Preços sobem livremente, salários congelados e 25% dos brasileiros sentem falta de comida

Charge do Brum (Arquivo do Google)

Pedro do Coutto

A pesquisa é do Datafolha, objeto de reportagem de Douglas Gavras, edição desta terça-feira da Folha de S. Paulo, revelando que para cada quatro brasileiros, um homem ou uma mulher reconhecem faltar comida em suas casas. É o resultado da política econômica do ministro Paulo Guedes encapada pelo presidente Jair Bolsonaro.

A inflação avança, os salários estacionam  e como consequência  as famílias têm que cortar despesas. Mas como o problema se prolonga e ameaça atingir as urnas de outubro, a solução é cortar despesas. Há os que podem e os que não podem.

SEM SOLUÇÃO – Os 25% apontados pela Folha que revelam não ter comida em casa, só podem cortar da própria alimentação. Logo, não há solução para o problema e o quadro se desenha de forma tão dramática que promete se prolongar para o sacrifício de milhares de seres humanos.

Moradores de favelas e casebres, sem saneamento e água potável, expostos à violência do narcotráfico e das milícias, agora, ainda por cima, sem alimentos suficientes. É a tragédia da fome que, para citar o brasileiro Josué de Castro, adquire uma nova geografia.

Não é mais somente no interior ou nas áreas rurais que a fome aparece. Ela está agora nos centros urbanos das maiores cidades do país. Tudo isso destaca que a população mais uma vez dependerá das urnas para tentar sair deste quadro dramático. O déficit de alimentação não está estacionado na extrema pobreza. Ele está avançando por todas as classes sociais.

CPI DO MEC –  Reportagem de Camila Zarur e Jussara Soares, O Globo de ontem, destaca os esforços do governo no Senado para impedir a instalação da CPI proposta pelo senador Rodolfo Rodrigues para investigar (e revelar) a ação escandalosa de pastores evangélicos, utilizando verbas do FNDE para negociar comissões com prefeitos.

O senador Flávio Bolsonaro entrou em campo e passou praticamente a liderar um esforço para bloquear a CPI. A preocupação do governo é grande, pois caso contrário, não haveria a necessidade de desenvolver esforços para obstruir as investigações.

VÍDEOS – O problema aumentou para o governo, sobretudo após a divulgação dos vídeos dos pastores Arilton Moura e Gilmar Santos sobre as acusações que pesam sobre eles. A informação que sustentou o surgimento dos vídeos na TV Globo e na GloboNews foi a de que a iniciativa foi da Polícia Federal com autorização da Justiça.

Tenho a impressão de que os vídeos divulgados, no fundo, foram à tona por iniciativa dos próprios pastores e dessa forma conseguiram ameaçar o Planalto, principalmente Arilton Moura e Gilmar Santos, quando deixou no  ar a ameaça de revelar tudo.

NOVO PRESIDENTE –  Aprovado na tarde de segunda-feira pelo Conselho de Administração da Petrobras,  o economista Caio Paes de Andrade tem a missão inegável de  atuar para conter novos aumentos da gasolina, no óleo diesel e no gás, pelo menos até o mês de outubro, quando se desenrolam as eleições.

Não fosse esse o caminho que foi traçado para ele pelo Planalto, não faria sentido Paes de Andrade ter assumido o cargo. Só pode ser esse o objetivo, já que os aumentos de preços dos combustíveis foram o motivo comum da demissão de presidentes anteriores. Mas a questão do petróleo tem outro aspecto que não deve ser ignorado.  Esse novo aspecto refere-se às importações de diesel e gasolina.

IMPORTAÇÕES – Uma excelente reportagem de Gabriel Vasconcelos, edição de segunda-feira de O Estado de S. Paulo, revela que três grandes empresas particulares são responsáveis por 81,5% das importações de gasolina e óleo diesel. Entre elas, não figura a Petrobras. As três grandes são as seguintes: Vibra, antiga BR3, Raizen e Ipiranga.

A Ipiranga, que também atua no varejo, é responsável pela importação de 32,7%. A Raízen por 25,6%. Já a Vibra por 18,2%. Enquanto isso, a Petrobras, que é a maior interessada na escala dos preços, é responsável apenas pela importação de 11,9%. As parcelas restantes são ocupadas por mais duas empresas de menor porte.

De acordo com reportagem de Manuel Ventura, Bruno Rosa, Malu Gaspar e Vitor da Costa, O Globo, a Petrobras pretende vender as refinarias de Abreu Lima, no Nordeste, Presidente Getúlio Vargas, no Paraná, e Alberto Pasqualini, no Rio Grande do Sul. Quando se verifica que as importações de refino são fator de desequilíbrio nas contas de receber e a pagar da Petrobras, causa espanto a iniciativa de vender três unidades importantes para a economia do país ao invés de partir para a instalação de novas refinarias.

Justiça dos EUA agride direito natural da mulher e estadualiza questão absolutamente federal

Direito tinha sido assegurado há quase cinco décadas 

Pedro do Coutto

Foi de fato absurda a decisão da Corte Suprema dos Estados Unidos proibindo a prática do aborto no país de forma indiscriminada e, agravando o absurdo, estadualizando um problema de saúde que é federal. O voto de uma parcela conservadora da Corte Suprema estabeleceu faixas estaduais de decisão, o que para mim, não tem cabimento.

No Texas e na Flórida, por exemplo, o aborto é proibido. Na Califórnia e em Nova York é aceito. Não faz o menor sentido. O problema da concepção diz respeito à saúde feminina; está condicionada aos direitos do corpo e não pode ser regionalizado. No caso da decisão, além do mais, houve um retrocesso enorme, como aliás focalizou ontem a jornalista Lígia Maria em artigo publicado na Folha de S. Paulo.

DIREITOS DO CORPO – Ela chama a atenção para um aspecto importante; a direita radical, inclusive a americana, é contrária ao aborto. Nos Estados Unidos a opinião pública, resultado de pesquisa realizada, apontou 59% a favor do aborto e 41% contra. Mas a questão não é só de maioria, pois não se pode obrigar uma mulher a gerar um filho ou uma filha que não deseja. São direitos do corpo que devem ser respeitados.

No Brasil, na última semana, verificou-se um debate absurdo sobre o direito de uma menina de 11 anos abortar, quando a lei estabelece claramente o direito garantido nos casos de estupro, risco de vida para a mãe, entre outros.

Na década de 70, uma pesquisa feita por uma entidade ligada a um grupo internacional chegou a conclusão que no Brasil eram praticados por ano 1,5 milhões de abortos, nos quais 20% acarretavam complicações hospitalares, exigindo em média dois dias de internação por paciente.  A grande arma contra o aborto e a gravidez indesejada é o planejamento familiar.

POLÍTICA DE PREÇOS –  Reportagem de Bruno Rosa, O Globo desta segunda-feira, revela que o futuro presidente da Petrobras recusou participar de entrevista no Comitê de Pessoas da estatal para avaliar a sua formação profissional e saber a sua habilitação para o cargo. Paes de Andrade recusou-se por escrito a ser entrevistado, e também negou ter recebido qualquer orientação para alterar a política de preços que vigora até o momento e que causou as substituições de Roberto Castello Branco, Silva e Luna e José Ferreira Coelho do comando da empresa.

Eu acho que ele cometeu um grave equívoco, pois não se trata de receber orientação para política de preço, mas trata-se de saber qual a sua própria orientação. Afinal, ele será o novo presidente da Petrobras. Ele não tem que ser orientado, mas orientar. Já começa mal o quarto presidente da empresa na gestão Bolsonaro.

EM DEFESA DE RIBEIRO – Reportagem de Fernanda Trisotto, O Globo, revela que Jair Bolsonaro praticou no domingo dois recuos. Primeiro, desistiu de substituir Braga Netto por Tereza Cristina como vice em sua chapa.

O segundo, o de voltar a defender o ex-ministro Milton Ribeiro. Talvez por influência da ameaça do pastor Arilton Moura que afirmou que abriria o jogo caso a sua esposa fosse importunada por qualquer fato relativo à questão dos pastores do MEC.

PROBLEMAS FINANCEIROS –  Levantamento do Datafolha, reportagem de Alexa Salomão na edição de ontem da Folha de S. Paulo, revela que 63% da população brasileira está sentindo queda no poder de compra, situação que se agravou de 2021 para 2022. Os 63% contém também aquela parcela de 26% que vive enfrentando sérias dificuldades.

O avanço da perda de poder aquisitivo é um processo social, a meu ver, muito grande e que como não poderia deixar de ser afeta bastante a imagem do governo. Essa realidade foi pela primeira vez levantada pela própria Alexa Salomão na edição de domingo, dia 26, também na Folha de S. Paulo.

Quarenta e sete milhões de brasileiros passaram de 2021 para 2022 em situação de extrema pobreza. Essa faixa representa 22% da população brasileira. O levantamento neste caso é do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social.

COMPROMETIMENTO – A pobreza infantil, em consequência, compromete o futuro de 19 milhões de crianças e adolescentes que sofrem com a perda do poder aquisitivo de seus pais.  A piora das condições de vida ocorreu de forma generalizada.

