Base paulista no pode se fracionar na sucesso

Pedro do Coutto

Os dois principais candidatos sucesso de 2010, Jos Serra e Dilma Roussef, tm que se empenhar ao mximo para evitar cises na base paulista porque So Paulo, maior colgio eleitoral do pas, rene praticamente 23% do total de votantes. O mesmo raciocnio aplica-se a Minas Gerais, segundo centro produtor de votos, seguido do Rio de Janeiro. Mas em Minas, pelo menos at agora, no surgiram sinais de dissidncia. No PT de So Paulo sim, em consequncia da reao liderada pela ex prefeita Marta Suplicy contra a eventual candidatura de Ciro Gomes ao governo estadual, articulao do presidente Lula, sem dvida, para fortalecer a campanha presidencial da ministra chefe da Casa Civil. Marta Suplicy, como os jornais de tera-feira publicaram, lanou o nome do deputado Antonio Palocci, ex ministro da Fazenda. Setores do PT, embora menos enfticos do que a ex ministra do Turismo, tambm se colocaram contrrios ao candidato do PSB vir a assumir a luta pelo governo do Estado, ultrapassando quadros mais antigos do Partido dos Trabalhadores. Efetivamente, no seria fcil o PT assumir uma candidatura de outra legenda, mesmo sabendo que, com isso, estaria contribuindo para fortalecer Dilma Roussef, e portanto a vontade do prprio presidente da Repblica, responsvel pela escolha e lanamento de seu nome. A impresso que d, primeira vista, entretanto a de que essa atitude seria capaz de retirar entusiasmo em torno dos candidatos do partido ao Senado, Cmara dos Deputados, Assemblia Legislativa. Isso de um lado.

De outro, o que representaria uma vitria de Ciro Gomes em terras paulistas para a legenda? Quase nada. Pois daria idia de que um vazio poltico estava predominando na regional., no se encontrando nomes capazes de enfrentar Geraldo Alckmim nas urnas estaduais do ano que vem. Mas no s isso. Ciro dificilmente poder unir a base paulista do PT, inclusive porque a perspectiva de vitria seria s de Ciro e Lula, no da legenda. A articulao em torno do ex governador do Cear assim revelou-se difcil na prtica. E na prtica, como dizia o velho senador Benedito Valadares, a teoria outra coisas. No papel, ontem, no computador, hoje, pode-se equacionar e resolver tudo. A realidade um outro universo.A poltica no pode se afastar dos contextos reais, uma vez que, misto de cincia e arte, ela traz em si sempre o desafio de aproximar pessoas e articular vontades.Fazer convergir.No claro- divergir.A divergncia em So Paulo se fez logo presente.Ser esta uma reao intransponvel?

Certamente que no. O poder de Lula muito forte, tais is xitos que alcanou e vem acumulando sua volta. Porm mesmo que a reao possa ser superada pela liderana presidencial absoluta, algo de negativo para a unidade partidria ficar. Pode ser uma frao pequena que seja, mas de alguma maneira capaz de influir nos rumos do desfecho. verdade, entretanto,e este sero melhor argumento de Lula e de que as eleies presidenciais so em dois turnos.E sem Ciro Gomes, mas com Marina Silva no preo, ter que haver um segundo turno entre o governador paulista e a chefe da Casa Civil. Todas as pesquisas realizadas at agora, seja do Datafolha, Ibope, Sensus ou Vox Populi, sinalizam para o segundo turno.Inclusive vale lembrar que, em 2002, Lula derrotou Serra no segundo turno,o mesmo ocorrendo quatro anos depois quando reelegeu-se vencendo Geraldo Alckmim.E no segundo turno,entre Serra e Dilma, o que o PT de So Paulo poder fazer? Ter que fechar totalmente em torno da chefe da Casa Civil.Os dois turnos, assim, mudam a realidade sobre a qual a poltica se desenrola, oferecendo, no um, mas de fato dois cenrios.Duas etapas, dois estgios.Dois desfechos.Dois caminhos, duas decises. No primeiro turno, Lula pode perder So Paulo, se ganhar o pas no segundo. Vale esta hiptese como exerccio de anlise. Apenas isso.

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