PT lança vídeo para associar Flávio Bolsonaro ao escândalo do Banco Master

Economia de ideias: o vazio estratégico que marca a corrida presidencial

Ausência de propostas robustas revela fragilidade

Pedro do Coutto

A sucessão presidencial que se desenha para outubro expõe um paradoxo inquietante da política brasileira contemporânea: nunca se falou tanto em projetos para o país, e, ao mesmo tempo, nunca se apresentou tão pouco em termos concretos. Reportagem de Bernardo Mello, publicada em O Globo, identifica um padrão comum entre nomes centrais da disputa — Lula da Silva, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Flávio Bolsonaro: todos evitam compromissos claros em áreas sensíveis, especialmente na economia e na redistribuição de renda. O resultado é uma campanha marcada mais por posicionamentos genéricos do que por propostas verificáveis.

Esse fenômeno reflete uma estratégia política deliberada em um ambiente altamente polarizado, no qual assumir compromissos concretos pode significar perder mais votos do que ganhar. A polarização — entendida como o distanciamento crescente entre posições ideológicas e eleitorados — tende a punir nuances e premiar discursos simplificados . Nesse contexto, propostas detalhadas deixam de ser ativos eleitorais e passam a representar riscos.

SEM PROPOSTAS – O problema, no entanto, vai além da tática eleitoral. A ausência de propostas robustas revela uma fragilidade estrutural: a incapacidade (ou falta de interesse) de formular um projeto nacional consistente. Questões centrais como desigualdade social, produtividade econômica, reforma tributária ou transição energética aparecem diluídas em discursos vagos, muitas vezes substituídas por slogans ou promessas amplas, sem mecanismos claros de implementação.

Entre os nomes analisados, o caso de Lula apresenta uma assimetria evidente. Como presidente em exercício, ele não apenas dispõe da visibilidade institucional, mas também da máquina administrativa e da capacidade de transformar decisões em políticas públicas. Isso reduz a necessidade de detalhamento programático no campo eleitoral, pois sua gestão já funciona, na prática, como vitrine. Essa vantagem estrutural cria um desequilíbrio competitivo: enquanto adversários precisam prometer, o incumbente pode mostrar — ainda que selecione estrategicamente o que exibir.

Por outro lado, candidaturas como as de Zema e Caiado enfrentam um dilema clássico: precisam se diferenciar sem romper com bases eleitorais amplas e heterogêneas. No caso de Zema, por exemplo, sua projeção nacional ainda depende de alianças e da consolidação de uma identidade política mais definida, o que limita a apresentação de propostas mais ousadas ou específicas . Já Caiado, embora tenha discurso mais assertivo em temas como segurança, também evita detalhamentos que possam restringir sua margem de negociação política.

PESO SIMBÓLICO  – Flávio Bolsonaro, por sua vez, carrega o peso simbólico de um campo político ainda fortemente associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Sua estratégia tende a orbitar mais em torno de posicionamentos ideológicos e da manutenção de uma base fiel do que na construção de um programa inovador. Isso reforça a lógica de campanha identitária, em detrimento da programática.

Há, portanto, um elemento comum que atravessa todas essas candidaturas: a substituição do debate de políticas públicas por uma disputa de narrativas. Trata-se de uma “economia de ideias”, na qual propostas são racionadas para evitar desgaste, e o foco se desloca para símbolos, valores e antagonismos.

Essa dinâmica traz riscos evidentes. Primeiro, empobrece o debate democrático, reduzindo a capacidade do eleitor de comparar projetos de forma objetiva. Segundo, dificulta a cobrança futura: sem compromissos claros, a responsabilização política se torna difusa. Por fim, perpetua um ciclo de baixa qualidade programática, no qual campanhas se tornam cada vez mais superficiais.

MENOS PROMESSAS – Mas há também uma leitura estratégica possível: em um eleitorado fragmentado e desconfiado, candidatos preferem manter flexibilidade máxima até o último momento. Prometer menos é, nesse sentido, prometer com menor custo político. A questão é se essa racionalidade eleitoral de curto prazo não compromete a governabilidade de longo prazo.

No limite, a eleição de 2026 pode não ser definida pelo melhor projeto de país, mas pela narrativa mais eficiente — ou pela menor rejeição. E isso diz menos sobre os candidatos e mais sobre o estágio atual da democracia brasileira: uma arena em que o risco de errar pesa mais do que a coragem de propor.

BRB ignorou alertas e avançou em negócio bilionário com crédito suspeito do Banco Master

STF em xeque: entre a defesa da democracia e as fragilidades internas

Confira os crimes que Mantega e Toffoli praticaram na “nomeação” de Messias

Petrobras ainda não indicou Mantega para Braskem

Mantega era ministro da Fazenda quando cometeu a fraude

Carlos Newton

Já houve um tempo em que analistas políticos do primeiro mundo se interessavam pelo Brasil e estudavam em profundidade a política nacional. Eram chamados de “brazilianistas” e viviam por aqui. Publicavam livros e ensaios, eram festejados e davam entrevistas. Mas acabaram sumindo, porque nossa política é tão surrealista que nem os próprios brasileiros conseguem entender.

Essa desordem permanente enxovalha a grandeza do país, um dos maiores do mundo em território, população e produção econômica. As maluquices e insanidades são tantas que atingem a própria Suprema Corte, que se transformou numa espécie de asilo muito louco, igual ao manicômio Casa Verde criado por Machado de Assis.

DEPOIS DE TOFFOLI… – Quando a opinião pública pensava que não haveria mais indicações levianas ao Supremo do tipo Dias Toffoli, aquele que virou ministro sem conseguir ser aprovado duas vezes em concurso para juiz singular, eis que aparece um outro candidato de igual insignificância e falta de capacitação.

