e já afirmou, em tom de ameaça, que caso o modelo não seja implementado no pleito do próximo ano, pode não haver eleição. E voltou a ironizar os conselhos que recebe:

 “‘Ah tem que ter cautela, cuidado com as palavras’. O inimigo está ai. O risco está ai”, disse Bolsonaro durante evento de assinatura do “Acordo de Cooperação Técnica Água nas Escolas”, no Ministério da Cidadania.

“Nós temos que ter eleições limpas, democráticas que possam ser auditadas. […] Por que um não quer eleições democráticas, o voto democrático, nós temos que abaixar a cabeça? Estão com medo do que? Qual o poder do presidente do TSE ir para dentro do Parlamento e rapidamente fazer a cabeça de várias lideranças partidárias para trocar integrantes de comissão? Para não ter o voto impresso?”, atacou.

RESPOSTA A FUX – As declarações do chefe do Executivo federal ocorreram momentos após o presidente do STF, Luiz Fux, afirmar, durante sessão de abertura do segundo semestre do Judiciário, que os poderes da República são harmônicos entre si, mas não pode haver “impunidade de atos que exorbitem o necessário respeito às instituições”.

“Harmonia e independência entre os poderes não implicam impunidade de atos que exorbitem o necessário respeito às instituições”, declarou Fux.

“O povo brasileiro jamais aceitaria que qualquer crise, por mais severa, fosse solucionada mediante mecanismos fora da Constituição”, continuou o presidente do STF.

Independência entre os Poderes não significa impunidade para atacar democracia, diz Fux

Sem citar Bolsonaro, Luiz Fux tentou intimidar o presidente

Fernanda Vivas e Márcio Falcão
TV Globo — Brasília

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, disse nesta segunda-feira (2) que os poderes da República são harmônicos entre si, mas não podem ficar impunes quando atentam contra instituições. Fux discursou na sessão de abertura do segundo semestre do Judiciário.

“Harmonia e independência entre os poderes não implicam impunidade de atos que exorbitem o necessário respeito às instituições”, disse o presidente do STF, afirmando que a população não aceita que crises sejam resolvidas de formas contrárias ao que determina a Constituição.

SEM GOLPE – “O povo brasileiro jamais aceitaria que qualquer crise, por mais severa, fosse solucionada mediante mecanismos fora da Constituição”, continuou Fux.

O discurso do ministro em defesa das instituições, da Constituição e contra o conflito entre os poderes ocorre em um momento em que o presidente Jair Bolsonaro decidiu intensificar os ataques contra a urna eletrônica e o modelo eleitoral do Brasil, disparando críticas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao STF. Apesar dos ataques, o próprio Bolsonaro admite que não tem provas de fraude.

Em seu discurso, Fux ressaltou que, em uma democracia, nos momentos de crise, é preciso “fortalecer – e não deslegitimar – a confiança da sociedade nas instituições”.

ATAQUES DE INVERDADES – Sem citar nomes, Fux declarou: “Permanecemos atentos aos ataques de inverdades à honra dos cidadãos que se dedicam à causa pública. Atitudes desse jaez deslegitimam veladamente as instituições do país; ferem não apenas biografias individuais, mas corroem sorrateiramente os valores democráticos consolidados ao longo de séculos pelo suor e pelo sangue dos brasileiros que viveram em prol da construção da democracia de nosso país”, ressaltou Fux.

O ministro argumentou que a democracia é um regime que precisa ser sempre cultivado e reforçado. Se isso não for feito, as democracias, segundo ele, “tendem a ruir”.

“Tratando-se de higidez democrática, não há nada automático, natural ou perpétuo. Ao revés, o regime democrático necessita ser reiteradamente cultivado e reforçado, com civilidade, respeito às instituições e àqueles que se dedicam à causa pública. Ausentes essas deferências constitucionais, as democracias tendem a ruir”, disse.

PAPEL DO SUPREMO – O presidente Fux também falou do papel do STF em manter a defesa da Constituição e garantir a estabilidade institucional do país.

“Movido por esse espírito, o Supremo Tribunal Federal, seja nos momentos de calmaria, seja nos momentos de turbulência, tem cumprido o seu papel de salvaguardar a Constituição, atuando em prol da estabilidade institucional da nação, da harmonia entre os Poderes e da proteção da democracia, sempre pelo povo e para o povo brasileiro”.

Fux citou ainda o papel dos juízes na democracia e fez questão de diferenciar a atuação em relação aos políticos. “Por outro lado, a sociedade não espera de magistrados o comportamento que é próprio e típico de atores políticos. O bom juiz tem como predicados a prudência de ânimos e o silêncio na língua. Sabe o seu lugar de fala e o seu vocabulário próprio”, afirmou.

TEMPO DA POLÍTICA – “Igualmente, o tempo da Justiça não é o tempo da política. Embora diuturnamente vigilantes para com a democracia e as instituições do país, os juízes precisam vislumbrar o momento adequado para erguer a voz diante de eventuais ameaças. Afinal, numa democracia, juízes não são talhados para tensionar”, completou o ministro.

Fux defendeu ainda o diálogo entre as instituições. “Por fim, como protagonistas de nossos tempos, não olvidemos que o maior símbolo da democracia é o diálogo. Nunca é tarde para o diálogo e para a razão. Sempre há tempo para o aprendizado mútuo, para o debate público compromissado com o desenvolvimento do país, e para a cooperação entre os cidadãos bem-intencionados”.

Omissão de Augusto Aras diante dos ameaças de Bolsonaro causa incômodo à Procuradoria

 (crédito:  Ed Alves/CB/D.A Press.)

Augusto Aras parece que está dormindo no serviço

Sarah Teófilo
Correio Braziliense

O silêncio do procurador-geral da República, Augusto Aras, em relação aos ataques de Jair Bolsonaro às instituições tem servido para aumentar as pressões internas contra ele e podem, inclusive, prejudicar sua recondução ao posto. Mas subprocuradores ouvidos pelo Correio afirmam que essa postura excessivamente discreta não deve durar muito.

Depois da live presidencial da última quinta-feira, representações começaram a chegar ao Tribunal Superior Eleitoral e ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o presidente da República, o que vai gerar provocação ou à PGR ou à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE), pela qual Aras também responde.

REAÇÃO CONTRÁRIA – Os subprocuradores avaliam que, quanto menos o procurador age, mais os outros Poderes se movimentam. No caso da PGE, Aras poderia decidir avaliar os pedidos, mas como o vice-procurador eleitoral, Paulo Gonet, tem autonomia, internamente se avalia que o procurador-geral deve deixar com Gonet a manifestação relativa a Bolsonaro. O vice-PGE é visto como um conservador, mas técnico e cioso das suas funções.

Diante da posição do presidente do STF, Luiz Fux, que aproveitou a reabertura dos trabalhos do Poder Judiciário, nesta segunda-feira, para fazer um duro discurso contra os reiterados ataques de Bolsonaro, a posição de Aras pode se tornar constrangedora.

Sobretudo depois que, no mês passado, cinco integrantes do Conselho Superior do Ministério Público Federal assinaram uma representação interna pedindo que ele abra investigação para apurar os ataques de Bolsonaro ao sistema de votação. O grupo teve apoio de mais 30 subprocuradores.

DECISÃO DE GILMAR – Para piorar, na semana passada, o ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou que a PGR se manifeste sobre os pedidos de investigação contra o ministro da Defesa, general Braga Netto, que teria avisado ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que não haverá eleições de 2022 se o Congresso não aprovar a proposta de emenda constitucional para a adoção do voto impresso.

No começo do mês, já havia um grande descontentamento na PGR pela falta de ação de Aras depois que Bolsonaro ameaçou a realização de eleições — tal como voltou a fazer domingo.

Os subprocuradores avaliam que é preciso haver alguma manifestação, sobretudo, para não dar a entender que existe um atrelamento da instituição à Presidência da República.

Remédio usado por Joice Hasselmann é ligado a relatos de apagão de memória e de acidentes

Crédito: Reprodução/TV

Remédio usado por Joice é “leve” mas pode causar acidentes

Valéria França e Cláudia Collucci
Jornal de Brasília/Folha

Uma discussão sobre os efeitos colaterais do zolpidem, substância hipnótica usada para induzir o sono, ganhou espaço nos últimos dias após o incidente relatado pela deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), que disse ter acordado em seu apartamento no último dia 18 com fraturas e hematomas pelo corpo.

