Alta fantasia! Livros de George Martin, que inspiraram a série “Guerra dos Tronos”, são imperdíveis

George R. R. Martin: conheça 6 obras escritas pelo pai da saga As Crônicas de Gelo e Fogo - DeUmZoom

George Martin promete mais dois livros para completar a série

Júlia de Aquino
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Na última década, o nome “George Martin” se tornou mais forte e conhecido, tanto no país como em todo o mundo. E muito desse sucesso tem origem na série da HBO, Guerra dos Tronos, lançada em 2011.

E apesar de muitos saberem que ele é um autor consagrado, ainda há pessoas que não sabem que a série nasceu de uma coleção de livros cujo nome NÃO É “Guerra dos Tronos”. A obra de Martin que originou a produção da HBO foram os livros das “Crônicas de Gelo e Fogo”, até o momento com cinco títulos.

O nome “Guerra dos Tronos” é o título do livro 1 da série, cuja publicação foi em 1996. Inicialmente, seria uma trilogia, mas o autor decidiu fazer cinco livros. Porém, há alguns anos todos ficamos sabendo que serão sete livros e os dois últimos ainda não têm previsão para serem lançados.

AS CRÔNICAS DE GELO E FOGO – George Martin começou a desenvolver a série de alta fantasia em 1991, e apesar de parecer uma trama “confusa” e complexa, as premissas são bem claras.

De forma resumida, três situações principais norteiam toda a série e fatos:

  • Uma guerra civil entre várias famílias dinásticas poderosas pelo controle dos Sete Reinos de Westeros e do Trono de Ferro;
  • A ameaça crescente das criaturas sobrenaturais conhecidas como os Outros, que habitam além da Muralha de gelo que fica ao Norte.
  • A ambição de Daenerys Targaryen, a filha exilada de um rei louco deposto 15 anos antes em outra guerra civil, prestes a voltar e reivindicar seu trono por direito.

PERSONAGENS – É unanimidade global que os personagens são perfeitamente construídos, um dos principais elementos que fizeram a fama da série. Desde o início, nos envolvemos com todos eles, sejam bons, maus, divertidos ou com postura séria.

Até mesmo o conceito de maldade e bondade é colocado em xeque. De maneira geral, cada um deles é tão complexo que fica impossível rotulá-los com apenas uma definição. Todos são seres humanos, com falhas, acertos, senso estratégico e ganância (o que muda em cada um é “nível” dessas e de outras tantas características).

A parte “triste” da série, que deixam os fãs inconsoláveis, é o fato de que não é recomendado que nos apeguemos a nenhum personagem, pois o autor não se importa muito com isso. George Martin não hesita em matar alguém, seja figura querida ou odiada. Ler “As crônicas de gelo e fogo” é vivenciar a frase “qualquer um pode morrer a qualquer momento”

ORDEM DOS LIVROS – Como citado acima, até hoje cinco livros foram publicados. O sexto livro é esperado há dez anos (!!!) pelos fãs, mas de acordo com Martin ele saíra em 2021, uma vez que o isolamento permitiu que ele se dedicasse mais a essa continuação.

Até 2019, a editora responsável pelas publicações era a LeYa, mas desde então a Suma tem os direitos da série no Brasil. E a ordem dos livros é:

LIVRO 1: A Guerra dos Tronos;
LIVRO 2: A fúria dos reis.
LIVRO 3: A tormenta de espadas;
LIVRO 4: O festim dos corvos;
LIVRO 5: A dança dos dragões;
LIVRO 6: Os Ventos do Inverno (previsto para 2021, mas sem confirmação);
LIVRO 7: Um Sonho de Primavera (sem previsão).

SÉRIE DA HBO – A atração, chamada “Game of Thrones” em inglês estreou originalmente em abril de 2011 e terminou na oitava temporada, em 2019.

Para a primeira, o orçamento estimado foi entre cinquenta e sessenta milhões de dólares, apenas para dez episódios. Hoje, acredita-se que seja a série mais cara da história.

O autor foi um dos roteiristas no início, mas a partir da quarta temporada saiu do time da produção. As últimas temporadas são muito criticadas por desviarem da trama original e apresentarem acontecimentos inconcebíveis nas histórias dos livros.

LEITURA INDICADA – Pessoalmente, tinha muito “pré-conceito literário” com essa série, e comecei a ler apenas “para falar mal”. No entanto, desde o primeiro livro me apaixonei, e atualmente sou mais uma fã à espera da tão sonhada continuação. Leitura que recomendo muito!

E a dica que eu dou é: não temam o tamanho dos livros ou a escrita prolixa de George Martin. É uma obra genial, atemporal, que merece ser lida por todos (mulheres, homens, jovens, idosos e até papagaios e baratas)!

Dono de um estilo de escrita único, José Saramago é um intelectual que faz muita falta

Blog do Luiz Santos: Frase inspiradora. | Palavras, Frases inspiradoras, FrasesJúlia de Aquino
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Há 98 anos nascia José Saramago, um dos maiores nomes da Literatura Portuguesa contemporânea. O autor é um dos mais importantes nomes da Literatura Contemporânea e marcou a escrita do século XX através de seu olhar crítico e sua escrita fora do comum.

A publicação de hoje é sobre ele, com um resumo sobre sua vida, obra, polêmicas e algumas curiosidades a respeito de sua carreira e modo de pensar.

VIDA E HISTÓRIA – José Saramago nasceu numa família de camponeses em Azinhaga, ao sul de Portugal, em 1922.

Iniciou sua carreira de escritor em 1947, com o livro “Terra do Pecado”. Nos anos 1960, já atuando como crítico literário e jornalista, começa a escrever no jornal Diário de Notícias e a partir de 1975, passa a viver de Literatura, primeiro como tradutor, em seguida, como autor.

Faleceu em 2010, devido a uma leucemia crônica, aos 87 anos.

ESCRITA – Saramago criou um dos universos literários mais sólidos do século XX, unindo a escrita à crítica social, denunciando injustiças e se pronunciando sobre conflitos políticos de sua época.

Nesse aspecto, o ponto mais notável de Saramago é sua peculiar maneira de pontuar suas frases, com poucos pontos finais e uso constante de vírgulas. Os diálogos também raramente possuem travessão.

Além de ter desenvolvido um estilo único, reconhecido em todo o mundo, através da escrita ele cria uma cumplicidade com o leitor, confirmada pelo público e exaltada pela crítica.

LAUREADO – Dentre os expressivos prêmios que recebeu, os principais foram o Prêmio Camões (1995) e o Prêmio Nobel de Literatura (1998).

O primeiro deles, Camões, é distinção máxima oferecida aos escritores de língua portuguesa. Em relação ao Nobel, foi o primeiro da Literatura concedido a um escritor de língua portuguesa.

Apesar da honra e do reconhecimento ao seu trabalho, as premiações não agradaram algumas instituições. Um exemplo é a Igreja Católica, que não concordava com a posição política de Saramago e suas críticas sociais. À época, foi publicado no diário do Vaticano (“Osservatore Romano”) o seguinte comentário: “Saramago é, ideologicamente, um comunista inveterado”.

5 CURIOSIDADES – Alguns fatos curiosos – e polêmicos – também fazem parte da história de Saramago. Veja alguns deles:

1) A obra mais polêmica é “O evangelho segundo Jesus Cristo”, pois trata a figura de Jesus de forma controversa. A obra originou diversas discussões morais e até políticas. Por causa ds repercussão, foi para o exílio em 1992, quando se mudou de Portugal para as Ilhas Canárias (Espanha), onde morou até o fim da vida.

2) Saramago, antes de emplacar na carreira de escritor, trabalhou como serralheiro mecânico durante muito tempo.

3) Seu primeiro livro foi publicado quanto tinha 25 anos.

4) Na década de 1960, ele quase emigrou para o Brasil.

5) Costumava falar bastante do tema “morte”, e dizia que não a temia, mas que lamentava o “não comparecimento no futuro”.

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PRINCIPAIS LIVROS

“O Evangelho segundo Jesus Cristo”: Menos interessado na onipotência do divino que na frágil mas tenaz resistência do humano, Saramago reconta de forma irônica e crítica uma das histórias mais conhecidas no ocidente, dotando- a de corpo, cheiro, sensações, ambiguidades e novos significados recônditos.

“Ensaio sobre a cegueira”: Uma terrível “treva branca” vai deixando cegos, um a um, os habitantes de uma cidade. Com essa fantasia aterradora, Saramago nos obriga fechar os olhos e ver. Recuperar a lucidez, resgatar o afeto: essas são as tarefas do escritor e de cada leitor, diante da pressão dos tempos e do que se perdeu.

Um motorista parado no sinal se descobre subitamente cego. É o primeiro caso de uma “treva branca” que logo se espalha incontrolavelmente. Resguardados em quarentena, os cegos se perceberão reduzidos à essência humana, numa verdadeira viagem às trevas.

“A jangada de pedra”: Racham-se os Pirineus, a Península Ibérica se desgarra da Europa. Transformada em ilha – Jangada -, navega à deriva pelo oceano Atlântico. A esse espetacular acidente geológico somam-se outros insólitos que unem os quatro personagens principais do romance numa viagem apocalíptica e utópica pelos caminhos da linguagem e, por meio dela, pelos da arte e da cultura peninsulares. A ínsula ibérica vagueia ao acaso de um mar tecido de muitos mitos e história.

“A viagem do elefante”: Em 1551, o rei português dom João III, e sua mulher, Catarina d’Áustria, decidiram oferecer um presente inusitado ao arquiduque Maximiliano II, por seu casamento com a filha do imperador Carlos V: um elefante.

Aqui, a história real do mamífero que saiu de Goa, passou por Portugal, Espanha, Itália, atravessou os Alpes para enfim chegar na Áustria ganha ares de fábula nas mãos de José Saramago.

“As Intermitências da Morte”: Apesar da fatalidade, a morte também tem seus caprichos. Cansada de ser detestada pela humanidade, a ossuda resolve suspender suas atividades. De repente, num certo país fabuloso, as pessoas simplesmente param de morrer.

E o que no início provoca um verdadeiro clamor patriótico logo se revela um grave problema. Idosos e doentes agonizam em seus leitos sem poder “passar desta para melhor”. Os empresários do serviço funerário se veem brutalmente desprovidos da sua matéria-prima. Hospitais e asilos geriátricos enfrentam uma superlotação crônica, que não para de aumentar.

O negócio das companhias de seguros entra em crise. O primeiro-ministro não sabe o que fazer, enquanto o cardeal se desconsola, porque “sem morte não há ressurreição, e sem ressurreição não há igreja”.

Um por um, ficam expostos os vínculos que ligam o Estado, as religiões e o cotidiano à mortalidade comum de todos os cidadãos. Mas, na sua intermitência, a morte pode a qualquer momento retomar os afazeres de sempre. Então, o que vai ser da nação já habituada ao caos da vida eterna?