O novo indicado pela presidente Lula da Silva é Jorge Messias, ministro da Advocacia-Geral da União, o curioso “Bessias”, que ficou famoso quando assessorava a então presidente Dilma Rousseff, aquela que também tinha um parafuso frouxo e dificuldades de expressar seus pensamentos.

Pensava-se que Dilma o chamava de “Bessias” por dificuldade de pronunciar o nome dele. Mas em Brasília sabe-se que ela apena fazia uma corruptela de “aquele besta do Messias”, devido ao despreparo do assistente jurídico da Casa Civil.

SALAMALEQUES – É público e notório que candidatos a integrar o Supremo costumam engordar os currículos com importantes cargos, diplomas e títulos de toda sorte. Alguns, como Nunes Marques, dizem ter se doutorado em Salamanca, na Espanha – parece que gostam do nome, que lembra os salamaleques jurídicos que abundam nos dias de hoje.

Mas o caso agora é diferente com o indicado Jorge Messias, que vai ser sabatinado pelos senadores nesta quarta-feira. Tudo na vida dele é surreal.

Como já mostramos aqui, Toffoli ainda era ministro da Advocacia-Geral da União, em 2007, quando assinou uma Portaria Conjunta com o então ministro da Fazenda, Guido Mantega, para nomear dezenas de candidatos, entre eles Jorge Messias, militante do PT em Pernambuco, que estava na 86º colocação, mas pediu para ser nomeado por último, um direito garantido pelo edital a candidatos que não cumpram exigências ou até por motivos pessoais. Assim, num concurso para preencher apenas 27 vagas, foram nomeados 643, vejam que absurdo.

NOMEAÇÕES DESNECESSÁRIAS – Explicando melhor: um ano e meio depois da divulgação e nomeação de espantosos 577 candidatos para apenas 27 vagas, os então ministros Mantega (Fazenda) e Toffoli (AGU) divulgaram uma lista adicional nomeando mais 66 nomes, sem apontar a existência dos respectivos editais atos da Escola de Administração Fazendária (ESAF), organizadora do concurso, que justificassem aceitação do requerimento de cada candidato tardio.

Cabia à ESAF publicar edital esclarecendo se eles realmente cumpriram as exigências. Mas isso nunca foi feito. Os ministros passaram por cima da ESAF como um rolo compressor e fizeram essas 66 nomeações adicionais, um ano e meio após a homologação do concurso.

A essa altura, o aparelhamento da máquina administrativa estava acelerado, e  Mantega e Toffoli já tinham realizado outro concurso para a mesma carreira de procurador da Fazenda, desta vez tipo recorde, com 250 vagas, logo após terem nomeado os 643 aprovados para apenas 27 vagas, incluindo Messias. 

SEM PRÁTICA – Esse furor nas nomeações caracterizava grave irregularidade, por serem abertas vagas sem necessidade. E o caso de Messias era mais delicado, porque ele não poderia ter comprovado dois anos de prática forense, pois até 1º de junho de 2006, quando foi nomeado pela primeira vez, para procurador do Banco Central, ainda trabalhava em Recife na Caixa Econômica Federal em horário integral, não tinha como frequentar o Fórum o obter prática jurídica.

Há suspeitas também sobre seu registro definitivo na OAB de Pernambuco, onde morava. Sua transferência para a Seccional de Brasília foi feita em 2009 e manteve a inscrição sob nº 31.448. A suspeita ocorre porque essa numeração caracteriza registro realizado em Pernambuco  vários anos após ser nomeado em 1º de junho de 2006 

Estamos apurando essa contradição, mas ainda não conseguimos resposta da OAB-PE e da Ouvidoria da OAB Nacional sobre a data de inscrição definitiva de Messias como advogado, que precisaria ser anterior a 1º de junho de 2006, quando foi nomeado procurador do Banco Central. Se o registro tiver sido feito depois, comprova-se plenamente a fraude.,

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P.S. 1
O mais espantoso na carreira de Messias é que, poucos meses após assumir no Banco Central, sem prática forense e com apenas 26 anos, o calouro conseguiu ser eleito presidente da Associação dos Procuradores do Banco Central, porque na carreira já havia muito mais procuradores novos do que antigos, e a maioria era petista.

P.S.
Esses excessos cometidos nos concursos públicos significam a negação da democracia. Foram arquitetados para aparelhar a estrutura funcional com inscritos que eram ligados ao PT ou recomendados pelo partido. Parece algo que não se pode provar, porém é mais do que evidente, porque esse fenômeno aconteceu entre 2003 e 2015, quando foram nomeados os derradeiros 211 procuradores da Fazenda na era do PT. Até 2002, no governo FHC, desde a criação da carreira, em 1952 (governo Vargas) a Fazenda só teve 459 procuradores. Mas os governos de Lula e Dilma, em 12 anos, nomearam 1.640 concursados, criando uma superlotação tão escandalosa que desde 2015 não houve mais nenhuma nomeação nesta carreira de procurador da Fazenda…  (C.N.)

Rede aciona STF para barrar venda de mineradora de terras raras aos EUA

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‘Misógino de extrema direita’: Gleisi reage à ofensa contra brasileiras feita por aliado de Trump

Reforma do Judiciário: OAB articula mobilização nacional e desafia modelo do STF

OAB lança comissão o após proposta de Dino

Mariana Muniz
O Globo

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) decidiu criar uma comissão para mobilizar a advocacia e a sociedade civil em torno da reforma do Judiciário, em meio ao avanço do debate sobre mudanças na estrutura das cortes, impulsionado por propostas recentes do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, que defendeu alterações no sistema e maior rigor no combate a desvios na magistratura.

Instituída por portaria do Conselho Federal, a Comissão de Mobilização para a Reforma do Poder Judiciário terá a função de articular e implementar medidas já aprovadas internamente pela entidade, além de coordenar a atuação institucional da OAB e consolidar contribuições das seccionais estaduais. O colegiado será presidido pela secretária-geral da OAB Nacional, Rose Morais, e contará com a participação de conselheiros federais e presidentes de seccionais. Também haverá apoio técnico da assessoria jurídica do Conselho Federal, que ficará responsável por subsidiar os trabalhos do grupo.