Após o caso, que está sob investigação em Brasília, surgiram inúmeros depoimentos de pessoas que tiveram crises de sonambulismo, acompanhadas de apagões de memória e até a ocorrência de acidentes de carro, após o uso do medicamento. Joice não descarta ter sofrido um atentado.

NÃO SE LEMBRA – A parlamentar disse que, na noite anterior, estava assistindo a uma série com o marido e tomou seu remédio para dormir. Segundo Joice, ele foi para o quarto, e ela continuou a ver TV, mas não se lembra do que ocorreu depois. No dia seguinte, acordou no chão, machucada, sem saber o que aconteceu.

Segundo sua assessoria de imprensa, “os médicos descartaram a possibilidade de uma queda acidental” ter provocado as escoriações.

As câmeras de segurança do prédio onde fica o apartamento funcional da deputada não registraram a entrada de nenhuma pessoa estranha entre os dias 15 e 20 de julho, segundo perícia da Polícia Legislativa, que apura o caso. Mas não há câmeras nas escadas, halls e em pontos da garage. Laudos também apontam que ela não deixou o apartamento no período.

INVESTIGAÇÕES – O inquérito sobre o caso foi enviado para o Ministério Público Federal, que pediu novas diligências. A Polícia Civil do Distrito Federal também fez perícias no local.

Após prestar depoimento na Polícia Civil, no último dia 26, Joice disse acreditar que o responsável pelo suposto atentado que sofreu é alguém que a “odeia muito” e que quis dar um susto nela. “Eu já sofri muitas ameaças para parar, ameaças verbais, de estupro. Talvez tenha sido um recado mais duro, tipo ‘somos capazes de ir além’”, afirmou ela a jornalistas.

“O recado foi entendido, mas eu não vou fazer o que eles querem. Eu não vou me acovardar”, prosseguiu. “A única coisa que eu descarto é uma tentativa de assalto, porque eu tinha um computador que vale quase 30 mil reais, eu estava com os brincos, anéis e bolsa com cartão de crédito e dinheiro.”

SONÍFERO – A deputada revelou em entrevistas fazer uso do Stilnox, remédio à base de zolpidem, há cerca de 20 anos. Desenvolvida há 30 anos, de início para regular o jet lag de pessoas que fazem viagens internacionais, a substância é considerada segura pelos médicos desde que usada de acordo com as indicações da bula, na dose certa e por tempo adequado.

Entretanto, cerca de 5% dos pacientes que fazem uso do hipnótico zolpidem estão sujeitos a diminuição ou perda total da memória (amnésia), especialmente nas quatro primeiras horas após a ingestão, quando a medicação ainda está na corrente sanguínea.

O paulistano especialista em marketing Ciro Nardi, 57 anos, está dentro do pequeno grupo de 5%. Ele, que vive em São Paulo, começou a ter insônia ao iniciar um trabalho pela internet com uma empresa de Portugal, país com diferença de fuso horário de quatro horas com o Brasil.

PROBLEMAS MEMÓRIA – “Passei a dormir como um bebê com a nova medicação, mas, depois de um tempo de uso, percebi que estava com problema de memória recente. Minhas filhas diziam, por exemplo, que eu entrava durante a noite no quarto delas para brincar, e eu não me lembrava”, conta Nardi.

Até que, no início deste ano, ele acordou ao bater o carro em um poste de madrugada. “Eu despertei com a batida. Não entendi nada. Não me lembrava de ter saído da cama, me vestido, aberto a garagem e dirigido ao longo de 12 quadras.” Por sorte, ele não se machucou.

“A pessoa pode fazer e vivenciar coisas, que não ficam retidas na memória”, afirma o psiquiatra Mauro Aranha. Nessa situação, mesmo parecendo estar acordado, o indivíduo não tem os mesmos reflexos nem o mesmo raciocínio.

DIZ O PSIQUIATRA – Segundo o psiquiatra, se a pessoa acordar durante as quatro horas em que o fármaco circula na corrente sanguínea, ela pode não se lembrar do que fez. “Mas, se despertar quando a substância não está mais circulando no corpo, provavelmente já estará consciente dos próprios atos”, explica.

A bula do medicamento alerta sobre “as propriedades farmacológicas do zolpidem, que podem causar sonolência, diminuição dos níveis de consciência —levando a quedas e, consequentemente, a lesões severas—, sonambulismo ou outros comportamentos incomuns (como dormir na direção e durante a refeição), acompanhado de amnésia”.

 “O zolpidem é mais adequado e leve que os benzodiazepínicos no tratamento da insônia, mas isso não quer dizer que possa ser tomado sem indicação médica”, diz o neurocirurgião Pedro Pierro. Segundo ele, o remédio “causa menos adição, mas também leva à dependência química, se administrado por longo tempo”.

Ex-deputado Alberto Fraga, amigo de Bolsonaro, está decepcionado e defende a terceira via

Fraga e Bolsonaro, no plenário da Câmara. Retraído e pouco expansivo, o presidente eleito sempre procurava a companhia do ex-colega de corridas de fundo Foto: Aílton de Freitas / Agência O Globo

Alberto Fraga e Bolsonaro são amigos íntimos desde 1981

Denise Rothenburg
Correio Braziliense

Aliado de primeira hora do presidente Jair Bolsonaro, o ex-deputado Alberto Fraga acompanha à distância as mudanças no primeiro escalão do governo do ex-amigo, com quem não fala há mais de 90 dias. Acredita que o maior erro do presidente Jair Bolsonaro até o momento foi se cercar de pessoas que não conhecem a política. Acredita também que ainda há tempo para consertar, porém, é incerto.

“O maior erro de Bolsonaro foi se cercar de pessoas que não conhecem a política. O general Ramos é uma grande decepção. Há coisas que não se conserta em oito meses”, diz ele, numa conversa com o blog..

NÃO SÃO POLÍTICOS – Fraga considera que os militares são leais, têm eficiência e disciplina, “mas não são políticos”. “Eles não se prepararam para isso. No meu primeiro mandato, eu era mais coronel do que politico. E na politica, não dá para agir como militar. Tem que agir como politico. Ramos (enquanto ministro da Casa Civil) chegava querendo continência, dizia para os deputados que, se não votar assim, assado, vou cortar a sua emenda. Não poderia dar certo”, diz.

O ex-deputado voltou a circular em jantares em Brasília, depois da reclusão a que se submeteu desde a morte da esposa, Mirta, vítima da Covid 19 aos 56 anos. As conversas de que participa giram em torno da perspectiva da terceira via para enfrentar Lula, em quem não vota de jeito nenhum, e Bolsonaro, com quem não conversa há mais de três meses. “Há espaço para a terceira via, não quero a volta do PT. Trabalhei muito pelo impeachment (de Dilma Rousseff), para derrotar o PT. Entregar agora para o PT é de lascar. Vai ser osso”, comenta.

Alberto Fraga tem ouvido muita gente que votou em Bolsonaro dizer que não vota mais. Ele mesmo ainda não se decidiu.

TERCEIRA VIA – Bolsonaro está derretendo nas pesquisas e há uma margem entre 40% e 60% para um novo candidato.”Não me arrependi de ter votado em Bolsonaro. O que me deixa triste e ver os rumos que o governo está tomando e o que me preocupa é ver o governo voltar para as mão do PT”, diz ele.

O ex-deputado considera que o presidente não conseguiu desaparelhar a máquina estatal e diz que seria preciso identificar militantes de esquerda na estrutura dos ministérios em cargos de confiança para substituir por pessoas, no mínimo, “neutras” e técnicas: “Não houve esse trabalho”, diz.

Quando perguntado se as mudanças na saúde, onde os militares tomaram conta, não seriam exemplos dessa mudança, Fraga responde que “não quer dizer que militares tenham que estar em todos os postos e que não haja corrupção. Estão aí as denúncias sobre militares na Saúde. Esse caso, aliás, é uma decepção”.

CIRO NOGUEIRA – Da mesma forma que agora há uma gestão mais profissional, com Marcelo Queiroga na Saúde, Fraga acredita que, na Casa Civil, a gestão de Ciro Nogueira trará mudança na seara política. “Vai funcionar, Ciro é habilidoso, não tenho dúvidas. Agora, a que preço, eu não sei”, diz ele, referindo-se à necessidade de atendimento aos parlamentares.

