Baixa adesão a atos contra Bolsonaro é “balde de água fria” para a terceira via, dizem analistas

Terceira via para 2022

Charge do Duke (domtotal.com)

Isabella Mayer de Moura
Gazeta do Povo

A baixa adesão popular aos protestos contra o presidente Jair Bolsonaro no domingo (12) demonstrou que, neste momento, a chamada terceira via não está sendo capaz de mobilizar parte expressiva do eleitorado, segundo consultores políticos ouvidos pela Gazeta do Povo. 

Organizados pelo Movimento Brasil Livre (MBL), Vem Pra Rua e Livres, os atos pelo impeachment do Bolsonaro ficaram aquém da expectativa de público, mesmo com a participação de políticos de direita, centro e esquerda, inclusive dos presidenciáveis Ciro Gomes (PDT), João Doria (PSDB), Eduardo Leite (PSDB) Luiz Henrique Mandetta (DEM), Simone Tebet (MDB) e Alessandro Vieira (Cidadania). 

AS EXPLICAÇÕES – Vários motivos foram citados para explicar a baixa adesão: a divisão da oposição ao governo, explicitada pela ausência do PT nos protestos; a resistência entre eleitores da esquerda em participar de um ato convocado pelo MBL (que organizou manifestações a favor do impeachment de Dilma Rousseff); a resistência de eleitores da direita de ir a um ato em que expoentes da esquerda, como Ciro Gomes, iriam participar; o recuo do presidente Jair Bolsonaro na crise entre Executivo e Supremo Tribunal Federal (STF); e a perda do poder de mobilização do MBL. Também influenciou o curto prazo em que a pauta dos protestos mudou de “Nem Bolsonaro, Nem Lula” para “Fora Bolsonaro”.

Mesmo o mote dos protestos sendo o impeachment de Bolsonaro, os especialistas também expuseram as dificuldades de articulação para uma candidatura alternativa a Bolsonaro e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais do próximo ano.

CHANCE DIMINUTA – “[A baixa adesão aos protestos do dia 12] foi um balde de água fria para a terceira via”, diz Lucas Fernandes, analista da consultoria política BMJ. “A chance de viabilizá-la parece ser muito diminuta, se esse cenário de hegemonia entre Lula e Bolsonaro se mantiver.” 

O principal fator apontado pelos analistas é de que falta um nome que centralize e personifique a terceira via. “As pessoas não vão se sentir motivadas a sair para protestar se não identificarem a que ou a quem estão se juntando”, avalia Jorge Ramos Mizael, CEO da consultoria Metapolítica, explicando que paixões personalistas costumam motivar as pessoas a saírem às ruas para protestar e que também são importantes na hora do voto.

SEM LIDERANÇA – O vice-presidente da Arko Advice, Cristiano Noronha, concorda com esse ponto de vista.  “Grande parte dessa baixa aderência é o fato de não haver uma liderança capaz de unificar o sentimento antigoverno”, diz.

Tanto Noronha como Mizael argumentam que os políticos que não querem ver nem Lula e nem Bolsonaro chegarem ao segundo turno da eleição presidencial de 2022 precisam se articular rapidamente. “Quanto mais tempo sem conversar, mais a polarização vai ganhar força. Eles precisam sentar e rapidamente direcionar todas as forças para um rosto que possa unificar”, afirma Mizael.

Contudo, as chances de que isso realmente venha a acontecer são, por ora, remotas. Conforme lembrou Noronha, os presidenciáveis da terceira via, neste momento, estão trabalhando individualmente. O PSDB, por exemplo, está olhando internamente, para as prévias que vai escolher o seu candidato a presidente (estão na disputa João Doria e Eduardo Leite). Ciro Gomes, por sua vez, está trabalhando para construir sua imagem como candidato. E, neste momento, é difícil imaginar que eles estejam do mesmo lado em uma disputa para o primeiro turno. 