Livro reúne histórias desconhecidas e versões corretas sobre fatos da Segunda Guerra Mundial

LIVRO A HISTORIA POR TRAS DA HISTORIA: RELATOS DA 2ª GUERRA MUNDIAL - 1ªED.(2020)Júlia de Aquino
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Segunda Guerra Mundial é um tema histórico muito explorado na Literatura Mundial. Diversas obras tem o conflito como pano de fundo ou analisam os acontecimentos, envolvimento dos países e consequências para o mundo.

Ao longo de minha trajetória literária, li poucos livros sobre a II Guerra, mas minha “volta ao tema” não poderia ter sido melhor! “A história por trás da História” aguçou minha curiosidade em relação ao assunto e trouxe diversas informações desconhecidas e muito interessantes!

Muitos podem pensar que o autor é um historiador, militar ou um jornalista, e o primeiro fato curioso em relação ao livro envolve seu autor, porque ele é médico.

O AUTOR – Marcelo Lacativa é um cirurgião apaixonado pelo tema da II Guerra Mundial, principalmente pela Batalha de Stalingrado.

Entre seu trabalho e viagens profissionais, sempre consegue um tempo para se dedicar a esse hobby, e já tem outro livro sobre o assunto publicado pela Editora Rocco. “Sob As Cinzas De Stalingrado”, publicado em 2008, foi sua primeira obra, e nasceu após quatro anos de pesquisa sobre o conflito que dá nome ao livro.

O LIVRO – Reproduzo aqui a descrição que publiquei no meu perfil Ju Entre Estantes, que resume de forma “didática” o conteúdo do livro:

Ao longo da vida, ouvimos diversas histórias sobre a 2ª Guerra Mundial que não aconteceram exatamente da forma como aprendemos… Esse é objetivo de “A história por trás da História”: esclarecer alguns fatos, mostrando como na realidade aconteceram, e apresentar outros tantos acontecimentos.

IMAGENS – Sem dúvida, um dos pontos que mais chamam atenção mesmo antes de começar a leitura é a quantidade de fotos que o livro traz. Todos os capítulos têm imagens reais que ilustram o fato ali contado.

Além de ilustrar a história contada naquele trecho, as fotos nos instigam a pesquisar mais detalhes em alguns momentos – houve trechos cuja leitura emendei com uma rápida pesquisa no Google para ver mais imagens. Raros foram os livros que despertaram meu interesse nesse sentido.

ESTILO  – Outro ponto positivo são os capítulos curtos. Cada um mostra uma história, e eles têm, em média, 3 ou 4 páginas. Além disso, a escrita do autor não é tão formal, diferente da maioria dos livros de História. Isso facilita nossa compreensão e faz com que o leitor se sinta mais “próximo”; do que está sendo contado. Também evita a densidade comum em livros do tema, e faz com que não fiquemos “cansados” durante a leitura.

PAPEL DAS MULHERES – Antes de teminar a leitura dessa publicação, pare por um minuto e foque nessa seguinte questão: pense em um fato marcante da Segunda Guerra Mundial envolvendo mulheres, ou algum em que elas tenham sido protagonistas.

Difícil pensar, né? Ao longo de nossos anos de escola e aprendizado, não ouvimos falar do papel da mulherada no conflito. A máxima de que “na época as mulheres tinham que ficar em casa com os filhos, enquanto seus maridos iam para a guerra” não é falsa, mas não é completamente verdadeira.

As mulheres foram essenciais durante a Segunda Guerra Mundial, e não só em ambulâncias e enfermarias – como também aprendemos. Apesar serem “esquecidas” por décadas de História, diversas equipes 100% femininas foram decisivas na Guerra. Lacativa, contudo, não as esqueceu: o livro traz muitas informações e conquistas delas, e conta detalhes específicos e excelentes.

Leitura que vale muito a pena!

Livro: A História por trás da história
Autor: Marcelo Lacativa
Editora: Livros Ilimitados
Páginas: 244

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CAPÍTULOS FAVORITOS

  • O paraquedista da torre da igreja: conta como um americano ficou pendurado por horas por seu paraquedas, e acabou sendo resgatado pelos inimigos alemães.
  • As bruxas da noite: história sobre um esquadrão de pilotos formado apenas por mulheres que atacavam à noite
  • Códigos de guerra: mostra os códigos impossíveis utilizados pelos países para se comunicarem, além de contar as inúmeras tentativas para quebrar os códigos inimigos.
  • O velho e o mar: narra e explica a quase-participação do escritor Hemingway na guerra e conta como sua mulher atuou no combate. (Por sua obra “Adeus às armas”, muito é dito de sua relação com a Primeira Guerra, mas nada é mencionado sobre ele e o segundo conflito).

Roteiro bem construído e grandes nomes do Vale do Silício fazem o sucesso de “O dilema das redes”

Júlia de Aquino
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“Nada grandioso entra na vida dos mortais sem uma maldição”

É com essa frase de Sófocles que tem início o documentário “O dilema das redes”, um dos mais vistos na Netflix no mês de outubro. Como vivemos no mundo das redes sociais todos os dias, achei válido trazer minha percepção sobre a produção para o blog, com dicas de livro no final, claro! Muitos professores e amigos já tinham indicado, e após assistir entendi o porquê de ser tão marcante.

SINOPSE DO DOCUMENTÁRIO – O Dilema das Redes mostra ao público como os “magos da tecnologia” possuem o controle sobre a maneira que pensamos, agimos e vivemos. Através de depoimentos de frequentadores do Vale do Silício, a produção revela como as plataformas de mídias sociais estão reprogramando a sociedade e sua forma de enxergar a vida. (Fonte da sinopse: Adoro Cinema)

PONTOS PRINCIPAIS – De forma resumida, o documentário aborda pontos interessantes de serem pensados e, acima de tudo, repensados por todos nós enquanto sociedade e consumidores de conteúdo.

Alguns temas discutidos são:

  • Informação e desinformação
  • Fake News
  • Vício em redes sociais
  • Publicidade e monetização dos espaços
  • Relacionamentos interpessoais prejudicados pela tecnologia
  • Uso de dados de usuários

CONSTRUÇÃO DO ROTEIRO – Enquanto vê diversos depoimentos de profissionais do Vale do Silício, o espectador acompanha a rotina de uma família composta por quatro pessoas, com foco em um dos filhos jovens do casal. Essa mesclagem ficou interessante, porque a partir do comportamento desse jovem viciado em celular, eles mostram de forma didática como funciona

o algoritmo das redes.

Numa cabine de controle, reproduzindo algo parecido com o que ocorre no filme “Divertida mente”, da Disney, quatro sujeitos representam o sistema do algoritmo e observam o comportamento do jovem. Dependendo de sua atividade no celular e na Internet, essa “equipe” escolhe o tipo de conteúdo e de notificação que aparecerá nos feeds e dispositivos desse usuário.

Muito além de construir uma narrativa, os roteiristas utilizaram essa ferramenta para passar a seguinte mensagem: nós não temos controle sobre o tipo de conteúdo que recebemos.

IMPOTÊNCIA – Esse fato é o que guia todas as falas e fatos mostrados no documentário – nossa total impotência diante do que consumimos nas redes sociais.

O ponto defendido é que o algoritmo é criado e pensado por humanos contratados pela Indústria para fazer as pessoas passarem o maior tempo possível nas redes sociais, em seus e-mails e conectados em seus dispositivos (celulares, tablets, computadores). Desse modo, eles podem monetizar aquele espaço, vendendo a atenção do usuário para milhares de marcas.

Afinal, as marcas querem – e precisam – estar onde as pessoas estão. E, atualmente, esse lugar são as redes sociais. Em diversos momentos os entrevistados repetem que o objetivo das redes sociais é “vender” a atenção das pessoas. Elas nos mantêm conectadas como se fôssemos visitas que não vão embora e que são estimuladas a não irem. E lucram com essa nossa longa visita.

O PROBLEMA PRINCIPAL – Desde o início, uma voz pergunta aos executivos que dão seus depoimentos: “Então, qual é o problema?”. Eles hesitam ao tentar responder, e analisam o X da questão ao longo dos minutos do documentário.

Como já foi dito, são muitos os problemas relacionados às redes, e todos possuem a mesma raiz: o modelo de negócio das empresas.

Facebook, Twitter, Tik Tok, Snapchat, Google… Elas não são apenas marcas e organizações: elas são um mercado. Um mercado que movimenta trilhões de dólares e aprende cada vez mais de que maneira seus usuários pensam, agem, consomem e, acima de tudo, como tomam decisões.

TOM ALARMISTA – Apesar de ter um roteiro consistente e apresentar dados e reflexões interessantes, o espectador deve começar a assistir já esperando toques de sensacionalismo o tempo todo.

O tom alarmista está nas falas dos entrevistados, nas projeções feitas por eles e mesmo no destino dos personagens da família comentada acima. Esse clima pessimista se mantém até o final, quando a conclusão apresentada é a de que o futuro da nossa sociedade seria uma guerra civil (provocada por anos de desinformação consumida nas redes).

QUATRO LIÇÕES – O que, então, aprendemos com o documentário?

  1. É essencial controlar nosso tempo nas redes sociais para não nos tornamos “reféns”.
  2. Devemos sempre verificar a veracidade de notícias e informações antes de compartilhá-las ou toma-las como verdadeiras.
  3. Tirar alguns momentos do dia para se desconectar completamente, principalmente durante as refeições em família
  4. Não aceitar sugestões do algoritmo, pois ele “aprende” quando concordamos com ele. Um exemplo: se você quer ouvir uma música e, ao abrir o Youtube, o algoritmo te mostra como “sugestão de música”, o ideal é não clicar na sugestão, mas ir na caixa de busca e pesquisar o nome da música manualmente.

DICAS DE LIVRO – Como não poderia faltar, vou indicar dois livros que têm muita relação com o tema do documentário. Embora não abordem especificamente as mesmas questões, ambos têm o mundo das redes sociais como pano de fundo e premissa.

# DICA 1

O clique de um bilhão de dólares – A incrível história do brasileiro Mike Krieger, fundador do Instagram

Autor: Filipe Vilicic
Editora: Intrínseca
Ano: 2015
Páginas: 240

# DICA 2

O inverno da nossa desconexão
Autora: Susan Maushart
Editora: Paz e Terra
Ano: 2011
Páginas: 312

# Algumas frases do documentário:

  • “Não é que a tecnologia em si seja uma ameaça existencial. É a capacidade da tecnologia de trazer à tona o pior da sociedade. E o pior da sociedade é uma ameaça existencial”;.
  • “Se você não está pagando pelo produto, então você é o produto”.
  • “Qualquer tecnologia avançada, é indistinguível da mágica”.
  • “O modelo de negócios de empresas desse tipo é manter as pessoas vidradas na tela”.
  • “Nós não pagamos pelos produtos que usamos, os publicitários pagam. Eles são os clientes. Nós somos a coisa que está sendo vendida”.
  • “Cada ação que você realiza nas redes sociais é cuidadosamente monitorada e registrada”.