“Bolsonaro insistiu muito tempo com um general que achava que dando dinheiro para as emendas, ganharia votações. Agora, o tempo é curto. Se tivesse mudado no início do ano, teria mais tempo. Agora, quem for candidato só poderá ficar até abril e tem coisas que não se consegue mudar mais, a rejeição está alta. Vamos ver. Não sou dono da verdade”.

E o voto impresso? “Não consigo entender por que a maioria é contra. Não sei se é a forma como Bolsonaro se expressa. É preciso que se crie um sistema de recontagem assegurada. Se digital ou impresso, eu não sei. Não é ser contra a urna, é ser a favor do direito de auditagem e recontagem”. Pelo visto, esse tema e a ojeriza ao PT ainda unem Fraga e Bolsonaro. E só.

“Analista de inteligência” de Bolsonaro é coronel e assessorava o general-ministro Eduardo Ramos

Coronel de Artilharia da reserva do Exército, Eduardo Gomes da Silva, de 54 anos, foi apresentado por Bolsonaro como

Bolsonaro fez questão de dizer que Gomes é da Inteligência

Felipe Frazão
Terra

“Ao meu lado, o analista de inteligência Eduardo.” Apresentado sem nenhuma credencial por Jair Bolsonaro, o “analista Eduardo” foi peça-chave na live em que o presidente admitiu não ter provas de fraude na eleição passada, mas usou da emissora pública, a TV Brasil, para disseminar dúvidas e informações falsas sobre as urnas eletrônicas.

Apesar do traje civil, terno e gravata, trata-se de mais um oficial verde-oliva a se envolver na pressão do governo por mudanças no sistema de votação, a pouco mais de um ano das eleições de 2022.

BOTANDO PRESSÃO – Como o Estadão revelou, o ministro da Defesa, general de Exército da reserva Walter Braga Netto, mandou recado à cúpula do Congresso de que não haveria eleições sem voto impresso. Conhecido como “coronel Eduardo”, o analista disse na live que as urnas têm “problemas” e precisam de “melhorias”. Sem apresentar dados, referendou o discurso do presidente.

Coronel de Artilharia da reserva do Exército, Eduardo Gomes da Silva, de 54 anos, goza da confiança do ministro Luiz Eduardo Ramos, hoje na Secretaria-Geral da Presidência. Foi levado por Ramos para o Planalto em 2020, com outros oficiais com experiência na área de Inteligência do Exército. À época, Ramos estava prestigiado e chefiava a Secretaria de Governo (Segov).

Primeiro, Eduardo atuou como secretário adjunto na Secretaria Especial de Relações Institucionais. Participava da interlocução direta com parlamentares no Congresso. Ramos montou um esquema na Segov para monitorar a fidelidade de deputados e senadores em votações e declarações nas redes sociais, atrelando a ficha de cada um cargos de indicados e verbas liberadas.

NA CASA CIVIL – Em abril, quando o ministro Ramos foi deslocado para a Casa Civil, Eduardo acompanhou o chefe e passou a ter atuação mais discreta, com o cargo de assessor especial. São quase R$ 37 mil brutos de salário por mês.

Em uma rede dedicada a experiências profissionais, ele se apresenta como “assessor de inteligência” no governo federal. Eduardo foi oficial de inteligência do Centro de Inteligência do Exército (CIE), quando o general Eduardo Villas Bôas era o comandante-geral.

O CIE faz parte do gabinete do comandante-geral, no Quartel-General do Exército em Brasília.

BOLSONARISTA – Eduardo é da turma de 1990 da Academia Militar das Agulhas Negras. Segundo oficiais contemporâneos, em 2018 ele já demonstrava simpatia por Bolsonaro enquanto estava na ativa. Em grupos virtuais de militares, “patrulhava” os críticos da partidarização.

“É complicado um oficial que serviu no CIE ter esse tipo de postura como a de quinta-feira. É revelador de que, talvez, a política partidária já seja um assunto bem acompanhado pelo Centro”, disse o coronel da reserva Marcelo Pimentel, que era amigo de Eduardo e colega de mestrado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Delator da Lava Jato é peça-chave em acusações contra Bezerra, líder do governo Bolsonaro

[Amigo de Lira vira delator peça-chave em acusações contra líder do governo Bolsonaro no Senado]

Bezerra será mais um corrupto apanhado pela Lava Jato

Deu no BNews
Folhapress

Um operador financeiro pernambucano é uma das peças-chave para o indiciamento do líder do governo Jair Bolsonaro no Senado, o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE). De acordo com a Folha de S. Paulo, Eduardo Freire Bezerra Leite, 56 anos, conhecido como “Ventola”, é amigo do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e já foi investigado na Lava Jato, onde virou delator.

Ainda de acordo com o jornal, no último dia 31 de maio, um relatório da investigação policial da Operação Desintegração apontou que Bezerra e seu filho, o deputado federal Fernando Coelho Filho (DEM-PE), estavam envolvidos em casos de corrupção, lavagem de dinheiro e caixa dois.

VANTAGENS INDEVIDAS – O texto do relatório afirma que pai e filho receberam vantagens indevidas de R$ 10,4 milhões (em valores não atualizados) no período de 2012 a 2014, do operador financeiro que atuava por meio de uma empresa que prestava serviços de terraplanagem e aluguel de máquinas em obras. A PF diz, no entanto, que na prática o negócio servia sobretudo de entreposto para movimentações financeiras de empreiteiras.

O inquérito aponta ainda que o amigo de Lira emprestou em 2012 R$ 1,5 milhão à campanha de Fernando Filho à Prefeitura de Petrolina. Parte desse dinheiro foi destinada para uma concessionária de veículos dirigida por um primo de Bezerra no interior pernambucano.

Eduardo Freire disse durante delação que emprestou outros R$ 1,7 milhão para a campanha do político ao Senado, também sem registro na Justiça Eleitoral. “Apenas aceitou realizar o empréstimo nesse montante milionário por se tratar de um ministro de Estado, que estava se candidatando ao cargo de senador da República, e que gozava de amplo prestigio no meio político pernambucano e nacional”, confirmou a investigadores.

OPINIÃO ISOLADA – Procurada pela Folha, a defesa de Fernando Bezerra Coelho e de Fernando Coelho Filho disse que o relatório da Polícia Federal no inquérito “não passa de opinião isolada da delegada responsável”.  A defesa de Eduardo Freire também foi procurada, mas informou apenas que não pode se manifestar devido ao compromisso de sigilo do acordo de colaboração.

O compromisso de colaborar com as investigações foi firmado pelo empresário pernambucano em 2017, na safra de delações do período do então procurador-geral Rodrigo Janot. O acordo foi negociado em conjunto com outros integrantes de seu grupo, como o sócio João Carlos Lyra.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Dá para entender por que Sérgio Moro e a Lava Jato são tão atacados. As investigações que fizeram são da maior importância e continuam produzindo resultados. Mas quem se interessa? (C.N.)

Uma ideia para Galvão Bueno, que é grande historiador do futebol brasileiro

É preciso assegurar o acervo histórico do futebol brasileiro

Pedro do Coutto

Estava com essa ideia há muito tempo, não consegui desenvolvê-la, mas ela ficou incorporada na minha memória. Lembrei-me dela ao tomar conhecimento do incêndio que atingiu a Cinemateca da Embrafilme, em São Paulo, consequência, penso eu, da falta de preservação dentro dos moldes exigidos pela técnica moderna.

Lembrei também do incêndio no arquivo de Milton Rodrigues, irmão de Nelson Rodrigues, e que tinha em seu acervo partidas importantes do futebol. Além disso, recordei o incêndio no arquivo do Canal 100, de Carlinhos Niemeyer e me preocupei.

ANÁLISE – Com o desaparecimento de arquivos, por exemplo, ficamos sem poder comparar as várias fases do futebol brasileiro e mundial, e por isso passo a ideia a Galvão Bueno em desenvolver um projeto que permita não só assegurar todo esse histórico que faz parte de sua trajetória profissional e do esporte ao longo de décadas, mas também analisar de forma comparativa as partidas do passado e do presente, chamando a atenção para as mudanças táticas pelas quais o futebol passou.