ATRIBUIÇÕES – Entre as atribuições da comissão está a mobilização da advocacia para o debate público e o encaminhamento de propostas já aprovadas pelo plenário da entidade, como a adoção de mandatos fixos para ministros do STF, a limitação de decisões monocráticas e a criação de regras mais rígidas para a atuação de parentes de magistrados na advocacia.

Segundo o presidente nacional da OAB, Beto Simonetti, a iniciativa busca dar continuidade a deliberações já consolidadas pela entidade e reforçar a participação da advocacia nas discussões institucionais. “A OAB já aprovou em plenário seu apoio a itens fundamentais da reforma do Judiciário. Qualquer discussão sobre o tema só será legítima se envolver a advocacia, que é a profissão que leva ao Estado o pleito das cidadãs e dos cidadãos “,afirmou.

A portaria também estabelece prazo de 15 dias para que conselheiros federais e seccionais encaminhem sugestões e subsídios ao colegiado, que deverão ser consolidados e analisados em conjunto com contribuições já apresentadas por unidades da federação.

ARTIGO DE DINO – Em artigo publicado no site ICL Notícias, Dino escreveu que “reformas são bem-vindas, quando inspiradas pelo interesse público e revestidas de consistência técnica”. A última reforma do Judiciário aconteceu há 22 anos, em 2004, no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva na presidência da República.

A movimentação ocorre em paralelo a outras frentes em discussão no Supremo. Além das propostas defendidas por Dino, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, tem apoiado o debate sobre mudanças no funcionamento do Judiciário e conduz iniciativas internas, como a discussão sobre a criação de um Código de Conduta para o tribunal.

Nesse contexto, a OAB também encaminhou ao STF, em fevereiro, sugestões para a elaboração de regras éticas mais objetivas, defendendo maior transparência e participação da advocacia no processo.

Ciro hesita entre Presidência e Ceará e reaparece atacando polarização e sistema político

Ciro promete decidir candidatura até meados de maio

Filipe Vidon
O Globo

Candidato a presidente em quatro eleições, o ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes (PSDB) prometeu, neste sábado, decidir até o fim da primeira quinzena de maio se disputará a Presidência da República ou o governo do Ceará em 2026.

Mesmo sem a confirmação, o tom do discurso foi predominantemente nacional, citando temas como economia, judiciário e a polarização entre PT e PL. Ciro falou para correligionários durante encontro de pré-candidatos do PSDB, na primeira agenda pública do ex-ministro após receber o convite formal do presidente nacional da legenda, o deputado federal Aécio Neves, para encabeçar a chapa presidencial do partido.

DERROTA EM 2022 – Ao justificar a disposição de voltar à disputa nacional, Ciro revisitou a derrota de 2022, quando teve seu pior desempenho nas quatro eleições presidenciais que disputou. O político disse ter sido impedido de competir em condições justas e que, não fosse a “gravidade do momento”, evitaria a política. Ciro afirmou ainda sentir-se “obrigado pelo apelo” de seu partido a considerar o convite.

— Na última eleição eu me senti profundamente humilhado por uma campanha fascista que me negou o próprio direito de participar. E eu, se tivesse juízo mesmo, não chegaria mais perto dessa quadra política fascista de lado a lado nem para dar os parabéns nem os pêsames. Nesse pleito é presidente ou governador. Um dos dois. No fim da primeira quinzena de maio, eu tomo a decisão.

MENSAGEM EM VÍDEO – A ausência de Aécio Neves não passou despercebida. O presidente nacional do PSDB, que em 14 de abril fez o convite público a Ciro para encabeçar a chapa presidencial, enviou uma mensagem em vídeo aos pré-candidatos reunidos no Clube Juventus, na Mooca, zona leste de São Paulo — mas não citou o nome de Ciro Gomes em nenhum momento da gravação.

Na ocasião em que recebeu o convite de Aécio, Ciro já havia sinalizado que não descartava a candidatura, mas ponderou que a decisão precisaria ser amadurecida com sua base política no Ceará, estado pelo qual construiu sua trajetória e onde havia se posicionado como principal nome da oposição ao governo de Elmano de Freitas (PT).

POLARIZAÇÃO –  Para embasar a volta ao palanque, Ciro enumerou o que chamou de “pior momento histórico, sob o ponto de vista estrutural, da vida republicana brasileira”. O ex-ministro também criticou o que considera convergência entre PT e PL na condução da política econômica — câmbio flutuante, metas de inflação e autonomia do Banco Central — e cobrou dos dois campos uma posição sobre as terras raras, setor que classificou como “o petróleo do século XXI”.

— Que polarização é essa em que os dois defendem a mesma política econômica? É tudo igual: Lula 1, Lula 2, Lula 3, Dilma 1, Dilma 2, Bolsonaro, Michel Temer. O Brasil precisa de uma alternativa. Agora, eu não sei se sou eu, porque eu cansei. Eu perdi a crença nas mediações brasileiras.

“COMPADRIO” – Sobre o Judiciário, Ciro evitou a retórica de adversários que prometem reformas imediatas ou anistias, mas criticou o que chamou de “compadrio” nas nomeações para o Supremo. Disse também que fazer CPI para investigar um ministro e em seguida votar a favor de uma indicação política para a corte é “puro oportunismo”. Ao ser perguntado sobre suas bandeiras prioritárias, Ciro defendeu uma agenda ampla, mas com ênfase na economia.

— O Brasil precisa de uma ruptura. Será que nós estamos com base social para promover essa ruptura? Porque eu não quero decepcionar as pessoas. O Brasil precisa de uma alternativa. Agora, eu não sei se sou eu, porque eu cansei. Eu perdi a crença nas mediações brasileiras.