A concessão do Auxílio Brasil, primeiro na escala de R$ 600 em 2020, causou algum efeito naquele ano, mas a queda do auxílio para R$ 400, como era previsto, desgastou o poder da iniciativa para um socorro imediato não contra a pobreza, mas contra a fome. Uma consequência do recuo social da população de menor renda.

Operação Abafa não dá voto a Jair Bolsonaro que está num redemoinho

Charge do Cláudio Hebdo (folha.uol.com.br)

Pedro do Coutto

O Palácio do Planalto, como era esperado, adotou a estratégia de não responder às acusações que passaram a pesar contra Bolsonaro produzidas terrivelmente pelos pastores que operavam à sombra do também pastor e ex-ministro Milton Ribeiro, que passou inclusive a enfrentar um processo contrário ao seu comportamento pela corrente presbiteriana do protestantismo.

A Operação Abafa – focalizada numa excelente reportagem de Geralda Doca e Thiago Bronzatto, O Globo – tem como objetivo lógico o de jogar com o tempo, esperando que este reduza a pressão de todos os lados sobre o governo. Não vai adiantar, penso, pois o problema não é no fundo da questão uma iniciativa penal, mas sim de efeito eleitoral nas urnas de outubro.

REDEMOINHO – Bolsonaro perdeu terreno e se encontra num redemoinho, como definiu a jornalista Miriam Leitão em artigo publicado também no O Globo de ontem. Do redemoinho, em matéria de votos nas urnas, Jair Bolsonaro não se livrará, sobretudo porque na semana que se inicia a repercussão do episódio envolvendo os pastores do MEC, ampliada com as preces feitas a Deus por Milton Ribeiro e o pastor Arilton Moura acrescentam o grotestco e o ridículo que expõem Ribeiro e Moura à uma contradição religiosa essencial.

Na mente dos verdadeiramente cristãos que são os humanistas, os pastores que saíram da planície para o Planalto, lembram os vendilhões do templo expulsos por Jesus Cristo, a maior figura da humanidade, sobretudo porque foi o homem que dividiu o tempo entre antes e depois Dele.

Esse corte na história da humanidade é inultrapassável. Porém, não adianta alguém se apresentar como cristão e agir como quem deseja se aproveitar da mensagem do Nazareno para obter vantagens ilegítimas exatamente opostas ao pensamento que norteou a vida e a morte do filho de Deus, como acreditam tanto os católicos quanto os protestantes.

DIVISÕES – Os protestantes que de um tempo para cá passaram a se considerar evangélicos, como se os outros cristãos não os fossem, dividem-se em várias correntes: luteranos, presbiterianos, os batistas, os integrantes da Assembleia de Deus, entre outras faixas de pensamento.

No fundo, os que se afirmam evangélicos têm a sua origem no tempo balizada a partir do momento em que pouco antes de 1500, Martinho Lutero rebelou-se contra a Igreja Romana em virtude da venda de indulgências, por influências que nada tinham de religiosas, pela predominância de interesses ilegítimos manipulados por bispos e padres e até por papas.

A expressão redemoinho usada por Míriam Leitão está perfeita. Bolsonaro está nesse redemoinho. Como  é natural, está tentando se livrar, mas não conseguirá. O seu problema não é chegar à margem, mas conquistar o voto e também a tentativa que busca para preparar uma ruptura democrática.

ELETROBRAS –  Em seu artigo, publicado simultaneamente nas edições de ontem de O Globo e da Folha de S. Paulo, Elio Gaspari  afirma que a Eletrobras no ano de 2017 contratou um escritório de advocacia americano, Hogan Lovells, para investigar roubalheiras calculadas em cerca de R$ 300 milhões.

O Tribunal de Contas da União, agora, no dia 15 de junho de 2022, após uma distância de cinco anos, começou a examinar o assunto. O trabalho do TCU vem com atraso, mas a meu ver dá margem para que se estenda ao processo nominal de privatização do comando da holding a partir de uma avaliação incrivelmente pequena de R$ 67 bilhões.

Peço a atenção de Elio Gaspari para o fantástico lance de dados do século XXI, pois como pode valer só R$ 67 bilhões uma empresa que possui em funcionamento 49 usinas hidrelétricas, 40 usinas eólicas, além de uma usina solar? Impossível.  Além das usinas, Furnas é responsável pela transmissão da energia de Itaipu para o sistema brasileiro através de suas linhas no Paraná.

Pastores do MEC, incluindo Milton Ribeiro, destroem a candidatura Bolsonaro

Charge do Amarildo (agazeta.com.br)

Pedro do Coutto

Os pastores que atuavam na sombra no Ministério da Educação, negociando verbas para prefeitos e buscando receber comissões com o aval do então ministro Milton Ribeiro, terminaram por destruir a candidatura do presidente Bolsonaro à reeleição nas urnas de 2 de outubro.

O escândalo que já tinha marcado a demissão de Milton Ribeiro foi ampliado de forma colossal pela divulgação de conversas telefônicas entre o próprio ex-ministro e sua filha, quando ele disse ter sido alertado por Bolsonaro sobre um provável processo de busca e apreensão que seria feito. Foi uma explosão excepcional, mesmo tratando-se de política no atual governo, deixando o Palácio do Planalto numa situação extremamente vulnerável.

AMEAÇA – As gravações incluíam também o pastor Arilton Moura preocupado com o envolvimento de sua mulher nas ações da Polícia Federal. Nesse ponto, Arilton Moura ameaçou “explodir tudo”, afirmação enigmática apenas para os que não acompanham o caso. No O Globo a reportagem é de Aguirre Talento, Bruno Abbud,Eduardo Gonçalves e Natalia Portinari. Na Folha de S. Paulo, o texto é de Fábio Serapião, José Marques e Paulo Saldaña.

O episódio em cenário algum acrescenta pontos para Bolsonaro. Deve tirá-los, não muitos, porém decisivos, sobretudo porque o Datafolha em pesquisa divulgada na última semana apontou o índice de 70% de votos cristalizados; ou seja, aqueles que estão com Lula ou Bolsonaro não pretendem alterar seus votos até o momento.

LULA NA FRENTE – Essa cristalização favorece o candidato do PT, que se encontra à frente de acordo com último levantamento realizado pela Folha de S. Paulo. Lula está na frente junto aos eleitores que ganham até dois salários mínimos, os que ganham entre dois a cinco salários mínimos, perdendo a vantagem na faixa dos que  recebem acima de cinco pisos salariais.

Há também reflexos em virtude da possível criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado sobre os últimos acontecimentos. O governo se empenhou em impedir uma CPI, mas os sinais de sexta-feira na área parlamentar indicavam o contrário. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, acha difícil o governo ter êxito para impedi-la. A impressão é que a desarticulação no Planalto se generalizou.
 
AUXÍLIO BRASIL –  Sentindo o panorama contrário à candidatura de Jair Bolsonaro, o Palácio do Planalto resolveu partir para uma ofensiva que a meu ver não resolverá o impasse governamental. Reportagem de Manuel Ventura, O Globo, mostra que o governo decidiu lançar um pacote de bondades, incluindo a elevação do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600, o “Pix Caminhoneiro” de R$ 1 mil e a ampliação do vale-gás. O custo fiscal das medidas teve um salto e já chega a R$ 34,8 bilhões

O presidente da República pretende que o conjunto de bondades seja pago fora do teto de gastos. As iniciativas serão incluídas na PEC dos Combustíveis, que inicialmente foi elaborada com o objetivo de compensar os estados que decidissem zerar a alíquota do ICMS sobre diesel e gás até o fim do ano. Para isso, estava previsto um montante fora do teto de R$ 29,6 bilhões. Essa iniciativa foi deixada de lado.

DECISÃO ABSURDA –   A grande maioria das mulheres tem absoluta razão, penso, em lamentar profundamente a decisao da Corte Suprema dos Estados Unidos, derrubando o dispositivo constitucional que permtia o aborto no pais. Pela decisão, contraditória, uma matéria de amplitude nacional passa a ser do arbítrio dos governos estaduais.

É um absurdo defender, como no Brasil se defende, a criminalização do aborto. Para combater o aborto só existe um caminho: o planejamento familiar efetivo e organizado. Caso contrário, continuarão a ser praticados no país mais de 1,5 milhão de abortos por ano, dos quais 300 mil acarretam complicações hospitalares.

Datafolha: Lula se mantém à frente nas intenções de voto e hoje venceria no primeiro turno

Charge: Corrida entre Lula x Bolsonaro :Entre Notícias

Charge do Nando Motta (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Pesquisa do Datafolha divulgada pela GloboNews na tarde de quinta-feira, apontou as intenções de voto, sendo 47% para Lula da Silva contra 28% para Jair Bolsonaro e 8% para Ciro Gomes. Os demais candidatos apresentaram percentuais mínimos.

O resultado é praticamente idêntico ao da pesquisa realizada pelo Datafolha no final de maio. As diferenças são muito pequenas. O fato é que o quadro ainda está estável no passar de 30 dias. Reportagem no O Globo de Marlen Couto e Lucas Mathias, apresenta um panorama bastante amplo sobre os números e seu significado.