Por uma consequência do destino, acredito ser a única testemunha viva  do diálogo que no dia 13 de julho de 1950, uma quinta-feira, mantiveram na sede do Fluminense, na Rua Álvaro Chaves, Obdulio Varela, futebolista uruguaio, e João Coelho Netto, o Preguinho.

Os uruguaios que estavam hospedados no Hotel Paysandu foram treinar no campo do Fluminense. Saíram a pé do hotel e chegaram na Álvaro Chaves.  Prego e Obdulio se abraçaram e Prego congratulou-se com Obdulio pela atuação do Uruguai na Copa do Mundo. Mas disse: “no domingo não vai dar para vocês. Não vai dar para a sua seleção”. Obdulio rebateu e disse: “Prego, não vai dar por quê?”. João Coelho Netto disse: “Porque ganhamos da Espanha por 6×1 e a sua seleção ganhou por 3×2 nos três minutos finais. Vocês empataram com a Suécia e nós ganhamos por 7×1”.

INTERMEDIÁRIA – E Obdulio respondeu, “se nós fossemos jogar contra o Brasil da forma com que jogamos com a Espanha e com a Suécia, você teria razão. Perderíamos disparado. Mas não vamos atuar assim. Vamos fazer o seguinte, só combateremos o time brasileiro a partir da  linha intermediária em nosso campo. A torcida brasileira vai empurrar vocês para frente. A nossa tática será de combater vocês a partir da nossa intermediária”.

Estava participando do encontro também o treinador Otto Vieira, do Fluminense, que depois treinou a seleção paraguaia, além de um antigo sócio do clube, Joaquim Amaral, e o diretor de natação. Otto Vieira achou o relato de Obdulio bastante óbvio e procurou Flávio Costa, técnico da seleção brasileira. Depois Otto me contaria que Flávio não deu maior atenção.  

Não foi este lado do sistema uruguaio que garantiu a vitória, mas funcionou para reduzir o espaço do ataque brasileiro. Porque o ponta-esquerda Rubén Morán recuava para marcar o ponta brasileiro Friaça, que era um ponto improvisado, cuja posição real era de meia direita e com isso traçava uma linha oblíqua para encostar em Zizinho e Ademir de Menezes. A tática uruguaia viria a ser o primeiro 4x3x3 da história.  Flávio Costa não percebeu. Entretanto, não foi por aí que o Uruguai venceu o jogo.

EMPATE – Friaça fez 1×0 para nós. Mas Júlio Pérez lançou Ghiggia, ponta direita, que passou por Bigode, aproximou-se do lado área, Barbosa temeu o chute e procurou fechar o ângulo esquerdo. Mas Ghiggia levantou por cima de Juvenal. Schiafino ficou sozinho com o goleiro e empatou o jogo chutando.

Momentos depois, sete minutos, a jogada se repetiu. Ghiggia passou facilmente por Bigode, e mais uma vez o meio campo não recuou para cobrir. Juvenal também não saiu do meio da área. Ghiggia entrou muito fácil e desfechou o chute fatal a curta distância no lado esquerdo do arco de Barbosa. Era a vitória uruguaia.

Vendo o filme do jogo, Ruy Castro também é de opinião que Barbosa não teve a menor culpa. Eu e Ruy Castro não sabemos qual o motivo que levou Barbosa a culpar-se. E carregou essa culpa até o final da vida. Foi uma injustiça que ele cometeu contra si mesmo. Disse isso a ele na mesa do programa Haroldo de Andrade, de grande audiência, na antiga Rádio Globo.

ALÍVIO – Participava da mesa às terças e quintas-feiras. Barbosa foi numa quinta-feira. Tive a certeza de que o depoimento que dei o aliviou um pouco, afinal o programa tinha grande audiência. Fui vacinado contra derrotas, assumindo a certeza que futebol só se ganha no campo. Na véspera houve um carnaval na Avenida Rio Branco entre a Santa Luzia e o Hotel Serrador. Era a véspera da derrota. Não se pode cantar vitória antes do tempo.

No entanto, a vitória uruguaia foi comandada por Obdulio Varela, o herói da partida. Ele estava em todos os pontos do campo, com dedos da mão direita sacudia a camisa e pedia aos companheiros amor ao Uruguai e à camisa o tempo inteiro.

JOGO FECHADO – Quando o Brasil abriu o placar no gol de Friaça, ele correu para os seus companheiros e disse, contaria depois quando se despediu do Prego e voltava para o Uruguai, “olha ninguém sai, vamos continuar jogando fechados. Se abrirmos, perderemos de quatro. Vamos manter o modo com que estamos jogando até agora.”

Na segunda, no Jornal dos Sports, de Mário Filho, Nelson Rodrigues escrevia, “fomos derrotados por um homem só. Obdulio Varela merece o reconhecimento de sua atuação. É preciso notar que com Obdulio e o goleiro Roque Máspoli,  os uruguaios foram aplaudidos por parte da torcida brasileira quando deram a volta olímpica no estádio.

NO CAMPO – Enfim, quero dar a ideia a Galvão Bueno que ele possa obter filmes de Copas, Olimpíadas e outros campeonatos internacionais passados e históricos que mostram que futebol se ganha no campo e não na véspera. Uma tese eterna. E assim, conte as histórias dos importantes jogos e das finais desse esporte tão amado, imortal e arrebatador.

Galvão marcou sua presença, narrando por anos de forma brilhante, passando grande emoção de suas narrativas, irão ressoar para sempre a vibração das multidões. Dou essa ideia para que fiquem os registros do esporte brasileiro.

Para terminar essa sugestão, glória eterna à Rebeca Andrade que conquistou o ouro olímpico em um desempenho fantástico. Nasce uma estrela ! Glória eterna também à Rayssa Leal. O seu desempenho no skate foi fenomenal e representa bem o orgulho de todos os brasileiros e brasileiras. Exemplos heróicos e de superação que nos enchem de emoção.  

Bolsonaro tem até dia 23 para decidir se veta o vergonhoso Fundão Eleitoral de R$ 5,7 bilhões

Charge do Baggi (Arquivo Google)

Daniel Weterman
Estadão

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), envia nesta segunda-feira, dia 2, o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), aprovado no último dia 15, para sanção presidencial. A informação foi confirmada pela assessoria do chefe do Legislativo ao Broadcast Político.

Com isso, o presidente Jair Bolsonaro terá até dia 23 de agosto para sancionar ou vetar o aumento do fundo eleitoral para R$ 5,7 bilhões em 2022. Além disso, terá de se posicionar sobre a possibilidade de o Congresso aumentar as verbas do Orçamento de 2022, ano eleitoral, por meio das emendas de relator, que estão no centro do orçamento secreto, revelado pelo Estadão.

VETARÁ OU NÃO? – Nos últimos dias, Bolsonaro anunciou veto ao aumento do fundo eleitoral. Ele admitiu, porém, uma despesa de R$ 4 bilhões para irrigar as campanhas eleitorais no ano que vem, o dobro do gasto em 2020. O valor é o patamar mínimo exigido pelos partidos representados no Congresso. O bloco do Centrão, que apoia Bolsonaro, encabeça o movimento para turbinar a verba eleitoral em 2022.

O veto ainda poderá ser derrubado pelo Congresso, mas, nesse caso, depende da rejeição aberta de 257 deputados e 41 senadores, que precisarão colocar a “digital” na proposta.

Se Bolsonaro vetar o dispositivo aprovado na LDO, o valor final do fundo eleitoral ficará em aberto.

EM OUTRO PROJETO – A despesa só será efetivamente colocada em outro projeto, o da Lei Orçamentária Anual (LOA), que deve ser enviado pelo governo ao Congresso até o dia 31 de agosto e pode ser alterado pelos parlamentares.

Pela legislação em vigor, a despesa tem que ser calculada com base na arrecadação de impostos oriunda da extinção da propaganda partidária, calculada em cerca de R$ 800 milhões, mais um porcentual não definido das emendas de bancada, que podem chegar a R$ 8 bilhões no ano que vem.

Na prática, ao enviar a previsão orçamentária para as despesas em 2022, no final de agosto, o presidente já terá de ter tomado a decisão de sancionar ou vetar o aumento para R$ 5,7 bilhões.

DINHEIRO DE OBRAS – Conforme nota da Consultoria do Senado, o fundo eleitoral vai tirar um total de R$ 4,93 bilhões de obras e serviços de interesse dos próprios parlamentares no ano que vem, se o dispositivo da LDO for sancionado. O valor terá de ser retirado da verba reservada às emendas de bancada, indicadas todos os anos pelo conjunto de deputados e senadores de cada Estado.

O líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO), afirmou à reportagem que a decisão sobre o fundo eleitoral ainda não está tomada e dependerá da articulação política a partir desta semana. O novo ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira (Progressistas-AL), deve tomar posse no cargo na quarta-feira, 4, e participar das negociações, que também envolvem o Ministério da Economia e a cúpula do Legislativo. Nogueira é um dos caciques do Centrão, bloco que articulou o aumento das verbas eleitorais.

“Eu penso tanto, que às vezes penso em não pensar jamais”, dizia poeticamente o genial Millôr Fernandes

Não devemos resisitir às tentações: elas podem não voltar.... Frase de Millôr Fernandes.Paulo Peres
Poemas & Canções

O desenhista, humorista, dramaturgo, tradutor, escritor, jornalista e poeta carioca Milton Viola Fernandes (1923-2012), mais conhecido como Millôr Fernandes, no poema “Reflexão Sobre a Reflexão”, fala de suas decisões relacionadas ao ato de pensar.

REFLEXÃO SOBRE A REFLEXÃO
Millôr Fernandes

Terrível é o pensar.
Eu penso tanto
E me canso tanto com o meu pensamento
Que às vezes penso em não pensar jamais.
Mas isto requer ser bem pensado
Pois se penso demais
Acabo despensando tudo que pensava antes
E se não penso
Fico pensando nisso o tempo todo.

Centrão mostrou a real importância que Bolsonaro dá aos militares do núcleo duro do Planalto

Charge do Nani (nanihumor.com)

Merval Pereira
O Globo

Tudo indica que a temporada golpista está terminando, porque as instituições reagiram fortemente em todos os momentos em que Bolsonaro tentou criar clima para golpe.

A imprensa livre profissional denunciou esses movimentos e os políticos, que não tinham grande ascendência no governo, a partir de quando o centrão ganhou importância para estabilidade do governo e proteção de Bolsonaro contra o impeachment, passaram a trabalhar diante da concepção de que um golpe não serve para eles, porque perdem a sua importância num regime autoritário.

IMAGEM MILITAR – Quando o centrão começou a tomar conta do governo, naturalmente expeliu os militares. A ideia de que eles iriam controlar Bolsonaro não vingou. Viu-se que eram controlados pelo presidente, que fez com que o Exército, principalmente, se envolvesse em questões políticas, se expusesse a críticas de toda parte.

As Forças Armadas foram então recuando – não do apoio a Bolsonaro, mas da ideia de que o governo seria a recuperação do prestígio dos militares na vida nacional. Já vimos que, ao contrário, o governo prejudicou a imagem deles, que foram se recolhendo.

Alguns continuam afoitos, como o ministro Braga Netto, mas sua última declaração foi totalmente desmontada pelo centrão.

BRAGA NETTO – O ministro da Defesa sofreu uma saraivada de críticas depois que Artur Lira e Ciro Nogueira vazaram a informação de que havia ameaçado as eleições caso o voto impresso não fosse aprovado.

O que está acontecendo hoje é uma reversão. A política está dominando o governo, e vai continuar. Vão criar novos ministérios e colocar membros mais importantes do centrão no comando das pastas.

Os militares estão sendo levados ao corner, ficando no seu devido lugar, de onde nunca deveriam ter saído. O que é um avanço na democracia.

Vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos, luta para tirar o PL da base aliada de Bolsonaro

Marcelo Ramos já desistiu de apoiar o atual governo

Coluna do Estadão

De quem tem boa capacidade de síntese: o PP abraçou Jair Bolsonaro, o PSD pulou fora, o MDB disse não ao presidente e Valdemar Costa Neto dá risadas. Por essa lógica, o presidente do PL se encontra em situação confortável, pois mantém cargos no governo federal sem ter se aferroado a ele, conservando margem de manobra para acenar a adversários de Bolsonaro.

“O PL ainda não decidiu sobre o apoio a Bolsonaro em 2022 e eu disputarei opinião com todas as minhas forças para que o partido não esteja no palanque do presidente”, diz Marcelo Ramos, vice-presidente da Câmara.

AGORA NA OPOSIÇÃO – O deputado amazonense nunca foi simpático a Bolsonaro, porém, votava com o governo e não era considerado adversário figadal do presidente, como passou a ser, a ponto de trabalhar contra uma aliança com Bolsonaro e de se declarar opositor.

“Bolsonaro nunca teve chance de ter meu apoio. Mas eu tinha boa vontade com as pautas do governo. Isso ele perdeu”, diz Ramos, enfaticamente.

O entrevero com o vice-presidente da Câmara ilustra à perfeição o estilo Bolsonaro. Para preservar os filhos e sua narrativa capenga de ser contra privilégios, o presidente difamou Ramos, atribuindo a ele a culpa pela aprovação do Fundo Eleitoral.

INCOMÍVEL E IRREFREÁVEL – Portanto, a agenda do País na Câmara parece não interessar ao presidente, que não mede seus atos. Para um veterano cientista político, o ponto mais preocupante da recente live de Bolsonaro se deu quando ele relacionou a absolvição de Lula ao sistema de contagem de votos e às cortes superiores do País.

De duas, uma: ou o presidente da República sugeriu ruptura institucional antes das eleições ou depois de eventual derrota eleitoral.

Governo impõe sigilo de cem anos sobre acesso dos filhos de Bolsonaro ao Palácio do Planalto

PF investiga se canais que faturam mais são de ‘laranjas’ do Planalto

Filhos estavam no Planalto quando criaram as “fake news”

Por G1 e TV Globo

O governo impôs sigilo de cem anos sobre informações dos crachás de acesso ao Palácio do Planalto emitidos em nome de Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filhos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Em documentos públicos enviados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no mês passado, a Presidência da República informou a existência dos cartões de acesso ao Planalto dos dois filhos do presidente. O Planalto é a sede administrativa do governo federal.

PEDIDO DE ACESSO – A revista “Crusoé” solicitou, via Lei de Acesso à Informação (LAI), a “relação de filhos do Presidente da República que possuem ou possuíram cartões de identificação que dão ingresso às leitoras e vias de passagem do Palácio do Planalto e Anexos, acompanhada da respectiva data de emissão e de devolução do cartão de acesso entre 2003 e 2021”.

A Secretaria-Geral da Presidência respondeu impondo sigilo às informações. A secretaria alegou que as informações solicitadas dizem respeito “à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem dos familiares do Senhor Presidente da República, que são protegidas com restrição de acesso, nos termos do artigo 31 da Lei nº 12.527, de 2011″.

O dispositivo citado é o que impõe sigilo de cem anos para acesso público às informações: “as informações pessoais, a que se refere este artigo, relativas à intimidade, vida privada, honra e imagem terão seu acesso restrito, independentemente de classificação de sigilo e pelo prazo máximo de 100 (cem) anos a contar da sua data de produção, a agentes públicos legalmente autorizados e à pessoa a que elas se referirem”.

CABE RECURSO – Juristas consultados pela TV Globo afirmam que o fato de Carlos e Eduardo Bolsonaro serem homens públicos – autoridades com mandato, respectivamente, de vereador e deputado federal – se sobrepõe ao fato de serem filhos do presidente. Por esse motivo, avaliam os especialistas, a Secretaria-Geral da Presidência deveria ter repassado as informações. No entanto, cabe recurso da decisão.

Em nota divulgada neste domingo (1º), a Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República disse que a Lei de Acesso à Informação é quem “impõe o prazo máximo de 100 anos para restrição de acesso a informações pessoais de qualquer cidadão brasileiro”.

“A Secom esclarece que a Lei prevê que o tratamento de informações pessoais deve ser feito de forma transparente e com respeito à intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas”, diz a Secom em nota. A secretaria ressaltou, ainda, que o pedido se encontra em fase de análise pela Presidência da República, em grau de recurso.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Para o Planalto, se não houver sigilo, logo se saberá que os filhos de Bolsonaro estavam no palácio do governo quando o “Gabinete do Ódio” divulgou fake news nas redes sociais contra os inimigos de Bolsonaro, como já se constatou no inquérito que rola no Supremo, sob relatoria de Alexandre de Moraes. Apenas isso. (C.N.)

