Autora australiana mostra todo seu potencial em “O segredo do meu marido”

Júlia de Aquino
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“Um único ato poderia definir uma pessoa para sempre?”

Imagine que sua esposa/marido tenha lhe escrito uma carta para ser aberta apenas depois que ela/ele morresse. Imagine também que essa carta revela o pior e o mais profundo segredo dela/dele — algo com o potencial de destruir não apenas a vida que vocês construíram juntos, mas também a de outras pessoas. Imagine, então, que você esbarra nessa carta enquanto seu marido ainda está bem vivo…

Assim começa a sinopse de “O segredo do meu marido”, de Liane Moriarty. Antes de iniciar, tinha o palpite de que seria bom. Mas não imaginei que seria o espetáculo que foi! Se você, assim como eu, adora livros repletos de reviravoltas e acontecimentos impensáveis, vale a pena dar uma olhada nessas considerações:

A HISTÓRIA Cecilia Fitzpatrick tem tudo. É bem-sucedida no trabalho, uma esposa e mãe devotada. Sua vida é tão organizada e imaculada quanto sua casa. Mas, quando Cecilia lê uma carta que seu marido deixou “para ser lida quando ele morrer”, tudo muda.

E ainda que Rachel e Tess, outras duas moradoras da mesma cidade, mal conheçam Cecilia – e vice-versa -, elas também estão prestes a sentir as repercussões do segredo do marido dela. E a vida das três está mais conectada do que elas imaginam…

A CARTA – Apesar de a sinopse falar muito da carta que Cecília encontra, não é esse elemento que guia os acontecimentos desde o início. Tanto é que, quando li, achei que ela apareceria nas primeiras páginas, mas não. E isso faz total diferença!

Primeiro a autora “prepara” o leitor; então, quando a carta aparece já estamos transformados — e  muito impactados — com tudo. Inclusive, os acontecimentos superam nossas expectativas em relação ao enredo. Quem lê pensa X, mas o que acontece é Y multiplicado por 10000.

PERSONAGENS – A construção dos personagens é incrível. O leitor vai se envolvendo tanto com todos eles que nas primeiras páginas a leitura já deixa aquela impressão de “Quantas sensações estou sentindo! E olha que não está nem na metade do livro”.

A Cecilia é uma personagem muito real: facilmente nos identificamos com ela, sejamos homens ou mulheres. Além da rotina milimetricamente organizada, seu jeito focado e o envolvimento com as atividades dos filhos são marcantes. Ademais, a autora descreve alguns de seus pensamentos, elementos que deixam as situações bem divertidas.

LIANE MORIARTY – Esse foi meu primeiro contato com a autora australiana, mas ela ganhou uma fã. Depois que li esse, conheci muitos outros leitores apaixonados por seus livros, e com certeza já quero ler outros.

Se fosse possível, gostaria de poder apagar da memória toda a trama, só para ter o prazer de ler novamente e sentir tudo de novo: surpresa, nervosismo, choque, ansiedade (boa), curiosidade… Sem falar no final surpreendente!

RELAÇÃO COM A REALIDADE – “O segredo do meu marido” é um livro que nos convida a refletir até que ponto conhecemos nossos companheiros — e, em última instância, a nós mesmos. Afinal, o que segura um casamento? E até que ponto o amor e o companheirismo aguentam tudo? O que é capaz de desestabilizar uma união longa?

Além de todas essas questões, é inevitável terminar a leitura sem ter o seguinte pensamento: “e se fosse comigo?”.

Livro: O segredo do meu marido
Autora: Liane Moriarty
Editora: Intrínseca
Páginas: 368

TRECHOS MARCANTES

“Continuava repassando lembranças de seu casamento, à luz do que sabia agora”. 

“Sua bondade tinha limites. Poderia ter passado a vida inteira sem conhecê-los, mas agora sabia exatamente quais eram”.

“Nenhum de nós conhece todos os possíveis cursos que nossas vidas poderiam ter tomado. E é melhor assim. Alguns segredos devem ficar guardados para sempre”.

Política, traições, relações humanas e reviravoltas compõem trama de David Baldacci

Júlia de Aquino
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“Será que o passado está vindo atrás de nós?”

Nada é o que parece ser! Essa é a primeira coisa a se ter em mente ao ler sobre “Traição em família”, minha penúltima leitura de 2020. Trata-se de um livro “perfeito” em alguns pontos, e que vai surpreender qualquer leitor, independente de suas preferências literárias ou estilo.

GATILHOS Gatilhos são temas que podem ser delicados para algumas pessoas e desencadear nelas reações psicológicas diversas, como ansiedade, choro etc.

O livro “Traição em família” narra situações que podem ser gatilhos para algumas pessoas: fogo, violência física e psicológica, claustrofobia e estupro.

HISTÓRIA DO LIVRO – Quando Willa, a sobrinha da primeira-dama Jane Cox é sequestrada após sua festa de 12 anos, ela convoca os detetives Sean King e Michelle Maxwell para que encontrem a menina. Mas, para resolver o caso, Sean e Michelle passarão por cima de todo mundo, até mesmo do FBI e do Serviço Secreto, e não hesitarão nem mesmo em ferir o ego da primeira-dama, se for necessário.

PERSONAGENS – Além da história excepcional, os personagens são um dos aspectos mais marcantes da obra. As relações entre eles são complexas e bem construídas. E mais que isso: o livro aborda questões profundas sobre o relacionamento humano e sobre o que é “certo ou errado”.

O tamanho do livro pode parecer grande, e é possível que um leitor pense, antes de ler, que o autor é daquele tipo de escritor descritivo e detalhista em relação às pessoas e lugares. Ele é detalhista, mas a maneira como ele apresenta os personagens a quem lê é fluida e delicada. Não são longos parágrafos descritivos que nos explicam quem eles são; entendemos isso em cada acontecimento, analisando suas atitudes e comportamentos.

Os detetives protagonistas (Sean e Michelle) são muito carismáticos e talentosos. Foi bacana descobrir que o autor fez uma série de sete livros da dupla. Pelo que pesquisei, a Arqueiro não os publica mais, mas ainda é possível encontrar as obras de David Baldacci em sebos e alguns sites, como a Estante Virtual.

ESCRITA DE BALDACCI Esse foi meu primeiro contato com o autor, e ele já conseguiu deixar uma excelente “primeira impressão”. David Baldacci tem uma escrita intrigante, que nos envolve nos mistérios do começo ao fim.

Os capítulos são curtos e os diálogos são constantes e inteligentíssimos! É uma leitura rápida e surpreendente – exatamente por não imaginarmos isso no início. Ficamos tão mergulhados na história que, quando piscamos, já estamos terminando!

Além da trama principal, há uma história paralela: alguns problemas pessoais de Michelle Maxwell, parceira de Sean King. Mas, além de não interferir em nada na narrativa, ainda permite que conheçamos melhor a dupla de detetives.

O QUE ESPERAR Reviravoltas, relações políticas, questões familiares, traições e acontecimentos inesperados. É uma obra sobre vingança, lealdade e, mais uma vez, relacionamentos e laços humanos. Se você aprecia tais elementos na Literatura, certamente vai gostar do livro.

Na realidade, a reta final da história nos deixa com vontade de “ler devagar para não terminar”. Mas nesse ponto já estamos muito envolvidos e nossa curiosidade não nos deixa ler poucas páginas.

Livro: Traição em família
Autor: David Baldacci
Editora: Arqueiro
Páginas: 384

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TRECHOS MARCANTES

“A cada dia que passava, aumentavam as possibilidades de, em vez de localizarem a menina, encontrarem apenas um corpo”.

“Fora um trabalho exaustivo sob um calor mortal, mas sua mente e seu corpo estiveram movidos pelas duas mais fortes emoções humanas. Ódio. E amor”.

Você precisa se livrar do ódio. Porque, se não fizer isso, ele vai destruir sua vida. E, pior, não vai deixar nenhum espaço para que o amor entre”.

Como Ian McEwan abordou “sexo”, “tabu” e ‘falta de comunicação” em menos de 200 páginas

Livro Na Praia - Ian Mcewan | Mercado LivreJúlia de Aquino
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“Eram jovens, educados e ambos virgens nessa noite de núpcias, e viviam num tempo em que conversa sobre dificuldades sexuais era simplesmente impossível”

O livro “Na praia” foi meu último lido de 2020. Ele me surpreendeu tanto que entrou na minha lista de “5 melhores do ano”, mesmo eu tendo lido 42 antes dele. Realmente uma obra incrível que merece ser lida – ou pelo menos conhecida – por todos.

A TRAMA – Edward e Florence estão em sua noite de núpcias. O ano é 1962, véspera da revolução sexual e de costumes que abalou a década de 60.

Enquanto acompanhamos a mistura de desejo, pudor, ímpeto e falta de jeito do casal, vemos que eles não estão a sós no quarto: vão com eles a trajetória pessoal de cada um, suas alegrias, perdas e tudo que os formou.

ESCRITA E ESTÉTICAPode ser que o tamanho do livro – pequeno, com menos de 200 páginas – engane, pois de certa forma “esconde” a preciosidade de seu conteúdo.

A escrita de McEwan é completa e muito rica: as frases são longas e exigem que estejamos atentos à história. Mas tal característica mostra-se excelente, porque mergulhamos na narrativa e no pensamento dos personagens (tanto de Edward quanto de Florence).

A estética da escrita é perfeita. A impressão que dá é que o autor junta as palavras que conhecemos, mas de uma forma que não imaginamos ser possível. Ao final dessa publicação, separei alguns trechos que me marcaram e que deixam evidente essa peculiaridade de McEwan.

PERSONAGENS E CONTEXTO Por essa estética e forma de escrita, a narrativa nos mostra como os sentimentos dos personagens são profundos e, de certa forma, apropriados, tendo em vista a situação em que se encontram e a falta de informação com a qual foram criados.

A obra também é uma ótima opção para quem gosta de conhecer os costumes das décadas passadas. Aqui, o grande tabu é o sexo.

A juventude dos personagens é tão diferente da que conhecemos atualmente que nos impressiona e nos instiga a ler. Edward e Florence são um casal que não conversam sobre o assunto e que não sabem nem como pensar nele. Prova disso é a timidez de Edward e a insegurança de Florence, que a todo instante tenta se lembrar do que leu no “Manual para noivas” (algo impensável nos dias atuais).

FALTA DE COMUNICAÇÃO Essa ausência de conversa entre os dois aponta para mais uma questão abordada no livro: a falta de comunicação. Trata-se de um aspecto muito comentado hoje em dia, em relação a todas as esferas sociais (Política, Economia, Redes Sociais, Mídia etc.), pois a Comunicação sempre foi algo necessário. No casamento, isso não é diferente, e ela pode definir a trajetória de um casal – positiva ou negativamente.

Ian McEwan nos faz refletir sobre isso com maestria, sem assinalar o tema de forma direta. É através das percepções de Edward e Florence e da situação incômoda que se instalou entre eles que ele nos leva a pensar como tudo poderia ser diferente se fosse verbalizado. 

BOA LEITURA E ÓTIMO PRESENTE Ainda que um pouco denso, o livro é curto, com capítulos curtos. Quando vemos, já estamos no fim (que é bem surpreendente, por sinal). Como já comentei, é uma leitura diferente das que costumo fazer, mas certamente muito marcante.

Já se tornou um dos favoritos e que com certeza recomendo para todos (talvez não para os que estão começando com o hábito da leitura agora). Ele me marcou de muitas formas positivas e, por isso, considero uma boa opção para presentear alguém.