Documentário: O Dilema das Redes (The Social Dilemma)
Ano: 2020
Produção: Netflix
Duração: 89 minutos
Direção: Jeff Orlowski
Roteiro: Jeff Orlowski, Davis Coombe, Vickie Curtis

 

Trechos marcantes da obra de Saint-Exupéry acompanham gerações desde sua publicação, em 1943

Júlia de Aquino
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Na semana passada, na publicação sobre o livro “O Pequeno Príncipe” , eu comentei que faria esse segundo post, agora com diversos trechos que marquei enquanto lia o livro.

Resenha: O Pequeno Príncipe – Preciso Ler LivrosÉ realmente incrível o poder dessas frases, principalmente se considerarmos que foram escritas há quase 80 anos – e, ainda assim, parecem se encaixar perfeitamente com as duas décadas do século XXI!

LEITURA RÁPIDA – Só é possível viver a “experiência completa” lendo todo o livro, até porque é uma leitura rápida (que pode ser feita em uma ou duas horas). Essas passagens que selecionei já mostram a preciosidade dessa obra! Também coloquei as referências dos capítulos, caso queiram consultar uma parte específica do livro. Vejam:

  • “Assim eu comecei a compreender, pouco a pouco, meu pequeno principezinho, a tua vidinha melancólica. Muito tempo não tiveste outra distração que a doçura do pôr-do-sol”. (Cap VI)
  • “Quando a gente está triste demais, gosta do pôr-do-sol”. (Cap VI)
  • “Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões e milhões de estrelas, isso basta para que seja feliz quando a contempla”. (Cap VII)
  • “É tão misterioso o país das lágrimas!” (Cap VII)
  • “É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas”. (Cap IX)
  • “É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar”. (Cap X)
  • “É bem mais difícil julgar a si mesmo que julgar os outros. Se consegues julgar-te bem, eis um verdadeiro sábio”. (Cap X)
  • “As pessoas grandes são decididamente muito bizarras”. (Cap XI)
  • “Esse é o único que não me parece ridículo. Talvez porque é o único que se ocupa de outra coisa que não seja ele próprio”. (Cap XIV)
  • “Onde estão os homens? A gente está um pouco só no deserto”. – “Entre os homens também”, disse a serpente.”(Cap XVII)
  • “Os homens? Não se pode nunca saber onde se encontram. O vento os leva. Eles não têm raízes. Eles não gostam das raízes”. (Cap XVIII)
  • “Que quer dizer ‘cativar’?” – “É uma coisa muito esquecida”, disse a raposa.” Significa criar laços…” (Cap XXI)
  • “A gente só conhece bem as coisas que cativou. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem loja de amigos, os homens não têm mais amigos”. (Cap XXI)
  • “Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz”. (Cap XXI)
  • “Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante”. (Cap XXI)
  • “Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”. (Cap XXI)
  • “Só as crianças sabem o que procuram. Perdem tempo com uma boneca de pano, e a boneca se torna muito importante, e choram quando a gente toma…” (Cap XXII)
  • “Mas os olhos são cegos. É preciso buscar com o coração…” (Cap XXII)

Livro: O pequeno príncipe
Autor: Antoine de Saint-Exupéry
Editora: Publicado por diversas editoras; o meu é da “Agir”
Páginas: 96

Mesmo após 77 anos de sua publicação, “O pequeno príncipe” continua atual e é lido em todo o mundo

Skoob ar Twitter: “10 frases de "O Pequeno Príncipe" -  https://t.co/xpDacfk48D… ”Júlia de Aquino
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“É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas”

Antes de ler esse livro, eu me sentia a “Sra. Diferente” por nunca tê-lo lido. Por outro lado, quando terminei a leitura, me senti uma “Boba” (com B maiúsculo) por ter demorado tanto. Um verdadeiro tesouro em forma de livro! Profundo, sábio, doce e totalmente encantador.

Como eu fiz muitas anotações – praticamente uma a cada duas páginas – vou dedicar a publicação da semana que vem apenas para trechos marcantes que separei enquanto lia. Hoje, falo sobre considerações gerais dessa obra clássica.

ENREDO – Um piloto cai com seu avião no deserto e encontra uma criança loura, frágil e delicada, que diz ter vindo de um pequeno planeta distante dali.

A partir da convivência durante alguns dias, os dois repensam os seus valores, discutem diversos assuntos e encontram o sentido da vida.

ANO DE PUBLICAÇÃO – “O pequeno príncipe” foi publicado pela primeira vez em 1943. Mesmo tendo sido lançado há quase 80 anos, ainda é o segundo livro mais traduzido no mundo (depois da Bíblia). E isso diz muito sobre ele, certo?

O que será que ele traz para se manter tão atual e mexer com tantos leitores por todo o planeta? Essa era a questão que mais me intrigava antes de eu conhecer seu conteúdo. Após a leitura, contudo, descobri o motivo e o principal: compreendi esse “sucesso”.

É quase impossível colocarmos em palavras tudo o que pensamos e sentimos durante a essa leitura.

TEMAS DISCUTIDOS – Através de diálogos entre o principezinho e o piloto, o autor nos apresenta diversas questões que despertam reflexão e deixam lições preciosas.

Todos os diálogos e os trechos de narrativa nos fazem pensar em nossa infância, nossos ideais, nossas atitudes e as experiências durante toda nossa trajetória de vida. E, acima de tudo, nos faz pensar sobre amizade, acolhimento, coisas que valorizamos (principalmente as fúteis) e as relações que construímos com as pessoas e coisas durante a vida.

ATEMPORAL – Não é uma leitura para crianças. Mas nem só para adultos. É um livro atemporal que pode ser lido por pessoas de todas as idades.

Dependendo da idade e da experiência de casa um, as mensagens terão efeitos distintos, mas todas são tocantes!

A questão da mudança de nossa subjetividade ao longo dos anos tem muita relação com esse livro. Tanto é que muitos leitores que me acompanham no Ju Entre Estantes relataram que o leram quando eram mais novos e releram com uma idade mais avançada. O resultado foi unânime: todos tiveram uma visão diferente enquanto reliam.

Além disso, é um livro curto, o que facilita o manuseio e mesmo a leitura a qualquer tempo.

Uma obra sensível, surpreendente, às vezes triste, mas totalmente encantador!

E quem ainda não leu… Vale a pena começar hoje!

Livro: O pequeno príncipe
Autor: Antoine de Saint-Exupéry
Editora: Publicado por diversas editoras; o meu é da “Agir”
Páginas: 96

Numa narrativa surpreendente, “Amigos para a vida” trata sobre padrões sociais, bullying e amizade

Júlia de Aquino Instagram literário @juentreestantes

“Por que ser diferente tinha que ser tão doloroso? Por que era assim se todo mundo era diferente de uma maneira ou de outra?”

No início de 2020, fiz uma visita à Editora Valentina, em Copacabana. Depois de alguns momentos agradáveis de muita conversa sobre livros e algumas fotos (rs), perto de ir embora, a equipe me presenteou com um livro que eu não conhecia: Amigos para a vida.

Fiquei tão entusiasmada com a visita e a lembrança que comecei a ler no mesmo dia! E que surpresa agradável! Um livro ótimo, delicado e surpreendente.

A HISTÓRIA – Francis sofre bullying e não tem amigos. Se não está isolado na escola, fica trancado em seu sótão, costurando roupas para bonecas. Um dia, uma menina chamada Jessica senta ao seu lado. Quando Francis oferece seu chá, ela se assusta, pois é um fantasma e não é vista por ninguém desde que morreu. E assim começa toda a história…

SURPREENDENTE – Mais um livro para a coleção “grandes surpresas 2020”. Eu esperava X e foi Y vezes mil. Leitura transformadora! Trata de assuntos necessários e me emocionou muito. Para os mais emotivos, inclusive, é possível que a leitura deixe os olhos marejados em alguns momentos.

Quando lemos a sinopse, é possível acharmos um pouco “infantil”.  Apesar de a linguagem ser infanto-juvenil, o livro não é nada “bobo”. Pelo contrário: é maravilhoso! Bem escrito, divertido e com personagens marcantes e cativantes, que vivem situações que poderiam ser vividas por nós ou por pessoas que conhecemos.⠀⠀⠀⠀⠀

BULLYING – Apesar de sempre ter existido, o bullying começou a ser mais debatido e exposto a partir da década de 2000. O desenvolvimento de tantos meios de comunicação e da Internet foram um aliado importante na luta, e hoje ela está presente até em obras literárias, como é o caso de “Amigos para a vida”.

O protagonista Francis é o retrato do que acontece todo dia e não ficamos sabendo. O bullying existe e acaba com vidas, mas antes disso faz milhares de pessoas sofrerem caladas e carregarem diversos traumas. Francis, os outros personagens e todos os componentes da narrativa deixam o leitor pensando no quanto uma palavra amiga ou uma gentileza pode salvar alguém.

Olha eu entrando na Editora Valentina, em Copacabana….

INDICAÇÃO – É um livro que indico muito para pais de crianças ou pré-adolescentes, parentes e até jovens a partir de 12 anos. Na realidade, é um livro indicado para todos!

Além do bullying, trata sobre depressão, amizade e solidariedade. Ao fim da leitura, a vontade que temos é de tratar com mais delicadeza as pessoas, principalmente as que estão fora do padrão social (de beleza, peso, estética etc). A mensagem principal é: “não é ruim ser assim, esse é você, e você importa e faz toda a diferença!”.

Livro: Amigos para a vida
Autor: Andrew Norriss
Editora: Valentina
Páginas: 208

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ALGUNS TRECHOS

  • “A mãe de Francis sempre soube que o filho era diferente dos outros meninos”.
  • “(…) começou até a perceber que ter amigos que ficavam ao seu lado era uma das melhores coisas que poderia acontecer a alguém”.
  • “Talvez tenha sido a percepção de que alguém lhe dizendo que era gordo não tinha grande importância. Já não significava nada”.
  • “Por que ser diferente tinha que ser tão doloroso? Por que era assim se todo mundo era diferente de uma maneira ou de outra?”

Outubro Rosa: sem tabus, Daniella Zupo fala sobre sua cura do câncer de mama em seu livro

Amanhã hoje é ontem | Editora RamalheteJúlia de Aquino
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“O nascer do sol não dura a manhã toda. Um céu carregado de nuvens não dura o dia todo. Tudo vai passar”

A campanha anual Outubro Rosa define este mês como chave na prevenção e combate ao câncer de mama. Pessoas, empresas e diversas instituições unem esforços para prevenir e combater o câncer de mama, doença que pode aparecer tanto em mulheres como homens, ainda que seja raro nestes.

No entanto, ainda é comum o assunto ser tratado como tabu e talvez seja por isso que ele não apareça com frequência na Literatura.

Mas o livro “Amanhã hoje é ontem”, de Daniella Zupo, tratou de quebrar tanto o silêncio como o tabu que envolvem a temática.