O evento foi organizado pela Executiva Estadual do PSDB de São Paulo e reuniu pré-candidatos da legenda a deputado estadual e federal, além de parlamentares, prefeitos e vereadores tucanos do estado. Entre as lideranças presentes estavam o presidente estadual do PSDB paulista e pré-candidato ao governo de São Paulo, Paulo Serra, ex-prefeito de Santo André; a deputada estadual Ana Carolina Serra; o ex-senador José Aníbal; e o prefeito de Marília, Vinícius Camarinha.

RACHA NO CEARÁ –  A eventual migração de Ciro para a disputa nacional deixaria sem nome de peso a oposição a Elmano no Ceará — e complicaria ainda mais a relação já rompida com o irmão, o senador Cid Gomes (PSB). Em entrevista publicada pelo GLOBO em 8 de abril, Cid disse ser “muito constrangedor ter um irmão e não votar nele”, ao comentar a possibilidade de enfrentar Ciro em chapas opostas no estado.

Cid, aliado do governador Elmano, avaliou que seria “quase incontornável” a candidatura do irmão ao governo cearense, dados o alinhamento de Ciro com PL e União Brasil e a ausência de outro nome capaz de liderar a chapa de oposição. O senador disse que apoiaria Ciro caso ele fosse candidato à Presidência, mas que na disputa pelo governo do Ceará os dois estariam em lados opostos.

O afastamento entre os irmãos remonta a 2022, quando discordaram sobre o candidato do PDT ao governo estadual. Ciro bancou Roberto Cláudio, ex-prefeito de Fortaleza, enquanto Cid defendia a então governadora Izolda Cela. A ruptura aprofundou-se em novembro de 2023, quando Cid deixou o PDT e migrou para o PSB junto com dois outros irmãos e cerca de 50 prefeitos municipais, esvaziando politicamente a base de Ciro no estado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGCiro Gomes para presidente? Era só o que faltava. Deve ser Piada do Ano, para aparecer na mídia e ganhar votos na eleição de governador do Ceará. (C.N.)

Congresso se alinha a Lula para cortar impostos dos combustíveis em meio à crise internacional

Se a quadrilha de Ibaneis ficar impune, é melhor a gente se mudar para o Paraguai

Como a implicação do BRB no caso Master afeta Ibaneis Rocha - Nexo Jornal

Ibaneis Rocha abriu o olho e está sumido (ou foragido)

Roberto Nascimento

A série de artigos da jornalista Malu Gaspar, a estrela que desvendou o escândalo do Banco Master e que continua desbravando todos os elos dessa corrente do mal contra o sistema bancário do Brasil, não deixa a menor sombra de dúvidas sobre o desfecho dessa novela de Brasília, envolvendo dois atores do elenco da fraude: Ibaneis Rocha e Celina Leão, então governador e vice, arrastados pelo bandido Daniel Vorcaro.

Não tem mocinho nessa trama macabra, todos são bandoleiros assaltando a caravana do Banco Regional de Brasília e do Banco Master.

JOGANDO PARADO – Importante salientar, que o xerife está jogando parado, no aguardo do término das investigações oriundas dos celulares do chefe do bando, mesmo sem a senha dos aparelhos. A nuvem está cheia de informações, mas o processo demora.

Importante salientar, que candidaturas de governador, senador e deputado federal estão por um fio e na mão do xerife. Quando as informações vierem a público, o estrago nas reputações será avassalador.

Com o avanço das investigações, os dois destaques políticos na farra do Banco Master estão se desentendendo. A atual governadora do DF, a lutadora de boxe Celina Leão, é do PP de Arthur Lira e Ciro Nogueira, duas ilustres companhias do Centrão, e se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão.

CPF DIFERENTE – No desespero, Celina Leão tem alegado que o CPF dela é diferente do corrupto Ibaneis Rocha, o ex-governador, que renunciou para se candidatar ao Senado. Ora, os dois eram unha e carne. Portanto, Celina Leão não desconhecia o esquema criminoso da compra do Master pelo BRB.

Coloco nessa teia do diabo o advogado Daniel Monteiro, preso na mesma operação em que a Polícia Federal encarcerou Paulo Henrique Costa, o laranja que Ibaneis colocou à frente do BRB.

Como ele estava recebendo suborno de Daniel Vorcaro, através da transferência de imóveis avaliados em R$ 174 milhões para seu nome, pode-se calcular quanto seria o cachê de Ibaneis, que era o poderoso chefão da jogada.

CONTAS SECRETAS – Voltando ao advogado Daniel Monteiro, os vazamentos de informações em Brasília indicam que o ilustre causídico era o articulador das tenebrosas transações entre Vorcaro (Master) e Paulo Henrique Costa (BRB).

Os investigadores estão na mira das contas secretas em paraísos fiscais, com informações de que somente Vorcaro teria investimentos da ordem de R$ 40 bilhões. E Ibaneis Rocha, que sumiu e parece estar foragido, conseguiu a façanha de se envolver no escândalo como pessoa física e pessoa jurídica, porque seu escritório de advocacia extorquiu R$ 30 milhões de Vorcaro.

O Brasil vem sendo saqueado desde o Império. Essa sangria não para nunca. Mas tudo isso, é claro, deve influir nas eleições de outubro. Se não influir e Ibaneis e sua quadrilha forem eleitos, é melhor a gente se mudar para um país mais sério, como o Paraguai.

Rio, que mora no mar, sorrio pro meu Rio, que tem no seu mar lindas flores que nascem morenas…”

O Barquinho Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli - História e Letra

Menescal e Boscoli, pioneiros da bossa nova

Paulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista, produtor musical e compositor carioca Ronaldo Fernando Esquerdo e Bôscoli (1928-1994), na letra de “Rio”, parceria com Roberto Menescal, fala do Rio de Janeiro, a eterna Cidade Maravilhosa. A música faz parte do CD Bossa Nova gravado por Leny Andrade, em 1991, pela Eldorado, e fez grande sucesso.