Livro: Na praia
Autor: Ian McEwan
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 134

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TRECHOS MARCANTES

  • “Este ainda era o tempo – que terminaria naquela década célebre – em que ser jovem era um estorvo social, um sinal de irrelevância, uma condição ligeiramente embaraçosa para qual o casamento era o começo da cura”.
  • “Estava sozinha com um problema que não sabia nem como começar a enfrentar, e toda a sabedoria que lhe restava se resumia ao manual para noivas”.
  • “Os anos 60 era a primeira década da vida deles como adultos, e certamente lhes pertencia”.
  • “Vivera todos esses anos isolada consigo mesma e, curiosamente, isolada de si mesma, nunca querendo ou ousando olhar para trás”.
  • “Era uma sensação solitária que ele experimentava, e por isso se sentia culpado, mas a audácia daquela sensação também o excitava”.
  • “Saber do acidente da mãe naquele dia não mudou nada visivelmente, mas todos os deslocamentos e realinhamentos de sua vida pareceram se cristalizar em torno desse novo dado”.
  • “É constrangedor como às vezes o corpo não mente, ou não pode mentir, sobre as sensações”.
  • “Tentava não pensar no futuro imediato, nem o passado, e se imaginava agarrada àquele momento, ao precioso presente, como um alpinista sem cordas num penhasco, a esmagar o rosto contra a pedra, sem coragem de se mexer”.
  • “Ela queria estar apaixonada sem deixar de ser ela mesma. Mas, para ser ela mesma, tinha de dizer não o tempo inteiro. E aí já não era ela”.

No livro “Ideias que colam”, trechos interessantes estão em todos os capítulos

Ideias que Colam: por que Algumas Ideias Pegam e Outras Não | Amazon.com.brJúlia de Aquino
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Na semana passada, ao comentar sobre o livro “Ideias eu colam”, dos irmãos Heath, assinalei a quantidade de frases e trechos interessantes na obra. Por isso, a publicação de hoje é sobre alguns desses apontamentos, separados por capítulo.

Reforço que, apesar de se tratar de um livro mais técnico, os autores conseguiram apresentar as ideias de forma objetiva, clara e até mesmo divertida. Por esse motivo, não é um livro denso ou de leitura arrastada, características comuns em livros desse tipo.

Os autores abordam temas relacionados à Comunicação, Inovação, Comportamento Humano e Organizacional, Criatividade e mais. Confiram alguns trechos que me chamaram atenção ao longo da leitura (vale a pena dar uma olhada!):

INTRODUÇÃO

Algumas ideias são inerentemente interessantes e outras são inerentemente desinteressantes”.

Uma ideia que cola é uma ideia que tem mais chances de fazer diferença”.

CAPÍTULO 1 – SIMPLICIDADE

É difícil fazer com que ideias colem em um ambiente caótico, imprevisível e barulhento. Para ser bem-sucedido, o primeiro passo é: seja simples”.

“Mensagens essenciais ajudam as pessoas a evitar escolhas ruins, pois são um lembrete do que é importante”.

Encontrar a essência não é o sinônimo de transmitir a essência”.

Mensagens simples são essenciais e compactas. Quanto mais diminuímos a quantidade de informações em uma ideia, mais ela cola”.

Apenas ideias com captação profunda adquirem valor”.

Vale a pena o esforço – ‘encontrar a essência’ e expressá-la como uma ideia compacta”.

CAPÍTULO 2 – SURPRESA

O primeiro problema na comunicação é atrair a atenção das pessoas. Vejamos a forma mais básica de atrair a atenção de alguém: quebrar um padrão”.

Ideias que colam naturalmente costumam ser inesperadas. Quanto mais inesperadas forem nossas ideias, maior será sua fixação”.

“A surpresa nos leva a encontrar uma resposta e grandes surpresas exigem grandes respostas. Se quisermos motivar pessoas a prestar atenção, devemos aproveitar o poder de grandes surpresas.”

O senso comum é o inimigo de mensagens que colam”.

A imprevisibilidade, quando está a serviço de princípios essenciais, pode ter uma longevidade surpreendente”.

CAPÍTULO 3 – CONCRETUDE

A abstração dificulta a compreensão de uma ideia e sua fixação”.

É mais fácil lembrar de ideias concretas – Ideias que colam naturalmente estão repletas de palavras ou imagens concretas”.

A concretude torna os alvos transparentes”.

CAPÍTULO 4 – CREDIBILIDADE

A honestidade e a credibilidade de nossas fontes, e não seu status, permitem que elas atuem como autoridades”.

Ao apresentar uma alegação tangível e concreta, detalhes a tornam ainda mais real, mais crível”.

Detalhes claros aumentam a credibilidade. Precisamos saber aproveitar a verdade, os detalhes essenciais”.

A utilização de detalhes claros é uma forma de criar credibilidade interna, trazer fontes de credibilidade para a ideia. Outra forma é utilizar estatísticas”.

CAPÍTULO 5 – SENTIMENTOS

Para que as pessoas se decidam a agir, elas precisam se importar”.

A meta de tornar as mensagens “emocionais” é despertar o interesse das pessoas, fazendo com que elas se importem com isso. Sentimentos inspiram as pessoas a agir”.

Despertamos o interesse das pessoas apelando para aquilo que importa para elas”.

O interesse pessoal molda nosso foco de atenção, mesmo que isso não determine nossa postura”.

CAPÍTULO 6 – RELATOS

As histórias são ferramentas de aprendizagem eficazes. Elas mostram como o contexto pode levar as pessoas a tomar decisões erradas”.

Quando as crianças dizem “Me conte uma história”, elas estão implorando por entretenimento, e não instrução”.

Não precisamos sempre criar ideias que colam. Identificá-las costuma ser mais fácil e mais útil”.

Relatos surpreendem com seu duplo poder de simular e inspirar”.

CONCLUSÃO – O QUE COLA

Este é o melhor aspecto do mundo das ideias – qualquer um de nós, com o insight certo e a mensagem certa, pode fazer uma ideia colar”.

Não há quase nenhuma correlação entre um “talento para proferir discursos” e a capacidade de fazer com que ideias colem”.

Para que uma ideia cole, para que ela seja útil e duradoura, ela precisa levar o público a:

  1. Prestar atenção
  2. Compreender e se lembrar
  3. Concordar/acreditar
  4. Importar-se
  5. Ser capaz de agir sobre a ideia”

Livro: Ideias que colam
Autores: Chip Heath e Dan Heath
Editora: Alta Books
Páginas: 245

Por que algumas ideias colam e outras não? O livro dos irmãos Heath pode (e vai) responder

Ideias Que Colam: Por Que Algumas Ideias Pegam E Outras Não | Mercado LivreJúlia de Aquino
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“Uma ideia que cola é uma ideia que tem mais chances de fazer diferença”

Como uma ideia cola? É essa pergunta que os autores de “Ideias que colam” tentam responder. Esse livro me foi recomendado num processo seletivo do qual participei em 2020, e assim que o citaram corri para procurar, pois achei o título bem interessante! Realmente é uma leitura que vale a pena e me surpreendeu por diversos motivos – que vou comentar na publicação de hoje.

Pelo fato de ele ser tão interessante, decidi dividir seu conteúdo em duas publicações – hoje vou falar sobre os pontos principais, os que mais chamam atenção. Na semana que vem, vou apresentar alguns trechos marcantes de cada capítulo (tem vários muito bacanas, que valem um espaço especial).

PREMISSA – A sinopse defende que “seja você CEO, pai ou mãe em tempo integral, certamente tem ideias que precisa transmitir”.

A partir disso, os autores identificaram seis pontos principais das ideias que pegam e analisaram cada um desses pontos, dando sugestões para quem lê e citando diversos casos como exemplo. Além disso, falam muito sobre comportamento humano e sobre como trilhar um caminho para impactar pessoas com alguma ideia.

Os autores são irmãos, estudiosos e professores de temas como inovação, tecnologia e comportamento humano e organizacional. Essa foi a primeira vez que li um livro escrito por irmãos, e achei bem interessante, principalmente pelo fato de os conhecimentos deles serem complementares.

RECEIO INICIALPessoalmente, no início da leitura estava com medo de a obra ser cansativa, porque fiquei “traumatizada” com o livro “Hit Makers”, que li em 2019. Este tinha uma premissa parecida, e quando o li achei a escrita prolixa e exaustiva – o conteúdo do livro é interessante, mas a forma como ele foi apresentado desanima e desencoraja o leitor a continuar.

Apesar disso, dei uma chance ao “Ideias que colam” – e que bom que fiz isso!

Diferentemente do “Hit Makers”, esse tem uma linguagem fluida, objetiva e interessante, que atiça nossa curiosidade e nos apresenta reflexões bem relevantes sobre nosso comportamento como consumidores e mesmo como “vendedores de ideias” (sejam elas quais forem).

OS 6 PRINCÍPIOS – Para falar das “ideias que colam”, os autores analisam seis princípios que, de acordo com eles, compõem a maior parte daquilo que se torna memorável ou viraliza (usando um termo atual) em todo o mundo. São eles.

1. SIMPLICIDADE;
2. SURPRESA;
3. CONCRETUDE;
4. CREDIBILIDADE;
5. SENTIMENTOS;
6. RELATOS.

Cada ponto desses é abordado em um capítulo, e um dos pontos positivos é que cada parte tem subcapítulos curtos, de 2 a 5 páginas, sendo que cada um deles é um exemplo/caso. Esse formato facilita as coisas e, quando vemos, já acabamos um trecho.

Antecipando a pergunta “Mas ele vai me ensinar a ser mais criativo(a)?”, a resposta é “não necessariamente”. Até porque não existe uma receita para isso: otimizar nossa criatividade é um exercício constante. Mas com toda certeza finalizamos a leitura com uma mente diferente de quando iniciamos.

Trata-se de um livro muito esclarecedor, inspirador e até divertido em alguns momentos. Ele apresenta situações e explica o porquê de elas terem “colado” na mente das pessoas ou não, ressaltando o que podemos imitar em nossas vidas e o que não devemos fazer.

EXEMPLOS E REFERÊNCIAS – Reforçando a questão dos exemplos – essenciais em livros técnicos, é uma leitura riquíssima em referências (de livros, pessoas, músicas e casos envolvendo marcas, instituições etc). Os autores apresentam, por exemplo, casos de anúncios de televisão que se tornaram famosos; ações de professores que realmente engajaram alunos em todo o mundo; exemplos de executivos que fecharam algum negócio usando a criatividade; e mais.

Todo esse material faz com que o leitor se sinta próximo do que eles estão expondo, e deixa a leitura “dinâmica” e nada cansativa. Para quem gosta de ler sobre temas relacionados à Comunicação, comportamento, inovação, tendências e criatividade, é um prato cheio! Recomendo muito!

Livro: Ideias que colam
Autores: Chip Heath e Dan Heath (irmãos)
Editora: Alta Books
Páginas: 258

Desafios Literários estimulam leitura e educação: conheça o Desafio Entre Estantes 2021

Livros para o ENEM: veja opções para estudar Português e Literatura -  DeUmZoom

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Júlia de Aquino
Instagram literário @juentreestantes

Desde que eu entrei no mundo literário do Instagram, passei a ver que era comum as pessoas criarem “desafios literários”. Até então eu nunca tinha ouvido falar disso, muito menos participado de algum.

Ao longo de 2020, participei de alguns promovidos por outros perfis literários. Eles consistiam, por exemplo, em falar de um livro uma vez por semana nos Stories, seguindo determinado tema estipulado pelo organizador. (os stories são publicações temporárias, que ficam disponíveis durante 24h no perfil da pessoa).

TEMA LITERÁRIO DO MÊS – Com isso, em novembro de 2019 criei um desafio para mim mesma, no meu bloco de notas do celular. Defini um tema para cada mês, a fim de “cumprir” aquele desafio pessoal, que era ler um livro por mês, dentro da temática que eu defini. No início de janeiro, porém, pensei: por que não compartilhar esse desafio com os leitores que me acompanham no Ju Entre Estantes?! Mais que isso, que tal premiar os participantes no final do ano (afinal, é mais um estímulo para a leitura!).