SURPRESA – Surpreendeu os jornalistas que participaram de debates sobre a questão na GloboNews,  que os últimos fatos, com a prisão do ex-ministro Milton Ribeiro e a questão da Petrobras não tenham influenciado ainda na movimentação dos números.

É natural, pois os fatos importantes que ocorrem exigem um prazo mais elástico para serem digeridos pelo eleitorado. Por isso, é possível que a prisão de Milton Ribeiro tenha efeito mais adiante sobre os evangélicos. Mas não é certo também. A mesma coisa sobre o aumento dos preços dos combustíveis.

Na tarde de quinta-feira, a GloboNews reuniu vários jornalistas que debateram longamente o panorama revelado pela pesquisa e chegaram à conclusão de que a vitória de Lula seria sacramentada no primeiro turno, com base nas pesquisas.

BRANCO OU NULO – Aliás, vale lembrar, conforme sempre digo, em qualquer lugar que seja, não adianta votar em branco ou anular o voto. Isso sempre ajudará quem está na frente, pois se a pessoa não concorda com o quadro eleitoral que a pesquisa aponta, terá que ter outro comportamento. Além disso, há uma rejeição muito grande sobre o governo Bolsonaro, inclusive entre as mulheres.

Devemos lembrar que o resultado da pesquisa do Datafolha vai influenciar fortemente nas articulações para a reeleição dos governadores dos estados. Isso porque, no Nordeste, por exemplo, onde a margem de Lula é disparada sobre Bolsonaro, é difícil haver algum candidato à reeleição que se alinhe totalmente com o presidente da República. Além disso, pelo observado, a possibilidade da terceira via certamente naufragou.

Prisão de Milton Ribeiro por corrupção no MEC contém a ofensiva contra as urnas do TSE

Caso Milton Ribeiro explodiu como uma bomba no governo

Pedro do Coutto

A repercussão enorme da prisão estabelecida pela Polícia Federal do ex-ministro Milton Ribeiro e dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura,   por corrupção no MEC,  envolvendo recursos do  Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE,) explodiu como uma bomba no governo, proporcionando reflexos, como sempre acontece na política, além do fato principal do impacto.

O governo que paralelamente enfrenta o problema da Petrobras, do preço dos combustíveis e de um movimento do deputado Arthur Lira, presidente da Câmara, contra a lei das empresas estatais, foi tomado de surpresa por mais essa ofensiva do destino e vai se refletir – na minha opinião – para conter e talvez até imobilizar as investidas dos ministros Paulo Sérgio Nogueira e Anderson Torres contra o sistema eleitoral do TSE, incluindo as urnas eletrônicas.

FACA DE DOIS GUMES – Em política os fatos geram atmosferas que freiam ou aceleram as investidas disfarçadas ou não. O ímpeto quando é a favor da verdade tem um peso muito grande. Mas quando é no sentido de uma farsa, perde velocidade e assim seus autores e atores perdem poder de convencimento.

Se isso já ocorria antes da prisão do ex-ministro Milton Ribeiro, agora então assumiu proporções gigantescas. No O Globo, a reportagem é de Jussara Soares, Aguirre Talento, Paula Ferreira e Eduardo Gonçalves. Na Folha de S. Paulo, igualmente muito boa, a matéria é de Fabio Serapião, Paulo Saldaña e Camila Mattoso.  

CONTRADIÇÕES- De fato, o presidente Jair Bolsonaro, em plena campanha pela reeleição, sentiu-se cercado de contradições. Tanto as causadas por ele próprio, quanto as fabricadas por pastores que se dizem evangélicos, mas não seguem de nenhuma forma a prática dos princípios cristãos. Não é uma mera representação quando os mesmos que se apresentam como pastores pregam uma coisa na teoria e no discurso, e fazem outra na prática e no conteúdo de seus comportamentos.

Como na política, os fatos ocorrem em cadeia, os reflexos inevitáveis sobre o episódio Milton Ribeiro recairão sobre todo o governo, incluindo os ataques absurdos às urnas eletrônicas. Conforme assinalei no artigo de ontem, é impossível fraudar a computação do voto nas urnas que sintetiza a vontade popular, base fundamental da democracia. Portanto, quem deseja violar o princípio e os efeitos do voto, não pode dizer que é democrata ou mesmo afirmar que age em defesa das instituições.

PÉ FIRME  –  O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Edson Fachin – reportagem de O Globo – afirmou na tarde de quarta-feira que a Justiça Eleitoral e a imprensa são instituições fundamentais para a democracia e assegurou que o TSE não vai tombar no exercício de suas funções de organizar o pleito deste ano, com a transparência das eleições e defesa da liberdade.

As declarações de Fachin, sem dúvida, foram feitas para rebater as ofensivas dos ministros Paulo Sérgio Nogueira e Anderson Torres, da Defesa e da Justiça, que no fundo levantam uma sombra de dúvida sobre a segurança das urnas eletrônicas e sobre a autenticidade das eleições de outubro. Edson Fachin falou ao receber o prêmio “Faz diferença”, concedido anualmente pelo O Globo em reconhecimento às autoridades que se mostraram de atuação fundamental em suas respectivas áreas.  

O ex-presidente do TSE Luís Roberto Barroso também subiu ao palco para receber o prêmio por seu desempenho em 2021 das mãos do jornalista João Roberto Marinho, presidente do Conselho de Administração do grupo O Globo, e de Alan Gripp, diretor de Redação do jornal.

CPI DO MEC –  O governo Bolsonaro passou a atuar plenamente na defensiva, tentando escapar dos fatos que rompem simultaneamente em várias direções. Uma dessas direções está sintetizada na CPI que a oposição no Senado tenta articular sobre a corrupção no MEC no período em que Milton Ribeiro, que também é pastor protestante, encontrava-se à frente do Ministério da Educação.

O presidente Jair Bolsonaro, que inicialmente o defendia, agora afastou-se totalmente dizendo que o problema do ex-ministro é com a Polícia Federal.

GROUCHO MARX  – Há cerca de duas semanas, na Folha de S. Paulo, Ruy Castro publicou uma série de frases de Groucho Marx sobre os mais diversos assuntos. Lembro de uma que certamente Ruy Castro vai incorporar à enciclopédia que ele produz constantemente sobre a arte  e também sobre a face escura da política.

Numa noite do Oscar, creio que há uns vinte anos, a Academia concedeu um prêmio especial a Groucho Marx pelo conjunto da obra. Marx agradeceu e disse que lamentava que não estivessem vivos ao seu lado os irmãos que o acompanharam em todos os filmes que havia feito. E acrescentou: “Também lamento que não esteja aqui agora minha mulher, com quem fui casado, mas que nunca conseguiu rir de uma piada minha”.

A VIAGEM DE DANUZA – Morreu na madrugada de ontem a modelo, atriz e personagem importante das décadas de 50 e 60 do Rio de Janeiro, Danuza Leão. Ela foi uma personalidade, testemunha e coadjuvante de muitos acontecimentos que fazem parte da história carioca.

Ela lançou best-sellers como “Na sala com Danuza” e “Quase tudo”, a autobiografia na qual narra uma vida intensa e marcada também por casamentos com figuras também centrais em sua época, como os jornalistas Samuel Wainer, com quem teve três filhos, Antônio Maria e Renato Machado. Agora, viajou para um tempo marcado por um relógio sem ponteiro.

Informação aos ministros da Defesa e da Justiça: acompanhar votos, só com base no sistema do TSE

Charge do Zé Dassilva (nsctotal.com.br)

Pedro do Coutto

Os ministros da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, e da Justiça, Anderson Torres, estão empenhados em levantar sombras e dúvidas sobre o sistema eleitoral do país e, principalmente, abalar a credibilidade das urnas eletrônicas.

Nogueira ainda não marcou o encontro que ele mesmo propôs ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Edson Fachin, e, agora, como acentua a reportagem de Cézar Feitosa e Fabio Serapião, Folha de S. Paulo desta quarta-feira, o ministro Anderson Torres apresentou a Polícia Federal como capaz de acompanhar a computação dos votos.

TEMOR – As duas investidas na realidade partem do Palácio do Planalto, uma vez que o presidente Jair Bolsonaro foi o primeiro a revelar temores quanto a possíveis fraudes nas urnas eletrônicas. Sobre o acompanhamento e a auditoria da votação vale destacar que o Brasil tem 5.600 municípios. Se, em média, tivermos cem seções eleitorais por município, só aí teremos 560 mil urnas de recepção dos votos e computação dos resultados. Mas existem estados com um grande número de municípios. Assim o país durante as eleições registra milhares de urnas em seu território.

Cada uma possui um software de registros próprio, e não está conectada em rede com as demais. A fraude é impossível, pois para isso seria necessário usar um software compatível com o código fonte de cada urna. Em matéria de fraudar eleições, só existe a possibilidade de preenchimento de votos brancos, como foi o caso da Proconsult, no Rio de Janeiro, em 1982.