RIO
Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli

Rio que mora no mar
sorrio pro meu Rio
que tem no seu mar
lindas flores que nascem morenas
em jardins de sol.

Rio, serras de veludo
sorrio pro meu Rio
que sorri de tudo
que é dourado quase todo dia
e alegre como a luz

Rio é mar
eterno se fazer amar
o meu Rio é lua
amiga branca e nua

É sol, é sal, é sul
são mãos se descobrindo
em tanto azul
por isso é que meu Rio
da mulher beleza
acaba num instante
com qualquer tristeza
meu Rio que não dorme
porque não se cansa
meu Rio que balança
Sorrio, só Rio, só Rio…

Lula condena ataque a tiros contra Trump e afirma que Brasil repudia violência política

Minas se torna palco de resistência a Flávio Bolsonaro enquanto Lula investe em Pacheco

PT tensiona Banco Central e reposiciona discurso econômico para 2026

PT tenta reabrir o debate sobre regras fiscais e institucionais

Pedro do Coutto

O lançamento de um novo documento programático pelo Partido dos Trabalhadores, em congresso realizado em Brasília, não é apenas mais um movimento de pré-campanha. Trata-se de uma sinalização clara de reposicionamento estratégico para a disputa eleitoral de 2026 — e, sobretudo, de um endurecimento no discurso econômico que mira diretamente o Banco Central do Brasil.

Ao colocar em xeque a condução da política monetária, o partido busca reorganizar sua narrativa em torno de um eixo clássico: crescimento, crédito e enfrentamento ao poder do sistema financeiro. O documento, que servirá como base para a campanha de reeleição do presidente Lula da Silva, explicita críticas à atual gestão do Banco Central, hoje sob comando de Gabriel Galípolo.

INSATISFAÇÃO – Ainda que o economista tenha sido indicado pelo próprio governo, o partido não hesita em apontar insatisfação com o nível elevado da taxa básica de juros — que orbita patamares próximos de 15% ao ano — e que, na visão petista, compromete o crescimento econômico e penaliza o consumo.

Essa crítica, no entanto, vai além de nomes. Ela resgata uma disputa estrutural que atravessa governos: o grau de autonomia do Banco Central e sua relação com o mercado financeiro. Ao sugerir que a política monetária estaria excessivamente alinhada a interesses “especulativos”, o PT reativa uma retórica que historicamente mobiliza sua base, mas que também provoca reações imediatas no mercado e em setores mais liberais da economia.

O ponto mais sensível desse movimento está na tentativa de reabrir o debate sobre regras fiscais e institucionais. Ao defender mudanças na Lei de Responsabilidade Fiscal e propor uma atuação mais ativa do Estado, o partido caminha em uma linha tênue entre ampliar capacidade de investimento e gerar desconfiança quanto à disciplina fiscal. Não por acaso, essa agenda costuma ser vista com cautela por analistas e agentes econômicos, que temem impactos sobre inflação, câmbio e credibilidade.

APELO ELEITORAL – Ao mesmo tempo, o documento incorpora temas de forte apelo eleitoral, como o combate ao crime organizado e a ampliação de políticas públicas. Aqui, o cálculo político é evidente: dialogar com um eleitorado mais amplo, inclusive aquele sensível à pauta da segurança pública — tradicionalmente associada a adversários políticos. Trata-se de uma tentativa de ocupar um espaço que, até então, não era central no discurso petista.

Há, portanto, uma dupla movimentação em curso. De um lado, o PT radicaliza o discurso econômico para marcar posição e mobilizar sua base histórica. De outro, busca ampliar seu alcance ao incorporar pautas pragmáticas e de alta sensibilidade social. O desafio será equilibrar essas duas frentes sem gerar ruídos excessivos — especialmente em um cenário global ainda instável, com impactos diretos sobre inflação e juros.

TENSÃO – No pano de fundo, está uma questão maior: até que ponto o governo conseguirá sustentar, ao mesmo tempo, uma política econômica que dialogue com o mercado e um discurso político que o confronte? Essa tensão não é nova, mas ganha intensidade à medida que o calendário eleitoral se aproxima.

Mais do que um simples documento, o que o PT apresentou em Brasília é um indicativo de como pretende travar a próxima disputa: menos conciliador na economia, mais assertivo na política e disposto a reabrir debates que estavam, até aqui, parcialmente acomodados. Resta saber se essa estratégia produzirá coesão ou ampliará as contradições já visíveis dentro da própria base governista.

Na sucessão presidencial, a direita contra si mesma e o impasse de 2026

Disputa revela um campo político incapaz de se estruturar

Marcelo Copelli
Revista Fórum

Enquanto o confronto entre governo e oposição organiza o debate público, uma dinâmica paralela ganha densidade no campo conservador: a disputa interna sobre direção, limites e identidade política. Não se trata apenas de candidaturas em formação, mas de um processo mais profundo de definição — ou, mais precisamente, de indefinição — sobre o que a direita brasileira pretende ser no próximo ciclo eleitoral. O que se desenha não é um ajuste pontual, mas um movimento de fundo que expõe a ausência de um princípio organizador capaz de conferir coerência ao conjunto.

A presença de nomes competitivos no cenário não resolve essa equação; ao contrário, torna-a mais visível. A tentativa de projetar Flávio Bolsonaro como vetor de continuidade não produziu alinhamento nem reorganizou o espaço conservador. Funcionou, antes, como um ponto de tensão que escancarou a falta de um critério comum capaz de ordenar interesses, discursos e estratégias. Em vez de unificar, revelou os limites de um arranjo sustentado mais por circunstâncias do que por bases estáveis.