Então, nasceu o Desafio Literário Entre Estantes 2021! Considerei uma boa ideia trazer para Tribuna, uma vez que vocês, leitores, podem querer participar ou criar seus próprios desafios e metas literárias da forma que preferirem!

BENEFÍCIOS DE DESAFIOS LITERÁRIOS – Sem dúvida o ponto mais positivo é incentivar o hábito de leitura, nos fazendo ler pelo menos um por mês (ou quantos você estipular no seu desafio). Para mim, outro aspecto interessante é ler alguns parados na estante há muito tempo, pois como os temas são abrangentes, temos diversas opções para cada mês.

Por fim, mas não menos interessante é a interação entre leitores! O Instagram é uma rede social muito movimentada, então as trocas de dicas e impressões sobre livros são diárias (tanto nos posts como nos stories). E aqui na Tribuna também não é diferente, pois são todos muito participativos e sempre trazem dicas literárias excelentes! Então, conheçam mais detalhes sobre o Desafio Entre Estantes 2021:

DESAFIO “ENTRE ESTANTES 2021” – Abaixo, seguem os temas de cada um dos meses:

JANEIRO. Um livro escrito por uma autora negra

FEVEREIRO. Um clássico (brasileiro ou estrangeiro)

MARÇO. Um livro pouco conhecido

ABRIL. Um livro nacional

MAIO. Um livro parado na estante há mais de 4 anos

JUNHO. Um livro famoso que você ainda não leu

JULHO. Um livro sem a letra “A” o título

AGOSTO. Um livro técnico/acadêmico (de qualquer assunto)

SETEMBRO. Um livro de capa amarela, laranja ou vermelha

OUTUBRO. Um livro desafiador (pelo idioma, tema ou tamanho)

NOVEMBRO. Um livro de capa azul (ou tons azulados)

DEZEMBRO.  Uma biografia

No Instagram, o desafio tem mais detalhes, e ao final do ano quem participar fazendo pelo menos quatro posts de leituras relacionadas aos temas, concorrerá a prêmios literários. Quem quiser participar, basta me mandar mensagem no @juentreestantes.

Esse post de hoje é para apresentar a vocês, leitores do blog, novas ideias e possibilidades! Criem suas próprias metas, inovem, inventem. O importante mesmo é não deixar o hábito da leitura se apagar ao longo de 2021!

Bom final de semana a todos e até a próxima!

As cinco melhores leituras de 2020, em diversos gêneros literários, na visão de Júlia de Aquino


Júlia de Aquino
Instagram literário @juentreestantes

Em minha última publicação, fizemos juntos uma retrospectiva literária sobre 2020. Então, ainda na linha “feliz ano velho”, mostro hoje meus cinco livros favoritos do ano passado. Alguns deles já foram comentados por aqui, e podem ser revistos tanto pelos links ao longo do texto ou na caixa de busca do blog (basta procurar pelo título do livro).

Já deixo o convite para me contarem, nos comentários, a lista das melhores leituras que vocês fizeram no ano passado! Vejam as minhas, começando pelo 5º favorito:

5º lugar – NA PRAIA (Ian McEwan)

Um livro curto (128 páginas apenas), nas com narrativa impecável e envolvente, ideal para quem gosta de entrar na mente dos personagens e mergulhar nos seus pensamentos mais profundos.

Em breve farei resenha sobre ele, mas já adianto que é um livro com enorme potencial. Foi um dos últimos que li no ano e conseguiu entrar na lista dos cinco melhores. Surpreendente e emocionante, o autor consegue nos levar em diversas direções diferentes.

  • Sinopse: Inglaterra, 1962. Essa é a história de Edward e Florence, dois jovens que se instalam num quarto de hotel na praia inglesa de Chesil para celebrar sua noite de núpcias. Estamos no início da década de 1960, às vésperas da revolução sexual e de costumes que abalará aquela época. Os dois noivos figuram entre as últimas vítimas da moral repressiva herdada da era vitoriana.

Na complexa mistura de desejo e puder, ímpeto e falta de jeito que marca o grande momento dos recém-casados, refletem-se tanto a história pessoal de cada um como os impasses da época em que vivem.

4º lugar – O SEGREDO DO MEU MARIDO (Liane Moriarty)

Poderia falar tranquilamente que esse livro ficou empatado em primeiro lugar, junto com os primeiros três da lista. É o tipo de livro que a gente não lê, devora. São poucos personagens, todos muito em construídos, e que de alguma maneira se relacionam entre si. Com isso, e uma “carta misteriosa” (o principal elemento da narrativa), a autora constrói uma trama que nos instiga a ler até a última página.

Livro excelente para sair da ressaca literária, ideal para presentear pessoas de todos os estilos e excelente para ser lido a qualquer momento. Instigante, bem narrado e surpreendente em diversos aspectos: esse foi meu quarto lugar com “gostinho” de primeiro.

  • Sinopse: Imagine que seu marido tenha lhe escrito uma carta para ser aberta apenas depois que ele morresse. Imagine também que essa carta revela o pior e o mais profundo segredo dele – algo com o potencial de destruir não apenas a vida que vocês construíram juntos, mas também a de outras pessoas. Imagine, então, que você esbarra nessa carta enquanto seu marido ainda está bem vivo…

Cecilia Fitzpatrick tem tudo. É bem-sucedida no trabalho, um pilar de sua pequena comunidade, uma esposa e mãe devotada. Sua vida é tão organizada e imaculada quanto sua casa. Mas uma carta vai mudar tudo, e não apenas para ela: Rachel e Tess mal conhecem Cecilia – ou uma à outra -, mas também estão prestes a sentir as repercussões do segredo do marido dela.

Emocionante, O segredo do meu marido é um livro que nos convida a refletir até onde conhecemos nossos companheiros – e, em última instância, a nós mesmos.

3º lugar – O PEQUENO PRÍNCIPE (Antoine de Saint-Exupéry)

Em 2020, dediquei dois posts aqui no blog para falar dessa preciosidade em forma de livro. Clássico da Literatura Mundial, o livro me fez compreender o motivo de sua fama e o porquê de ser lido por jovens e adultos em todo o planeta.

Sem dúvida é aquela leitura que nos transforma, depois da qual não saímos os mesmos de quando começamos. Clique aqui para ler a publicação que fiz sobre ele em outubro. Ou, se preferir ver alguns trechos marcantes, confira o post sobre eles. 

  • Sinopse: Um piloto cai com seu avião no deserto e encontra uma criança loura, frágil e delicada, que diz ter vindo de um pequeno planeta distante dali.

A partir da convivência durante alguns dias, os dois repensam os seus valores, discutem diversos assuntos e encontram o sentido da vida.

2º lugar – IT: A COISA (Stephen King)

Assim como “O pequeno príncipe”, também falei bastante sobre a essa obra-prima de terror por aqui, pois foi um livro que me surpreendeu em diversos aspectos. A narrativa detalhista de King não só é necessária como faz toda a diferença para o leitor mergulhar na história e nos acontecimentos vividos por cada um dos personagens.

Veja minhas duas publicações sobre o livro:

  • Resenha do livro (14/08/2020)
  • Trechos marcantes do livro (21/08/2020)
  •  Sinopse: Durante as férias escolares de 1958, em Derry, pacata cidadezinha do Maine, Bill, Richie, Stan, Mike, Eddie, Ben e Beverly aprenderam o real  sentido da amizade, do amor, da confiança e… do medo. O mais profundo e tenebroso medo. Naquele verão, eles enfrentaram pela primeira vez a Coisa, um ser sobrenatural e maligno que deixou terríveis marcas de sangue em Derry.

Quase trinta anos depois, os amigos voltam a se encontrar. Uma nova onda de terror tomou a pequena cidade. Mike Hanlon, o único que permanece em Derry, dá o sinal. Precisam unir forças novamente. A Coisa volta a atacar e eles devem cumprir a promessa selada com sangue que fizeram quando crianças. Só eles têm a chave do enigma. Só eles sabem o que se esconde nas entranhas de Derry. O tempo é curto, mas somente eles podem vencer a Coisa.

1º lugar – MINHA HISTÓRIA (Michelle Obama)

A autobiografia da ex primeira-dama não poderia deixar de entrar na lista. Foi incrível conhecer mais sobre sua infância, juventude e detalhes sobre sua Faculdade de Direito. Dividido em três partes, da metade para o final sua narrativa fica ainda mais “familiar”, pois envolve Barack Obama e a Casa Branca.

Uma história inspiradora, repleta de curiosidades sobre os bastidores de uma campanha política e sobre o local de morada dos presidentes norte-americanos. Realmente uma leitura que recomendo, principalmente aos que gostam de biografias ou do universo da política.

Veja mais detalhes na minha publicação sobre o livro, feita aqui no blog em março do ano passado. 

  • Sinopse: Em suas memórias, um trabalho de profunda reflexão e com uma narrativa envolvente, Michelle Obama convida os leitores a conhecer seu mundo, recontando as experiências que a moldaram — da infância na região de South Side, em Chicago, e os seus anos como executiva tentando equilibrar as demandas da maternidade e do trabalho, ao período em que passou no endereço mais famoso do mundo.

Com honestidade e uma inteligência aguçada, ela descreve seus triunfos e suas decepções, tanto públicas quanto privadas, e conta toda a sua história, conforme a viveu — em suas próprias palavras e em seus próprios termos. Reconfortante, sábio e revelador, Minha história traz um relato íntimo e singular, de uma mulher com alma e consistência que desafiou constantemente as expectativas — e cuja história nos inspira a fazer o mesmo.

Retrospectiva literária: como foram suas leituras em 2020, quando sobrou tempo para ler…?

Júlia de Aquino, entre alguns livros que leu este ano

Júlia de Aquino
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2020. Um ano inusitado, confuso e triste em diversos aspectos. No âmbito literário, houve pontos positivos e outros nem tanto. Apesar dos cancelamentos de eventos por conta da pandemia, editoras e livrarias aceleraram o processo de venda on-line, uma conquista para o mercado editorial.

Muitos autores e autoras pouco conhecidos ganharam espaço entre leitores; esses, em casa, se aventuraram a ler novos estilos e a descobrir novos nomes, além de olhar com mais atenção a estante cheia de livros não lidos. Nesse cenário, influenciadores literários ganharam ainda mais destaque e mostraram aos usuários de redes sociais outras tantas opções.

PREENCHER O TEMPO – Acima de tudo, foi um ano que possibilitou que olhássemos para dentro, para nós mesmos e nossos hábitos. Nesse sentido, os livros nos ajudaram a passar por esse momento complicado – tanto pela questão da ansiedade como para “preencher o tempo e o vazio” do isolamento social.

No que diz respeito à Literatura, qual foi sua “conquista literária” em 2020?

HÁBITO DE LEITURA – Falando por mim, certamente a maior conquista foi ter mantido o hábito de ler vivo, lendo um pouco todos os dias e semanas. Muito além de quantidade de livros, o ponto principal está na prática constante ao longo dos meses.

E mesmo quem ainda não chegou lá, conseguindo ler um pouco todos os dias, sempre há esperanças, principalmente para quem já conhece o mundo literário e sabe as maravilhas que ele nos proporciona. É um hábito que exige disciplina e repetição no início – assim como qualquer outro –, mas que com o tempo torna-se tão natural como beber água.

LIVROS DESAFIADORES – Mais uma vez falando pela minha experiência pessoal, foi um ano em que me desafiei mais. Escolhi livros mais densos, alguns até técnicos, e os famosos “calhamaços” – livros grandes e com muitas páginas.

Por exemplo, “It: a Coisa”, do mestre de terror Stephen King. Nunca prestei muita atenção nele por causa do tamanho (1.103 páginas), que me assustava. Nesse ano, porém, o peguei para ler – e adorei! Que surpresa boa! E assim foi com alguns outros títulos. E que continue assim em 2021!