POSSIBILIDADE REMOTA – “Não vamos ter uma candidatura única da terceira via”, conclui Fernandes. “Alguns nomes vão se colocar na disputa e isso dificulta muito a sua viabilidade. Estamos caminhando para um cenário muito parecido com o de 2018”. 

Os organizadores dos atos, porém, entendem que uma avaliação sobre a viabilidade da terceira via ainda é precipitada. “Não vemos as manifestações de ontem como um fim, como uma linha de chegada, e sim como uma linha de largada”, disse Magno Karl, diretor-executivo do Livres. 

Salientando que os protestos de ontem tinham como objetivo reunir pessoas contra “políticas, declarações e atitudes” do presidente Jair Boslonaro, Karl acrescentou que os atos do dia 12 “deram a partida” para “uma construção política que poderá vir a ser uma alternativa” à polarização entre Lula e Bolsonaro. “Até 2022 ainda temos muito tempo para construir alternativas”.

(reportagem enviada por Mário Assis Causanilhas)

24 thoughts on “Baixa adesão a atos contra Bolsonaro é “balde de água fria” para a terceira via, dizem analistas

  1. Eu avisei…
    O problema é que a tal terceira via, é a apenas uma segunda esquerda. Existe um contigente de uns 40 a 50% do eleitorado que procura uma opção a direita, que seja menos cavalo que o Bolsonaro claro.
    Mas o que os políticos oferecem são opções progressistas, estatistas é corporativistas, ou seja uma opção ao Lula. Só que petistas só votam em sua divindade.
    Bolsonaro ganhou a eleição de 2018 por pura falta de representatividade política, os políticos no Brasil se recusam a representar está parcela da população, tá aí o resultado.

  2. Vou repetir, terceira via possui nome e sobrenome, Sergio Moro, qualquer movimentação precoce só serviria para fomentar e aguçar os dentes das hienas políticas que partirão de forma imediata para a destruição da candidatura de alguém que não pertença ao ninho podre. Como diz Martinho da Vila: “é devagar, é devagar, devagarinho”.

  3. Vamos fazer as contas, eleitorado esquerdopata e a boiada bolsonarista respondem cada um entre 20 a 25% do eleitorado. Quem decide qualquer eleição está entre os demais 60 ou 50%. Eu votei em Bolsonaro e não sou gado portanto… mas dificilmente voto em algum dos trastes políticos profissionais que querem se apresentar como terceira via. Vejo com bons olhos a dobradinha Moro-Simone Tebet.

  4. Terceira-Via saindo do forno, direto para mesa 45

    Doria mergulha em campanha de prévias para 2022 e diz que privatizaria Petrobras

    https://ultimosegundo.ig.com.br/2021-09-15/doria-mergulha-em-campanha-de-previas-para-2022-e-diz-que-privatizaria-petrobras.html

    PS./; Depois de fletar com o Mega-Hiper-Giga-Ultra Ladrão Luladrão, Don FHcorleone disse que a Fabiana Comunista Doriana é “o futuro do Brasil”.
    Acho que a Quadrilha do FHC vai de Fabiana mesmo, os outros concorrentes não tem chance, estão ali somente para aparecer na Mídia e ficar em evidencia, para não perder a boquinha livre vão se candidatar a outros cargos

  5. A justificativa de “a resistência de eleitores da direita de ir a um ato em que expoentes da esquerda, como Ciro Gomes, iriam participar;”

    Das desculpas essa foi a pior de todas.

  6. Tem frase que marcam, uma delas á de que devemos a Karl Marx o fantástico despertar dos idiotas. Outra, Assombração sabe pra quem aparece, apareceu para um ex ministro da educação que está assombrado até hoje Cristovão Buarque.
    Minha frase atual, Quando conveniente o eufemismo substitui a verdade, a Baixa Adesão no lugar de Fracasso.
    A melhor é a do Homer Simpson, a culpa é minha, então eu a coloco em quem eu quiser.
    Saber em quem colocar a culpa é esporte predileto de muita gente.

