Bolsonaro segue no páreo com a caneta de presidente, mas a reeleição está complicada

Bolsonaro: não tem como Lula estar com "45% das intenções de voto"

Ilustração reproduzida do Metrópoles

Silvio Cascione
Estadão

Entre 25% e 30% dos eleitores consideram que o presidente Jair Bolsonaro faz um bom ou ótimo governo. Ainda que não seja popular, Bolsonaro tem níveis de apoio razoáveis para os padrões da América Latina hoje, com presidentes que sofrem com luas de mel curtas e uma grande insatisfação popular. Com esses números, Bolsonaro ainda está na disputa para a reeleição.

Há uma semana, neste mesmo espaço, argumentei que a rejeição a Lula tende a subir, o que tornaria a eleição mais competitiva. Se, enquanto isso, Bolsonaro também conseguir recuperar popularidade, a eleição será ainda mais apertada.

MESMO DESAFIO – Bolsonaro tem o desafio de repetir Lula e Dilma, que viram seus índices de aprovação subir durante suas campanhas à reeleição, ainda que em contextos diferentes. Lula, em 2006, começou o ano com 36% de aprovação, viu a economia crescer e terminou o primeiro mandato com taxa de ótimo/bom acima de 50%.

Dilma, por sua vez, viveu uma situação parecida com a de Bolsonaro hoje – com grandes desafios econômicos. Na época, o Brasil estava à beira da recessão, e mesmo assim Dilma viu seus índices de aprovação saltarem de 32% para 42% entre julho e outubro de 2014.

Bolsonaro espera ter a mesma sorte em 2022. Isso, aliás, vinha ocorrendo no primeiro trimestre do ano, quando sua popularidade subiu três pontos percentuais.

PERDENDO FÔLEGO – Naquele momento, no início do ano, a economia se recuperava da pandemia, com crescimento do emprego e da renda. Mas essa recuperação já vem perdendo fôlego.

Com sua popularidade estacionada, e preocupado com uma iminente derrota, o presidente tem tentado atacar o principal problema reportado pelos eleitores – a inflação – mexendo na Petrobras e pressionando o Congresso e estados a baixarem impostos sobre as contas de luz e os combustíveis.

Quando a campanha esquentar, Bolsonaro também conta com uma forte propaganda para reconquistar eleitores que, hoje, o rejeitam.

NOVOS REAJUSTES – Há condições para que Bolsonaro vire o jogo. A economia, hoje, está melhor do que em 2014, e uma campanha eficiente pode ajudar o presidente da mesma forma como ajudou Dilma.

O problema, para ele, é que não basta uma pequena melhora: a julgar pelas pesquisas, ele precisa acelerar o passo para alcançar Lula, e o cenário econômico ainda deve trazer muitos obstáculos pela frente – a começar pela possibilidade grande de novos reajustes de combustíveis.

Além disso, a rejeição a Bolsonaro é bem maior do que a enfrentada por Lula e Dilma em eleições anteriores. A tendência é a de uma eleição competitiva – mas com Lula favorito.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Desconfio muito dessas análises que falam apenas em Lula e Bolsonaro, desconhecendo a existência dos outros candidatos. Na verdade, significam apenas ridículas tentativas de fortalecer a polarização, que é a única maneira de Lula ou Bolsonaro vencerem. Se a candidatura de terceira via passar para o segundo turno, a eleição deles já era… Mas quem se interessa? (C.N.)

7 thoughts on “Bolsonaro segue no páreo com a caneta de presidente, mas a reeleição está complicada

  1. #OpiniãoOeste

    O programa de governo do PT foi urdido para destruir o Brasil. Entre as propostas p/ um 3º mandato de Lula, figuram retrocessos como a retomada do imposto sindical e a abolição do teto de gastos.
    Como escreveu J.R. Guzzo, “pense em alguma coisa boa: Lula é contra”

    • Fake News o imposto sindical permanecerá sendo não obrigatório. Sobre o teto de gastos, espero que o Lula realmente seja patriota pra ainda no primeiro dia de governo revogar esse teto de gastos bem como a reforma trabalhista.

  2. Endosso as observações do digno CN .

    Quem vai decidir essa parada,(eleições), serão os silênciosos que não querem nem B e nem L.

    Resto e blá blá, velha cantilena-lamurias o perigo da esquerda no poder…

    Particularmente tenho medo do CENTRÃO, já serviu e serve os sozinhos magnatas de ambos os lados ..

  3. Reeleição tá complicada coisa nenhuma, pelo contrário já está garantida pelo sistema apodrecido, que, dando as cartas e jogando de mão, na mão do famigerado centrão, com a mídia mercenária tb comendo da mão, já decidiu pela reeleição de Lula ou de Bolsonaro. O resto é folclore da patota corneada pelo continuísmo da mesmice do sistema apodrecido que tem apenas um adversário de fato que é a Revolução Pacifica do Leão cujo ideal é pegar o Capeta pelos chifres e espatifá-lo ao chão.

  4. Como eu sempre venho dizendo C.N: a mídia brasileira atendendo interesses estrangeiros é quem criou e incentiva a polarização no Brasil.

    Só não vê quem não quer!

  5. Em 2018, as Fake News apesar de descaradas eram criadas e difundidas com facilidade. E com isso o PT, Haddad, Lula, Gleise Hoffmann, eram citados como protagonistas das maiores barbaridades. E sem pestanejar os eleitores votaram no Bolsonaro.
    Agora, milhões de desenganados não cairão na mesma falácia.
    A justiça hj já entendeu que as Fake News nada mais são do que uma mentira COM intenção de enganar.

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