MÚLTIPLAS CANDIDATURAS – Nesse contexto, a multiplicidade de candidaturas deixa de ser sinal automático de vitalidade e passa a indicar superposição de iniciativas. Diferentes atores avançam sobre o mesmo eleitorado, mobilizam repertórios semelhantes e disputam um território que não se expande na mesma proporção em que se fragmenta. O resultado não é diversificação estratégica, mas concorrência direta por um espaço restrito, o que intensifica tensões e enfraquece a articulação interna.

A posição de Romeu Zema ajuda a delimitar esse cenário com precisão. Ao sinalizar que não aceita compor como vice em uma eventual chapa e ao afirmar que seguirá na disputa pelo Planalto, ele não rompe com o campo conservador, mas também não se submete a uma lógica de hierarquia automática. Seu movimento explicita uma linha de atuação mais autônoma e se insere em uma tendência mais ampla, na qual diferentes atores passam a reivindicar protagonismo simultaneamente, sem que exista um mecanismo capaz de ordenar essas pretensões concorrentes.

É nesse mesmo espaço que Ronaldo Caiado atua de forma direta, aprofundando a disputa interna ao avançar sobre o mesmo segmento eleitoral. A consequência não é apenas o aumento da concorrência, mas a consolidação de um conflito que deixa de ser episódico e passa a afetar o funcionamento do conjunto. A disputa não fragmenta apenas candidaturas — compromete a própria capacidade de ação política desse campo.

SEM REFERÊNCIA – O efeito acumulado desse processo é a formação de um ambiente que opera sem referência estável. Há aproximações pontuais e entendimentos circunstanciais, mas não uma base consistente capaz de sustentar unidade ao longo do tempo. A recomposição no segundo turno, embora provável, não elimina esse problema de origem. Disputas prolongadas geram custo, e rivalidades construídas ao longo da campanha não desaparecem por necessidade eleitoral; tendem a ser administradas de forma incompleta, produzindo resistências e limitando a eficácia da convergência posterior.

Ainda assim, persiste o esforço de preservar uma aparência de coesão. Encontros públicos, agendas compartilhadas e declarações calibradas sustentam a imagem de um campo que ainda dialoga internamente. Essa imagem, no entanto, não altera o movimento real. A cooperação, quando ocorre, é episódica; a competição, por sua vez, é contínua e estruturante, moldando o comportamento dos principais atores.

No centro desse processo está uma questão que permanece em aberto: qual é, hoje, o elemento capaz de organizar a direita brasileira. O legado recente deixou marcas profundas, mas não produziu uma síntese apta a orientar o campo no presente. Sem um ponto de referência claro, o que se observa é uma disputa pelo significado desse legado — e, sobretudo, pelo seu uso político em um cenário de competição ampliada.

INSTABILIDADE –  Flávio Bolsonaro representa uma tentativa de continuidade, ainda que ajustada às novas condições. Romeu Zema opera por meio de uma reinterpretação pragmática, deslocando o foco para gestão e eficiência. Ronaldo Caiado aposta em uma reafirmação mais direta e tradicional. Nenhuma dessas estratégias, até o momento, conseguiu se consolidar como referência capaz de dar forma estável ao conjunto.

Essa ausência de síntese também se reflete no conteúdo das propostas. Há pontos de contato em críticas ao governo e na defesa de pautas conservadoras, mas falta um eixo estruturado que articule essas posições em uma agenda coerente e compartilhada. O que predomina é a coexistência de discursos paralelos, e não a construção de um projeto comum com capacidade de agregação duradoura.

Durante anos, a polarização funcionou como elemento de organização. A existência de um adversário claro era suficiente para alinhar o campo e reduzir divergências internas. Esse mecanismo, no entanto, perde eficácia quando a disputa se desloca para dentro. Nesse cenário, a coesão deixa de ser automática e passa a depender de definição interna — algo que, no momento, ainda não se completou.

INDEFINIÇÃO POLÍTICA – O problema, portanto, não está na ausência de competitividade eleitoral, mas no excesso de indefinição política. A direita brasileira entra no ciclo com presença e capilaridade, mas sem direção clara. Isso altera a natureza da disputa: antes mesmo do confronto externo, suas próprias tensões passam a operar como fator de limitação, condicionando o alcance de sua atuação.

A eleição de 2026, nesse contexto, começa antes do calendário formal e se apresenta, desde já, como um teste interno de viabilidade política. Sem articulação consistente, sem projeto unificado e com múltiplas candidaturas concorrentes, o risco não é apenas perder a disputa externa, mas chegar a ela já condicionado por divisões que dificultam a construção de uma estratégia eficaz.

No fim, a questão deixa de ser quem lidera e passa a ser outra, mais estrutural: sob quais bases essa liderança poderia se sustentar. Sem um elemento comum, a liderança deixa de ser ponto de partida e passa a ser consequência de um processo que ainda não encontrou resolução. Até aqui, o cenário permanece aberto, mas um dado já se impõe: a principal dificuldade da direita brasileira, neste momento, não está no adversário — está na incapacidade de se definir como campo político.

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Atirador foi detido; um agente ficou ferido

Isabella Menon
Folha

O presidente Donald Trump e a primeira-dama Melania Trump foram retirados às pressas do jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca por agentes do Serviço Secreto na noite deste sábado (25) após barulho de tiros.

Outros membros do governo Trump presentes no jantar também foram evacuados depois de uma grande comoção gerada por sons de disparos perto do salão de baile do hotel Washington Hilton, onde o evento estava sendo realizado, na capital americana. O presidente afirmou que o atirador foi detido e que um agente do Serviço Secreto foi ferido.

“LOBO SOLITÁRIO” – Trump disse que o motivo do ataque ainda não está claro e definiu o homem como “lobo solitário”. Segundo a imprensa americana, ele seria Cole Tomas Allen, 31, de Torrance, cidade no estado da Califórnia. “Eles [Serviço Secreto] acreditam que ele era um lobo solitário e eu acredito nisso também”, disse Trump.