LISTA COMPLETA DOS LIDOS 2020 – Com toda certeza, cada uma das leituras foi importante e me preparou para as que vêm por aí no novo ano. E mesmo aquelas que não se destacam muito, sempre trazem algo de bom. Mostro abaixo a lista completa das leituras completadas em 2020, em ordem, e os livros que estão em andamento:

  1. Como eu era antes de você – Jojo Moyes
    2. O perigo de uma história única – Chimamanda Ngozi Adichie
    3. A profecia da sereia – Clara Alves
    4. Depois de você – Jojo Moyes
    5. A história de Greta – Valentina Camerini
    6. A saideira – Barbara Gancia
    7. Ainda sou eu – Jojo Moyes
    8. O segredo do meu marido – Liane Moriarty
    9. Amigos para a vida – Andrew Norriss
    10. Beba poesia vol. II – Claudio Schuster
    11. Kkkrônicas – Milla Benício
    12. Sobre risos, drinks e dates – Nanda Pimentel
    13. Sobre risos, drinks e dates 2 – Nanda Pimentel
    14. Minha história – Michelle Obama
    15. Encantadores de vidas – Eduardo Moreira
    16. Amanhã hoje é ontem – Daniella Zuppo
    17. A seleção – Kiera Cass
    18. A garota que você deixou para trás – Jojo Moyes
    19. A elite – Kiera Cass
    20. Por que fazemos o que fazemos – Mário Sergio Cortella
    21. A escolha – Kiera Cass
    22. Sagrada família – Zuenir Ventura
    23. Quarto – Emma Donoghue
    24. A herdeira – Kiera Cass
    25. A coroa – Kiera Cass
    26. Comportamento do consumidor – Vários autores
    27. Crânio, coração e poesia – Carlos Augusto
    28. A luz que perdemos – Jill Santopolo
    29. It – A Coisa – Stephen King
    30. Mentes perigosas – Ana Beatriz Barbosa Silva
    31. O jeito Disney de encantar os clientes – Disney Institute
    32. A estrela de prata – Jeannette Walls
    33. Hibisco roxo – Chimamanda Ngozi Adichie
    34. As vantagens de ser invisível – Stephen Chbosky
    35. O festim dos corvos – George R. R. Martin
    36. O pequeno príncipe – Antoine de Saint-Exupéry
    37. A história por trás da História – Marcelo Lacativa
    38. A dança dos dragões – George R. R. Martin
    39. Canção de ninar – Leila Slimani
    40. O amor não se isola – Maria Beltrão
    41. Ideias que colam – Chip Heath e Dan Heath
    42. Traição em família – David Baldacci
    43. Na praia – Ian McEwan

EM ANDAMENTO
• Mulheres que correm com os lobos – Clarissa Pinkola Estés
• O voto feminino no Brasil – Teresa Cristina de Novaes Marques

TRIBUNA DA INTERNET – Além das leituras, foi uma honra começar a escrever semanalmente na Tribuna: a troca que temos aqui através dos comentários é realmente muito significativa para mim. Obrigada ao Carlos Newton, que acreditou nos meus textos e no meu amor pela Literatura, e a todos vocês, pelas dicas e participação constante nos posts!

No Instagram, publico diariamente no perfil Ju Entre Estantes (@juentreestantes), e para os que ainda não o conhecem, deixo o convite para me encontrarem por lá também!

Na semana que vem, mostrarei a lista e os detalhes das minhas cinco leituras favoritas de 2020. E quero saber de vocês: como foi o ano? Conseguiram manter o hábito da leitura? Leram algum livro há muito esquecido na estante? Presentearam com livros? Aguardo vocês nos comentários!

Abraços e ótimo 2021 a todos, com saúde, paz e… LIVROS!

Até a próxima!

Crítica social envernizada com suspense: “Canção de ninar” impacta desde o início

Júlia de Aquino
Instagram literário @juentreestantes

“O bebê está morto. Bastaram alguns segundos. O médico assegurou que ele não tinha sofrido (…). A menina, por sua vez, ainda estava viva quando o
socorro chegou. Resistiu como uma fera”.
Essas são as primeiras frases do livro “Canção de ninar”, da escritora e jornalista franco-marroquina Leïla Slimani. Apesar dos elogios, demorei para ler, mas valeu a pena. Não li, devorei. Foi uma leitura de dois dias que me prendeu do início ao fim!

HISTÓRIA – Myriam e Paul são pais de duas crianças. Quando ela, advogada, decide voltar a trabalhar fora, eles tentam encontrar a babá perfeita. E se encantam com Louise: educada, dedicada, paciente… Aos poucos, a relação
normal se torna de dependência mútua entre a família e Louise – até que acontece uma tragédia.

CRÍTICA SOCIAL – No início, achei que seria um livro de suspense e investigação. Nesse sentido, fiquei frustrada (então, para quem quer algo nessa
linha, não é a melhor opção). Porém, ele superou minhas expectativas como um todo! Trata-se de um thriller psicológico com grande dose de crítica
social, cuja sinopse “engana” e aparentemente promete mistério e investigação de crime. 

Em diversos aspectos, lembra o filme “Que horas ela volta”, protagonizado por Regina Casé. Os personagens formam o “cenário burguês” clássico: pais modernos que delegam tudo de seus filhos à babá enquanto focam no trabalho e vivem um alto padrão de vida, sem se preocupar com a “humanidade” da funcionária.

A MULHER NA SOCIEDADE – O livro também aborda os papeis e dilemas das mulheres na sociedade: desafios da maternidade, carreira, como ser mãe, esposa e filha. Myriam (a mãe das criaças) é a personificação de todos esses desafios e questões, e em diversas situações reflete a angústia e os dilemas dos diversos papeis que a mulher deve exercer ao mesmo tempo – cobrada,
principalmente, por amigos, familiares e pessoas mais próximas.

É interessante enxergar a personagem tendo em vista essa realidade moderna, principalmente no que diz respeito a ser mãe e tentar voltar ao mercado de trabalho.

NARRATIVA – Perturbadora, intensa e impactante. Assim é a narrativa da autora. Com frases e capítulos curtos, ela mostra os pontos de vista de todos os personagens, e temos uma noção mais ampla do que se passa na cabeça de cada um. Isso nos dá acesso a suas diversas emoções e compreendemos suas motivações de forma completa.

Por conta disso, é uma ótima opção para fãs de Psicologia. E o fato de ser um livro curto não prejudica em nada. Pelo contrário: Ele é objetivo e certeiro nas informações que importam. Apesar de “apenas” 192 páginas, ele nos faz refletir sobre questões sobre as quais não pensamos normalmente e prende do início ao fim.

Livro: Canção de ninar
Autora: Leïla Slimani
Editora: Tusquets Editores
Páginas: 192

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TRECHOS MARCANTES
• “Ao entrar no quarto onde jaziam os filhos, ela soltou um grito, um grito das profundezas, um uivo de loba”.

• “À noite, no conforto dos lençóis frescos, o casal ri, incrédulo, dessa nova vida que levam. Claro, o salário de Louise pesa no orçamento familiar, mas Paul não se queixa mais. Em algumas semanas a presença de Louise se tornou indispensável”.

• “Isso nuca foi abertamente dito, nunca conversaram sobre isso, mas Louise construiu pacientemente seu ninho no meio do apartamento”.

• “E foi então que ela ouviu. A maioria das pessoas vive sem jamais ouvir gritos assim. São gritos que existem apenas na guerra, nas trincheiras, em
outros mundos, em outros continentes. Não são gritos daqui”.

• “Ela imagina então uma vida em que ela teria dinheiro para tudo. Em que ela apontaria, para uma vendedora afetada, os artigos que lhe interessassem”.

• “Louise é um soldado. Avança, custe o que custar, como um animal, como um cachorro que teve as patas quebradas por crianças malvadas”.

• “O destino é perverso como um réptil, ele sempre dá um jeito de empurrar a gente pro lado ruim do caminho”.

• “- De verdade, eu não entendo. – Você não devia tentar entender tudo. As crianças são como os adultos. Não há nada para entender”.

Com formato virtual, Prêmio Jabuti 2020 consagra diversos autores brasileiros

Solo para vialejo', de Cida Pedrosa, é eleito livro do ano no Prêmio  Jabuti; veja vencedores | Pop & Arte | G1

“Solo para Vialejo”, de Cida Pedrosa, é o vencedor

Júlia de Aquino
Instagram literário @juentreestantes

O Prêmio Jabuti é o mais tradicional prêmio literário do Brasil, concedido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL). Na última quinta-feira, 26 de novembro, aconteceu a 62ª edição da premiação. Devido a pandemia, a cerimônia foi realizada virtualmente, e premiou 20 das quase 2.600 inscrições.

A publicação de hoje mostra um resumo da história do Prêmio, sua origem e objetivos, a divisão das categorias e a lista dos ganhadores de 2020. Veja:

O PRÊMIO – Foi criado em 1959 e idealizado pelo escritor e crítico literário Edgard Cavalheiro, quando presidia a CBL. Cavalheiro buscava premiar autores, editores, ilustradores, gráficos e livreiros que mais se destacassem a cada ano. 

A primeira edição foi composta por uma solenidade simples, realizada no auditório da antiga sede da CBL (SP). O 1º Prêmio Jabuti foi para Jorge Amado, na categoria Romance, pela obra “Gabriela, Cravo e Canela”. A Saraiva ganhou o prêmio de Editora do Ano.

Com o passar dos anos, as cerimônias passaram a ser realizadas em diferentes locais, como nas Bienais do Livro. Foi em 2004 que o prêmio ganhou um “evento próprio”, quando aconteceu no Memorial da América Latina. De 2014 a 2019, o evento foi realizado no Auditório Ibirapuera Oscar Niemeyer, em São Paulo. No ano do Coronavírus, aconteceu a primeira cerimônia virtual, e, para 2021, o local ainda não está definido.

NOME – Muitos estranham o nome “jabuti” para um prêmio literário. Voltemos à década de 1960, quando foi criado.

Foi um contexto com forte influência do Modernismo e Nacionalismo, marcado pela valorização da cultura popular brasileira, das raízes indígenas e africanas e suas figuras míticas e símbolos. Alguns nomes foram essenciais na pesquisa, estudo e divulgação dessa cultura popular durante o início do século XX, como Mário de Andrade, Sílvio Romero e Monteiro Lobato.

Lobato “humanizou” o jabuti em sua obra “Reinações de Narizinho”. Trata-se de um animal característico da cultura brasileira, e o autor o apresentou como um ser obstinado e esperto, cheio de tenacidade para vencer obstáculos, para enganar concorrentes mais bem-dotados e chegar à frente ao fim da jornada, a despeito de sua lentidão.

Tais características, inseridas no momento que em que viviam, inspiraram a equipe da CBL, que elegeu o Jabuti para patrocinar o prêmio que homenageia e promove a Literatura brasileira. 

CATEGORIAS – No total, são 20 categorias, divididas entre quatro eixos: 

1) Literatura | 2) Ensaios | 3) Livro | 4) Inovação

LISTA DE GANHADORES – “Solo para vialejo”, da escritora pernambucana Cida Pedrosa, foi o vencedor de 2020. Com muitas referências musicais, o livro foi lançado em 2019, e é um poema épico-lírico que acompanha uma viagem do litoral ao sertão. A autora vai receber o troféu e um prêmio de R$ 100 mil.