SISTEMAS PARALELOS – No sistema atual, já reafirmado várias vezes pelo ministro Edson Fachin, é impossível fraudar o voto; não tem como, pois não há possibilidade de se sobrepor o voto falso dirigido a um candidato ao voto do eleitor na cabine. Nem o Exército e nem o Ministério da Justiça podem instalar sistemas paralelos em uma dimensão que abrange milhares de urnas eletrônicas nas quais os votos são registrados.

As investidas dos dois ministros tornam-se impróprias e impossíveis. Sobre as Forças Armadas, a sua missão é garantir as instituições, a segurança nacional e o respeito à vontade popular. Afinal, estamos numa democracia.

FAKE NEWS – Reportagem de Mariana Muniz, O Globo, edição de ontem, revela que o presidente do TSE, ministro Edson Fachin, anunciou a entrada em operação de um sistema que combate as fake news e, assim, a desinformação sobre as eleições. A ferramenta permitirá a qualquer pessoa dirigir-se ao Tribunal sobre circulação de notícias falsas.

O TSE, então, as desmentirá. A medida do Tribunal é uma consequência da parceria estabelecida com as várias plataformas digitais. O sistema permitirá a responsabilização dos autores de fake news. Na minha impressão, as notícias falsas não têm influência direta sobre os votos dos eleitores e eleitoras. Pois se tivesse, o volume divulgado pelas redes sociais não se chocaria com os resultados das pesquisas eleitorais do Datafolha e do Ipec.

Como as intenções de voto não são nem de longe iguais ao volume das fake news, chega-se à conclusão inicial de que as fake news não funcionam eleitoralmente. Podem  conter calúnias e difamações, mas não mudam o voto do eleitorado.

LEI DAS ESTATAIS –  Por uma iniciativa do deputado Arthur Lira, presidente da Câmara Federal, o governo resolveu partir para uma ofensiva no Congresso para mudar a lei das estatais, em vigor desde 2016, que assegurou uma blindagem das empresas, entre as quais a Petrobras.

O projeto de Arthur Lira, que ele próprio tenta com que Bolsonaro coloque em prática por meio de Medida Provisória, abre caminho para facilitar nomeações e substituições e também para que o governo interfira na política de preços, especialmente da Petrobras.

INTERVENÇÃO – Acrescento que o governo, em matéria de preço, sob o raciocínio de Lira, terá que intervir na decisão da Aneel que determinou aumento a partir de julho nas tarifas de energia elétrica, chocando-se com o compromisso do governo de que a privatização da Eletrobras acarretaria uma redução das tarifas.

A situação econômica do país, principalmente atingindo os segmentos de menor renda, está atingindo pontos bastante críticos. O governo resolveu destinar um abono de R$ 400 por mês aos caminhoneiros assalariados de empresas. Está cogitando o aumento do auxílio-gás, pois o valor atual de R$ 53 só cobre a metade  do preço do botijão no varejo. A política de Paulo Guedes, adotada pelo governo, é de estatizar encargos sociais e liberar os preços, e portanto, os lucros, da iniciativa privada.

PODCAST – Numa entrevista ao podcast do portal G1, a senadora Simone Tebet afirmou que não pertence à ala do MDB ligada aos escândalos de corrupção que ficaram flagrantes nos casos do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e do ex-ministro Geddel Vieira Lima. Ela revelou que sua escola política é de Ulysses Guimarães e de Pedro Simon.

Sobre militares do governo, disse não ser contra, mas quando nomeados para cargos civis deveriam passar imediatamente para a reserva. Tebet na entrevista – reportagem de Guilherme Caetano, O Globo – criticou ainda a pressão do governo através do Ministério da Defesa contra o TSE a pretexto de aperfeiçoar o sistema de votação há menos de quatro meses das eleições de outubro.

Petrobras: Confusão geral no governo e posição de Sachsida contrária ao controle de preços

Sashida defendeu que governo não interfira nos preços fixados

Pedro do Coutto

O caso da Petrobras desencadeou uma tempestade no governo e, principalmente, no país, dando margem a uma série de ações movidas pelo Palácio do Planalto para estabelecer um controle de preços sobre a gasolina, o óleo diesel e o gás. O presidente da Câmara Federal, Arthur Lira, chegou a propor – matéria de Manoel Ventura e Bruno Rosa, O Globo desta terça-feira, a edição de uma Medida Provisória pelo presidente Bolsonaro, alterando a lei das estatais e terminando com a autonomia das empresas mistas sob controle do governo.

Arthur Lira propõe também elevar o imposto que incide sobre o setor do petróleo. Incrível, o presidente da Câmara dos Deputados propor medida ao Executivo e, na área econômica, o ministro Paulo Guedes sequer se pronunciar. A confusão se generalizou ainda mais com a iniciativa levantada de investigar o movimento das ações da empresa estatal para verificar se ocorreram ou estão ocorrendo especulações indevidas.

PONTO CONTRÁRIO – Mas o desencontro das opiniões que marcam o desempenho do governo ampliou-se com o depoimento na manhã de ontem  e transmitido pela GloboNews, quando o ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, defendeu exatamente o ponto contrário do que foi apresentado pelo presidente Jair Bolsonaro.

Sachsida sustentou numa audiência pública das comissões de Fiscalização Financeira e Controle; de Finanças e Tributação; de Minas e Energia; e de Viação e Transporte da Câmara dos Deputados que não é possível fixar preços para a importação de gasolina e diesel uma vez que são regidos pelo mercado internacional. Como se constata, Sachsida colidiu frontalmente com a orientação do governo que pretendia desvincular a questão dos preços do reflexo eleitoral de que possa se revestir.

SEM RUMO – Verifica-se uma falta de rumo no Executivo e também, como Sachsida deixou claro, a carência de unidade de pensamento. O pronunciamento de Sachsida foi feito em audiência pública promovida por comissões da Câmara dos deputados.

O desfecho da crise da Petrobras ainda não é previsível, pois depois das declarações do ministro de Minas e Energia terão que ter reflexo na permanência ou não de Adolfo Sachsida no cargo. Se permanecer, o governo ficaria esvaziado, pois ficará flagrante que nem o ministro de Minas e Energia concorda com o controle de preços que incidem sobre os produtos de sua área.

REFINARIAS –  O ministro de Minas de Energia afirmou, conforme dito, durante audiência pública, que o problema está na importação dos subprodutos que atingem praticamente 30% do consumo de óleo diesel e da gasolina. O país, acentuo, não possui um total de refinarias capazes de processar o óleo leve do pré-sal.

A entrada de uma refinaria nesse processo demora três anos. O tempo passou, abrangendo várias gestões, sem que fosse colocada a solução do problema e há interesses que travaram a questão no país. O governo foi omisso e o Brasil paga a conta. Nada justifica a inércia que atravessou o tempo

PROJETO – Lembro quando Getúlio Vargas enviou ao Congresso o projeto criando a Petrobras. Uma onda terrível se desencadeou contra a iniciativa, refletindo a posição de tradicionais fornecedores de petróleo do mercado internacional. O projeto foi aprovado e se transformou na Lei nº 2004 de 1953. Vargas, em 1954, nomeou Juraci Magalhães, da UDN, primeiro presidente da história da Petrobras.

A Petrobras começou a funcionar e sua produção era de 5 mil barris diários. Veio a campanha eleitoral, o tema foi colocado. Juscelino Kubitschek saiu em defesa da Petrobras e uma forte onda se desencadeou contra a sua campanha. O setor militar do governo, chefiado pelo general Henrique Lott, assumiu a defesa da estatal  e o governo Juscelino veio a consolidá-la contra os ataques desfechados, com Carlos Lacerda comandando a oposição, entregando no final de seu governo uma produção de petróleo da ordem de 100 mil barris diários, um terço do consumo da época.    

ORIGEM  – O que estava por trás da campanha contra JK tinha origem nas fontes de abastecimentos adicionais do mercado internacional. A produção do Oriente Médio não era tão volumosa como acontece hoje, porém era expressiva a partir das reservas na Arabia Saudita. É evidente que os fornecedores não queriam de forma alguma a atuação da Petrobras no Brasil e um especialista no setor, Mr. Hunt, chegou a sustentar que o Brasil não tinha reservas de petróleo.

Décadas depois, compare-se a frase com a realidade moderna. Basta isso para desvendar a cortina de interesses enormes no campo do petróleo. Tenho a impressão de que  a pressão internacional está se repetindo não mais contra a Petrobras, mas contra a construção de refinarias pelo Brasil. Não é possível que se atravesse o tempo sem que se invista nas refinarias que seriam a salvação das despesas do país em dólar, sobretudo com o diesel.

CONFLITO –  Depois de o ministro Edson Fachin ter respondido ao ministro Paulo Sérgio Nogueira, da Defesa, sobre a proposta de um encontro sobre o sistema eleitoral em vigor desde 1996, o governo partiu para um outro flanco de ataque, como revelam Bela Megale e Marianna Muniz, O Globo de ontem.