O homem que fez os disparos estava em uma área de triagem no hotel, não dentro do salão onde a festa ocorria. Uma foto do atirador detido foi publicada por Trump na rede Truth Social, assim como um vídeo de câmeras de segurança do hotel. A gravação mostra o homem correndo e disparando, tentando passar pela segurança, e sendo bloqueado por diversos agentes.

O chefe da polícia de Washington, Jeffery W. Carroll, afirmou que o homem estava carregando uma escopeta, um revólver e diversas facas. Ele não teria sido ferido, mas foi levado para um hospital para passar por uma avaliação médica. Carroll também contou que autoridades acreditam que o suspeito estava hospedado no hotel do evento, mas que a investigação ainda está no começo.l

SAÍDA DO HOTEL  – Segundo Trump, as forças de segurança solicitaram que todos saíssem do local da festa. Ele disse ter pedido para continuar no jantar, porém, teria sido orientado pelo Serviço Secreto a deixar o hotel. O evento com os jornalistas será reagendado dentro de 30 dias, anunciou o presidente. “Quero agradecer à imprensa, que foi muito responsável na cobertura”, afirmou em entrevista coletiva iniciada na Casa Branca por volta das 23h30, cerca de duas horas após o incidente no jantar.

“Tínhamos democratas, republicanos, independentes naquele salão. Eu assisti e fiquei muito impressionado. Eu e a primeira-dama fomos retirados muito rapidamente do palco e o vice-presidente, J.D. Vance, estava dizendo como todos agiram rapidamente”, declarou, com o diretor do FBI, Kash Patel, e o secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, ao seu lado. Trump parabenizou as forças de segurança do governo pela ação.

“É sempre um choque quando isso acontece. Eu ouvi um barulho, eu achei que era uma bandeja caindo. E era bem longe, ele não chegou na área, mas era uma arma”, narrou. Perguntado se ele seria o alvo do atirador, o presidente disse: “Eu acho que era [o alvo]. Essas pessoas são loucas. Tinha muitas pessoas no salão, ele teria que percorrer um longo caminho”.

“PROFISSÃO PERIGOSA” – “É uma profissão perigosa. Eu vivo uma vida normal considerando que é uma vida perigosa”, disse o presidente. Ele afirmou também que não acha que a tentativa de ataque esteja ligada à guerra no Irã. O presidente aproveitou sua fala para defender a construção de um salão de festas na Casa Branca, cuja obra foi paralisada por decisão da Justiça. Ele argumentou que a construção permitirá maior segurança em eventos deste porte.

Trump já foi atingido de raspão por uma bala em uma tentativa de assassinato durante um comício em julho de 2024 em Butler, no estado da Pensilvânia. Muitos dos 2.600 participantes do jantar neste sábado em Washington se abrigaram enquanto os garçons corriam para a frente do salão. A multidão gritou “abaixem-se, abaixem-se!”, conforme relatos de jornalistas presentes.

A polícia cercou as proximidades do hotel, e helicópteros passaram a rondá-lo após o incidente. Jornalistas que estavam no jantar se reuniram na parte de fora. À Folha o jornalista colombiano Juan Merlano, da Caracol TV, que estava no salão, diz que, em um primeiro momento, ele e colegas pensaram que se tratavam de sons de tambores. Porém, na sequência, ele conta que o serviço secreto entrou no lugar gritando: “Tiros foram disparados”.

EVACUAÇÃO – “Todo mundo foi para debaixo das mesas, no chão”, afirmou ele. “Neste momento, o presidente deixou o salão. O serviço secreto e a polícia entraram, todos com armas grandes. Saíram um a um os funcionários do gabinete. Várias pessoas começaram a evacuar também.”

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, se pronunciou sobre o ataque em uma mensagem na rede social X: “A violência nunca deve ser o caminho”. “Que bom que o presidente Trump e sua esposa estejam bem, após os acontecimentos recentes. Enviamos nosso respeito. A violência nunca deve ser o caminho”, escreveu.

ARRECADAÇÃO DE FUNDOS – O jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca (WHCA, na sigla em inglês) é realizado todos os anos no fim de abril. Nele comparecem centenas de jornalistas e executivos de imprensa com seus convidados do mundo político e econômico, para arrecadar fundos para bolsas de estudo e prêmios. Trump, ao contrário de todos os seus predecessores desde a década de 1920, sempre havia faltado no evento na condição de presidente, com exceção da festa deste sábado.

O Washington Hilton é o mesmo hotel no qual, do lado de fora, o presidente americano Ronald Reagan sofreu uma tentativa de assassinato, em março de 1981. Na ocasião, Reagan andava até a limusine após um discurso quando John Hinckley Jr. desferiu seis disparos. Cinco pessoas ficaram feridas, incluindo o então presidente, atingido abaixo da axila esquerda.

Fraude na nomeação de Messias comprova o aparelhamento do funcionalismo pelo PT

Notícias e artigos sobre o ministro da AGU, Jorge Messias | Gazeta do Povo

Messias foi nomeado duas vezes sem estar inscrito na OAB

Carlos Newton

Era de se esperar que a indicação de Jorge Messias para ministro do Supremo Tribunal Federal motivasse investigações da imprensa sobre sua capacidade profissional, como sempre ocorre quando o indicado é apenas um ilustre desconhecido – no caso, um dedicado militante petista que se formou em Direito no final de 2003, quando o presidente Lula da Silva estava concluindo o primeiro ano de mandato.

O que causou surpresa foi o fato de que, em apenas uma semana, o trabalho investigativo da Tribuna da Internet tivesse constatado que o atual ministro da Advocacia-Geral da União foi beneficiário de fraudes em suas duas nomeações sucessivas – em 2006, para procurador do Banco Central, e em 2007, para procurador da Fazenda Nacional, cargo do qual está licenciado há anos, para servir aos governos do PT.   