Veja a lista completa de ganhadores:

Categoria: LITERATURA

Romance Literário – “Torto arado”
Autor: Itamar Vieira Junior  • Editora: Todavia

Conto – “Urubus”
Autora: Carla Bess • Editora: Confraria do Vento

Crônica – “Uma furtiva lágrima”
Autora: Nélida Piñon • Editora: Record

Histórias em Quadrinhos – “Silvestre”
Autor: Wagner Willian • Editora: Darkside Books

Infantil – “Da minha janela”
Autor: Otávio Júnior • Editora: Companhia das Letrinhas

Juvenil – “Palmares de Zumbi”
Autor: Leonardo Chalub • Editora: Nemo

Poesia – “Solo para vialejo”
Autora: Cida Pedrosa • Editora: Cepe Editora

Romance de Entretenimento: “Uma mulher no escuro”
Autor: Raphael Montes • Editora: Companhia das Letras

Categoria: ENSAIOS

Artes – “AI-5 50 ANOS – Ainda não terminou de acabar”
Autores: Gabriel Zacarias, Galciani Neves, Izabela Pucu, Alexandre Pedro de Medeiros, Caroline Schroeder, Carolina de Angelis, Luise Malmaceda, Theo Monteiro, Pedro Borges, Paulo Cesar Gomes, Paulo Miyada e Priscyla Gomes • Editora: Instituto Tomie Ohtake

Biografia, Documentário e Reportagem – “Escravidão: do primeiro leilão de cativos em Portugal até a morte de Zumbi dos Palmares: Volume 1”
Autor: Laurentino Gomes • Editora: Globo Livros

Ciências – “Futuro presente: o mundo movido à tecnologia”
Autor: Guy Perelmuter • Editora: Companhia Editora Nacional

Ciências Humanas – “Pequeno manual antirracista”
Autora: Djamila Ribeiro • Editora: Companhia das Letras

Ciências Sociais – “130 anos: Em busca da República”
Autores: Edmar Bacha, José Murilo de Carvalho, Joaquim Falcão, Marcelo Trindade, Simon Schwartzman e Pedro Malan • Editora: Intrínseca

Economia Criativa – “Ecochefs: parceiros do agricultor”
Autoria: Instituto Maniva • Editora: Senac Rio

Categoria: LIVRO

Capa – “Penitentes – Dos ritos de sangue à fascinação do fim do mundo” 

Capistas: Luisa Malzoni, Isabel Santana Terron e Beatriz Matuck •  Editora: Tempo d’Imagem

Ilustração – “Cadê o livro que estava aqui?”
Ilustradora: Jana Glatt Rozenbaum • Editora:  FTD Educação

Projeto Gráfico – “Arquiteturas contemporâneas no Paraguai”
Responsável: Maria Cau Levy, Christian Salmeron, Ana David e André Stefanini • Editora: Escola da Cidade e Romano Guerra Editora

Tradução –“Bertolt Brecht: Poesia”
Tradutor: André Vallias • Editora: Perspectiva

Categoria: ENSAIOS

Fomento à Leitura – FLUP – Festa Literária das Periferias
Responsável: Julio Ludemir

Livro Brasileiro Publicado no Exterior – “Lorde” • Editoras: Grupo Editorial Record, Two Lines Press

Alta fantasia! Livros de George Martin, que inspiraram a série “Guerra dos Tronos”, são imperdíveis

George R. R. Martin: conheça 6 obras escritas pelo pai da saga As Crônicas de Gelo e Fogo - DeUmZoom

George Martin promete mais dois livros para completar a série

Júlia de Aquino
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Na última década, o nome “George Martin” se tornou mais forte e conhecido, tanto no país como em todo o mundo. E muito desse sucesso tem origem na série da HBO, Guerra dos Tronos, lançada em 2011.

E apesar de muitos saberem que ele é um autor consagrado, ainda há pessoas que não sabem que a série nasceu de uma coleção de livros cujo nome NÃO É “Guerra dos Tronos”. A obra de Martin que originou a produção da HBO foram os livros das “Crônicas de Gelo e Fogo”, até o momento com cinco títulos.

O nome “Guerra dos Tronos” é o título do livro 1 da série, cuja publicação foi em 1996. Inicialmente, seria uma trilogia, mas o autor decidiu fazer cinco livros. Porém, há alguns anos todos ficamos sabendo que serão sete livros e os dois últimos ainda não têm previsão para serem lançados.

AS CRÔNICAS DE GELO E FOGO – George Martin começou a desenvolver a série de alta fantasia em 1991, e apesar de parecer uma trama “confusa” e complexa, as premissas são bem claras.

De forma resumida, três situações principais norteiam toda a série e fatos:

  • Uma guerra civil entre várias famílias dinásticas poderosas pelo controle dos Sete Reinos de Westeros e do Trono de Ferro;
  • A ameaça crescente das criaturas sobrenaturais conhecidas como os Outros, que habitam além da Muralha de gelo que fica ao Norte.
  • A ambição de Daenerys Targaryen, a filha exilada de um rei louco deposto 15 anos antes em outra guerra civil, prestes a voltar e reivindicar seu trono por direito.

PERSONAGENS – É unanimidade global que os personagens são perfeitamente construídos, um dos principais elementos que fizeram a fama da série. Desde o início, nos envolvemos com todos eles, sejam bons, maus, divertidos ou com postura séria.

Até mesmo o conceito de maldade e bondade é colocado em xeque. De maneira geral, cada um deles é tão complexo que fica impossível rotulá-los com apenas uma definição. Todos são seres humanos, com falhas, acertos, senso estratégico e ganância (o que muda em cada um é “nível” dessas e de outras tantas características).

A parte “triste” da série, que deixam os fãs inconsoláveis, é o fato de que não é recomendado que nos apeguemos a nenhum personagem, pois o autor não se importa muito com isso. George Martin não hesita em matar alguém, seja figura querida ou odiada. Ler “As crônicas de gelo e fogo” é vivenciar a frase “qualquer um pode morrer a qualquer momento”

ORDEM DOS LIVROS – Como citado acima, até hoje cinco livros foram publicados. O sexto livro é esperado há dez anos (!!!) pelos fãs, mas de acordo com Martin ele saíra em 2021, uma vez que o isolamento permitiu que ele se dedicasse mais a essa continuação.

Até 2019, a editora responsável pelas publicações era a LeYa, mas desde então a Suma tem os direitos da série no Brasil. E a ordem dos livros é:

LIVRO 1: A Guerra dos Tronos;
LIVRO 2: A fúria dos reis.
LIVRO 3: A tormenta de espadas;
LIVRO 4: O festim dos corvos;
LIVRO 5: A dança dos dragões;
LIVRO 6: Os Ventos do Inverno (previsto para 2021, mas sem confirmação);
LIVRO 7: Um Sonho de Primavera (sem previsão).

SÉRIE DA HBO – A atração, chamada “Game of Thrones” em inglês estreou originalmente em abril de 2011 e terminou na oitava temporada, em 2019.

Para a primeira, o orçamento estimado foi entre cinquenta e sessenta milhões de dólares, apenas para dez episódios. Hoje, acredita-se que seja a série mais cara da história.

O autor foi um dos roteiristas no início, mas a partir da quarta temporada saiu do time da produção. As últimas temporadas são muito criticadas por desviarem da trama original e apresentarem acontecimentos inconcebíveis nas histórias dos livros.

LEITURA INDICADA – Pessoalmente, tinha muito “pré-conceito literário” com essa série, e comecei a ler apenas “para falar mal”. No entanto, desde o primeiro livro me apaixonei, e atualmente sou mais uma fã à espera da tão sonhada continuação. Leitura que recomendo muito!

E a dica que eu dou é: não temam o tamanho dos livros ou a escrita prolixa de George Martin. É uma obra genial, atemporal, que merece ser lida por todos (mulheres, homens, jovens, idosos e até papagaios e baratas)!

Dono de um estilo de escrita único, José Saramago é um intelectual que faz muita falta

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Há 98 anos nascia José Saramago, um dos maiores nomes da Literatura Portuguesa contemporânea. O autor é um dos mais importantes nomes da Literatura Contemporânea e marcou a escrita do século XX através de seu olhar crítico e sua escrita fora do comum.

A publicação de hoje é sobre ele, com um resumo sobre sua vida, obra, polêmicas e algumas curiosidades a respeito de sua carreira e modo de pensar.

VIDA E HISTÓRIA – José Saramago nasceu numa família de camponeses em Azinhaga, ao sul de Portugal, em 1922.

Iniciou sua carreira de escritor em 1947, com o livro “Terra do Pecado”. Nos anos 1960, já atuando como crítico literário e jornalista, começa a escrever no jornal Diário de Notícias e a partir de 1975, passa a viver de Literatura, primeiro como tradutor, em seguida, como autor.

Faleceu em 2010, devido a uma leucemia crônica, aos 87 anos.

ESCRITA – Saramago criou um dos universos literários mais sólidos do século XX, unindo a escrita à crítica social, denunciando injustiças e se pronunciando sobre conflitos políticos de sua época.

Nesse aspecto, o ponto mais notável de Saramago é sua peculiar maneira de pontuar suas frases, com poucos pontos finais e uso constante de vírgulas. Os diálogos também raramente possuem travessão.

Além de ter desenvolvido um estilo único, reconhecido em todo o mundo, através da escrita ele cria uma cumplicidade com o leitor, confirmada pelo público e exaltada pela crítica.

LAUREADO – Dentre os expressivos prêmios que recebeu, os principais foram o Prêmio Camões (1995) e o Prêmio Nobel de Literatura (1998).

O primeiro deles, Camões, é distinção máxima oferecida aos escritores de língua portuguesa. Em relação ao Nobel, foi o primeiro da Literatura concedido a um escritor de língua portuguesa.

Apesar da honra e do reconhecimento ao seu trabalho, as premiações não agradaram algumas instituições. Um exemplo é a Igreja Católica, que não concordava com a posição política de Saramago e suas críticas sociais. À época, foi publicado no diário do Vaticano (“Osservatore Romano”) o seguinte comentário: “Saramago é, ideologicamente, um comunista inveterado”.

5 CURIOSIDADES – Alguns fatos curiosos – e polêmicos – também fazem parte da história de Saramago. Veja alguns deles:

1) A obra mais polêmica é “O evangelho segundo Jesus Cristo”, pois trata a figura de Jesus de forma controversa. A obra originou diversas discussões morais e até políticas. Por causa ds repercussão, foi para o exílio em 1992, quando se mudou de Portugal para as Ilhas Canárias (Espanha), onde morou até o fim da vida.

2) Saramago, antes de emplacar na carreira de escritor, trabalhou como serralheiro mecânico durante muito tempo.

3) Seu primeiro livro foi publicado quanto tinha 25 anos.

4) Na década de 1960, ele quase emigrou para o Brasil.

5) Costumava falar bastante do tema “morte”, e dizia que não a temia, mas que lamentava o “não comparecimento no futuro”.

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PRINCIPAIS LIVROS

“O Evangelho segundo Jesus Cristo”: Menos interessado na onipotência do divino que na frágil mas tenaz resistência do humano, Saramago reconta de forma irônica e crítica uma das histórias mais conhecidas no ocidente, dotando- a de corpo, cheiro, sensações, ambiguidades e novos significados recônditos.

“Ensaio sobre a cegueira”: Uma terrível “treva branca” vai deixando cegos, um a um, os habitantes de uma cidade. Com essa fantasia aterradora, Saramago nos obriga fechar os olhos e ver. Recuperar a lucidez, resgatar o afeto: essas são as tarefas do escritor e de cada leitor, diante da pressão dos tempos e do que se perdeu.

Um motorista parado no sinal se descobre subitamente cego. É o primeiro caso de uma “treva branca” que logo se espalha incontrolavelmente. Resguardados em quarentena, os cegos se perceberão reduzidos à essência humana, numa verdadeira viagem às trevas.