  7. Eu diria que esquivar-se de responsabilidades é a tônica de nossos governantes!

    A menos que te julgues culpado por algumas situações neste país, Pimenta, se elegemos pessoas que prometem resolver nossos problemas e não os solucionam, devemos culpar a quem?
    Só não me respondas que o culpado é o eleitor, por favor.

    Agora, por mais que te decepciones ou te alteres, a bem da verdade Bolsonaro é mesmo culpado pela situação reinante em áreas vitais desta nação:
    economia;
    educação;
    saúde;
    desemprego;
    violência;
    aumento de pobres e miseráveis;
    aumento de esfaimados!

    Negar a realidade nacional é a moda dos governantes, e a desculpa de seus fieis, apoiadores e seguidores.
    Quem sabe a culpa não seria do ornitorrinco?!

  8. Não costumo atribuir culpa, tem gente que acha que começou com Cabral e os portugueses, outros que a culpa é dos americanos e dos capitalistas.
    Eu não arriscaria um diagnóstico.
    Resido num estado pequeno, consta que seja do tamanho da Suíça, e porque não temos o analfabetismo erradicado, não sei.
    A culpa seria apenas de Bolsonaro? Não creio.

  9. Jamais eu disse isso, que a culpa seria de Bolsonaro, até porque não sou idiota.

    Agora, que o atual presidente nada fez para diminuir o analfabetismo, lá isso é verdade!
    E não somente o analfabeto absoluto, mas o funcional, que apenas sabe assinar o nome.

    Aliás, aquelas brincadeiras que as TVs faziam com o povo, de perguntar sobre certos temas nas ruas, simplesmente terminaram pela vergonha do nosso desconhecimento!
    Lembras do Hino Nacional?
    As respostas ou a entoação do Hino eram muito mais trágicas que divertidas!

    Não temos senso crítico, capacidade de discernimento, muito menos somos atualizados sobre os fatos e episódios brasileiros. A verdade é que o Ensino deixa a desejar, também pela situação dos professores do Magistério Público serem tão vilipendiados e maltratados com os salários que recebem.

    Sem condições de adquirir livros e de fazerem cursos de aperfeiçoamento, os proventos mal cobrem as despesas mensais.
    Nesse meio tempo – pelo menos eu não aceito -, um parlamentar federal ganha mais de 100 vezes o salário médio de um professor!

    Ora, se isso não for injustiça e total desprezo pelo Ensino neste país, então eu gostaria que me explicassem a situação da Educação no Brasil.

    E, como vem de décadas essa questão, evidente que Bolsonaro não pode ser acusado mas, pode e deve, sim, ser acusado de mais um presidente que nada fez para a melhoria do Ensino brasileiro!

  10. Eu não disse que você disse que a culpa era do Bolsonaro,
    O que vai a seguir é uma forma argumentativa de encarar o problema, o conhecimento atual de qualquer pessoa teve como alicerce os conhecimento dos que vieram antes, para o bem ou para o mal.
    Mario de Andrade de maneira irônica criou o Macunaíma, o herói sem caráter e narra as peripécias do índio.
    Não atribuo nada á índole das pessoas, vejo também de maneira irônica ou sarcásticas certas práticas do comportamento humano, vai daí que gosto de satirizar algumas verdades plenas.
    Certa vez pensando em melhorar a vida das mais prejudicadas, as mulheres do sertão nordestino, o governo resolveu ajudar montando uma fábrica escola de corte e costura, com direito a diploma e até emprego na fábrica ou que pudessem trabalhar na profissão por conta própria,
    Sabe o que aconteceu? O projeto não foi adiante, o salário não era grande na fábrica e o Bolsa Família pagava igual e sem precisar trabalhar, foi nessa meu preclaro amigo que me lembrei de Mario de Andrade e seu Herói sem caráter, o Índio Macunaíma.
    Francisco, se você leu esse clássico de nossa literatura vai compreender o meu gosto pela sátira e sarcasmo.
    Mais sarcástico que o Mario, só o Voltaire de quem já li toda obra publicada em português, vez que sou monoglota.
    Abraço.

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