Em nova manifestação, Bolsonaro ataca sistema eleitoral: “Há indício fortíssimo de manipulação”

 (crédito: Reprodução / Redes Sociais)

Carro de som transmitiu Bolsonaro ameaçando a eleição

Ingrid Soares
Correio Braziliense

O presidente Jair Bolsonaro participou neste domingo (01/08), por meio de videoconferência, da manifestação a favor do voto impresso na Esplanada dos Ministérios. O áudio foi reproduzido de um carro de som. Durante a declaração, o mandatário voltou a atacar o sistema eleitoral apontando que as eleições de 2018 estão “recheadas” do que chamou de “indício fortíssimo de manipulação” nas urnas eletrônicas.

“Eu fico muito feliz e orgulhoso em ver o povo brasileiro cada vez mais se inteirando do que acontece no Brasil, como é o jogo do poder, como cada vez mais consegue se identificar aqueles que têm o discurso de democracia apenas da boca para fora. Cada vez mais entender que algumas pessoas aqui no Planalto Central, usando a força do poder, querem a volta daqueles que saquearam o país há pouco tempo, querem a impunidade e a corrupção. Não pode, em nenhum regime democrático, uma pessoa ser aquela dona da verdade e reverberar o que ela quer impor para a sociedade”, disparou em indireta ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luis Roberto Barroso.

EXÉRCITO DO POVO – Bolsonaro completou que “sem eleições limpas e democráticas, não haverá eleição” e repetiu que a população é o seu “exército”.

“Nós mais que exigimos, pode ter certeza, juntos, porque vocês são, de fato o meu exército, o nosso exército, fazer com que a vontade popular seja expressada na contagem pública do voto. Nós temos que ter a certeza de que quem você porventura votar, o seu voto vai ser computado para aquela pessoa. As eleições últimas estão recheadas de indício fortíssimo de manipulação. Isso não pode ser admitido por mim e nem por vocês. Nós, juntos, somos a expansão da democracia no Brasil. O nosso entendimento, a minha lealdade ao povo brasileiro, o meu temor a Deus, a nossa união nos libertará da sombra do comunismo e do socialismo”, bradou em um vídeo postado pelo assessor da presidência, Max Guilherme Machado de Moura.

URNA INAUDITÁVEL – O mandatário alegou ainda que quem fala que a urna é auditada e segura é mentiroso. “É quem não tem amor à democracia, é quem não respeita o seu povo. Essas pessoas tem que reconhecer qual é o seu lugar. Não vou entrar em provocações baratas, eu quero uma forma limpa de realizar eleições. Quem for contra a vontade de vocês que é a contagem pública, que é o voto democrático, está contra a democracia. Nós somos a maioria no Brasil. Nós estamos do lado certo. Nós não vamos esperar acontecer para depois tomar providências. Juntos nós faremos o que tiver que ser necessário para que haja contagem pública dos votos e tenhamos eleições democráticas o ano que vem”, continuou.

O presidente destacou que, se necessário, convidará os paulistanos a irem às ruas a favor do voto impresso para dar um “último alerta” a quem é contrário à medida.

A VOZ DO POVO – “Se preciso for, para dar um último alerta àqueles que não tem respeito para conosco, eu convidarei o povo de SP, a maior capital do Brasil a comparecer à Paulista para que o som deles, a voz do povo, seja ouvida por aqueles que teimam em golpear a nossa democracia. Se o povo lá disser que o voto tem que ser auditado, que a contagem tem que ser pública e que o voto tem que ser impresso na forma como se propõe a PEC da Bia Kicis, tem que ser dessa maneira”.

Por fim, ele justificou que a “maioria” da Câmara é favorável ao voto impresso, mas que Barroso tem atuado para derrubar o projeto do governo.

“A maioria da Câmara pelo que sei é favorável ao voto impresso. É uma minoria (que é contra) que foi agora escolhida por líderes depois de uma reunião com o Barroso, um ministro que deveria ser o primeiro a estar do lado da transparência das eleições, está exatamente do outro lado”, concluiu.

NO TRIO ELÉTRICO – Em cima de um trio elétrico, participaram do ato ainda a deputada Bia Kicis (PSL-DF), autora do projeto do voto auditável e o ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. A maioria das faixas erguidas pedia por “voto impresso já” e “contagem pública de votos”.

Também houve críticas aos magistrados da Corte, além de pedidos pela soltura do deputado Daniel Silveira, que justificaram estar preso injustamente.  Silveira é acusado de ameaçar o Supremo e seus ministros, em um vídeo que publicou na internet. Ele foi preso novamente em junho, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de violar o uso da tornozeleira eletrônica.

VOTO DE NINGUÉM – A parlamentar alegou que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não podem decidir sobre o modelo de apuração dos votos, pois não receberam “voto de ninguém”. “Respeita o povo, ministro do Supremo e do TSE. Não recebeu voto de ninguém. Não tem que decidir como vai ser a apuração”, defendeu.

Minutos depois, Bolsonaro publicou um vídeo onde aparece falando aos manifestantes do ato diretamente do Palácio da Alvorada. Segundo ele, também enviou mensagem para apoiadores que participam em outras capitais, como Belo Horizonte e Rio de Janeiro. O chefe do Executivo destacou que às 16h deverá falar para os bolsonaristas que estiverem presentes na Avenida Paulista, em São Paulo.

PERDA DE TEMPO – No último dia 30, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), disse que a discussão em torno da PEC do voto impresso é uma “perda de tempo”. O deputado voltou a afirmar que confia no sistema eleitoral brasileiro. Mencionou, ainda, que dificilmente a proposta chegará ao plenário da Câmara.

A votação da PEC 135/2019, que institui o voto impresso, foi adiada para este mês, após o término do recesso parlamentar. Caso tivesse ido à votação no final de julho, sofreria total derrota.

Em live do último dia 29, o presidente prometeu apresentar provas de que as eleições de 2018 foram fraudadas. Contudo, durante o evento, ele comentou que “não tinha como se comprovar”. E foi rebatido pelo Tribunal Superior Eleitoral, que emitiu nota alertando que o chefe do Executivo propagou notícias falsas na transmissão

Exame de corpo de delito do marido é negativo e Joice anuncia que processará os caluniadores

Joice Hasselmann e Styvenson Valentim

Joice denunciou ao Conselho de Ética o senador Valentim

Lauro Jardim e Amanda Almeida
O Globo

A deputada federal Joice Hasselmann e o marido, neurocirurgião Daniel França, decidiram processar todos “os que caluniaram e participaram de montagens de fake news” contra o casal nos últimos dias, com publicações de posts ou comentários sobre supostas agressões cometidas por ele.

O laudo do exame de corpo de delito de Daniel concluído na sexta-feira pelo Instituto Médico Legal do Distrito Federal constatou que o marido de Joice não apresenta lesão nas mãos ou em outras regiões do corpo.

SEM EVIDÊNCIAS – Diz um trecho do laudo assinado pelo legista Adriano Brandão: “Ausência de hematomas ou outras lesões recentes constatáveis ao exame físico”.

Joice diz que a partir desse laudo, seu advogado, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, e o de Daniel entrarão na Justiça:

— Tenho vontade de fazer esses vagabundos que acusaram o Daniel engolir o laudo agora. Vamos processar todos os que caluniaram e participaram de montagens de fake news. O advogado dele e os meus terão bastante trabalho.

CONSELHO DE ÉTICA – Antes de conhecer o laudo do marido, Joice Hasselmann já havia entrado com representação no Conselho de Ética do Senado contra Styvenson Valentim (Podemos-RN). A deputada o acusa de quebra de decoro parlamentar.

Ao comentar a situação de Joice, que acredita ter sido vítima de um atentado depois de acordar com fraturas em meio a uma poça de sangue, o senador ironizou em live:

— Aquilo ali, das duas uma. Ou duas de quinhentos (Styvenson leva as mãos à cabeça, fazendo chifres) ou uma carreira muito grande (inspira, como se cheirasse cocaína). Aí ficou doida e pronto… saiu batendo em casa.

CALÚNIA E DIFAMAÇÃO – “Tal conduta revela-se no mínimo grave e flagrantemente incompatível com a ética e o decoro exigidos pela Constituição Federal e normas internas desta Casa Legislativa, eis que as agressões verbais não se limitaram apenas a emissão de opinião, mas sim em flagrante ofensa à honra da parlamentar vítima de violência física”, diz Joice na representação.