“A jangada de pedra”: Racham-se os Pirineus, a Península Ibérica se desgarra da Europa. Transformada em ilha – Jangada -, navega à deriva pelo oceano Atlântico. A esse espetacular acidente geológico somam-se outros insólitos que unem os quatro personagens principais do romance numa viagem apocalíptica e utópica pelos caminhos da linguagem e, por meio dela, pelos da arte e da cultura peninsulares. A ínsula ibérica vagueia ao acaso de um mar tecido de muitos mitos e história.

“A viagem do elefante”: Em 1551, o rei português dom João III, e sua mulher, Catarina d’Áustria, decidiram oferecer um presente inusitado ao arquiduque Maximiliano II, por seu casamento com a filha do imperador Carlos V: um elefante.

Aqui, a história real do mamífero que saiu de Goa, passou por Portugal, Espanha, Itália, atravessou os Alpes para enfim chegar na Áustria ganha ares de fábula nas mãos de José Saramago.

“As Intermitências da Morte”: Apesar da fatalidade, a morte também tem seus caprichos. Cansada de ser detestada pela humanidade, a ossuda resolve suspender suas atividades. De repente, num certo país fabuloso, as pessoas simplesmente param de morrer.

E o que no início provoca um verdadeiro clamor patriótico logo se revela um grave problema. Idosos e doentes agonizam em seus leitos sem poder “passar desta para melhor”. Os empresários do serviço funerário se veem brutalmente desprovidos da sua matéria-prima. Hospitais e asilos geriátricos enfrentam uma superlotação crônica, que não para de aumentar.

O negócio das companhias de seguros entra em crise. O primeiro-ministro não sabe o que fazer, enquanto o cardeal se desconsola, porque “sem morte não há ressurreição, e sem ressurreição não há igreja”.

Um por um, ficam expostos os vínculos que ligam o Estado, as religiões e o cotidiano à mortalidade comum de todos os cidadãos. Mas, na sua intermitência, a morte pode a qualquer momento retomar os afazeres de sempre. Então, o que vai ser da nação já habituada ao caos da vida eterna?

Livro reúne histórias desconhecidas e versões corretas sobre fatos da Segunda Guerra Mundial

LIVRO A HISTORIA POR TRAS DA HISTORIA: RELATOS DA 2ª GUERRA MUNDIAL - 1ªED.(2020)Júlia de Aquino
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Segunda Guerra Mundial é um tema histórico muito explorado na Literatura Mundial. Diversas obras tem o conflito como pano de fundo ou analisam os acontecimentos, envolvimento dos países e consequências para o mundo.

Ao longo de minha trajetória literária, li poucos livros sobre a II Guerra, mas minha “volta ao tema” não poderia ter sido melhor! “A história por trás da História” aguçou minha curiosidade em relação ao assunto e trouxe diversas informações desconhecidas e muito interessantes!

Muitos podem pensar que o autor é um historiador, militar ou um jornalista, e o primeiro fato curioso em relação ao livro envolve seu autor, porque ele é médico.

O AUTOR – Marcelo Lacativa é um cirurgião apaixonado pelo tema da II Guerra Mundial, principalmente pela Batalha de Stalingrado.

Entre seu trabalho e viagens profissionais, sempre consegue um tempo para se dedicar a esse hobby, e já tem outro livro sobre o assunto publicado pela Editora Rocco. “Sob As Cinzas De Stalingrado”, publicado em 2008, foi sua primeira obra, e nasceu após quatro anos de pesquisa sobre o conflito que dá nome ao livro.

O LIVRO – Reproduzo aqui a descrição que publiquei no meu perfil Ju Entre Estantes, que resume de forma “didática” o conteúdo do livro:

Ao longo da vida, ouvimos diversas histórias sobre a 2ª Guerra Mundial que não aconteceram exatamente da forma como aprendemos… Esse é objetivo de “A história por trás da História”: esclarecer alguns fatos, mostrando como na realidade aconteceram, e apresentar outros tantos acontecimentos.

IMAGENS – Sem dúvida, um dos pontos que mais chamam atenção mesmo antes de começar a leitura é a quantidade de fotos que o livro traz. Todos os capítulos têm imagens reais que ilustram o fato ali contado.

Além de ilustrar a história contada naquele trecho, as fotos nos instigam a pesquisar mais detalhes em alguns momentos – houve trechos cuja leitura emendei com uma rápida pesquisa no Google para ver mais imagens. Raros foram os livros que despertaram meu interesse nesse sentido.

ESTILO  – Outro ponto positivo são os capítulos curtos. Cada um mostra uma história, e eles têm, em média, 3 ou 4 páginas. Além disso, a escrita do autor não é tão formal, diferente da maioria dos livros de História. Isso facilita nossa compreensão e faz com que o leitor se sinta mais “próximo”; do que está sendo contado. Também evita a densidade comum em livros do tema, e faz com que não fiquemos “cansados” durante a leitura.

PAPEL DAS MULHERES – Antes de teminar a leitura dessa publicação, pare por um minuto e foque nessa seguinte questão: pense em um fato marcante da Segunda Guerra Mundial envolvendo mulheres, ou algum em que elas tenham sido protagonistas.

Difícil pensar, né? Ao longo de nossos anos de escola e aprendizado, não ouvimos falar do papel da mulherada no conflito. A máxima de que “na época as mulheres tinham que ficar em casa com os filhos, enquanto seus maridos iam para a guerra” não é falsa, mas não é completamente verdadeira.

As mulheres foram essenciais durante a Segunda Guerra Mundial, e não só em ambulâncias e enfermarias – como também aprendemos. Apesar serem “esquecidas” por décadas de História, diversas equipes 100% femininas foram decisivas na Guerra. Lacativa, contudo, não as esqueceu: o livro traz muitas informações e conquistas delas, e conta detalhes específicos e excelentes.

Leitura que vale muito a pena!

Livro: A História por trás da história
Autor: Marcelo Lacativa
Editora: Livros Ilimitados
Páginas: 244

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CAPÍTULOS FAVORITOS

  • O paraquedista da torre da igreja: conta como um americano ficou pendurado por horas por seu paraquedas, e acabou sendo resgatado pelos inimigos alemães.
  • As bruxas da noite: história sobre um esquadrão de pilotos formado apenas por mulheres que atacavam à noite
  • Códigos de guerra: mostra os códigos impossíveis utilizados pelos países para se comunicarem, além de contar as inúmeras tentativas para quebrar os códigos inimigos.
  • O velho e o mar: narra e explica a quase-participação do escritor Hemingway na guerra e conta como sua mulher atuou no combate. (Por sua obra “Adeus às armas”, muito é dito de sua relação com a Primeira Guerra, mas nada é mencionado sobre ele e o segundo conflito).

Roteiro bem construído e grandes nomes do Vale do Silício fazem o sucesso de “O dilema das redes”

Júlia de Aquino
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“Nada grandioso entra na vida dos mortais sem uma maldição”

É com essa frase de Sófocles que tem início o documentário “O dilema das redes”, um dos mais vistos na Netflix no mês de outubro. Como vivemos no mundo das redes sociais todos os dias, achei válido trazer minha percepção sobre a produção para o blog, com dicas de livro no final, claro! Muitos professores e amigos já tinham indicado, e após assistir entendi o porquê de ser tão marcante.

SINOPSE DO DOCUMENTÁRIO – O Dilema das Redes mostra ao público como os “magos da tecnologia” possuem o controle sobre a maneira que pensamos, agimos e vivemos. Através de depoimentos de frequentadores do Vale do Silício, a produção revela como as plataformas de mídias sociais estão reprogramando a sociedade e sua forma de enxergar a vida. (Fonte da sinopse: Adoro Cinema)

PONTOS PRINCIPAIS – De forma resumida, o documentário aborda pontos interessantes de serem pensados e, acima de tudo, repensados por todos nós enquanto sociedade e consumidores de conteúdo.

Alguns temas discutidos são:

  • Informação e desinformação
  • Fake News
  • Vício em redes sociais
  • Publicidade e monetização dos espaços
  • Relacionamentos interpessoais prejudicados pela tecnologia
  • Uso de dados de usuários

CONSTRUÇÃO DO ROTEIRO – Enquanto vê diversos depoimentos de profissionais do Vale do Silício, o espectador acompanha a rotina de uma família composta por quatro pessoas, com foco em um dos filhos jovens do casal. Essa mesclagem ficou interessante, porque a partir do comportamento desse jovem viciado em celular, eles mostram de forma didática como funciona

o algoritmo das redes.

Numa cabine de controle, reproduzindo algo parecido com o que ocorre no filme “Divertida mente”, da Disney, quatro sujeitos representam o sistema do algoritmo e observam o comportamento do jovem. Dependendo de sua atividade no celular e na Internet, essa “equipe” escolhe o tipo de conteúdo e de notificação que aparecerá nos feeds e dispositivos desse usuário.

Muito além de construir uma narrativa, os roteiristas utilizaram essa ferramenta para passar a seguinte mensagem: nós não temos controle sobre o tipo de conteúdo que recebemos.

IMPOTÊNCIA – Esse fato é o que guia todas as falas e fatos mostrados no documentário – nossa total impotência diante do que consumimos nas redes sociais.

O ponto defendido é que o algoritmo é criado e pensado por humanos contratados pela Indústria para fazer as pessoas passarem o maior tempo possível nas redes sociais, em seus e-mails e conectados em seus dispositivos (celulares, tablets, computadores). Desse modo, eles podem monetizar aquele espaço, vendendo a atenção do usuário para milhares de marcas.

Afinal, as marcas querem – e precisam – estar onde as pessoas estão. E, atualmente, esse lugar são as redes sociais. Em diversos momentos os entrevistados repetem que o objetivo das redes sociais é “vender” a atenção das pessoas. Elas nos mantêm conectadas como se fôssemos visitas que não vão embora e que são estimuladas a não irem. E lucram com essa nossa longa visita.

O PROBLEMA PRINCIPAL – Desde o início, uma voz pergunta aos executivos que dão seus depoimentos: “Então, qual é o problema?”. Eles hesitam ao tentar responder, e analisam o X da questão ao longo dos minutos do documentário.

Como já foi dito, são muitos os problemas relacionados às redes, e todos possuem a mesma raiz: o modelo de negócio das empresas.

Facebook, Twitter, Tik Tok, Snapchat, Google… Elas não são apenas marcas e organizações: elas são um mercado. Um mercado que movimenta trilhões de dólares e aprende cada vez mais de que maneira seus usuários pensam, agem, consomem e, acima de tudo, como tomam decisões.

TOM ALARMISTA – Apesar de ter um roteiro consistente e apresentar dados e reflexões interessantes, o espectador deve começar a assistir já esperando toques de sensacionalismo o tempo todo.

O tom alarmista está nas falas dos entrevistados, nas projeções feitas por eles e mesmo no destino dos personagens da família comentada acima. Esse clima pessimista se mantém até o final, quando a conclusão apresentada é a de que o futuro da nossa sociedade seria uma guerra civil (provocada por anos de desinformação consumida nas redes).

QUATRO LIÇÕES – O que, então, aprendemos com o documentário?

  1. É essencial controlar nosso tempo nas redes sociais para não nos tornamos “reféns”.
  2. Devemos sempre verificar a veracidade de notícias e informações antes de compartilhá-las ou toma-las como verdadeiras.
  3. Tirar alguns momentos do dia para se desconectar completamente, principalmente durante as refeições em família
  4. Não aceitar sugestões do algoritmo, pois ele “aprende” quando concordamos com ele. Um exemplo: se você quer ouvir uma música e, ao abrir o Youtube, o algoritmo te mostra como “sugestão de música”, o ideal é não clicar na sugestão, mas ir na caixa de busca e pesquisar o nome da música manualmente.

DICAS DE LIVRO – Como não poderia faltar, vou indicar dois livros que têm muita relação com o tema do documentário. Embora não abordem especificamente as mesmas questões, ambos têm o mundo das redes sociais como pano de fundo e premissa.

