Brasil ia complicando uma deciso fcil

Pedro do Coutto

A Seleo Brasileira, claro, infinitamente superior dos EUA, mas ia complicando uma vitria fcil na deciso da Copa das Confederaes 2009. O treinador americano armou sua equipe da nica maneira possvel de enfrentar o Brasil: abrir as laterais, fechar o meio, s dar combate na sua intermediria e tentar estocadas de contra ataque . A ttica de Robert Bradley deu certo no primeiro tempo. Foi inclusive a mesma adotada por Joel Santana contra ns o que nos levou a s derrotarmos a frica do Sul nos cinco minutos finais da partida. Abrindo o caminho pelos flancos, Bradley esquematizou lanamentos isolados para dois atacantes. Por duas vezes ficamos com dois homens na defesa e contra eles. E a saram os gols. No final do primeiro tempo, Dunga percebeu o estratagema e cobrou mis mobilidade do meio campo, principalmente Gilberto Silva muito lento na sada de bola. Tivemos sorte em fazer nosso primeiro gol logo ao incio do segundo tempo.

Quando vi pela televiso o time americano jogar, me lembrei do esquema de Zez Moreira, em 1951 no Fluminense, alis campeo carioca daquele ano. Zez tinha a tese, nessa poca, de que os pontas s oferecem perigo quando se aproximam da rea. Encontrando espao livre, acabam cruzando uma bola atrs da outra. Fechando a defesa no meio, isso cria condio para lanamento distncia. Sorte de Zez, alis figura exemplar de tcnico, o fato de Garrincha s ter comeado a jogar pelo Botafogo em 53. Se fosse dois nos antes, seu sistema teria desabado de cara. J em 52, Santiago do Chile, quando derrotamos o Uruguai por 4X2 e o futebol brasileiro conquistou seu primeiro ttulo internacional fora di pas, um episdio histrico, o Campeonato Panamericano, Moreira criou praticamente o quarto zagueiro. Brandozinho do Corntians, fazia o pndulo na cabea de rea, deslocando a atuao defensiva alternadamente para a esquerda e para a direita. Surgia o esquema de cobertura inspirada no basquete cuja marcao por zona. Mas estes so outros aspectos do passado hoje incorporados histria do esporte.

Dunga muito mais jovem e s deve ter tomado conhecimento desse processo de evoluo por ouvir falar. Mas percebeu o esquema dos Estados Unidos e determinou mais movimento nas aes da retaguarda. Foi feito isso, sobretudo quando Daniel Alves entrou no time. Atacava e defendia. Compactou a Se3leo. A partir da a deciso tornou-se fcil, como deveria ter ocorrido desde o incio. O Brasil tem muito mais arte e tcnicos do que o escrete americano. E, em funo de saber tratar melhor a bola, melhor estado atltico tambm, pois despende menos fora para jogar. Como lana melhor distncia, termina desenvolvendo percursos menores para correr em camp0o.

Na etapa de classificao, ns tnhamos derrotado os EUA por 3X0, sem termos encontrado qualquer dificuldade. Mas estamos falando de futebol. Deciso sempre deciso, o clima e a atmosfera so outros. Entra em cena a estrutura nervosa, o peso da responsabilidade. Reflete no caso contra ns, investidos da obrigao de vencer. Para a seleo americana qualquer resultado seria bom. Foi uma vitria estar na final conosco. Futebol assim. Dunga, com a vitria em Johanesburgo, conquistou sua segunda Copa. A primeira foi a Copa Amrica, na Venezuela. Alm disso, o Brasil j assegurou seu passaporte para ataca do Mundo de 2010. Dunga, que comeou contestado, garantiu o lugar na CBF e boca do tnel. Nada substitui as vitrias. At 2010, portanto.

Vamos l.

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