O ministro da Justiça, Anderson Torres, comunicou a Fachin que a Polícia Federal poderá desenvolver programas próprios para verificar os equipamentos de recepção e computação dos votos. Quer dizer, depois da iniciativa das Forças Armadas, surge um novo fator de desconfiança levantado pelo titular da Justiça.

Fachin precisa marcar a reunião solicitada pelo ministro da Defesa e esvaziar pressão militar

Fachin disse contar com os militares para suporte logístico

Pedro do Coutto

O ministro Edson Fachin, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, em ofício dirigido ao ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, sinalizou que aceitará o convite para um novo encontro entre representantes das Forças Armadas e os técnicos do TSE para mais uma análise sobre o sistema eleitoral das eleições de outubro deste ano.

O ministro Edson Fachin agiu politicamente muito bem, o seu procedimento foi correto, mas deveria ter convocado a reunião pretendida pelo Ministério da Defesa, para retirar quaisquer motivos que as Forças Armadas pudessem ter para relatar previamente vulnerabilidades na recepção e na computação dos votos deste ano.

TRANSPARÊNCIA – Reportagem de Jussara Soares, na edição desta segunda-feira de O Globo, transcreve e analisa o mais recente episódio envolvendo uma sombra que os militares haviam lançado sobre a transparência das eleições.

Fachin registrou, inclusive, o trabalho técnico do colegiado do TSE e disse contar com os militares, sobretudo para o suporte logístico das eleições, a exemplo da participação que já tiveram no pleito de 2018.

O ministro  acentuou esperar a presença do general Heber Portella, representante das Forças Armadas na Comissão de Transparência instalada pelo TSE.

CONTRIBUIÇÃO – “As Forças Armadas têm dado relevante contribuição para que as eleições sejam realizadas de forma segura e transparente. A grande maioria das sugestões apresentadas por elas foram acolhidas, indicando compromisso público do TSE envolvendo o diálogo plural com as diversas instituições da sociedade”, afirmou.

Fachin acrescentou que conta com as Forças Armadas na Comissão de Transparência e com o suporte operacional e logístico prestado por elas em todas as últimas eleições.

A resposta, na minha impressão, foi acertada, mas falta marcar a reunião solicitada pelo Ministério da Defesa.

RENÚNCIA NA PETROBRAS –  Na manhã de ontem, a GloboNews anunciou, por volta das 9h30, que o presidente da Petrobras, José Mauro Ferreira Coelho, decidiu renunciar ao cargo, e para isso convocou o Conselho de Administração. Entretanto, esse terá que convocar nova assembleia para então ser aprovado o nome de quem o sucederá. Até o momento, o mais cotado é Caio Paes de Andrade, integrante da equipe do ministro Paulo Guedes.

Essa indicação, porém, choca-se com a visão de política econômica do próprio Guedes, uma vez que Paes de Andrade, se assumir o cargo, será para intervir no mercado e congelar os preços da gasolina e do óleo diesel; posição que contraria frontalmente a visão do ministro.

ELETROBRAS – Na edição de ontem de O Globo, houve a informação de que nove dos onze conselheiros da Eletrobras entregaram os seus cargos. Na justificativa, os executivos alegam que com a desestatização concluída por meio da capitalização sacramentada na semana passada, será necessária uma nova composição do colegiado para refletir a nova distribuição das ações da empresa.  Uma das vagas do Conselho já foi aberta e a outra é ocupada pelo representante dos empregados que não deixará o posto.

Para mim é uma surpresa o que a matéria focaliza:   que a Eletrobras funcionará sem controlador definido, o que o “mercado” americano chama de “corporation”. Um absurdo. Não existe a hipótese do poder ser exercido vagamente. Alguém tem que ocupá-lo, sobretudo porque tem que ser definida a responsabilidade tanto pelos erros, quanto pelos acertos cometidos. Alguém tem que usar a caneta e assumir a responsabilidade do comando administrativo e operacional. Há algo surpreendente por trás dessa renúncia.

Bolsonaro avisa que Petrobras perderá mais R$ 30 bilhões nesta segunda-feira na Bovespa

Charge do Jota A. (portalodia.com)

Pedro do Coutto

O presidente Jair Bolsonaro, no final da tarde de sábado, após um culto evangélico em Manaus, afirmou ser inadmissível que a Petrobras obtenha lucros na escala que tem alcançado enquanto os preços dos combustíveis atingem a população do país. Jair Bolsonaro acentuou que, na sexta-feira,  a Petrobras já tinha perdido outros R$ 30 bilhões em valor de mercado com a queda de suas ações na Bolsa de Valores.

Hoje, segundo ele, perderá outros R$ 30 bilhões. O valor de mercado da Petrobras, vale frisar, está subestimado. Uma empresa que atua no campo da consultoria econômica, segundo revelou a GloboNews na tarde de sábado, calculou o valor de mercado da empresa em R$ 403 bilhões. Na minha opinião esse valor é muito baixo. Basta dizer que são na realidade US$ 30 bilhões.

QUEDA DAS AÇÕES – Comparado com o que Elon Musk ofereceu pela compra do Twitter, US$ 44 bilhões, não é nada. Mas o assunto Petrobras no Brasil ganhou contornos impressionantes, a começar pela fala do presidente da República que antecipou a queda das ações da principal empresa brasileira hoje no mercado e acrescentou que a perda de hoje será decorrente do anúncio da instalação de uma CPI que ele pediu ao presidente da Câmara, Arthur Lira, para investigar de onde vem os lucros da Petrobras.

A CPI investigará o que Bolsonaro chamou, na tarde de sábado, de atuação da Petrobras Futebol Clube. Para Bolsonaro, já há número suficiente na Câmara para a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito. A CPI também examinará o fato de não serem tributadas as exportações brasileiras de petróleo bruto, enfoque assinalado pelo deputado Altineu Côrtes, líder do PL na Câmara. No O Globo, a reportagem é de Dimitrius Dantas e Mariana Muniz. Na Folha de S. Paulo, reportagem de igual importância de Ítalo Nogueira e Nicola Pamplona.

ACIONISTA – Surpreende em tudo isso a iniciativa escolhida por Bolsonaro para atingir a Petrobras através de uma CPI do Poder Legislativo. O presidente da República, digo, não levou em consideração que o governo federal é o principal acionista da empresa e, como tal, tem todas as condições de investigá-la e examinar seus balanços, contas, compromissos, exportações e importações.

Não há necessidade de CPI, medida legislativa, uma vez que o Bolsonaro é o chefe do Executivo e pode determinar a auditoria das contas da Petrobras. Impressiona também o fato de Bolsonaro ter praticado um lance que afeta a rentabilidade do seu próprio governo que tem na Petrobras um dos seus braços mais fortes.

DIFÍCIL DECOLAGEM –  Reportagem de Lauriberto Pompeu, edição de sábado, o Estado de S. Paulo, revela que tanto o MDB quanto o PSDB, teoricamente bases partidárias de Simone Tebet, encontram-se divididos na luta pelos governos de 16 Estados e mais Brasília entre Lula da Silva e Jair Bolsonaro. A matéria apresenta a relação dessas divisões.

O MDB de Simone Tebet está apoiando Lula nos Estados de Alagoas, Ceará, Paraíba, Pará, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Piauí e Amazonas. Ao que se refere ao alinhamento com Bolsonaro, pré-candidatos aos governos de Roraima, Acre, Rio de Janeiro, Paraná e Brasília encontram-se alinhados com o Planalto.  

As divisões do PSDB são também expressivas. Os tucanos caminham para ampliar Lula em Alagoas, Maranhão, Pará e Rio de Janeiro. Em Mato Grosso do Sul, estado de Tebet, o candidato do PSDB Ricardo Riedel disse estar fechado com Bolsonaro. O presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, acha que Simone Tebet crescerá e será a grande novidade da eleição.

Mas, as tendências partidárias não acreditam nesse caminho e como revelou Lauriberto Pompeu já se articularam com Lula e Bolsonaro, deixando Tebet sem espaço. O Globo publicou também sobre a aproximação dos candidatos com Lula e Bolsonaro através de uma reportagem de Gustavo Schmitt e Sérgio Roxo.

Combustíveis: Desordem no governo abala candidatura de Bolsonaro à reeleição

TRIBUNA DA INTERNET | Aliados de Bolsonaro avisam que o governo tem de  evitar nova alta do preço do diesel

Charge do Jota A (O Dia/PI)

Pedro do Coutto

As últimas 48 horas marcaram ao mesmo tempo uma tempestade que abala fortemente a candidatura de Bolsonaro à reeleição e também coloca em relevo a desorganização que fica flagrante sobre a atuação administrativa do governo, transformando-se num abalo seguido de uma explosão sobre a candidatura do presidente da República nas urnas de outubro.

A desorganização ficou absolutamente flagrante. O presidente da Petrobras, José Mauro Ferreira Coelho, com o apoio do Conselho da Administração, cujos membros foram nomeados pelo presidente da República há cerca de um mês, estabeleceu um novo aumento de preço para a gasolina e para o óleo diesel.  