O LIVRO E A AUTORA – Aos 42 anos, o diagnóstico de câncer de mama mudou a vida de Daniella. O livro foi lançado dois anos após sua cura, e é através dele que ela expõe relatos sobre momentos que viveu e faz diversas reflexões sobre questões da vida.

A LEITURA – Li no início de 2020, e foi uma leitura prazerosa, que me fez refletir muito sobre o modo como vemos a vida e as coisas “negativas” que acontecem conosco. É muito bacana – e importante – ver a autora transformando essa experiência difícil em arte e passando isso para nós, leitores.

Além de ser muito inspiradora, é uma leitura curta, fluida e rápida, que pode ser feita em um único dia. A diagramação e estética do livro também é linda, com algumas ilustrações ao longo das páginas.

FALTA DE CABELO – As partes que mais me tocaram foram as que ela conta sobre a falta de cabelo e do sentimento de estar em público (no início). É incrível pensar como algo estético afeta tanto a nós, seres humanos. E no final das contas isso só acontece porque automaticamente nosso foco vai para o que os outros vão pensar da nossa imagem (o último trecho do livro, citado no final do post, fala sobre isso).

Nesse sentido, uma das passagens mais emocionantes do livro é no capítulo em que ela conta que tirou o chapéu numa praia pela primeira vez e se sentiu livre – uma liberdade diferente de qualquer outra que já tenhamos vivenciado.

SUPERAÇÃO – É um livro excelente para quem gosta ou precise ler sobre casos de “superação”. Foi maravilhoso ler sobre a experiência da autora e ver como ela saiu fortalecida disso.

Em breve o livro será lançado em formato audiobook. Mais informações sobre a obra e os formatos do livro no perfil da autora no Instagram: @daniellazupo

DADOS E INSTITUIÇÕES – A maioria dos cânceres de mama é descoberta pelas próprias mulheres. Esse dado do INCA mostra a importância de se prevenir, fazendo o autoexame e a mamografia (exame para mulheres entre 50 e 69 anos).

Para saber mais informações sobre o câncer de mama, como se prevenir e como ajudar a causa, visite o site de instituições que atuam nessa área. Algumas delas são:

Livro: Amanhã hoje é ontem
Autora: Daniella Zupo
Editora: Ramalhete
Páginas: 136

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ALGUNS TRECHOS

  • “Meu psicanalista sempre me alertava: ‘você não está doente; está enfrentando uma doença’”.
  • “Estamos confundindo autoimagem com autoestima. São tempos em que tudo que não somos cabe numa selfie”.
  • “Lenços, perucas, chapéus… usá-los não é o problema, se isto te fizer se sentir melhor. Mas o problema é que, quase sempre, o que fazemos é esconder uma cabeça sem cabelos por receio do duro olhar do outro”.
  • “O nascer do sol não dura a manhã toda. Um céu carregado de nuvens não dura o dia todo. Tudo vai passar”.

Clássico do terror, “O exorcista” é uma boa escolha para quem quer se aventurar no gênero

O Exorcista - Limão Mecânico

“O Exorxista” é uma leitura realmente instigante

Júlia de Aquino
Instagram literário @juentreestantes

“Ela se erguia cerca de trinta centímetros e caía na cama, como se mãos invisíveis a estivessem levantando e derrubando”

Posso dizer que “O exorcista” foi o primeiro livro de terror “de verdade” que li na vida. Histórias de suspenses, crimes e mistério são comuns em nossa estrada literária, mas acabamos deixando de lado as obras clássicas de Terror, aquelas com milhares de elementos voltados exclusivamente para passar ao leitor medo e perplexidade, deixando-o, literalmente, aterrorizado.

A HISTÓRIA – O livro conta a trajetória de Chris MacNeil, uma atriz e mãe que está filmando em Georgetown e sofre com as inesperadas mudanças de comportamento de sua filha de 11 anos, Regan.

Quando a ciência não consegue descobrir o que há de errado com a menina, Chris busca a ajuda da Igreja local. No que parece ser um raro caso de possessão demoníaca, uma nova personalidade parece surgir em Regan a cada dia que passa. Cabe a Damien Karras, um padre da universidade de Georgetown, salvar a alma de Regan, enquanto tenta restabelecer sua fé, abalada desde a morte de sua mãe.

ESCRITA IMPECÁVEL – Apesar de já ser uma história conhecida, principalmente devido à adaptação de 1973 para os Cinemas, trata-se de um livro que vale a pena ser lido. E os motivos são vários.

Toda a trama é muito bem construída e descrita de forma clara e nada prolixa. Uma das partes que mais se destacam são os capítulos referentes à fase de pesquisa em que o Padre Karras está investigando o assunto do Exorcismo, para identificar a possível cura de Regan (a protagonista mirim).

Durante esse período da narrativa, somos transportados ao pequeno quarto do padre, mas, principalmente, nos sentimos dentro de seus pensamentos, de seus livros e manuscritos para pesquisa. E mesmo esses trechos “acadêmicos” não são cansativos.

MEDO? – A obra nos transmite toda a tensão da mãe desesperada com o comportamento de sua filha; a perversidade da menina e suas atitudes desumanas; todo o sofrimento de ambas e o novo clima atormentado do lar que antes fora tão feliz. Como “medo” é algo relativo, não é possível afirmar que tal sentimento será despertado (mas todos os outros citados acima, com certeza serão).

Aflição, talvez, mas não aquele tipo medo que projetamos para esse leituras como essa. Acima de tudo, a curiosidade do leitor é aguçada a cada acontecimento, e as páginas vão passando até nos depararmos com a reta final da obra (“mas já?”).

Por tudo isso, recomendo a leitura pra quem quer tentar algo nesse estilo e não deixa de lado uma boa escrita e diálogos que prendam a atenção.

Livro: O exorcista
Autor: William Peter Blatty
Editora: HarperCollins Brasil
Páginas: 330

###ALGUNS TRECHOS

  • “A coisa que vi naquele quarto não era Regan”.
  • “Está claro, pelo menos para mim, que o demônio sabe em que ponto tocar. Ah, sim, ele sabe”.
  • “Mas se todo o mal do mundo faz a senhora pensar que pode existir um diabo, como explica todo o bem do mundo?”
  • “Ela se erguia cerca de trinta centímetros e caía na cama, como se mãos invisíveis a estivessem levantando e derrubando”.

“A estrela de prata”, primeira ficção de Jeannette Walls, aborda negligência parental e não decepciona

Júlia de Aquino
Instagram literário @juentreestantes

“Perguntar por que você sobreviveu não te ajuda a sobreviver”

Quem já leu publicações minhas mais antigas ou acompanha o Ju Entre Estantes no Instagram sabe da minha admiração pela autora Jeannette Walls (mais conhecida pelo livro “O castelo de vidro”, que virou filme em 2017).

“A estrela de prata” é seu terceiro livro e o primeiro romance, mas tem alguns aspectos semelhantes com “O castelo de vidro” e “Cavalos partidos”. O primeiro, o mais conhecido, é sua autobiografia; já o segundo conta a história de sua avó – e o ponto alto é que é escrito em primeira pessoa, como se fosse a própria contando.

 Dos três, o único que ainda não tinha lido era essa ficção sobre as irmãs Bean e Liz. Apesar de não ter se tornado um de meus favoritos dela é uma história que vale a pena ser lida.

A HISTÓRIA EM POUCAS LINHAS – Em 1970, duas irmãs de pais diferentes e ausentes, Bean e Liz, estão prestes a começarem uma jornada sozinhas, quando se veem temporariamente abandonadas pela mãe. Isso as leva à terra natal de sua família, onde vão descobrir histórias do passado da mãe e enfrentar muitos desafios e inimigos sem rosto, como a crueldade, o preconceito e a hipocrisia. 

FRASES CURTAS – Como sempre, a escrita de Walls é impecável. Capítulos rápidos, diálogos envolventes e personagens cativantes – e outros detestáveis – tornam a leitura uma experiência agradável. Mas, além disso tudo, o maior destaque em seus livros são as frases curtas.

Escrevendo dessa forma, ela presenteia o leitor com clareza e objetividade, sem fugir de detalhamentos necessários. Assim, mesmo se tratando de um drama, a leitura não é densa ou cansativa e os diálogos e acontecimentos deixam a trama dinâmica e, quando percebemos, já estamos terminando de ler.

Tal característica é marca registrada da autora, e pode ser conferida nos outros dois livros também – por sinal, ambos excelentes! (falarei deles ao final do texto).

CONTEXTO HISTÓRICO – O ano é 1970 e os Estados Unidos estão em conflito com o Vietnã e finalizando o processo de integração racial.

Os cenários e o contexto são muito bem descritos e, junto às irmãs, mergulhamos nas tensões da integração de brancos e negros numa cidade do interior dos EUA (todas elas presenciadas por Bean e Liz).

Discussões acaloradas entre moradores, brigas de alunos no colégio local e muitas outras situações mostram o comportamento de alguns cidadãos após as leis dos Direitos Civis (de 1964) e do Direito ao Voto (de 1967) encerrarem a segregação institucionalizada, garantindo direitos iguais sem discriminação baseada em raça.

Ao longo de tantos acontecimentos sociais e pessoais, as duas personagens principais se tornam muito queridas para quem lê, e acabamos compreendendo seus sentimentos e torcendo para que consigam superar tanso obstáculos e decepções.

COMPARAÇÃO INEVITÁVEL – Como eu já tinha lido “O castelo de vidro” e “Cavalos partidos”, no início foi difícil não fazer comparações com ambos e principalmente com o primeiro. Isso porque, conforme comentado em tópicos anteriores, trata-se de sua autobiografia, e tem tudo a ver com abandono materno e negligência durante a infância. É um livro fantástico, que também recomendo muito!

De modo geral, a “A estrela de prata” vale a pena ser lido, principalmente para quem quer ou precisa de uma leitura fluida. Este, contudo, não chega aos pés da intensidade de “Castelo de vidro” e “Cavalos partidos”.

Concluindo, acredito ser realmente impossível não se encantar com as obras da autora, então será inevitável ler os três livros!

Livro: A estrela de prata
Autora: Jeannette Walls
Editora: Globo Livros
Páginas: 256

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ALGUNS TRECHOS

– “Mamãe sempre falava que o segredo do processo criativo era encontrar a magia. Isso, ela dizia, era o que você tinha que fazer na vida. Encontrar a magia”.

– “Nós três éramos tudo de que precisávamos, mamãe dizia. Mas isso não a impedia de sair”.

– “Verdade seja dita: mamãe tinha um temperamento daqueles e era dada a ataques quando as coisas saíam de seu controle. As crises costumavam passar rapidamente, e então continuávamos nossa vida como se nada tivesse acontecido”.

– “Acho que mamãe acredita nisso, o que não quer dizer que seja verdade. Talvez ela só precisasse de alguém para culpar pela maneira como tudo deu errado”.