Para ela, o senador cometeu crime de calúnia e difamação. Completa Joice:

“É inconcebível que em pleno século XXI um senador da República, no exercício da atividade parlamentar, em meio virtual, com a utilização de suas redes sociais, dissemine conteúdo ofensivo, ensejadores de danos irreparáveis à honra e dignidade da denunciante. Nada obstante, a imunidade material, assegurada aos deputados e Senadores, por suas opiniões, palavras e votos não pode ser confundida a um ‘manto absoluto’ ou mesmo a um ‘cheque em branco’ para prática de crimes”.

OUTRA QUEIXA – Foi a segunda queixa contra Styvenson ao Conselho de Ética em uma semana. Na primeira, a deputada Natália Bonavides (PT-RN) o acusa de quebra de decoro também por um vídeo nas redes sociais. Ao comentar uma ação policial, ele relativizou a violência contra uma mulher.

Para a deputada, o senador legitimou a violência em um vídeo no qual ele comenta uma ocorrência policial em Santo Antônio (RN). Ao atender uma mulher que denunciou violência doméstica, um policial a agrediu. Styvenson diz que não sabe o que “essa mulher fez para merecer dois tapas”.

— Pelo vídeo aí, eu estou vendo que ele está dando dois tapas na mulher, uns tapas bons, na mulher. Agora, eu sei lá o que essa mulher fez para merecer dois tapas. Será se ela estava calada, rezando o Pai Nosso, para levar dois tapas? Eu não sei, eu não sei – afirmou o senador.

Do jeito que as apurações se desenvolvem, os crimes cometidos pelo presidente jamais serão punidos

Charge do Genin (Charge Online)

Carlos Alberto Sardenberg
O Globo

Como lidar ou, se quiserem, como reagir ao presidente Bolsonaro? É mais fácil dizer o que não se deve fazer: bater boca com ele. Essa é a casa dele. Alguns sugerem não fazer nada: deixem ele falar sozinho com a turma do cercadinho.

Não é boa ideia. Afinal, o cara é presidente eleito com 57,7 milhões de votos. Não se pode dizer que sejam todos fiéis. Muita gente, a maioria, acredito, votou nele considerando a opção melhor ou menos ruim, de modo que depositaram um mínimo de confiança em sua capacidade.

VOTO IMPRESSO – Nesse pessoal, é possível que cole a questão do voto impresso. Qual o problema, dirão, de tirar um print do voto?

Por isso, fez muito bem o Tribunal Superior Eleitoral ao responder, on-line, em tempo real, às mentiras que Bolsonaro foi espalhando na live da última quinta-feira. O TSE ocupou espaço nas redes sociais — território bolsonarista — e deu argumentos técnicos, detalhados, contra as fake news. Mostrou que uma urna cheia de papeizinhos impressos é mais vulnerável a roubos de toda espécie do que a urna eletrônica.

Portanto, temos aqui uma linha de resposta. Não cair na armadilha do bate-boca, mas responder com serenidade, mostrando fatos, sem exclamações.

Isso vale especialmente para a imprensa independente. E é o que temos procurado fazer aqui, no Grupo Globo. Os leitores não imaginam o tempo e os recursos que usamos para checar e rechecar as falas do presidente e sua turma.

NUM MUNDO FAKE – Lógico, há uma parte dos eleitores de Bolsonaro — os fiéis dos cercadinhos — que nem sequer se inteira do que se publica na imprensa independente. Vive, como seu chefe, no mundo das fake news da internet. Serão quantos? Vinte e cinco por cento do eleitorado?

Varia, é claro, conforme as circunstâncias. Por exemplo: economistas, cientistas políticos, políticos profissionais, de variadas tendências, acham que Bolsonaro pode ter um bom momento no ano que vem, se a vacinação estiver bem avançada e a economia em recuperação.

Ou seja, a reação — serena, técnica — ao comportamento do presidente deve ser permanente e diária. Mas e a outra parte da história? Os danos que a gestão Bolsonaro causa ao país, às instituições e ao serviço público?

PÉSSIMA ADMINISTRAÇÃO – Isso vai desde as ofensas e ataques ao sistema democrático (as ameaças de golpe) até o desleixo e a corrupção na compra de vacinas. Podem-se incluir aqui as coisas aparentemente menores, como o incêndio na Cinemateca ou a paralisação da Plataforma Lattes, do CNPq.

Nesses dois casos, é evidente a péssima administração dos órgãos federais. A Cinemateca está sem gestor há meses. No dia do incêndio, o governo lançou edital para contratar. É uma confissão, não é mesmo?

Então temos: ameaças à estabilidade institucional; ataques à liberdade de imprensa; vidas perdidas por falta de vacinas e políticas sanitárias nacionais; e desastres administrativos, com danos à população e ao interesse público.

RESUMO DA ÓPERA – Responder é bom e importante, mas não basta. Certamente, há crimes nesse desempenho presidencial. O que nos leva ao grande problema atual.

Ministério Público, Polícia Federal, Ministério da Justiça — instituições que poderiam investigar e representar contra o presidente — estão devidamente aparelhados. E o Congresso está controlado pelo Centrão, que pouco se lixa para as questões da democracia e das instituições. Seus chefes só não querem um golpe militar, porque isso, ao menos temporariamente, tiraria poder dos políticos.

Um Bolsonaro que entrega cargos e dinheiro está mais que bom. Sobram a imprensa independente, governadores, prefeitos e parlamentares de oposição e o Supremo Tribunal Federal.

POLARIZAÇÃO – Sim, sobra Lula também, mas ele quer que Bolsonaro fique assim mesmo até as eleições, para polarizar fácil. Deveria pensar mais no país do que em si mesmo, mas isso não vai acontecer.

Tem também a CPI da Covid, mas que demora e poderá não chegar diretamente a Bolsonaro.

Então, quem vai apanhar e punir os crimes do presidente?

CPI já tem provas de que Bolsonaro prevaricou no combate à Covid, diz o senador Omar Aziz

O presidente da CPI da Covid, o senador Omar Aziz, em coletiva de imprensa

Omar Aziz diz que ainda há muita coisa a ser investigada

Jorge Vasconcellos
Correio Braziliense

A temperatura política voltará a subir a partir desta semana, com a retomada dos depoimentos na CPI da Covid, após o recesso parlamentar. Nos próximos dias, os senadores vão aprofundar as investigações sobre as negociações suspeitas do Ministério da Saúde para a compra de vacinas contra o novo coronavírus. Em entrevista ao Correio, o presidente do colegiado, senador Omar Aziz (PSD-AM), afirma que as apurações já constataram que “o governo nunca teve o interesse de comprar imunizantes de empresas sérias” e optou por negociar preços acima do mercado com intermediários.

Aziz mantém a cobrança de um posicionamento de Jair Bolsonaro sobre acusações do deputado Luís Miranda (DEM-DF). À CPI, o parlamentar disse ter alertado o presidente da República sobre suspeitas de irregularidades no contrato de compra da vacina indiana Covaxin, assinado entre o Ministério da Saúde e a empresa Precisa Medicamentos.

SEM DESMENTIDO – “Até hoje o presidente não desmentiu o deputado”, reforça o senador. Segundo ele, já há “indícios suficientes” de que Bolsonaro “sabia da existência de crimes e não tomou providência”, cometendo “crime de prevaricação”. A seguir, os principais trechos da entrevista.

A CPI retoma os depoimentos com foco nas negociações sobre vacinas. A que conclusões a comissão chegou sobre esse tema e o que ainda pretende apurar?
O que a CPI apurou, desde aquele depoimento do Fabio Wajngarten (ex-secretário de Comunicação do governo), é que o governo nunca teve o interesse de comprar vacinas de empresas com compliance (observância de práticas) sérias. Com o andar das investigações, a CPI percebeu que vacinas com preços acima do mercado foram negociadas. Deixaram de comprar vacina da Pfizer a US$ 10 para comprar a US$ 15 da Covaxin. Onde tinha interesses não republicanos, aí sim, havia uma parte (do governo) com todo interesse em comprar essas vacinas. E, com isso, nós deixamos de comprar vacinas em quantidade muito grande; não participamos do consórcio (Covax Facility) feito pela OMS (Organização Mundial da Saúde), que daria oportunidade para vacinar 50% do povo. A gente conseguiu descobrir tudo isso. É uma pena, porque quem sofreu foram os brasileiros que perderam pessoas queridas.