REFLEXOS – A desorganização administrativa, inevitavelmente refletindo-se no quadro político, está flagrante a partir do momento em que o presidente da Câmara, Arthur Lira, ameaçou o  presidente da Petrobras com a criação de uma CPI caso ele não adie o aumento até a votação final do projeto que unifica os valores do ICMS nos Estados. Lira pediu também a renúncia de José Mauro Ferreira Coelho, mas este já disse que não renuncia.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, também ameaçou com uma medida sem base na lei que determina  que a metade dos lucros obtidos pela Petrobras sejam revertidos para um fundo de apoio à famílias de baixa renda e usado também para conter novos aumentos de preços da gasolina e do diesel.

Várias outras ações se verificaram, como a do ministro chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, que disse que o presidente da Petrobras não pode ignorar a vontade de Bolsonaro. Mas nenhuma reação acentua tanto  a descoordenação que surgiu no horizonte do país quanto às providências determinadas à Petrobras pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

PRAZO – Em decisão isolada, sem que tenha surgido nenhuma ação na Corte Suprema, ele determinou que a Petrobras suspenda o aumento que prejudica a população e também a economia nacional, além de dar prazo de cinco dias para que o presidente da estatal forneça os resultados e as medidas relativas aos preços da gasolina e da óleo diesel ao longo dos últimos 60 meses.

Como se constata, um ministro do STF tomou a iniciativa de exigir providências da Petrobras, agindo individualmente e assumindo, portanto, uma postura, neste caso incompatível, com as atribuições do Judiciário. O quadro político brasileiro ingressou numa fase extremamente crítica, não podendo-se assim prever no momento qualquer linha de retorno, sobretudo porque esse só poderia partir do Planalto.

DESABASTECIMENTO – Mesmo se Bolsonaro conseguir rapidamente obter a demissão de José Mauro Ferreira Coelho e do Conselho de Administração da estatal, a suspensão dos preços acarretará o desabastecimento principalmente do óleo diesel, cujos preços do mercado internacional encontram-se defasados em relação às importações brasileiras.  As ações da Petrobras desabaram na última sexta-feira e a Bovespa também recuou, prejudicando diretamente os milhares de acionistas da empresa.

É o tal negócio, tudo está vinculado ao espaço político, e não há nada que ocorra num país que não produza reflexos na estrutura e na mecânica do poder. A posição de Bolsonaro em relação às urnas está cada vez mais longe. Os erros são seus e não dos outros.

(IN) SEGURANÇA – Muito bom o artigo da jornalista Flávia Oliveira, no O Globo, sobre a segurança, ou melhor dizendo, sobre a insegurança na Amazônia. Ninguém está seguro naquela região, da mesma forma que ninguém se sente seguro no Rio de Janeiro, nas áreas dominadas pelo narcotráfico e pelas milícias que extorquem as populações de menor renda.

Na Amazônia atuam forças que, digo, parecem ter se unido.Garimpeiros ilegais em busca do ouro, pescadores ilegais, desmatadores e, mais recentemente, narcotraficantes que penetram no território brasileiro. Como a Amazônia é muito extensa, mas pouco povoada relativamente, os narcotraficantes, é evidente, percorrem milhares de quilômetros de rodovias para levar o produto sinistro aos mercados de poder aquisitivo. Essas rotas são inevitáveis e é necessário que o governo ocupe tanto a Amazônia sob o império da lei, quanto fiscalize as cargas rodoviárias que intoxicam a sociedade.

DIA DE PORTUGAL – Por iniciativa da vereadora Teresa Bergher, como faz todos os anos, no dia 13 de junho, segunda-feira, a Câmara Municipal do Rio comemorou a passagem do Dia de Portugal e também de Santo Antônio, santo mais popular de Lisboa.

Teresa Bergher lembrou a importância de Portugal para o mundo, destacando o ciclo das grandes descobertas lideradas por portugueses e também por navegantes, como é o caso de Cristóvão Colombo, formados pela Escola de Sagres. Descortinaram novas faces do mapa mundial, destacando-se pela grande importância para que se abrissem novos espaços no planeta.

Assassinatos, crime organizado, crise com a Petrobras, subida de preços e salários congelados

Charge do Galhardo (umbrasil.com)

Pedro do Coutto

Os assassinatos do jornalista inglês Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira chocaram o país e alcançaram uma repercussão internacional enorme na proporção do crime praticado e de suas motivações. Está evidente que, ao contrário do que a Polícia Federal deixou antever na manhã desta sexta-feira, a execução foi encomendada por correntes muito fortes, entre as quais as dos traficantes de drogas e garimpeiros ilegais.

Paralelamente a esse imenso problema, devastador para o governo, surgiu uma crise singular colocando em confronto o presidente Jair Bolsonaro e a atual administração da Petrobras, que ele inclusive pretende afastar rapidamente. A Petrobras, com base em decisão do seu Conselho, aumentou os preços do diesel, da gasolina e do gás.

SEM SOLUÇÃO – O Planalto tentou influir, mas não conseguiu, o que enfureceu Bolsonaro. Até o momento em que escrevia no meio da tarde de ontem, não havia uma solução concreta para o impasse administrativo que se criou. Não bastasse isso, os preços, inclusive dos alimentos, estão disparando e os salários estacionando; com isso, caindo o poder de compra da população, como as pesquisas apontam.

Elas assinalam que a fome já está atingindo 37 milhões de brasileiros e brasileiras. Além disso, na esfera do governo surgiu um movimento do Centrão para substituir o general Braga Netto pela deputada Tereza Cristina ou pela ex-ministra Damares Alves, como vice-presidente na chapa da reeleição. A tempestade, portanto, está varrendo o convés do governo, com obstáculos em série, diminuindo a possibilidade da reeleição do atual chefe do Executivo. O Palácio do Planalto está fortemente afetado pela situação que se torna evidente no país.

O episódio colocando em confronto o Planalto e a Petrobras levou o governo até a recorrer ao ministro André Mendonça, do STF, em busca de uma medida qualquer capaz de sustar o aumento dos combustíveis até pelo menos a aprovação final pelo Congresso do projeto que reduz o ICMS incidente sobre a gasolina, o diesel e o gás.

GOLPE MILITAR – Têm sido muitos os pronunciamentos focalizando as dificuldades relativas à qualquer investida de golpe militar contra o desfecho das urnas de outubro, contra a democracia e a liberdade, um retrocesso que levaria a dezembro de 1968, com a decretação do Ato Institucional nº5.

Na edição de quinta-feira, em artigo na Folha de S. Paulo, Ruy Castro colocou mais um obstáculo: o fato do incentivo ao armamento da população pelo presidente da República, uma forma de criar uma milícia política para a eventualidade de uma crise institucional violenta. Mas, o jornalista assinalou que essa ação se chocaria com as correntes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, impossibilitadas de se integrar a um movimento fundamental.

Lembro o exemplo que ocorreu na Alemanha de Hitler com as forças ditatoriais paralelas chefiadas por Herbert Rohmer que acabou sendo morto pelas próprias forças militares nazistas. Forças desse tipo não podem conviver em situação alguma com as forças militares regulares empenhadas no caso brasileiro, segundo a lei, que garantia a ordem, a Constituição e os direitos individuais. Como se vê, a semana que termina só trouxe mais resultados negativos para o governo com reflexos eleitorais inevitáveis.

Assassinos a serviço do crime organizado mataram Phillips, Bruno e apunhalaram o país

Charge de Carlos Latuff (brasil247.com)

Pedro do Coutto

Assassinos a serviço do imundo crime organizado mataram Dom Phillips e Bruno Pereira, e apunhalaram também o país, deixando para sempre um rastro de sangue na história brasileira. A repercussão internacional está sendo enorme. O governo Bolsonaro ficou muito mal nas narrativas nos principais jornais do mundo, conforme a TV Globo revelou.

O crime organizado inclui a pesca ilegal, o garimpo fora da lei, o desmatamento criminoso e, de uns tempos para cá, a ação do narcotrafico na região, estando provavelmente envolvido no triste episódio, dada a violência do crime contra o jornalista ingles e o indigenista. No O Globo, a reportagem  é de Carla Rocha, Bruno Alfano e Alfredo Mergulhão. Na Folha de S. Paulo, a matéria é de Vinicius Sassine, César Feitosa e Rosiene Carvalho.

REPERCUSSÃO – O impacto do episódio foi enorme e está se desenvolvendo na proporção do crime praticado. Aumentando a repercussão negativa para o Brasil, Matheus Teixeira, Folha de S. Paulo de quinta-feira, destaca a frase do presidente Bolsonaro, afirmando que Dom Phillips era “mal visto na Amazônia”. A afirmação causa perplexidade porque, mesmo que fosse verdadeira, isso não seria motivo para que alguém fosse assassinado.

O presidente da República, desde o início do roteiro sinistro desenhado pelos assassinos, não focalizou diretamente a questão, dizendo que a área era de risco. No fundo, deixa o governo ainda pior, uma vez que comprova que ele não tem o domínio de uma área de fronteira com diversos países e, portanto, configura-se como rota aberta na selva verde para as ações do garimpo ilegal e do narcotráfico que se expande na região.