# DICA 1

O clique de um bilhão de dólares – A incrível história do brasileiro Mike Krieger, fundador do Instagram

Autor: Filipe Vilicic
Editora: Intrínseca
Ano: 2015
Páginas: 240

# DICA 2

O inverno da nossa desconexão
Autora: Susan Maushart
Editora: Paz e Terra
Ano: 2011
Páginas: 312

# Algumas frases do documentário:

  • “Não é que a tecnologia em si seja uma ameaça existencial. É a capacidade da tecnologia de trazer à tona o pior da sociedade. E o pior da sociedade é uma ameaça existencial”;.
  • “Se você não está pagando pelo produto, então você é o produto”.
  • “Qualquer tecnologia avançada, é indistinguível da mágica”.
  • “O modelo de negócios de empresas desse tipo é manter as pessoas vidradas na tela”.
  • “Nós não pagamos pelos produtos que usamos, os publicitários pagam. Eles são os clientes. Nós somos a coisa que está sendo vendida”.
  • “Cada ação que você realiza nas redes sociais é cuidadosamente monitorada e registrada”.

Documentário: O Dilema das Redes (The Social Dilemma)
Ano: 2020
Produção: Netflix
Duração: 89 minutos
Direção: Jeff Orlowski
Roteiro: Jeff Orlowski, Davis Coombe, Vickie Curtis

 

Trechos marcantes da obra de Saint-Exupéry acompanham gerações desde sua publicação, em 1943

Júlia de Aquino
Instagram literário @juentreestantes

Na semana passada, na publicação sobre o livro “O Pequeno Príncipe” , eu comentei que faria esse segundo post, agora com diversos trechos que marquei enquanto lia o livro.

Resenha: O Pequeno Príncipe – Preciso Ler LivrosÉ realmente incrível o poder dessas frases, principalmente se considerarmos que foram escritas há quase 80 anos – e, ainda assim, parecem se encaixar perfeitamente com as duas décadas do século XXI!

LEITURA RÁPIDA – Só é possível viver a “experiência completa” lendo todo o livro, até porque é uma leitura rápida (que pode ser feita em uma ou duas horas). Essas passagens que selecionei já mostram a preciosidade dessa obra! Também coloquei as referências dos capítulos, caso queiram consultar uma parte específica do livro. Vejam:

  • “Assim eu comecei a compreender, pouco a pouco, meu pequeno principezinho, a tua vidinha melancólica. Muito tempo não tiveste outra distração que a doçura do pôr-do-sol”. (Cap VI)
  • “Quando a gente está triste demais, gosta do pôr-do-sol”. (Cap VI)
  • “Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões e milhões de estrelas, isso basta para que seja feliz quando a contempla”. (Cap VII)
  • “É tão misterioso o país das lágrimas!” (Cap VII)
  • “É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas”. (Cap IX)
  • “É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar”. (Cap X)
  • “É bem mais difícil julgar a si mesmo que julgar os outros. Se consegues julgar-te bem, eis um verdadeiro sábio”. (Cap X)
  • “As pessoas grandes são decididamente muito bizarras”. (Cap XI)
  • “Esse é o único que não me parece ridículo. Talvez porque é o único que se ocupa de outra coisa que não seja ele próprio”. (Cap XIV)
  • “Onde estão os homens? A gente está um pouco só no deserto”. – “Entre os homens também”, disse a serpente.”(Cap XVII)
  • “Os homens? Não se pode nunca saber onde se encontram. O vento os leva. Eles não têm raízes. Eles não gostam das raízes”. (Cap XVIII)
  • “Que quer dizer ‘cativar’?” – “É uma coisa muito esquecida”, disse a raposa.” Significa criar laços…” (Cap XXI)
  • “A gente só conhece bem as coisas que cativou. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem loja de amigos, os homens não têm mais amigos”. (Cap XXI)
  • “Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz”. (Cap XXI)
  • “Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante”. (Cap XXI)
  • “Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”. (Cap XXI)
  • “Só as crianças sabem o que procuram. Perdem tempo com uma boneca de pano, e a boneca se torna muito importante, e choram quando a gente toma…” (Cap XXII)
  • “Mas os olhos são cegos. É preciso buscar com o coração…” (Cap XXII)

Livro: O pequeno príncipe
Autor: Antoine de Saint-Exupéry
Editora: Publicado por diversas editoras; o meu é da “Agir”
Páginas: 96

Mesmo após 77 anos de sua publicação, “O pequeno príncipe” continua atual e é lido em todo o mundo

Skoob ar Twitter: “10 frases de "O Pequeno Príncipe" -  https://t.co/xpDacfk48D… ”Júlia de Aquino
Instagram literário @juentreestantes

“É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas”

Antes de ler esse livro, eu me sentia a “Sra. Diferente” por nunca tê-lo lido. Por outro lado, quando terminei a leitura, me senti uma “Boba” (com B maiúsculo) por ter demorado tanto. Um verdadeiro tesouro em forma de livro! Profundo, sábio, doce e totalmente encantador.

Como eu fiz muitas anotações – praticamente uma a cada duas páginas – vou dedicar a publicação da semana que vem apenas para trechos marcantes que separei enquanto lia. Hoje, falo sobre considerações gerais dessa obra clássica.

ENREDO – Um piloto cai com seu avião no deserto e encontra uma criança loura, frágil e delicada, que diz ter vindo de um pequeno planeta distante dali.

A partir da convivência durante alguns dias, os dois repensam os seus valores, discutem diversos assuntos e encontram o sentido da vida.

ANO DE PUBLICAÇÃO – “O pequeno príncipe” foi publicado pela primeira vez em 1943. Mesmo tendo sido lançado há quase 80 anos, ainda é o segundo livro mais traduzido no mundo (depois da Bíblia). E isso diz muito sobre ele, certo?

O que será que ele traz para se manter tão atual e mexer com tantos leitores por todo o planeta? Essa era a questão que mais me intrigava antes de eu conhecer seu conteúdo. Após a leitura, contudo, descobri o motivo e o principal: compreendi esse “sucesso”.

É quase impossível colocarmos em palavras tudo o que pensamos e sentimos durante a essa leitura.

TEMAS DISCUTIDOS – Através de diálogos entre o principezinho e o piloto, o autor nos apresenta diversas questões que despertam reflexão e deixam lições preciosas.

Todos os diálogos e os trechos de narrativa nos fazem pensar em nossa infância, nossos ideais, nossas atitudes e as experiências durante toda nossa trajetória de vida. E, acima de tudo, nos faz pensar sobre amizade, acolhimento, coisas que valorizamos (principalmente as fúteis) e as relações que construímos com as pessoas e coisas durante a vida.

ATEMPORAL – Não é uma leitura para crianças. Mas nem só para adultos. É um livro atemporal que pode ser lido por pessoas de todas as idades.

Dependendo da idade e da experiência de casa um, as mensagens terão efeitos distintos, mas todas são tocantes!

A questão da mudança de nossa subjetividade ao longo dos anos tem muita relação com esse livro. Tanto é que muitos leitores que me acompanham no Ju Entre Estantes relataram que o leram quando eram mais novos e releram com uma idade mais avançada. O resultado foi unânime: todos tiveram uma visão diferente enquanto reliam.

Além disso, é um livro curto, o que facilita o manuseio e mesmo a leitura a qualquer tempo.

Uma obra sensível, surpreendente, às vezes triste, mas totalmente encantador!

E quem ainda não leu… Vale a pena começar hoje!

Livro: O pequeno príncipe
Autor: Antoine de Saint-Exupéry
Editora: Publicado por diversas editoras; o meu é da “Agir”
Páginas: 96

Numa narrativa surpreendente, “Amigos para a vida” trata sobre padrões sociais, bullying e amizade

Júlia de Aquino Instagram literário @juentreestantes

“Por que ser diferente tinha que ser tão doloroso? Por que era assim se todo mundo era diferente de uma maneira ou de outra?”

No início de 2020, fiz uma visita à Editora Valentina, em Copacabana. Depois de alguns momentos agradáveis de muita conversa sobre livros e algumas fotos (rs), perto de ir embora, a equipe me presenteou com um livro que eu não conhecia: Amigos para a vida.

Fiquei tão entusiasmada com a visita e a lembrança que comecei a ler no mesmo dia! E que surpresa agradável! Um livro ótimo, delicado e surpreendente.

A HISTÓRIA – Francis sofre bullying e não tem amigos. Se não está isolado na escola, fica trancado em seu sótão, costurando roupas para bonecas. Um dia, uma menina chamada Jessica senta ao seu lado. Quando Francis oferece seu chá, ela se assusta, pois é um fantasma e não é vista por ninguém desde que morreu. E assim começa toda a história…

SURPREENDENTE – Mais um livro para a coleção “grandes surpresas 2020”. Eu esperava X e foi Y vezes mil. Leitura transformadora! Trata de assuntos necessários e me emocionou muito. Para os mais emotivos, inclusive, é possível que a leitura deixe os olhos marejados em alguns momentos.

Quando lemos a sinopse, é possível acharmos um pouco “infantil”.  Apesar de a linguagem ser infanto-juvenil, o livro não é nada “bobo”. Pelo contrário: é maravilhoso! Bem escrito, divertido e com personagens marcantes e cativantes, que vivem situações que poderiam ser vividas por nós ou por pessoas que conhecemos.⠀⠀⠀⠀⠀

BULLYING – Apesar de sempre ter existido, o bullying começou a ser mais debatido e exposto a partir da década de 2000. O desenvolvimento de tantos meios de comunicação e da Internet foram um aliado importante na luta, e hoje ela está presente até em obras literárias, como é o caso de “Amigos para a vida”.

O protagonista Francis é o retrato do que acontece todo dia e não ficamos sabendo. O bullying existe e acaba com vidas, mas antes disso faz milhares de pessoas sofrerem caladas e carregarem diversos traumas. Francis, os outros personagens e todos os componentes da narrativa deixam o leitor pensando no quanto uma palavra amiga ou uma gentileza pode salvar alguém.

Olha eu entrando na Editora Valentina, em Copacabana….

INDICAÇÃO – É um livro que indico muito para pais de crianças ou pré-adolescentes, parentes e até jovens a partir de 12 anos. Na realidade, é um livro indicado para todos!

Além do bullying, trata sobre depressão, amizade e solidariedade. Ao fim da leitura, a vontade que temos é de tratar com mais delicadeza as pessoas, principalmente as que estão fora do padrão social (de beleza, peso, estética etc). A mensagem principal é: “não é ruim ser assim, esse é você, e você importa e faz toda a diferença!”.

Livro: Amigos para a vida
Autor: Andrew Norriss
Editora: Valentina
Páginas: 208

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ALGUNS TRECHOS

  • “A mãe de Francis sempre soube que o filho era diferente dos outros meninos”.
  • “(…) começou até a perceber que ter amigos que ficavam ao seu lado era uma das melhores coisas que poderia acontecer a alguém”.
  • “Talvez tenha sido a percepção de que alguém lhe dizendo que era gordo não tinha grande importância. Já não significava nada”.
  • “Por que ser diferente tinha que ser tão doloroso? Por que era assim se todo mundo era diferente de uma maneira ou de outra?”

Outubro Rosa: sem tabus, Daniella Zupo fala sobre sua cura do câncer de mama em seu livro

Amanhã hoje é ontem | Editora RamalheteJúlia de Aquino
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“O nascer do sol não dura a manhã toda. Um céu carregado de nuvens não dura o dia todo. Tudo vai passar”

A campanha anual Outubro Rosa define este mês como chave na prevenção e combate ao câncer de mama. Pessoas, empresas e diversas instituições unem esforços para prevenir e combater o câncer de mama, doença que pode aparecer tanto em mulheres como homens, ainda que seja raro nestes.

No entanto, ainda é comum o assunto ser tratado como tabu e talvez seja por isso que ele não apareça com frequência na Literatura.