A CPI recebeu documentos que mostram que a AstraZeneca avisou ao Ministério da Saúde, em janeiro, que não negociava vacinas com participação de empresas privadas. O Butantan também fez sobre a CoronaVac. Mesmo assim, o governo negociou as duas vacinas com intermediários. Qual sua opinião sobre isso?
Quando eles viram oportunidade de ter algum lucro pessoal, aí tiveram todo interesse, uma rapidez enorme. Volto a repetir: em relação à Pfizer, foram mais de 100 e-mails enviados ao Ministério da Saúde sem resposta. É complicado. Já a Covaxin, a primeira reunião ocorreu em novembro e, em fevereiro, já estavam fechando o contrato (de 20 milhões de doses a R$ 1,6 bilhão).

O presidente Bolsonaro tem repetido que não houve irregularidades no caso Covaxin porque o Ministério da Saúde não pagou pela vacina.
Juridicamente, ele (presidente) sabe que teve, sim, crime. Só não foi possível o pagamento porque um servidor (Luis Ricardo Miranda, do Ministério da Saúde) comunicou ao presidente o que estava se passando a respeito da Covaxin. E, mesmo assim, ele nada fez, deixou as coisas andarem. E continuam andando. No dia 20 (de março), o servidor e o irmão dele, o deputado Luis Miranda (DEM-DF), avisaram: fique ligado. Mesmo assim enviaram novos invoices (recibos de importação), mensagens dizendo que pagassem US$ 45 milhões em Cingapura, e o presidente não mandou cancelar as negociações. Foram canceladas as negociações agora, depois que a CPI expôs toda essa trama.

A CPI tem indícios suficientes para dizer que o presidente cometeu crime de prevaricação?
Temos. Até hoje, o presidente não desmentiu o Luis Miranda. Ele cita até o nome do líder do governo (na Câmara, deputado Ricardo Barros, PP-PR), segundo o deputado, e o presidente não tomou nenhuma providência. E Barros continua sendo líder do presidente. Por que, se no dia 20 de março, no Palácio da Alvorada, você recebe um deputado e fala, segundo contou o parlamentar, que sabe quem está por trás disso, e mantém essa pessoa até hoje como líder? Eu não sei mais o que é prevaricar.

A defesa de Francisco Maximiano, sócio da Precisa Medicamentos, pediu o adiamento do depoimento dele. Advogados dizem que ele está na Índia. Que providências a CPI tomará?
Ele poderia ter comunicado à gente, no dia em que recebeu o documento de convocação para o dia 4 (de agosto), dizer que ele não estava no país.

Em recente pronunciamento, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, fez elogios à atuação do governo na pandemia e disse que Bolsonaro adotou uma “estratégia diversificada” para adquirir vacinas contra a covid-19. O senhor concorda?
Foi uma estratégia de não responder à Pfizer? Foi uma estratégia ele dizer “vachina da China”? Isso é estratégia? Será que o ministro Queiroga acha que todo o brasileiro chupa pirulito, é criancinha? Que estratégia é essa?

A secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, está pedindo na justiça que o senhor pague a ela R$ 100 mil por danos morais. Ela também pediu ao STF uma apuração sobre vazamentos de e-mail e dados que deveriam estar em sigilo. O ministro Ricardo Lewandowski deu cinco dias para a CPI dar uma resposta. Qual a sua defesa contra essas acusações?
Ela usou o povo do Amazonas como cobaia — morreram, aqui, 14 mil pessoas já. E vem pedir danos morais para mim? Ela agiu irresponsavelmente com o povo do meu estado, e ela será, sim, indiciada, e será punida pela justiça dos homens, depois pela justiça divina, por ter causado, por ter contribuído para que essa pandemia, para que crime contra a vida fosse praticado. Depois, chega na CPI e mente. Ela tem que responder aos senadores, a partir de terça-feira, quais são os cinco senadores que ela passou as perguntas para fazerem para ela. Então, não manda ela, com um processo contra mim, querer se esquivar de perguntas que tem que responder, porque, com certeza, ela não passou nenhuma pergunta para mim, para eu fazer. Temos que saber quem são esses cinco senadores.

Como o senhor vai cobrar isso da Mayra Pinheiro?
Eu vou entrar na Justiça para perguntar a ela quem são os cinco senadores. Ela vai ter que responder. Nós não estamos ali na CPI para fazer joguinho. Porque esse joguinho, brincar com a vida de pessoas, é muito pesado. Morrendo gente e ela rindo: “Ah, eles vão passar a bola e eu vou fazer o gol”. E (investigar) aqueles também que se sujeitaram a esse tipo de coisa.

E quanto à queixa da secretária ao STF sobre vazamento de dados que deveriam estar em sigilo?
Não tem embasamento, não existe vazamento de nenhum documento sigiloso. O que eu vi que saiu foi uma carta que ela enviou para o governo de Portugal. Inclusive, duas tevês portuguesas me procuraram para falar sobre isso. Porque pode ter consequências em Portugal essa brincadeira dela. Ela oferece um tipo de tratamento que não deu certo cientificamente, nem aqui nem em lugar nenhum no mundo. Já não bastava ela ter cometido os crimes contra a vida no Brasil, queria também em Portugal? Se é documento secreto utilizar o Ministério da Saúde para mandar uma carta ao governo português, é secreto por quê?

Durante a reunião do grupo majoritário da CPI, na semana passada, ficou acertada a votação de um requerimento que pede o afastamento de Mayra Pinheiro por supostamente obstruir as investigações. Que obstruções são essas?

Mandar perguntas para senadores fazerem para ela. Como é que não está obstruindo a investigação? Se isso não for obstrução de investigação, não sei mais o que é. Você vai ser testemunha minha e eu te digo: “Olha, você fala isso, isso e isso” — que eu te oriento como acusada. Primeiro, que uma pessoa que é testemunha, ou investigada, não pode falar com o juiz. E os senadores que ela disse que enviou as perguntas são juízes. Está todo mundo (senadores governistas) calado, ninguém respondeu. Então, o certo é ela dizer quem são esses cinco senadores aliados.

O senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), agora suplente da CPI, terá acesso a documentos, poderá apresentar requerimentos e usar artifícios regimentais contra as investigações. Como o senhor recebeu essa notícia?
Ele tem todo o direito de participar da CPI, escolhido pelo bloco parlamentar dele. É parte envolvida diretamente. Então, tem direito de participar de qualquer ato dentro do Senado. O regimento (interno do Senado) é para todos.

Por que a CPI decidiu aprofundar as investigações sobre a empresa VTC Log?
O que nós temos sobre a VTC Log são os contratos que foram reajustados bem acima do recomendado (por parecer da área técnica do Ministério da Saúde). Há também uma relação muito próxima de dirigentes desta empresa com o Roberto Ferreira Dias (ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde). A dirigente da VTC Log (Andréia Lima, diretora-executiva) deve ser chamada pela CPI.

Quais as expectativas do senhor em relação ao depoimento do líder do governo, deputado Ricardo Barros (PP-PR)?
Não vai contribuir em absolutamente nada, porque ninguém acusou o deputado de nada. Nem a CPI o acusou. Quem disse que o presidente (Bolsonaro) teria falado no nome dele foi o deputado Luis Miranda. A coisa mais tranquila para ele, e ele nem precisaria ser convocado nem ir à CPI, era o presidente fazer uma nota de desagravo, uma live ao lado dele dizendo: “Estou aqui ao lado do meu líder, confio plenamente no Ricardo Barros e o que esse deputado (Luis Miranda) falou é mentira”. É simples assim, como diz o (ex-ministro da Saúde Eduardo) Pazuello. Quem tem que desmentir o Miranda não é o Barros, é o próprio Bolsonaro — e ele não faz isso.

A CPI decidiu que vai pedir o bloqueio judicial dos bens da Precisa Medicamentos e da Global, empresas do Francisco Maximiano. Por quê?
Temos que mostrar, claramente, que essa empresa ludibriou o governo e o povo querendo receber antecipadamente sem botar uma única vacina aqui dentro. Não é a primeira vez que ela faz isso. Fez, inclusive, aqui junto ao Governo do Distrito Federal.