A Polícia Federal informou que, no caso da defesa do meio ambiente na Amazônia, luta contra a falta de recursos humanos e financeiros. Essa é uma parte do resultado do desmonte  feito nos quadros do Ibama e da Funai, atitudes misteriosas, hoje menos ocultas por parte do Ministério do Meio Ambiente e também do Ministério da Economia, a quem cabe a execução do orçamento federal.

OMISSÃO – As consequências já estão se fazendo sentir e vão repercutir ainda mais nos próximos passos do governo Jair Bolsonaro. Algumas perguntas devem ser feitas: por que o silêncio quanto ao desmatamento ? Por que a nuvem sobre o garimpo ilegal? Por que a sombra sobre a pescaria contra a lei? Por que a omissão ? As respostas aguardadas são possíveis indicadoras de um estranho sistema.

Com o assassinato de Dom Phillips e Bruno Pereira, o governo desabou ainda mais na opinião pública e, portanto, junto ao eleitorado brasileiro. Também no O Globo, reportagem de Lucas Altino destaca o clima de ameaça constante que o crime organizado desfecha contra os servidores públicos do governo que atuam na defesa da floresta e que não negociaram as suas consciências.

SUBSTITUIÇÃO DE BRAGA NETTO –  Reportagem no O Globo é de Jussara Soares revela a insegurança que está envolvendo a campanha de Bolsonaro à reeleição. Isso porque não tem lógica aparente a substituição de alguém já convidado a ser candidato a vice pela ex-ministra da Agricultura que quer disputar o Senado nas eleições de 2 de outubro.

Julia Chaib e Matheus Teixeira, Folha de S. Paulo, em reportagem de grande destaque, apontam que o Centrão entrou em campo para que Tereza Cristina seja a vice de Bolsonaro, enquanto o próprio presidente da República disse a deputados do bloco que tanto Tereza Cristina quanto Braga Netto estão “cotadíssimos” para formar a sua chapa. A afirmação confirma a intenção de substituir o general Braga Netto, pois este já se encontrava convidado para ser o companheiro de chapa do presidente em seu projeto de reeleição.

Na minha opinião, quando em política surge um movimento para substituir uma candidatura majoritária, o candidato objeto da pressão tem que se afastar do cargo, pois já foi sinalizada a rejeição e a insatisfação quanto ao fato deste adicionar ou não votos. Não há dúvida, portanto, de que o noticiário de ontem deixou muito claro que Braga Netto deverá renunciar à indicação em nome de uma unidade partidária que ainda não existe.

ENCONTRO –  Num texto marcado pela cordialidade, o ministro Paulo Sérgio Nogueira encaminhou novo ofício ao ministro Edson Fachin, presidente do TSE, agora  convidando-o para um encontro sobre a participação das Forças Armadas no acompanhamento das eleições, incluindo a computação dos votos e a votação praticada nas urnas eletrônicas.

O ministro da Defesa, reportagem no O Globo de Bela Megale, reportagem na Folha de S. Paulo de Matheus Vargas, fala em diálogo e a presença no encontro das equipes técnicas do Tribunal Superior Eleitoral e das Forças Armadas. Sem dúvida alguma, o general mudou de tom e o encontro, penso, será de grande importância para o processo político e eleitoral brasileiro.

UNIVERSO DIGITAL – Júlia Barbon, Folha de S. Paulo, com base em pesquisa do Instituto Quaest, informa que o presidente Jair Bolsonaro é o primeiro colocado em matéria de popularidade no universo digital, seguido de perto por Lula. Em terceiro, aparece Ciro Gomes. A pesquisa atribui a Bolsonaro um índice de 33% contra 29% de Lula da Silva.

Porém, não explica sobre que números absolutos incidem os percentuais de 33% e 29%. Além disso, a popularidade digital decorre da ação de mensagens permanentes e da ação de influenciadores. Entretanto, a margem de vantagem de Bolsonaro sobre Lula nas telas dos computadores não corresponde a mesma situação apontada pela pesquisa mais recente do Datafolha, comprovando que os tais influenciadores, na prática, não influenciam tanto assim.

GREVE –  O Estado de S. Paulo, edição de quarta-feira, informa que em assembleia realizada na segunda-feira, em Brasília, os funcionários do Banco Central decidiram entrar em greve por reajuste salarial que compense as perdas inflacionárias acumuladas. Os servidores do Bacen haviam entrado em greve há cerca de um mês pelo mesmo motivo.

Há cerca de dez dias, suspenderam o movimento, possivelmente em face de alguma promessa colocada na mesa das negociações.  Mas, ao que tudo indica, não houve avanço concreto ou então os funcionários do Banco Central resolveram manter a greve até que fossem mantidas as suas reivindicações.

Editorial de O Globo surpreende, ataca o STF e diz que Fachin alimentou briga com militares

Editorial significou uma mudança de posicionamento do jornal

Pedro do Coutto

Causou surpresa, acredito que para todos os leitores, o editorial da edição desta quarta-feira de O Globo, atacando posicionamentos do Supremo Tribunal Federal e, no caso das urnas eletrônicas, atribuindo ao ministro Edson Fachin, presidente do TSE, ter alimentado desavença que ele próprio criou com militares. O editorial cita também frase do ministro Gilmar Mendes dizendo que o Supremo não é partido de oposição ao governo.

O editorial significou uma mudança de posicionamento do jornal ao dizer, inclusive, que o STF vem promovendo uma politização quando a Corte deveria manter-se equidistante e alheia às paixões. Parece a cada dia (a Corte) mais contaminada pelo noticiário como se devesse prestar contas à opinião pública e não à lei e à Constituição.

PRAZO – O artigo focaliza também a atitude do ministro Luís Roberto Barroso que deu prazo ao governo quanto às buscas do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips, desaparecidos na Amazônia. Aí, o editorial passa para o caso das urnas eletrônicas, afirmando que “o ministro Edson Fachin se esforça para desvencilhar-se da desavença insólita que ele próprio alimentou com os militares em torno das urnas eletrônicas”.

Quando presidente do TSE, o ministro Barroso solicitou ao ministro da Defesa a colaboração das Forças Armadas para integrar o sistema de fiscalização da votação e computação dos votos através das urnas que modernizaram as eleições brasileiras a partir de 1996.  Mas o editorial diz que Fachin, ao substituir Barroso, alimentou uma desavença insólita com os militares em torno das urnas eletrônicas.

O editorial, por coincidência, colide com os artigos ontem publicados na mesma edição pela colunista Vera Magalhães e pelo colunista Elio Gaspari. Mais diretamente por Vera Magalhães, cujo título do artigo foi “Temporada de caça ao Judiciário”, que na síntese acentua que “o ataque à Justiça é a antessala da agitação que Bolsonaro prepara para logo após o primeiro turno das eleições.

GOLPE – A discordância entre o editorial e o artigo é ampla, e também se evidencia com a comparação com o artigo de Elio Gaspari,  que se refere às articulações de bastidores do Planalto para um golpe contra a democracia e possível resultado das urnas de outubro.

Gaspari lembra passagens anteriores sobre articulações golpistas e a resposta que obteve por parte do governo Castello Branco, antes portanto do Ato Institucional nº 5, de dezembro de 1968, decretado pelo presidente Costa e Silva.

É verdade que no governo Castello Branco foi praticada a cassação de Juscelino Kubitschek, favorito nas eleições que não ocorreram em 1965. Mas este é outro assunto. Fica para o quadro da história da política brasileira.

COLISÃO – A surpresa do editorial é que ele colide com o pensamento da maioria da opinião pública e também com a independência de seus jornalistas efetivos, como também é o caso de Bernardo Mello Franco.

Na edição de ontem, por exemplo, Bernardo Mello Franco, ataca a atuação do governo na Amazonia e sustenta que o presidente da República desfechou uma foiçada na Funai, significando que esvaziou o órgão, sendo preenchido pelo garimpo ilegal e por narcotraficantes. Temos assim, uma situação nova no jornalismo brasileiro e que deve ser motivo de análise.

CONFUSÃO NA BOVESPA –  Reportagem de Eduardo Cucolo, Folha de S. Paulo de ontem, destaca a confusão em São Paulo quando o presidente Jair Bolsonaro e os ministros Paulo Guedes e Adolfo Sachsida compareceram à Bovespa para participar do lançamento das ações que marcam o início da privatização da Eletrobras. Entre os manifestantes estavam lideranças de movimentos de trabalhadores sem teto, atingidos por barragens e petroleiros.

A demanda por ações foi forte, com a participação de fundos de pensão das estatais, fundos de investimento e aplicadores do varejo.  No meio do tumulto, o ministro da Economia, Paulo Guedes, defensor da privatização e contra a interferência para segurar preços, tantos os da Petrobras como os dos supermercados, elogiou o “legado dos governos militares que fizeram uma extraordinária gestão do ponto de vista da Infraestrutura”, acentuando que esse legado está sendo perdido.

Mas pedido por quem? Pelo governo atual? Por governos anteriores? Se pelos governos anteriores, por que o governo atual não corrige a questão?