APARELHAMENTO – A surpresa foi constatar que o exame da vida pregressa do candidato a ministro do STF acabaria remetendo a uma das estratégias nada republicanas adotadas pelo governo Lula a partir de sua posse, em 2003.

O então chefe da Casa Civil, José Dirceu, que era uma espécie de Rasputin sem barba, decidiu imitar a política do governo de Fernando Henrique Cardoso, que delegou ao superministro Sérgio Motta a tarefa de conduzir o aparelhar a máquina administrativa com os tucanos, para permanecer no poder por 20 anos, pelo menos.

A ordem de Dirceu foi transmitida a todos os ministros, que passaram a cumpri-la, abrindo concursos públicos de todo tipo, anunciando poucas vagas, como 17, 29 ou 32, mas na verdade nomeando centenas de novos funcionários a cada vez, num festival que parecia não ter fim

ÁREA ECONÔMICA – O maior número de nomeações ocorria na área econômica, e o inchaço da estrutura funcional foi realmente inacreditável, com destaque para a multiplicação de vagas inúteis de procurador da Fazenda Nacional.

Basta dizer que desde a criação da carreira, em 1952, os governos Vargas, Juscelino, Jânio, Jango, Castelo Branco, Medici, Geisel, Figueiredo, Sarney, Collor, Itamar e FHC, todos juntos, haviam nomeado apenas 459 procuradores da Fazenda Nacional, com média de 9 admissões por ano. No governo do PT, em apenas 5 anos foram nomeados 1.592 novos procuradores, numa média de 318 por ano, que literalmente não tinham o que fazer.

Jorge Messias foi um dos beneficiários dessa política, que transformava 29 vagas em 942 nomeações, como ocorreu em 2008, exatamente na carreira de procurador da Fazenda Nacional.

FACILITAÇÕES – Além da multiplicação das vagas, o aparelhamento consistia também em afrouxamento das exigências e em fornecer informações sobre o tema das provas discursivas, que tinham peso decisivo.

As demais provas eram de múltipla escolha e qualquer candidato, mesmo se selecionasse as respostas a esmo, teria probabilidade de acertar 16% das questões. E como a ciência do Direito baseia-se exclusivamente na lógica e todas as leis ou doutrinas têm objetivos pautados pela coerência, com um pouco se sorte é o candidato de baixa qualificação pode ser aprovado, especialmente se tiver se saído bem na discursiva.

No caso do petista Jorge Messias, ele foi aprovado em dois concursos sucessivos para procurador do BC e da Fazenda, sem ter dois anos de prática forense e sem estar inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil.

SEM OAB – Como Messias morava em Recife quando fez as provas, que eram realizadas simultaneamente em diversas capitais, obrigatoriamente tinha de estar inscrito na Seccional da OAB em Recife. No entanto, jamais foi registrado.

O único registro de Messias que existe na OAB foi feito em Brasília, com inscrição nº 31.448, o que significa ter sido realizada no final de 2010 ou começo de 2011, vários anos depois de ter sido nomeado mediante fraude.

O certo é que o aparelhamento da máquina administrativa pelo PT funcionou, e Jorge Messias é a melhor prova disso. Logo após ser nomeado, já havia mais militantes do PT do que antigos funcionários de carreira, e o calouro Messias foi eleito presidente da Associação Nacional dos Procuradores do Banco Central, no período 2006/2007. Em seguida, também logo após ser nomeado procurador da Fazenda Nacional, foi eleito presidente do Sindicato Nacional da categoria, o SINPROFAZ, para o período 2008 – 2010. Sem o aparelhamento, jamais seria eleito  aos 26 anos na Associação e aos 27 anos no Sindicato.

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P.S. 1 –
 Realmente, é inacreditável que um personagem como Messias, sem notório saber e sem reputação ilibada, esteja prestes a ser aprovado como ministro da Suprema Corte brasileira. É uma vergonha para a nação e para seu povo. Amanhã voltaremos ao assunto. (C.N.)

TSE barra lei do Congresso e mantém voto de presos em 2026, citando segurança jurídica

Princípio da anualidade impede mudanças neste ano

Pepita Ortega
O Globo

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu nesta quinta que a vedação aos votos de presos temporários e provisórios, previstas na Lei Antifacção aprovada pelo Congresso, não vale para as eleições de 2026. Segundo a Corte eleitoral, o alistamento e a instalação de seções eleitorais em presídios devem ser mantidos para o pleito deste ano.

A avaliação do TSE é que as mudanças no Código Eleitoral a partir da legislação endossada pelos parlamentares não podem ser adotadas nas eleições deste ano em razão do princípio da anualidade eleitoral. Assim, as mudanças, consideradas “estruturantes” só devem valer para os pleitos seguintes.

QUESTIONAMENTO – A decisão foi proferida após um questionamento feito ao TSE pela Corregedoria Regional Eleitoral de São Paulo (CRE-SP). Nos termos do voto do relator, Antônio Carlos Ferreira, os ministros entenderam que a lei é inaplicável ao pleito deste ano em respeito ao princípio da anualidade, que visa “garantir a previsibilidade, a segurança jurídica e a adequada organização” da eleição.

Durante a sessão administrativa, o TSE ainda reconheceu a “impossibilidade material” de implementar as mudanças previstas em lei, no sentido de que prisões temporárias e provisórias agora são motivo de impedimento para o alistamento eleitoral e de cancelamento da inscrição.

A área técnica do TSE destacou por exemplos que não é possível adequar os sistemas eleitorais para este ano, considerando que o prazo para alterações nos cadastros eleitorais vai até o dia 6 de maio. Apontaram ainda que não há integração entre os sistemas eleitorais e de órgãos de segurança para o registro das prisões provisórias, o que impede o cancelamento automático dos títulos de eleitor.