– “Perguntar por que você sobreviveu não te ajuda a sobreviver”

– “Então se comporte como uma mãe, para variar. A gente não estaria nessa enrascada se você tivesse agido como uma mãe desde o princípio”.

– “Vai dar tudo certo. Quer que eu vá com você?”

– “Você viria?”

– Claro, sua maluca. Estamos juntas nisso”.

– “A maior parte das vezes que uma pessoa pede conselho, ela já sabe o que deve fazer. Ela só quer ouvir outra pessoa dizendo o que ela já sabe”.

– Então, ela se virou para me abraçar. Fiquei surpresa com a raiva que eu estava sentindo dela. “Onde você esteve esse tempo todo?”, eu queria perguntar. Mas não falei nada e a abracei também.

Setembro Amarelo: em poucas páginas, “As vantagens de ser invisível” aborda saúde mental e a força das amizades

Júlia de Aquino
Instagram literário @juentreestantes

“Acho que todo mundo é especial à sua própria maneira”.

Stephen Chbosky escreveu um livro que tem grande relação com o Setembro Amarelo, pois foca no tema “saúde mental”. E apesar de ser uma obra já conhecida, principalmente depois da adaptação para o Cinema, ainda é muito atual e está sempre sendo lida e discutida por muitos.

Além dos comentários sobre a leitura – que, diga-se de passagem, foi uma ótima experiência –, separei referências a livros citadas na obra e trechos marcantes, que mostram parte dos sentimentos do protagonista Charlie.

O LIVRO – Caçula de três filhos, Charlie escreve cartas. Não se sabe para quem ele as manda nem se conhece outras informações a seu respeito, a não ser as que ele escreve nos textos. Através da escrita ele mostra toda sua percepção de mundo, o sentimento de estar preso ao mesmo tempo querer descobrir coisas novas.

LEITURAÉ um livro curto, fácil de ler pela escrita, mas “difícil” pela mensagem e pelo desfecho inesperado. Durante toda a narrativa, conhecemos um menino angustiado, socialmente deslocado, mas com vontade de viver, apesar de tantas dúvidas e questões psicológicas.

O mais marcante no livro é que o leitor consegue entender o menino. Mesmo quem já está há tempos longe da adolescência ou viveu esse período de forma tranquila. Através de sua escrita e a narrativa dos acontecimentos, ele nos leva a entendê-lo: compreendemos sua angústia, seus medos, seu nervosismo. Inclusive, ele nos faz pensar em situações em que também nos sentimos assim: deslocados, fora do padrão, sem saber o que fazer ou mesmo achando que “sempre fazemos tudo errado”.

DEPRESSÃO E ANSIEDADE – Em diversos momentos Charlie tem flashes de memórias e comportamentos típicos de quem sofre de Ansiedade. Diversas situações são gatilhos para ele, e ele conta com detalhes seus sentimentos em cada ocasião, mas sem refletir muito sobre os motivos que o levaram a se sentir daquela forma. O livro não nos deixa sem respostas ao final; pelo contrário, terminamos ainda mais reflexivos.

O mais valioso é acompanhar a jornada de Charlie durante o final do Colégio, conhecendo novas pessoas, fazendo novos amigos e vivendo intensas experiências.

CINEMALançado em 2012 e dirigido pelo autor (Stephen Chbosky), o filme é fiel ao livro e traz um elenco de peso. Alguns nomes são: Emma Watson, Ezra Miller, Mae Whitman, Kate Walsh, Dylan McDermott, Nina Dobrev e Johnny Simmons.

Assim como aconteceu com o livro em 1999, quando foi lançado, e acontece até hoje, a adaptação recebeu muitas críticas positivas. Também recebeu prêmios, incluindo o Independent Spirit Award de Melhor Primeiro Filme e duas indicações ao Critics’ Choice Movie Awards.

Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=qXTW2pOMDV8

REFERÊNCIAS LITERÁRIASAlém do final marcante, um dos aspectos que mais me chamou atenção foram as referências a livros (o Charlie adora ler, e é muito incentivado por seu professor de Literatura do Ensino Médio). Marquei todas elas durante a leitura, e a lista segue abaixo (na ordem em que aparecem no livro).

Livros Citados:

  • O sol é para todos – Harper Lee
  • O apanhador no campo de centeio – J. D. Salinger
  • Walden – Henry David Thoreau
  • Pé na estrada – Jack Kerouac (EN: On the road)
  • Naked Lunch – William Burroughs (PT: Almoço nu)
  • O estrangeiro – Albert Camus
  • The Fountainhead – Ayn Rand (PT: A nascente)
  • A noite dos morto-vivos – John Russo
  • Este lado do paraíso – F. Scott Fitzgerald
  • Peter Pan – J. M. Barrie
  • A separate peace – John Knowles (PT: Uma Ilha de Paz)
  • O grande Gatsby – F. Scott Fitzgerald
  • Hamlet – William Shakespeare

Livro: As vantagens de ser invisível
Autor: Autor: Stephen Chbosky
Editora: Rocco Jovens Leitores
Páginas: 224

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ALGUNS TRECHOS

  • “Sempre acho que um livro é meu favorito até eu ler outro”.
  • “Charlie, a gente aceita o amor que acha que merece”.
  • “Charlie, você vê as coisas e guarda silêncio sobre elas. E você compreende”.
  • “Eles olharam para mim e eu olhei para eles. E acho que eles sabiam. Não alguma coisa específica, apenas sabiam. E eu acho que é tudo o que você pode pedir de um amigo”.
  • “E me senti ótimo sentado ali conversando sobre nosso lugar nas coisas”.
  • “Tem alguma coisa errada comigo. E eu não sei o que é”.
  • “As coisas mudam. E os amigos partem. E a vida não para para ninguém”.
  • “É duro ver um amigo sofrendo tanto. Especialmente quando você nada pode fazer, a não ser “estar lá”.
  • “Não sei o que há de errado comigo. É como se tudo o que pudesse fazer é escrever esse palavreado para evitar a depressão”.
  • “Acho que todo mundo é especial à sua própria maneira”.

No Setembro Amarelo, confira cinco livros positivos e muito inspiradores

Livro Pollyanna - Novo - Eleanor H. Porter - Frete R$ 10,00 - R$ 20,00 em Mercado LivreJúlia de Aquino
Instagram literário @juentreestantes

Desde 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP, em parceria com o Conselho Federal de Medicina – CFM, organiza a campanha Setembro Amarelo durante o nono mês, com o dia “oficial” sendo dia 10/9 em todo o país. Essa data, portanto, é considerada a Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio (vale lembrar que, apesar do marco, a campanha acontece durante o ano todo).

De acordo com o site Setembro Amarelo (setembroamarelo.com), anualmente ocorrem cerca de um milhão de suicídios em todo o mundo – 12 mil só no Brasil. Apesar do número alarmante, o tema ainda é tratado como tabu pela sociedade, e, consequentemente, pouco debatido. Desse modo, o Setembro Amarelo surgiu para prevenir e combater o suicídio, conscientizando a todos sobre a Depressão e oferecendo ajuda a todos que precisarem.

Para marcar a data, separei cinco livros com mensagens positivas, emocionantes e/ou inspiradoras. Além dos livros, incluí no final do texto os dados do Centro de Valorização da Vida (CVV), que possui serviço de ajuda 24h, todos os dias da semana.

POLLYANNA (Eleanor H. Porter) – Clássico da Literatura Infanto-juvenil em todo o mundo, a obra de Eleanor H. Porter e leve e conta a história de uma personagem cativante, que vê um lado bom em tudo o que acontece e apresenta ao leitor o famoso “jogo do contente”.

Sinopse: Órfã, Pollyanna vai morar no interior com a severa tia Polly. A menina costuma praticar o estranho jogo do contente, que aprendeu com o falecido pai. Mesmo em situações ruins, ela encontra motivos para ser feliz e contagia a todos com seu otimismo. Certo dia, Pollyanna é atropelada e corre o risco de ficar paralítica. Esse acidente acaba transformando também a vida da tia Polly.

Extraordinário | Amazon.com.brEXTRAORDINÁRIO (R. J. Palacio) – A história de Auggie já inspirou milhares de pessoas, principalmente depois da adaptação para as telonas, com Julia Roberts no elenco. Apesar de ainda ser criança, o menino ensina muitas lições ao longo do livro, e a autora nos presenteia com diálogos envolventes e cativantes – quando vemos, já terminamos a leitura!

Sinopse: August Pullman, o Auggie, nasceu com uma síndrome genética cuja sequela é uma severa deformidade facial, que lhe impôs diversas cirurgias e complicações médicas. Por isso, ele nunca havia frequentado uma escola de verdade… Até agora. Todo mundo sabe que e difícil ser um aluno novo, mais ainda quando se tem um rosto tão diferente. Prestes a começar o quinto ano em um colégio particular de Nova York, Auggie tem uma missão nada fácil pela frente: convencer os colegas de que, apesar da aparência incomum, ele e um menino igual a todos os outros.

O Poder do Agora - Livro - WOOKO PODER DO AGORA (Echkhart Tolle) – Um livro para ser lido com calma, mas que pode ser transformador, principalmente para pessoas que já gostam de temas como Meditação. Apesar de o conteúdo ser denso, é enriquecedor: quem o lê não será o mesmo após a conclusão da leitura.

Leia meu post sobre o livro publicado aqui na TI em 16/04/2020. http://www.tribunadainternet.com.br/dica-de-leitura-em-tempos-de-coronavirus-o-poder-do-agora-um-eterno-best-seller

Sinopse: Combinando conceitos do cristianismo, do budismo, do hinduísmo, do taoísmo e de outras tradições espirituais, Tolle elaborou um guia de grande eficiência para a descoberta do nosso potencial interior. Este livro é um manual prático que nos ensina a tomar consciência dos pensamentos e emoções que nos impedem de vivenciar plenamente a alegria e a paz que estão dentro de nós mesmos.

Eu Sou Malala - SaraivaEU SOU MALALA (Malala Yousafzai) – História da ativista paquistanesa que transformou o atentado contra ela em sua motivação para lutar pela educação de meninas em todo o mundo.

Leia meu post sobre o livro publicado em 10/07/2020. http://www.tribunadainternet.com.br/cinco-razoes-para-ler-a-biografia-de-malala-yousafzai-mais-jovem-nobel-da-paz/

Sinopse: Malala Yousafzai tinha apenas dez anos quando o Talibã tomou conta do vale do Swat, onde ela vivia com os pais e os irmãos. A partir desse dia, a música virou crime; as mulheres estavam proibidas de frequentar o mercado; as meninas não deveriam ir à escola.

Criada em uma região pacífica do Paquistão totalmente transformada pelo terrorismo, Malala foi ensinada a defender aquilo em que acreditava. Assim, ela lutou com todas as forças por seu direito à educação. E, em 9 de outubro de 2012, quase perdeu a vida por isso: foi atingida por um tiro na cabeça quando voltava de ônibus da escola. Poucos acreditaram que ela sobreviveria.