Mas o livro “Amanhã hoje é ontem”, de Daniella Zupo, tratou de quebrar tanto o silêncio como o tabu que envolvem a temática.

O LIVRO E A AUTORA – Aos 42 anos, o diagnóstico de câncer de mama mudou a vida de Daniella. O livro foi lançado dois anos após sua cura, e é através dele que ela expõe relatos sobre momentos que viveu e faz diversas reflexões sobre questões da vida.

A LEITURA – Li no início de 2020, e foi uma leitura prazerosa, que me fez refletir muito sobre o modo como vemos a vida e as coisas “negativas” que acontecem conosco. É muito bacana – e importante – ver a autora transformando essa experiência difícil em arte e passando isso para nós, leitores.

Além de ser muito inspiradora, é uma leitura curta, fluida e rápida, que pode ser feita em um único dia. A diagramação e estética do livro também é linda, com algumas ilustrações ao longo das páginas.

FALTA DE CABELO – As partes que mais me tocaram foram as que ela conta sobre a falta de cabelo e do sentimento de estar em público (no início). É incrível pensar como algo estético afeta tanto a nós, seres humanos. E no final das contas isso só acontece porque automaticamente nosso foco vai para o que os outros vão pensar da nossa imagem (o último trecho do livro, citado no final do post, fala sobre isso).

Nesse sentido, uma das passagens mais emocionantes do livro é no capítulo em que ela conta que tirou o chapéu numa praia pela primeira vez e se sentiu livre – uma liberdade diferente de qualquer outra que já tenhamos vivenciado.

SUPERAÇÃO – É um livro excelente para quem gosta ou precise ler sobre casos de “superação”. Foi maravilhoso ler sobre a experiência da autora e ver como ela saiu fortalecida disso.

Em breve o livro será lançado em formato audiobook. Mais informações sobre a obra e os formatos do livro no perfil da autora no Instagram: @daniellazupo

DADOS E INSTITUIÇÕES – A maioria dos cânceres de mama é descoberta pelas próprias mulheres. Esse dado do INCA mostra a importância de se prevenir, fazendo o autoexame e a mamografia (exame para mulheres entre 50 e 69 anos).

Para saber mais informações sobre o câncer de mama, como se prevenir e como ajudar a causa, visite o site de instituições que atuam nessa área. Algumas delas são:

Livro: Amanhã hoje é ontem
Autora: Daniella Zupo
Editora: Ramalhete
Páginas: 136

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ALGUNS TRECHOS

  • “Meu psicanalista sempre me alertava: ‘você não está doente; está enfrentando uma doença’”.
  • “Estamos confundindo autoimagem com autoestima. São tempos em que tudo que não somos cabe numa selfie”.
  • “Lenços, perucas, chapéus… usá-los não é o problema, se isto te fizer se sentir melhor. Mas o problema é que, quase sempre, o que fazemos é esconder uma cabeça sem cabelos por receio do duro olhar do outro”.
  • “O nascer do sol não dura a manhã toda. Um céu carregado de nuvens não dura o dia todo. Tudo vai passar”.

Clássico do terror, “O exorcista” é uma boa escolha para quem quer se aventurar no gênero

O Exorcista - Limão Mecânico

“O Exorxista” é uma leitura realmente instigante

Júlia de Aquino
Instagram literário @juentreestantes

“Ela se erguia cerca de trinta centímetros e caía na cama, como se mãos invisíveis a estivessem levantando e derrubando”

Posso dizer que “O exorcista” foi o primeiro livro de terror “de verdade” que li na vida. Histórias de suspenses, crimes e mistério são comuns em nossa estrada literária, mas acabamos deixando de lado as obras clássicas de Terror, aquelas com milhares de elementos voltados exclusivamente para passar ao leitor medo e perplexidade, deixando-o, literalmente, aterrorizado.

A HISTÓRIA – O livro conta a trajetória de Chris MacNeil, uma atriz e mãe que está filmando em Georgetown e sofre com as inesperadas mudanças de comportamento de sua filha de 11 anos, Regan.

Quando a ciência não consegue descobrir o que há de errado com a menina, Chris busca a ajuda da Igreja local. No que parece ser um raro caso de possessão demoníaca, uma nova personalidade parece surgir em Regan a cada dia que passa. Cabe a Damien Karras, um padre da universidade de Georgetown, salvar a alma de Regan, enquanto tenta restabelecer sua fé, abalada desde a morte de sua mãe.

ESCRITA IMPECÁVEL – Apesar de já ser uma história conhecida, principalmente devido à adaptação de 1973 para os Cinemas, trata-se de um livro que vale a pena ser lido. E os motivos são vários.

Toda a trama é muito bem construída e descrita de forma clara e nada prolixa. Uma das partes que mais se destacam são os capítulos referentes à fase de pesquisa em que o Padre Karras está investigando o assunto do Exorcismo, para identificar a possível cura de Regan (a protagonista mirim).

Durante esse período da narrativa, somos transportados ao pequeno quarto do padre, mas, principalmente, nos sentimos dentro de seus pensamentos, de seus livros e manuscritos para pesquisa. E mesmo esses trechos “acadêmicos” não são cansativos.

MEDO? – A obra nos transmite toda a tensão da mãe desesperada com o comportamento de sua filha; a perversidade da menina e suas atitudes desumanas; todo o sofrimento de ambas e o novo clima atormentado do lar que antes fora tão feliz. Como “medo” é algo relativo, não é possível afirmar que tal sentimento será despertado (mas todos os outros citados acima, com certeza serão).

Aflição, talvez, mas não aquele tipo medo que projetamos para esse leituras como essa. Acima de tudo, a curiosidade do leitor é aguçada a cada acontecimento, e as páginas vão passando até nos depararmos com a reta final da obra (“mas já?”).

Por tudo isso, recomendo a leitura pra quem quer tentar algo nesse estilo e não deixa de lado uma boa escrita e diálogos que prendam a atenção.

Livro: O exorcista
Autor: William Peter Blatty
Editora: HarperCollins Brasil
Páginas: 330

###ALGUNS TRECHOS

  • “A coisa que vi naquele quarto não era Regan”.
  • “Está claro, pelo menos para mim, que o demônio sabe em que ponto tocar. Ah, sim, ele sabe”.
  • “Mas se todo o mal do mundo faz a senhora pensar que pode existir um diabo, como explica todo o bem do mundo?”
  • “Ela se erguia cerca de trinta centímetros e caía na cama, como se mãos invisíveis a estivessem levantando e derrubando”.

“A estrela de prata”, primeira ficção de Jeannette Walls, aborda negligência parental e não decepciona

Júlia de Aquino
Instagram literário @juentreestantes

“Perguntar por que você sobreviveu não te ajuda a sobreviver”

Quem já leu publicações minhas mais antigas ou acompanha o Ju Entre Estantes no Instagram sabe da minha admiração pela autora Jeannette Walls (mais conhecida pelo livro “O castelo de vidro”, que virou filme em 2017).

“A estrela de prata” é seu terceiro livro e o primeiro romance, mas tem alguns aspectos semelhantes com “O castelo de vidro” e “Cavalos partidos”. O primeiro, o mais conhecido, é sua autobiografia; já o segundo conta a história de sua avó – e o ponto alto é que é escrito em primeira pessoa, como se fosse a própria contando.

 Dos três, o único que ainda não tinha lido era essa ficção sobre as irmãs Bean e Liz. Apesar de não ter se tornado um de meus favoritos dela é uma história que vale a pena ser lida.

A HISTÓRIA EM POUCAS LINHAS – Em 1970, duas irmãs de pais diferentes e ausentes, Bean e Liz, estão prestes a começarem uma jornada sozinhas, quando se veem temporariamente abandonadas pela mãe. Isso as leva à terra natal de sua família, onde vão descobrir histórias do passado da mãe e enfrentar muitos desafios e inimigos sem rosto, como a crueldade, o preconceito e a hipocrisia. 

FRASES CURTAS – Como sempre, a escrita de Walls é impecável. Capítulos rápidos, diálogos envolventes e personagens cativantes – e outros detestáveis – tornam a leitura uma experiência agradável. Mas, além disso tudo, o maior destaque em seus livros são as frases curtas.

Escrevendo dessa forma, ela presenteia o leitor com clareza e objetividade, sem fugir de detalhamentos necessários. Assim, mesmo se tratando de um drama, a leitura não é densa ou cansativa e os diálogos e acontecimentos deixam a trama dinâmica e, quando percebemos, já estamos terminando de ler.

Tal característica é marca registrada da autora, e pode ser conferida nos outros dois livros também – por sinal, ambos excelentes! (falarei deles ao final do texto).

CONTEXTO HISTÓRICO – O ano é 1970 e os Estados Unidos estão em conflito com o Vietnã e finalizando o processo de integração racial.

Os cenários e o contexto são muito bem descritos e, junto às irmãs, mergulhamos nas tensões da integração de brancos e negros numa cidade do interior dos EUA (todas elas presenciadas por Bean e Liz).

Discussões acaloradas entre moradores, brigas de alunos no colégio local e muitas outras situações mostram o comportamento de alguns cidadãos após as leis dos Direitos Civis (de 1964) e do Direito ao Voto (de 1967) encerrarem a segregação institucionalizada, garantindo direitos iguais sem discriminação baseada em raça.

Ao longo de tantos acontecimentos sociais e pessoais, as duas personagens principais se tornam muito queridas para quem lê, e acabamos compreendendo seus sentimentos e torcendo para que consigam superar tanso obstáculos e decepções.

COMPARAÇÃO INEVITÁVEL – Como eu já tinha lido “O castelo de vidro” e “Cavalos partidos”, no início foi difícil não fazer comparações com ambos e principalmente com o primeiro. Isso porque, conforme comentado em tópicos anteriores, trata-se de sua autobiografia, e tem tudo a ver com abandono materno e negligência durante a infância. É um livro fantástico, que também recomendo muito!

De modo geral, a “A estrela de prata” vale a pena ser lido, principalmente para quem quer ou precisa de uma leitura fluida. Este, contudo, não chega aos pés da intensidade de “Castelo de vidro” e “Cavalos partidos”.

Concluindo, acredito ser realmente impossível não se encantar com as obras da autora, então será inevitável ler os três livros!

Livro: A estrela de prata
Autora: Jeannette Walls
Editora: Globo Livros
Páginas: 256

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ALGUNS TRECHOS

– “Mamãe sempre falava que o segredo do processo criativo era encontrar a magia. Isso, ela dizia, era o que você tinha que fazer na vida. Encontrar a magia”.

– “Nós três éramos tudo de que precisávamos, mamãe dizia. Mas isso não a impedia de sair”.

– “Verdade seja dita: mamãe tinha um temperamento daqueles e era dada a ataques quando as coisas saíam de seu controle. As crises costumavam passar rapidamente, e então continuávamos nossa vida como se nada tivesse acontecido”.

– “Acho que mamãe acredita nisso, o que não quer dizer que seja verdade. Talvez ela só precisasse de alguém para culpar pela maneira como tudo deu errado”.

– “Perguntar por que você sobreviveu não te ajuda a sobreviver”

– “Então se comporte como uma mãe, para variar. A gente não estaria nessa enrascada se você tivesse agido como uma mãe desde o princípio”.

– “Vai dar tudo certo. Quer que eu vá com você?”

– “Você viria?”

– Claro, sua maluca. Estamos juntas nisso”.

– “A maior parte das vezes que uma pessoa pede conselho, ela já sabe o que deve fazer. Ela só quer ouvir outra pessoa dizendo o que ela já sabe”.

– Então, ela se virou para me abraçar. Fiquei surpresa com a raiva que eu estava sentindo dela. “Onde você esteve esse tempo todo?”, eu queria perguntar. Mas não falei nada e a abracei também.