Burrice continuada

Carlos Chagas

No d para calar, ainda que todo ano acontea o estupro de sempre, levando muita gente a relaxar, mesmo no gozando. Mais uma vez, meia-noite do prximo domingo, os relgios precisaro ser adiantados em uma hora, em nome desse abominvel horrio de vero. Ningum foi consultado. Qualquer que seja o governo, todos os governantes lanam-se ao roubo de uma hora de sono dos cidados, em metade do Brasil. No Norte e no Nordeste, que reagiram, os ponteiros ficaro onde esto, mas nos estados mais populosos, no tem remdio. Quem for trabalhar, da segunda-feira em diante, acordar antes do sol. Os estudantes iro para o colgio sonolentos e aproveitaro a primeira aula para tirar a diferena.

Tudo se faz automaticamente, sem discusso nem ponderaes, porque a moda essa, h dcadas. O pretexto continua de economizar energia noite, sem que os tecnocratas se dignem calcular quantas lmpadas precisaro ser acesas pelas madrugadas. Sem falar na alegria dos assaltantes prximos dos pontos de nibus ou das estaes do metr, nas grandes cidades.

Falta cidadania, do Centro-Oeste para baixo, capaz de levar o contribuinte a insurgir-se e no adiantar o relgio. Como tambm a mdia carece de coragem para deixar a programao de rdio e televiso nos horrios anteriores. Da mesma forma as empresas de transporte areo, rodovirio e ferrovirio. Se elas ignorassem o decreto presidencial, demonstrariam que o governo pode muito, mas no pode tudo.

Alguns privilegiados, daqueles que moram beira-mar, alegaro estar chegando em casa uma hora mais cedo, prontos para ir praia. A maioria, porm, reclamar do jantar antecipado.

Na fronteira de Minas e do Esprito Santo com a Bahia, ser o caos para quem mora num estado e trabalha no outro. A opo ser ficar pronto para o batente e atravessar a rua ou a ponte s sete horas e verificar que do outro lado ainda so seis horas. Ou, ao contrrio, chegar uma hora atrasado. Sem esquecer a volta.

Em suma, o horrio de vero um esbulho que no nos cansaremos de denunciar, como vimos fazendo h tempos. Ao menos, para demonstrar que esto quebrando nosso relgio biolgico, reduzindo durante muitos dias a capacidade de trabalho e a produtividade de uns, bem como o aproveitamento escolar de outros. Tudo para, em fevereiro, depois de estarmos acostumados ao novo horrio, atrasarmos os relgios…

De trs, s passam dois…

No Cear, trs fortes candidatos disputam as duas vagas de senador: Euncio Oliveira, do PMDB, prestes a se tornar presidente nacional do partido; Tasso Jereissati, do DEM, que j presidiu, ex-governador, lder nas pesquisas, com 70% das preferncias; e Jos Pimentel, pelo PT, todo-poderoso ministro da Previdncia Social, apoiado pelo presidente Lula.

O diabo, para os trs, que s na equao s cabem dois. Se o palcio do Planalto esmera-se na tentativa de derrotar Tasso, tambm verdade que o PMDB exige respeito, para apoiar Dilma Rousseff no plano federal. E o PT no quer saber de nada, apenas de eleger Pimentel.

A situao inusitada para qualquer composio imaginada. Euncio e Tasso formariam uma dupla de peso, mas Euncio e Pimentel, tambm. No primeiro caso, porm, ficaria em risco a aliana dos companheiros com maior partido nacional. No outro, os votos poderiam desfazer quaisquer arranjos de cpula.

E um acordo Tasso-Pimentel, estaria fora de propsito? bom lembrar que Hitler e Stalin celebraram surpreendente pacto, no incio da Segunda Guerra Mundial…

Oposio a mais empregos

Com um vis de indignao, certos jornais divulgam que de 2003 at hoje o governo criou 57 mil vagas em suas estruturas, sendo 26 mil s este ano. A notcia transmitida como se tratasse de um novo surto de gripe suna ou epidemia de dengue. Com crticas e protestos pelos gastos pblicos decorrentes de tantas nomeaes.

preciso acabar com o farisasmo. Entre tantos desacertos, o governo Lula acerta quando abre novos postos de trabalho no servio pblico. Primeiro por demonstrar no serem assim to fantsticas as estatsticas e a propaganda relativa ao fim do desemprego. Estivesse a iniciativa privada contratando tanto quando apregoam e, a sim, seriam desnecessrios os empregos pblicos.

Depois, porque as denncias permanentes de ineficincia, lentido e burocracia na mquina estatal s poderiam ser corrigidas com o aproveitamento de mais gente qualificada. Quando isso acontece, as elites protestam. Quem no tem trabalho que se dane, parecem sustentar em seus editoriais e reportagens.

Submergir ou ascender

Divide-se a cpula do PT: uns sustentam que Dilma Rousseff deve livrar-se o mais breve possvel dos encargos da Casa Civil e lanar-se de corpo inteiro na campanha presidencial, at aproveitando para descolar-se um pouquinho do presidente Lula. So os que duvidam da transferncia de popularidade e de votos.

Outros, porm, defendem estratgia oposta. A candidata deveria aproveitar o quanto puder sua condio de principal auxiliar do presidente da Repblica, estando presente em cada momento das atividades do Lula, colada nele para angariar votos e popularidade.

Os companheiros sabem que as decises so tomadas a quilmetros de distncia de suas salas de reunio, centralizadas no principal gabinete do palcio do Planalto, mas insistem em dar palpites. Estariam os dois grupos apenas prevenindo um possvel malogro da candidatura oficial? Afinal, nada tiveram com a indicao de Dilma. Deveriam, mesmo, ficar quietos.

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One thought on “Burrice continuada

  1. Referindo-nos tolice desse nefasto horrio de vero, no restam dvidas quanto ao comentrio acertado de Carlos Chagas. O mal que o povo no reage, e essa porcaria continua ano aps ano. Um governo perdulrio que desperdia tanto dinheiro com esquemas de corrupo, financiamento da ditadura cubana e muito mais, pode continuar nos prejudicando por causa da burrice de muitos! A alegao de que tudo isto visa a economizar energia no convence. Talvez uma campanha de conscientizao da populao quanto economia de energia daria mais resultado do que esse tal de horrio de vero!

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