Em sua autobiografia, que virou um best-seller internacional, ouvimos da própria Malala sua incrível história e suas iniciativas para mudar o mundo.

OS DELÍRIOS DE CONSUMO DE BECKY BLOOM (Sophie Kinsella) – Apesar de ser conhecida do público feminino, Becky merece entrar na lista de leitura de rapazes, jovens e até idosos. A história é bem divertida, com uma personagem extremamente consumista, mas de bom coração. A leitura é leve e garante algumas risadas, principalmente nas situações absurdas que a protagonista se envolve por causa de suas dívidas e compras.

Sinopse: Rebecca Bloom não resiste uma liquidação! Quanto mais inútil, melhor! Para ela, o mundo todo enxerga os detalhes da alça de seu sutiã, combinando com as cores de seus sapatos. Mas seu salário nunca é suficiente para pagar suas extravagâncias. Endividada até a alma, Rebecca, ou Becky, vive fugindo do seu gerente de banco e procurando fórmulas mirabolantes para pagar a fatura do cartão de crédito. E como se não bastasse, em meio a tanta confusão, Becky ainda arruma tempo para se apaixonar pelo sedutor – e expert em finanças – Luke Brandon.

Os Delírios de Consumo de Becky Bloom é um pouco da história de todas as pessoas para as quais comprar é quase uma terapia, a resposta para todos os problemas, mesmo criando outros piores ainda.

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DISQUE CVV – O Centro de Velorização da Vida atende 24 pelo telefone 188. Há uma unidade do CVV em todos as regiões do país.

Os atendentes são voluntários preparados para lidar com desabafos com empatia e tranquilidade. Todas as ligações são sigilosas.

Além do telefone, eles também atendem por e-mail e chat.

Mais detalhes no site: www.cvv.org.br  ou Instagram: @cvvoficial

“Hibisco roxo”, um romance que exibe todo o potencial da nigeriana Chimamanda Adichie

Júlia de Aquino
Instagram literário @juentreestantes

“Quis pensar em alguma coisa, qualquer coisa, para assim não precisar mais sentir”.

A primeira vez que li algo da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie foi quando ganhei o pequeno livro “Sejamos todos feministas” (pequeno em tamanho, gigante em conteúdo). Esse ensaio virou livro depois de sua palestra viralizar e se tornar um sucesso no TED (centro de conferências sob o Tecnologia, Entretenimento e Design). Algum tempo depois, li “O perigo de uma história única”, da mesma coleção de ensaios, publicados pela Companhia das Letras.

Nesse ano resolvi me aventurar em seus romances, e comecei por “Hibisco roxo”. Foi uma leitura extremamente rica e marcante, e com toda certeza se tornou um dos favoritos do ano!

ENREDO – A adolescente Kambili narra sua história e de sua família, “comandada” por seu pai Eugene, industrial rico e extremamente religioso. Aos poucos, ele passa a destruir o ambiente doméstico motivado pelo fervor religioso. Quando Kambili e o irmão Jaja passam um tempo na casa da irmã de seu pai, Tia Ifeoma, tudo muda.

CONTEXTO HISTÓRICO – Apesar de a história se passar nos dias atuais, é marcada pela herança da colonização inglesa na Nigéria. O país tornou-se independente em 1960, mas desde então sofre diversos golpes militares.

Nesse contexto, Eugene, o pai de Kambili, é o reflexo dessa intervenção europeia: um homem negro que acredita que tudo que vem dos brancos é melhor (incluindo a religião).

RADICALISMO – Apesar de ser nigeriano de nascença, Eugene estudou em colégio católico durante a colonização e acabou adotando o Catolicismo europeu.

O fanatismo religioso do patriarca torna-se um problema para todos. Sempre autoritário, os filhos não têm liberdade para serem eles mesmos, nem para conviver com sua família nigeriana. Seu avô paterno é negligenciado pelo filho e proibido de ver os netos por seguir os costumes religiosos da Nigéria.

Durante toda a narrativa, Kambili nos mostra o quanto esse traço do pai a tornou contida e privada de senso crítico. Ela, seu irmão e sua mãe estão sempre tentando agradar Eugene e vivem com medo – medo de opinar, de falar algo “errado”, de pensar, de existir.

GATILHOS – A obra pode conter alguns gatilhos (temas sensíveis a algumas pessoas). Não recomendo a leitura caso alguém se sinta mal ou desconfortável com os temas a seguir: violência doméstica, física e psicológica.

NARRATIVA – Os acontecimentos e a forma como a autora os expõe, pela perspectiva de Kambili, são tão marcantes que durante todo o livro sentimos raiva, tristeza, alegria… Sem falar no final – totalmente inesperado e chocante.

Capítulos curtos, escrita impecável e personagens cativantes (cada um à sua maneira): a combinação perfeita para uma obra primorosa.

“Hibisco roxo” consagra Chimamanda como uma das principais autoras contemporâneas. “Americanah”, seu outro romance, foi aclamado pela crítica logo após o lançamento em 2013, e já conquistou grande número de leitores pelo mundo.

Livro – “Hibisco roxo”
Autora: Chimamanda Ngozi Adichie
Editora: Companhia das Letras

Páginas: 328

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ALGUNS TRECHOS

  • “Precisávamos ser civilizados em público, Papa nos dizia; precisávamos falar inglês”.
  • “Deus seja louvado”- era isso que Jaja e eu dizíamos, o que Papa esperava que disséssemos quando coisas boas aconteciam”.
  • “Papa mudou de sotaque, adotando uma pronúncia britânica. Ele se mostrou ansioso por agradar, como sempre era com os religiosos, principalmente religiosos brancos”.
  • ”Naquela noite, sonhei que estava rindo, mas a risada não era minha, embora eu nem soubesse qual era o som da minha risada. Era uma risada alta, profunda e entusiasmada, como a de Tia Ifeoma”.
  • “Eu nunca me perguntara em que universidade estudaria nem em que me formaria. Quando chegasse a hora, Papa decidiria”.
  • “Ela parecia tão feliz e em paz, e eu me perguntei como alguém perto de mim podia se sentir assim, quando havia fogo líquido me queimando por dentro”

Aumente seu vocabulário com a leitura; livros são fontes contínuas de novas palavras

Marca Páginas Criatilha2 - Criatilha

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Júlia de Aquino
Instagram literário @juentreestantes

Durante uma leitura, é comum nos depararmos com palavras e expressões desconhecidas. E não há nada de anormal nisso, uma vez que a Língua Portuguesa possui quase 500 mil palavras.

Para ser mais exata, de acordo com o Blog Falando em Literatura, no Aurélio Online (principal dicionário de nossa língua) estão catalogadas 435 mil palavras diferentes.

E o número só cresce, pois todos os dias novas palavras são criadas ou até “incorporadas” por nossa sociedade, e acabam entrando no conjunto das já existentes.

DELETANDO – Por exemplo, a palavra “deletar”, presente nos dicionários, surgiu do termo em inglês “Delete”, que se popularizou com o crescimento do número de computadores nas casas, ainda nos anos 1990.

Outras palavras incorporadas aos nossos dicionários em 2011 foram “blogar”, “baixar” e “pen drive”.

Incorporações no vocabulário sempre aconteceram, mas de uns anos para cá estão cada vez mais frequentes. Sendo assim, é praticamente impossível conhecermos todas as palavras existentes, e não é raro alguma nos chamar atenção durante uma leitura.

COMO APRENDER? – No geral, encontramos seu significado pelo contexto, mas existem outras maneiras de compreendê-las e aprendê-las “ad aeternum”. Desde que comecei a seguir certos “procedimentos” literários, aprendi inúmeras palavras novas e em várias ocasiões encontrei-as em outros textos depois de tê-las aprendido. Deixo abaixo algumas dicas para quem se interessa em expandir o vocabulário ou se sente minimamente atraído pelos verbetes de nossa língua:

  • Cole um post-it quadrado grande na primeira página do livro que for começar a ler. Quando vir uma nova palavra, anote-a no post-it, marcando a página em que se encontra. Ao final da leitura, anote as palavras desconhecidas num caderno e busque seus significados, relendo os trechos em que aparecem (o ideal é separar um caderno ou bloco de anotações exclusivamente para esse fim).
  • Caso prefira registrar no celular, crie uma nota no Bloco de Notas no início de uma leitura e vá anotando as palavras e as páginas ali. Quando tiver um tempo, procure os significados em aplicativos ou sites de dicionários (veja algumas no fim do texto).
  • Os stickers coloridos (marcadores adesivos) também podem ajudar: quando encontrar um termo desconhecido, marque a página (na altura da linha da palavra) com um marcador para rever as anotações depois.
  • Para os que têm Kindle, fica ainda mais fácil! O leitor digital já vem com um dicionário em seu sistema, e basta um clique na palavra desconhecida para ele abrir uma janela no texto com a explicação do termo. Ainda assim, minha dica é anotar, pois dessa maneira fixamos muito melhor o conteúdo.

DO SEU JEITO – Obviamente essas dicas podem ser adaptadas de acordo com a preferência de cada leitor, mas são pontos de partida que podem ajudar – e muito – a desbravar esse oceano de palavras que é a nossa Língua.

Alguns sites que tem aplicativos para celular são:

Conheça alguns trechos marcantes do livro “It: a Coisa”, de Stephen King

Júlia de Aquino
Instagram literário @juentreestantes

“It: a Coisa” é uma obra-prima, que merece destaque em vários sentidos. Por isso, no post da semana passada expliquei que faria uma “Parte 2” sobre o livro, com trechos marcantes que selecionei da obra.

Num mar de mais de 1.100 páginas, selecionei ao menos 25 trechos e torço para que inspirem os que ainda têm dúvidas sobre se devem ou não ler o título.

