Campos Neto critica aumento da gasolina, Silva Luna defende reajustes, mas esquece queda do consumo

Charge do Arionauro (arionaurocartuns.com.br)

Pedro do Coutto

Na tarde de terça-feira, num evento realizado pelo BTG Pactual, o presidente do Bacen, Roberto Campos Neto criticou o que classificou como rapidez nos reajustes praticados nos preços da gasolina e do óleo diesel pela Petrobras, acentuando que em outros países a distância entre o valor de mercado e o preço de venda é mais longo do que aquele praticado pela estatal brasileira. Foi, sem dúvida, uma crítica direta feita por Roberto Campos Neto à política do general Silva e Luna, que aliás substituiu Castello Branco na Presidência da Petrobras pela colocação em prática da mesma política de reajuste de preços que ele, Silva e Luna, pratica hoje.

Silva e Luna respondeu indiretamente às críticas diretas de Roberto Campos Neto, acentuando que a Petrobras não pode ser lançada em aventura. Praticamente referindo-se aos interesses financeiros da empresa que se refletem também nos interesses dos acionistas. Entretanto, na minha opinião, Silva e Luna esquece o reflexo do consumo, cuja retração vai influenciar também na rentabilidade da empresa em face do consumo interno da gasolina, do diesel e do gás de cozinha.

REPETIDAS FALHAS  – Este ano, a gasolina já aumentou 31%, o óleo diesel 28%, o gás de cozinha 21%. Algum reflexo esse processo tem que apresentar, uma vez que os salários encontram-se absolutamente congelados, o que significa perda de seu valor de consumo já que não existe como substituir ou repor as perdas salariais que têm caracterizado a política do governo Jair Bolsonaro traçada pelo ministro Paulo Guedes, cujas falhas se repetem sem cessar.  Reportagem de Gabriel Shinohara, Fernanda Trisotto e Melissa Duarte, O Globo, focaliza expressamente a contradição entre Roberto Campos Neto, de um lado, e Silva e Luna, de outro. Na Folha de S. Paulo, com o mesmo destaque, a reportagem é de Larissa Garcia.

O impasse entre os preços, os salários e os níveis de consumo estão conduzindo a um desfecho social extremamente preocupante porque tendo que pagar mais caro pelos combustíveis e pela energia elétrica, o que podem os consumidores fazer ? Nada, a não ser consumir menos e se alimentar menos ainda, sobretudo porque no setor de supermercados não há financiamento direto aos consumidores que diante da falta de dinheiro só podem correr, e mesmo assim a curto prazo, ao giro dos cartões de crédito cujos juros, como se sabe, são estratosféricos.

A energia, principalmente a elétrica, é de consumo diário e obrigatório. Não há outra maneira, a menos que os consumidores desliguem as luzes e os aparelhos de televisão. Agora mesmo, na edição de ontem da Folha de SP, está publicada uma matéria revelando que, segundo a Consultoria PSR Energy, o preço da energia vai subir menos em 2022 do que está subindo em 2021. Pode subir menos, mas vai subir, Enquanto isso, os salários descem, tomando-se por base a relatividade entre eles e as taxas de inflação.

CUSTO DE VIDA – Desligar a luz, as telas da TV e dos computadores passa a ser uma das últimas possibilidades das famílias conseguirem se manter à tona e, mesmo assim, por tempo determinado e a um curto prazo, pois os índices de custo de vida não vão retroagir. Pelo contrário, já se encontram em 9,6% no período de julho de 2020 a julho de 2021.  A tendência, portanto, já está desenhada no horizonte sombrio com que se deparam os grupos sociais que vivem do trabalho.

Roberto Campos Netto disse também, reportagem de Adriana Fernandes, O Estado de S. Paulo, que o Comitê de Política Monetária elevará a Selic no ponto que for preciso, consequência do fato claro de que o mercado financeiro não está absorvendo os papéis do Tesouro em face da Selic, hoje na faixa de 5,2% ao ano, encontrar-se muito distante de uma inflação que chegou praticamente o dobro dessa escala.

CRESCIMENTO DO PIB – Adriana Fernandes acentua que o Banco Itaú elaborou um estudo prevendo o crescimento do Produto Interno Bruto na escala de 0,5%, enquanto a MB Associados estima a evolução em apenas 0,4%. Se tais projeções se referirem a um período de 12 meses, como é normal, o Produto Interno Bruto terá recuado concretamente. Simplesmente porque ficará abaixo do índice demográfico brasileiro que oscila entre 0,7% a 1% ao ano.

Com isso, verifica-se-á o recuo da renda per capita, pois ela é o resultado da divisão do montante do PIB pelo número de habitantes do país. Isso de um lado. De outro, é preciso esclarecer que a projeção do Itaú de 0,5% incide sobre o total em números absolutos. Porque uma coisa é calcular meio por cento sobre um PIB de R $ 6,6 trilhões. Outra coisa, é projetar meio por cento sobre um montante menor que R$ 6,6 trilhões. Ou seja, se o Produto não cresceu em 2020, não se pode dizer que ele crescerá meio por cento em 2021. Esse meio ponto percentual deve ser aplicado sobre o resultado do recuo verificado no período anterior.

CPI DO SENADO – Essa terça-feira significou um desastre terrível do governo Jair Bolsonaro. Os depoimentos de Marcos Tolentino e Marconny Albernaz na CPI presidida pelo senador Omar Aziz foram um absurdo completo. Como é possível que duas pessoas deste nível tenham se envolvido em articulações para que a compra de vacinas, principalmente as da Índia, fossem efetivadas, inclusive com antecipação de US$ 45 milhões  através de uma empresa e de uma garantia de um banco que na realidade não existia.

Além disso,  Marcos Tolentino possui quatro CPFs negativados e continua a movimentar contas bancárias com dois CPFs, o que é absolutamente proibido por lei. O governo Jair Bolsonaro realmente não conseguiu traçar um rumo mínimo nem para a sua própria administração.

3 thoughts on “Campos Neto critica aumento da gasolina, Silva Luna defende reajustes, mas esquece queda do consumo

  1. Faltam 15 meses? Uma eternidade.
    Salve-se quem puder. Cada dia uma agonia, a espera de novo ataque do mandatário, contra tudo e contra todos, que de certa forma contrariam seus interesses pessoais.
    Quanto ao Brasil, nada.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *