Candidatura de Eduardo Campos, ainda uma incógnita

Pedro do Coutto

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, segundo reportagem de Maria Lima, no encontro com Lula agora, depois de carnaval, vai dizer que pretende ser candidato à sucessão de Dilma Rousseff, no ano que vem. E, por isso, não aceitará que seja objeto de articulação para ser incluído como vice na chapa do PT. Vai produzir movimentação intensa, não só no Partido dos Trabalhadores e no próprio PSB, seu partido, como também no PMDB de Michel Temer, atual ocupante do cargo.

O PMDB se vê assim reduzido em sua importância política, com o apoio de toda uma estrutura partidária apenas pelo nome de Eduardo Campos. O reflexo não poderá ser dos melhores, mas gerará os piores efeitos, acendendo uma hipótese, no quadro sucessório, de promover uma aproximação entre o PSDB de Aécio Neves e o PMDB de Michel Temer.Afinal de contas, com uma participação maciça no ministério, é um erro subestimar a importância de um partido cuja organização é nacional, ao contrário da legenda socialista.

ARTICULAÇÃO

Mas é possível que o anúncio de Eduardo Campos faça parte de uma outra articulação destinada a valorizar ainda mais a presença da agremiação no governo, embora detenha o Ministério da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, e o Ministério dos Portos, de menor expressão, ocupado por Leônidas Cristino.

Entretanto, a presença de um partido no governo significa o acesso às reuniões conjuntas e o acesso aos corredores palacianos. Não é pouco. De qualquer forma, a perspectiva da candidatura do governador Eduardo Campos, apenas acena com a hipótese de um segundo turno em 2014. Apenas com a hipótese porque a popularidade tanto de Dilma Rousseff quanto de Lula, maior figura da política brasileira continua em nível elevado.

PESQUISAS

Dentro do quadro de hoje, nada aponta que caia de patamar em que se encontra. E basta não sair do patamar, sob a ótica atual para que o PT permaneça com Dilma mais quatro anos no poder. Pois para os adversários, não basta que eles subam, é indispensável que a candidata do PT desça. Ela, em 2006, alcançou 47 pontos no primeiro turno e 56 no segundo contra 44% de Serra no desfecho final. Não perdeu popularidade. Portanto, o anúncio de Eduardo Campos, lançando-se cedo demais, pode ser uma precipitação, mas sobretudo por se afigurar uma incógnita.

Principalmente comparando-se com o passado. Antigamente, o candidato primeiro insinuava, mas negava ser. Hoje, não. A reeleição mudou o panorama. Com uma candidata definida, Eduardo Campos busca definir-se também. De qualquer forma, torna-se uma incógnita em qualquer sentido. Menos em um: ao rejeitar o oferecimento (de Lula) de ser candidato a vice reduziu o poder do PMDB. Se era isso que Lula desejava, conseguiu. Mas o PMDB dirige as duas Casas do Congresso, divide com o PT a maioria parlamentar de forma ampla e representa peça decisiva no quadro político. A incógnita aí está.

Já houve outras na história do Brasil. Jânio Quadros, por exemplo, em 1960, concorreu com três vices: Milton Campos, Fernando Ferrari e até João Goulart, através da operação Jan-Jan. O voto, na época, não vinculava o candidato a presidente ao candidato à vice presidência. Vamos ver o que acontece.

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