Vale muito a pena, e algumas passagens mostram a força da narrativa de King:

  • “Em Derry, esquecer tragédias e desastres era quase uma arte, como Bill Denbrough descobriria ao longo do tempo”.
  • “Havia um palhaço no bueiro. A luz ali não era nada boa, mas era boa o bastante para George Denbrough ter certeza do que estava vendo”.
  • “Quando Ben observou que os balões do palhaço estavam voando em sua direção, sentiu a irrealidade tomar conta dele com mais força”.
  • “Ele não sabia, mas acreditava que Derry havia mudado e que a morte de seu irmão sinalizara o começo dessa mudança. Qualquer coisa poderia acontecer em Derry agora. Qualquer coisa”.
  • “Por um momento, ele sentiu uma esperança louca: talvez fosse realmente um pesadelo. Talvez ele fosse acordar na própria cama, banhado de suor, tremendo… mas vivo”.
  • Às vezes, acontecimentos são como dominós. O primeiro derruba o segundo, o segundo derruba o terceiro, e não tem mais volta”.
  • “Ele teve um vislumbre intuitivo: estamos sendo levados para alguma coisa. Sendo escolhidos. Nada disso é acidental”.
  • “Ninguém deve se meter com o infinito” (citação de “Caminhos perigosos”, no início do segundo interlúdio).
  • “Se as rodas do universo forem verdade, então o bem sempre compensa o mal, mas o bem também pode ser terrível”.
  • “Mas eu tinha mais medo de que, independente da forma que a Coisa assumisse, ela aparecesse com o rosto destruído pelo câncer do meu pai”.
  • “E então, vi que tive companhia durante a noite. Fosse o que fosse, foi até mim à noite, deixou seu talismã… e simplesmente desapareceu”.
  • “Preso à minha lâmpada de leitura havia um balcão. Nele havia uma imagem do meu rosto, sem os olhos, com sangue escorrendo das órbitas”.
  • ”O povo de Derry vivia com Pennywise em todos os seus disfarces havia anos… e talvez, de alguma forma louca, tivesse até passado a compreendê-lo. A gostar dele, precisar dele”.
  • “Usar a intuição é uma coisa difícil para adultos, e é o motivo principal de eu achar que pode ser a coisa certa. Afinal, crianças funcionam baseadas nela 80% do tempo”.
  • “De alguma forma, uma parte de nós ainda se lembra… de tudo”.
  • “Ele ergueu o olhar e viu Pennywise, o Palhaço, de pé no alto da escada, olhando para ele. Seu rosto estava pintado de branco. Havia buracos vazios onde os olhos deviam estar”.
  • “Voltar para a cidade onde você cresceu é como fazer uma postura louca de ioga, colocar o pé na própria boca e de alguma forma engolir a si próprio para que não sobre nada”.
  • “É como se um sacrifício monstruoso fosse necessário no final de cada ciclo para acalmar a força terrível que trabalha aqui… para fazer com que a Coisa adormeça por mais um quarto de século”.
  • “Estamos todos juntos agora. Ah, Deus, nos ajude. Agora vai começar de verdade. Por favor, Deus, nos ajude”.
  • “Pensar nisso era coisa de criança, mas parecia que era disso que essa coisa se alimentava: de coisas de criança”.
  • “Algumas coisas precisam ser feitas mesmo quando existe risco”.
  • “Talvez valha a pena morrer por eles, se chegar a isso. Não amigos bons nem ruins. Só pessoas com quem você quer e precisa estar. Pessoas que constroem casas no seu coração”.
  • “PAREM AGORA ANTES QUE EU MATE VOCÊS TODOS. É UM CONSELHO DO SEU AMIGO, PENNYWISE”.
  • “E quando a coisa acorda, ela é a mesma. Mas um terço de nossas vidas se passou”.
  • “A Coisa odiava o medo, e a Coisa só podia matar o medo matando-os”.
  • “A Coisa sempre se alimentou bem de crianças. Adultos poderiam ser usados sem saber que o foram, e a Coisa já se alimentara de alguns. Mas os medos das crianças eram mais simples e normalmente mais poderosos”.
  • “Meu coração está com todos eles, e acho que, mesmo se nos esquecermos uns dos outros, vamos nos lembrar nos sonhos”.

Livro: It a Coisa
Autor: Stephen King
Editora: Suma
Páginas: 1.103

Lançado em 1986, “It: a Coisa” mantém-se atual e exibe o talento de Stephen King

It: a coisa | Amazon.com.brJúlia de Aquino
Instagram literário @juentreestantes

“Havia um palhaço no bueiro. A luz ali não era nada boa, mas era boa o bastante para George Denbrough ter certeza do que estava vendo”

É difícil começar a falar sobre esse título “It: a Coisa”. Porque não é um livro qualquer. É uma obra de arte, um clássico que há mais de 30 anos acompanha a trajetória literária de diversos leitores e fãs de terror. Foi meu favorito de 2020 até agora (dentre os 34 livros que li esse ano).

E como é difícil falar de obras de arte de forma “simples”, vou dividir o post sobre “It: a Coisa” em duas partes – hoje trago a resenha com comentários e impressões (nesse post). Na semana que vem farei uma publicação apenas com trechos marcantes que me chamaram atenção durante a leitura e que podem inspirar muitos a lerem o livro.

A HISTÓRIA – Durante as férias de 1958, em Derry, sete amigos se aproximam e, juntos, conhecem a sensação do medo e do perigo. Nesse verão, eles entram no jogo da “Coisa”, um ser maligno e sobrenatural que marcou a cidade de Derry de formas terríveis.

Trinta anos depois, eles voltam a se encontrar quando uma nova onda de terror assola a pequena cidade. Afinal, somente eles, juntos, são capazes de enfrentar a “Coisa”.

DESTAQUES – A construção dos cenários, personagens e relacionamentos é perfeita, assim como a narrativa dos acontecimentos. Porém, a obra contém alguns gatilhos: estupro, violência física e psicológica, suicídio e violência contra animais. Trata-se de um terror com forte apelo psicológico: os leitores entram na mente de todos os personagens e analisam cada atitude, boa ou má. Os vilões e os personagens mais desestruturados e obsessivos assustam e ficam marcados em nossa mente ao longo dos capítulos.

Além da raiva, tristeza e expectativa em certos momentos, outras emoções tomam conta de quem lê a história dos sete amigos, e isso é mais um ponto que reflete a perfeição da narrativa.

É genial como King personifica o medo de cada um dos garotos no personagem do Pennywise, o Palhaço Dançarino (a forma “física” da Coisa). Se suas aparições “físicas/reais” já surpreendem, seu lado sobrenatural se supera a cada capítulo, pois reflete os maiores temores e traumas dos personagens (muitos deles inconscientes, o que é ainda pior, por não terem nenhum controle racional sobre aquilo).

TEMPO DE LEITURA – Um dos aspectos mais relativos desse livro. Já conversei com pessoas que leram em uma semana, dois meses e até dois dias (acreditem se quiser).

É uma leitura longa, mas extremamente rica. Eu o li em três meses, na primeira Leitura Coletiva que participei dede que criei o perfil Ju Entre Estantes, organizada por outros perfis literários. Foi uma experiência muito bacana, com metas definidas para cada período, e ao final de cada “marca” comentávamos os aspectos mais significativos.

Apesar de seu tamanho, não vejo necessidade de esperar para ler em grupo – é uma ótima experiência, mas não um diferencial para apreciar a história. O segredo é ler no seu ritmo. Mas uma coisa já adianto: a trama nos prende até a última página.

STEPHEN KING – Não é à toa que o autor é considerado o “rei do terror” (jogo de palavras com seu sobrenome, que significa “rei” em inglês). Com mais de 400 milhões de cópias vendidas em mais de 40 países, King estudou Inglês na Universidade do Maine, cidade que é cenário em muitas de suas histórias. Em toda sua trajetória, publicou mais de 50 livros e escreveu mais de 200 contos (publicados em algumas edições do estilo).

Desde sua infância, enfrentou muitos desafios em sua vida pessoal. Em meados da década de 1970, quando iniciava sua carreira de escritor com a obra “Carrie” (publicada em 1974), envolveu-se com drogas e álcool e graças ao apoio de sua família conseguiu largar os vícios e permanece sóbrio desde 1980.

Em 1999 sofreu um grave acidente, mas recuperou-se e continuou a escrever.

A bibliografia completa de suas obras pode ser vista aqui. https://pt.wikipedia.org/wiki/Bibliografia_de_Stephen_King

Livro: It: a Coisa
Autor: Stephen King
Editora: Suma
Páginas: 1.103

Aniversariante do mês, a autora Jojo Moyes é destaque no cenário literário mundial

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A jornalista Jojo Moyes se tornou a maior escritora da atualidade

Júlia de Aquino
Instagram literário @juentreestantes

Nessa semana, no dia 4 de agosto, a escritora Jojo Moyes completou 51 anos. No auge de sua carreira, ela é uma das autoras mais aclamadas no da Literatura inglesa e mundial atualmente. 

Meu primeiro contato com sua escrita foi no início deste ano, quando li a trilogia de “Como eu era antes de você”, livro adaptado para o Cinema e estrelado por Emilia Clarke e Sam Clafin. Gostei muito do primeiro e li as duas continuações: “Depois de você” e “Ainda sou eu”. Alguns meses mais tarde, tive a oportunidade de conhecer o livro “A garota que você deixou para trás”, que até agora é meu favorito entre os quatro lidos. 

No final de 2019, foi anunciado que a obra “A última carta de amor” também seria adaptada para as telonas, com dois nomes de peso já confirmados: Shailene Woodley (A Culpa é das Estrelas) e Felicity Jones (Star Wars: Rogue One). 

Book do dia: A garota que você deixou para trás, de Jojo Moyes ...VIDA E CARREIRA – Nascida na Inglaterra em 1969, seu nome completo é Pauline Sara Jo Moyes. Formou-se em Jornalismo pela Universidade de Londres e até 2002 havia trabalhado por 10 anos em jornais ingleses, incluindo o The Independent. A partir de então, passou a se dedicar exclusivamente à escrita. Atualmente vive em Essex com seu marido e três filhos. 

Autora de mais de dez livros (lista abaixo), Jojo é, atualmente, uma das poucas escritoras que conseguiram ter três livros ao mesmo tempo na lista de mais vendidos do The New York Times. No cenário brasileiro, em meados de 2013 foi a autora mais vendida do país. 

COMO EU ERA ANTES DE VOCÊ – Sua obra mais conhecida, a história de Lou e Will, foi inspirada num caso real de um jogador de rugby que ficou tetraplégico. Em todo o mundo, o livro já vendeu mais de 5 milhões de cópias. 

No livro, Lou é uma jovem que fica sem chão ao perder o emprego num café de sua cidade. Após muitas entrevistas, ela começa a trabalhar como cuidadora de Will, um rapaz rico e bem-sucedido que perdeu os movimentos após um acidente. O início da convivência entre os dois é complicado, mas com o tempo algo maior começa entre eles. 

Emilia Clarke, que dá vida a Lou (Louisa Clark), tornou-se conhecida na série Guerra dos Tronos da HBO, ao interpretar Daenerys Targaryen. Uma curiosidade a respeito do papel é que antes da decisão, mais de 2.300 atrizes fizeram teste para viver Lou.

ESCRITA E PERSONAGENS – O aspecto mais marcante das obras de Jojo é a forma como ela constrói os cenários e personagens. Através de uma narrativa fluida, “simples” e acessível, ela apresenta vivências complexas e histórias que nos prendem até o fim.

Um bom exemplo é “A garota que você deixou para trás”, que traz duas personagens principais, uma vivendo no contexto da Primeira Guerra Mundial e a outra nos dias de hoje. Acontecimentos surpreendentes marcam a história do início ao fim, e terminamos pensando “por que demorei tanto para ler esse livro?”.

Por tudo isso, a autora é um excelente presente literário para qualquer data comemorativa. E engana-se quem pensa que as histórias são escritas para um público unicamente feminino: já conversei com muitos leitores homens que adoraram as obras e presentearam familiares e conhecidos com elas.

Todos os títulos foram publicadas no Brasil pela Editora Intrínseca, e são mostradas abaixo em ordem cronológica de publicação:

  • Em busca de abrigo (2002)⁣
  • A casa das marés (2003)⁣
  • The Peacock Emporium (2004)⁣
  • O navio das noivas (2005)⁣
  • Baía da esperança (2007)⁣
  • O som do amor (2008)⁣
  • Nada mais a perder (2009)⁣
  • A última carta de amor (2010)⁣
  • Como eu era antes de você (2012) – 1º livro da trilogia
  • Paris para um e outros contos (2012)⁣
  • A garota que você deixou para trás (2012)⁣
  • Um mais um (2014)⁣
  • Depois de você (2015) – 2º livro da trilogia
  • Ainda sou eu (2018) – 3º livro da trilogia
  • Um caminho para liberdade (2019)

Uma ideia superinteligente – os projetos que aceitam doação de livros no Rio de Janeiro

Júlia de Aquino
Instagram literário @juentreestantes

Doar livros não é uma tarefa simples. Na maioria das vezes, temos livros para doar mas não sabemos o que fazer com eles. Afinal, jogar fora não é uma opção, a menos que estejam muito velhos ou acabados (todos os livros em bom estado podem ser aproveitados de alguma forma).

Pensando nisso, e respondendo a várias dúvidas e solicitações de amigos e conhecidos nos últimos meses, preparei uma lista de Projetos Literários que aceitam doações de livros no Rio de Janeiro, uma ideia superinteligente que merece ser repetida em todas as cidades onde ainda não existe essa prática.

PROJETOS  DIVERSOS– Cada projeto tem uma particularidade, uma característica específica, mas todos eles contribuem de forma positiva para a sociedade.

Por exemplo, alguns precisam muito de livro infantil; outros aceitam didático e material de vestibular; de modo geral, as causas sempre buscam ajudar uma comunidade, estudantes ou animais. Vale a pena conferir e decidir para onde direcionar sua doação (é possível até mesmo “dividir” os livros, mandar alguns para um projeto e outros para outro).

Na lista (link no final do post) tem os detalhes sobre cada um, como objetivo, endereço, contato e outras informações. Os projetos até agora listados são:

  • Biblioteca da Luna – Biblioteca inaugurada pela Luna, menina de 13 anos, na Comunidade dos Tabajaras
  • Adote uma história – Estante pública numa galeria do Largo do Machado que disponibiliza livros para qualquer um “adotar” e ler, e com um espaço de leitura com sofás e poofs.
  • Projeto Livro a Livro – Estante no BRT que disponibiliza material de vestibular para estudantes que estejam no final do ensino médio estudando para o Enem e outras faculdades
  • Sebo solidário CELPI – Sebo localizado em Botafogo, que atua junto à comunidade Santa Marta há mais de 80 anos As vendas são revertidas integralmente para crianças e adolescentes assistidos pelo projeto.
  • Rota da leitura – Programa de “delivery de livros”, que busca doações em todos os bairros do Rio.

LISTA COLABORATIVA – Trata-se de lista colaborativa. Então, caso alguém saiba de outra iniciativa que aceite doações, deixe a contribuição nos comentários da publicação para que os novos dados sejam incluídos no documento.

Link com a lista completa de projetos (para acesso e/ou compartilhamento)

Qualquer dúvida envie inbox para o perfil do Instagram @juentreestantes.

Em linguagem acessível, “Mentes perigosas” mostra que os psicopatas estão entre nós

Júlia de Aquino
Instagram literário @juentreestantes

“Como animais predadores, vampiros ou parasitas humanos, esses indivíduos sempre sugam suas presas até o limite improvável de uso e abuso. Na matemática desprezível dos psicopatas, só existe o acréscimo unilateral e predatório, e somente eles são os beneficiados”.

Algumas pessoas aparentam ser leves e delicadas como algodão, mas, na primeira oportunidade, não exitam em nos prejudicar em benefício próprio. É sobre essas pessoas que o livro “Mentes perigosas” trata. 

AUTORA – Ana Beatriz Barbosa Silva é psiquiatra e há anos estuda o Comportamento Humano. Além de seu trabalho na área, é palestrante, escritora e realiza conferências e consultorias. Nesse livro, ela trata sobre características e comportamentos dos psicopatas, pessoas que aparentam total normalidade, mas que, nas palavras da autora, são “frias, manipuladoras, cruéis e destituídas de culpa, remorso ou compaixão”. 

LINGUAGEM ACESSÍVEL – Esse é um livro que cumpre seu objetivo: explica o transtorno de forma clara e numa linguagem acessível. Mesmo quando explica pontos mais específicos da Psicologia, as informações são apresentadas de maneira didática de forma que todos entendam. 

Assim, qualquer um pode ler, mesmo os que não têm noção de conceitos acadêmicos. O raciocínio que a autora constrói é simples, objetivo e responde às principais dúvidas sobre o tema. Ou seja, todos conseguem desfrutar da leitura e arrisco dizer que é uma leitura necessária, principalmente quem gosta de temas relacionados à mente humana. 

Considero esse livro um “manual de proteção”: após a leitura, todos serão capazes de reconhecer pessoas assim e pensar em como tirá-las de suas vidas. 

ELES ESTÃO ENTRE NÓS – Durante a leitura é quase impossível não pensar em várias pessoas que já passaram pela nossa vida ou de algum conhecido. Seja no ambiente de trabalho ou mesmo no âmbito familiar, vários nomes aparecem em nossa mente (pelo menos em relação a algumas características citadas). 

Sob essa perspectiva, a própria autora sempre cita o fato de que psicopatas podem estar em qualquer lugar, e não necessariamente precisam ser violentos. O principal indicador é a falta de empatia e amor. São pessoas manipuladoras, cativantes, inteligentes e pacientes, que vão, aos poucos, “conquistando terreno” até começarem a implementar o caos no ambiente ou relacionamentos ao seu redor. 

EXEMPLOS – Conversei com alguns leitores sobre o livro e muitos mencionaram os exemplos como sendo muito sensacionalistas. Eu, particularmente, achei razoáveis.. Ela defende que psicopatas não precisam ser assassinos e, por isso, além dos exemplos mais extremos, ela inclui casos de estelionatários, que vivem de golpes, e fala até de vítimas de pessoas possessivas e “sem coração”. 

A própria introdução do livro é bem impactante é pode ser um exemplo (mas em forma de parábola). Vale reproduzir o pequeno trecho: 

Certa vez, um escorpião aproximou-se de um sapo que estava na beira de um rio. O escorpião vinha fazer um pedido:

“Sapinho, você poderia me carregar até a outra margem deste rio tão largo?”

O sapo respondeu: “Só se eu fosse tolo! Você vai me picar, eu vou ficar paralisado e vou afundar”.

Disse o escorpião: “Isso é ridículo! Se eu o picasse, ambos afundaríamos”.

Confiando na lógica do escorpião, o sapo concordou e levou o escorpião nas costas, enquanto nadava para atravessar o rio.

No meio do rio, o escorpião cravou seu ferrão no sapo.

Atingido pelo veneno, e já começando a afundar, o sapo voltou-se para o escorpião e perguntou: “Por quê? Por quê?”

E o escorpião respondeu: “Por que sou um escorpião e essa é a minha natureza”.

Livro: Mentes perigosas
Autora: Ana Beatriz Barbosa Silva
Editora: Fontanar (a nova edição é da Principium – selo da Globo Livros)
Páginas: 218

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ALGUNS TRECHOS

  • “Para os psicopatas, a mentira é como um instrumento de trabalho”
  • “Não demonstram a menor vergonha caso sejam flagrados em suas mentiras. Para eles, a culpa é sempre dos outros”
  • “Eles tratam pessoas como ‘coisas’ que, quando não servem mais, são descartadas”
  • “Essas páginas percorrem as mentes sombrias de criaturas cujas vidas parecem não ter se desenvolvido totalmente. Saber identificá-las pode ser um antídoto (talvez o único) contra seu veneno paralisante e mortal”
  • “Os psicopatas estão por toda a parte, e no dia-a-dia é possível encontrá-los em diversas categorias profissionais”
  • “Não se esqueça: psicopatas são incapazes de amar, eles não possuem a consciência genuína que caracteriza a espécie humana”

Estamos realmente prontos para adversidades? O livro “Plano B” pode nos responder

Sheryl Sandberg te ajuda na hora de enfrentar adversidades com o ...

O livro é escrito pela CEO do Facebook, Sheryl Sandberg

Júlia de Aquino
Instagram literário @juentreestantes

“Encontramos nossa própria humanidade – nosso desejo de viver e nossa capacidade de amar – em nossas conexões com os outros”.

Normalmente, todo final de ano faço uma lista dos melhores livros e divulgo em minhas redes sociais (os dez ou cinco que eu mais tenha gostado). Como já comentei em algumas publicações nas semanas anteriores, no ano de 2019 li 41 livros.

Plano B entrou no quinto lugar dessa lista no ano passado, ficando atrás de “Dono do morro”, “Eu sou Ricardo Boechat”, “O casal que mora ao lado” e “Castelo de vidro”, respectivamente. Há publicações sobre todos eles aqui no blog (para encontrá-las basta procurar por seus títulos na caixa de busca ou clicar no meu nome na lista de Colunistas).

PREMISSA – Sheryl Sandberg, CEO do Facebook, perdeu o marido inesperadamente, enquanto ele malhava durante uma viagem de férias. Esse fato, por si só, chama nossa atenção logo no início, por ser algo que achamos que “nunca vai acontecer consoco”.

A partir desse fato, a autora descreve como foi sua vida após a perda, tanto no Facebook com os colegas de trabalho como com sua família. Apesar de ser algo triste, sua escrita prende muito a atenção e nos inspira, pois começamos a pensar em vários acontecimentos desafiadores de nossas próprias vidas.

TEMAS TRATADOS – Ela e o psicólogo Adam Grant, que também assina a obra, citam a questão do luto, de respeitar os próprios limites sem se deixar abalar, e de como lidar com as pessoas ao redor em casos extremos como esse (no caso do livro, é muito interessante ver como a Sheryl lidava com os filhos, fazendo “dinâmicas” e sempre conversando e se mantendo unida a eles).

Embora as temáticas remetam à “autoajuda”, o livro passa longe disso. É uma mistura de biografia com apontamentos interessantes e que podem inspirar os leitores. Outro aspecto interessante são as referências a projetos ao redor do mundo que ajudam pessoas que passaram por diversas situações traumáticas.

INDICAÇÃO – É uma leitura excelente, e acho que deveria ser lido por todo mundo pelo menos uma vez na vida, principalmente pela questão do luto, tema-tabu, principalmente no Ocidente. Como a escrita é muito fluida e objetiva, tudo é descrito na medida certa, sem ficar maçante (o livro tem pouco mais de 200 páginas).

Livro: Plano B – Como encarar adversidades, desenvolver resiliência e encontrar felicidade
Autores: Sheryl Sandberg e Adam Grant
Editora:  Fontanar
Páginas: 216