ARTICULAÇOES ESTADUAIS – Na edição de ontem deste site, eu fiz referência a uma declaração do presidente Jair Bolsonaro queixando-se de que o senador, Fernando Bezerra, ex-líder do governo no Senado, não citava o seu nome nos atos políticos em Pernambuco.

O filho do senador Fernando Bezerra Coelho é candidato a prefeito de Pernambuco e não deseja unir a sua imagem a de Bolsonaro, muito atrás nas pesquisas do Datafolha no estado. O motivo, portanto, é esse, o que comprova as dificuldades que candidatos a governos nos estados encontram, dependendo da região, de se unirem a Bolsonaro ou a Lula.

TROCA-TROCA –  Reportagem de Jussara Soares, Alice Cravo, Daniel Gullino e Camila Zarur , publicada no O Globo de ontem, revela que o presidente Jair Bolsonaro decidiu reabrir o debate sobre a escolha de seu candidato a vice em sua chapa,  que até hoje era Braga Netto, pela deputada Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura, que sob a visão do Planalto acrescenta muito mais à sua candidatura.

Bolsonaro com a indicação de Tereza Cristina espera obter um crescimento substancial do voto feminina no país e combater a sua alta rejeição entre as mulheres. Segundo o jornalista Valdo Cruz, da GloboNews, Bolsonaro poderia reconduzir Braga Netto ao Ministério da Defesa.

Invasão da floresta pelo crime organizado é a verdadeira ameaça à soberania nacional

Vale do Javari, região estratégica para o narcotráfico na Amazônia

Pedro do Coutto

Sem dúvida alguma, a jornalista Miriam Leitão, em artigo publicado no O Globo desta terça-feira, focalizou o verdadeiro ponto dramático que marca a invasão do crime organizado na Floresta Amazônica e nas áreas indígenas, incluindo uma facção de assassinos que acrescentam agora à lista de suas vítimas o jornalista inglês Dom Phillips e o indigenista brasileiro Bruno Pereira.

A comparação que Miriam Leitão faz entre esta dramática ameaça que evolui e as afirmações do general Paulo Sérgio Nogueira, identificando o processo eleitoral a cargo do TSE revela nitidamente a diferença enorme entre uma preocupação real do Exército brasileiro com a hipótese imaginária que se choca com os fatos.

REVELAÇÕES – Miriam Leitão assinalou que em meio à bruma que cerca a morte de Dom Philips e Bruno Pereira vão surgindo revelações que cada vez mais se completam e conduzem à certeza de que o que se passa na Amazônia é uma ofensiva não só pelo desmatamento, que já seria um crime hediondo, mas também pelos crimes de narcotráfico, violação de mulheres, saques a propriedades privadas e sobretudo a propriedade pública, que no caso cabe às Forças Armadas garantir em face da ramificação internacional contida no cada vez maior tráfico de entorpecentes e também o de armas.

As armas nas mãos de assassinos deveriam, como ressaltou a jornalista, preocupar o general Paulo Sérgio Nogueira, ministro da Defesa. Miriam Leitão, no O Globo de ontem, e André Trigueiro, na GloboNews, na noite de segunda-feira, destacaram firmemente o risco da ocupação de áreas do país pelo crime organizado com os seus tentáculos, ocupando uma área com a intenção de substituir o Estado.

Trigueiro foi quem recebeu primeiro a informação da morte do jornalista inglês e do indigenista brasileiro. Alessandra Sampaio, mulher de Dom Phillips, foi quem na madrugada forneceu a notícia a Trigueiro dizendo ter sido avisada por um alto funcionário da Embaixada do Brasil em Londres.

OBJETOS – No decorrer de segunda-feira, apareceram objetos  dos desaparecidos, mas os seus corpos não apareceram. Uma névoa de mistério ainda não dissipada, oculta os dois assassinatos.

A repercussão nacional e internacional tem sido imensa e vai aumentar ainda mais, seja pelo desaparecimento dos corpos, seja pela sua identificação mais de uma semana depois da ação dos assassinos.

SELIC PODE SUBIR – Reportagem de Clayton Castelani, Folha de S. Paulo de ontem, revelou a existência de expectativa que o Banco Central do Brasil e o Federal Reserve dos Estados Unidos elevem as taxas da Selic do Brasil e dos juros bancários nos EUA.

No Brasil, os juros, ontem, quando escrevi esse artigo, estavam em 12,75% ao ano, percentual que incide sobre uma dívida interna de R$ 6 trilhões. Como costumo dizer, o aumento de 1% em nosso país, na Selic, significa um comprometimento de mais de R$ 60 bilhões. Mas esse número e seus efeitos não preocupam o ministro Paulo Guedes, da Economia. Tanto assim, que ele nada diz sobre esse processo.

REAJUSTE – O que preocupa o Ministério da Economia é o aumento dos servidores federais da ordem de 5%, representando R $16 bilhões. Alguns comentaristas sustentam que a porcentagem maior da Selic é para combater a inflação. Uma farsa patrocinada pelo silêncio de grandes especialistas na matéria financeira.

O aumento da Selic é para permitir a colocação no mercado dos títulos do tesouro que lastreiam a dívida interna. Compreende-se que os papéis só podem ter aceitação se os juros embutidos neles superarem a inflação do país. Com a inflação de 12% ao ano, a rentabilidade dos grandes bancos, dos fundos de investimentos e dos fundos de pensão das empresas estatais não podem perder para o índice inflacionário. No Brasil só quem pode perder para a inflação são os assalariados.

CRIPTOMOEDAS –  Reportagem do Financial Times, de Londres, publicada na edição de ontem da Folha de S. Paulo, revela que o mercado de bitcoins desabou na segunda-feira numa escala de 20% em apenas um dia, consequência da empresa Celsius, credora de criptomoedas, ter bloqueado o resgate dos depósitos por parte dos detentores dos créditos digitais.

A empresa alegou condições extremas de mercado. O fato serve como exemplo, digo, de propaganda no Brasil oferecendo rentabilidades mais altas a aplicações de capital e estabelecimentos sem maior base financeira. Em muitos casos, os investidores em potencial devem considerar que ao tentarem o resgate vão sofrer um corte enorme no valor investido. E, em muitos casos, o valor investido passa a ser igual a zero.

É muito fácil no Brasil vender-se uma empresa por preço baixo, transferindo-se o passivo alto para alguém inexequível. Os casos se repetem e fica tudo por isso mesmo.

AÇÕES DA ELETROBRAS – Matéria de Letycia Cardoso, O Globo de ontem, revelou que no primeiro pregão da Bovespa, o valor das ações ordinárias da Eletrobras desceu 2,2%, fechando a R$ 40,1. Já as ações preferenciais sem direito a voto, caíram 0,8%, fechando em R$ 38,39. Já em Nova York, os recibos de ações, no caso das ordinárias, recuaram 4,5%.

Para Vicente Koki, analista do setor de energia da Mirae Asset, o resultado reflete um comportamento em grupo, não especificamente contra a Eletrobras, mas que atingiu o mercado de ações em geral.

Também no O Globo, Letycia Cardoso analisa o panorama de Nova York e sustenta que o temor de um juro maior nos Estados Unidos causou a queda do mercado acionário.

NOVAS REGRAS –  No Estado de S. Paulo, edição de segunda-feira, Marlla Sabino, Ludmila Rocha e Luciana Collet, publicaram reportagem muito importante sobre as novas regras de concessão das hidrelétricas brasileiras. Num primeiro lance, vão ser relacionadas 22 hidrelétricas.

O processo é o seguinte: vão ser firmados novos contratos de concessão permitindo que essas usinas possam vender energia a preços de mercado no sempre chamado ambiente de comercialização livre. Nos novos contratos, uma parte sairá do atual regime de cotas que só remunera a operação e no qual não está incluído o risco hidrológico para o regime de produção independente, transferindo esse risco para os consumidores.

Sobre a privatização, o comando atual da Eletrobrás, ainda não substituído pelo novo controle acionário, baixou essas normas tarifárias que causam surpresa justamente porque garantem um prazo de 30 anos para as novas concessões, que na verdade são renovações de concessões vigentes, permitindo a elevação tarifária.

APROVAÇÃO DO NOVO ICMS –  Reportagem de Fernanda Trisotto, Manoel Ventura e Alice Cravo, O Globo, focaliza com destaque o resultado da aprovação do novo ICMS para todos os estados no percentual de 17%. O projeto que terá a sua continuidade prevista por meio de matéria de Emenda Constitucional estabelece compensações para os estados.

Como a aprovação se deu sem resistências, vamos considerar que nos bastidores está acertada uma compensação federal que transforme o corte aparente em um lance tributário lucrativo. Em matéria política, uma nova face do problema das candidaturas estaduais surgiu. No O Globo, Bolsonaro queixa-se que o ex-líder do governo no Senado Fernando Bezerra não está citando o seu nome. É porque o candidato dele ao governo de Pernambuco tem o apoio de Lula da Silva.

Fachin responde ao ministro da Defesa e diz que TSE já aceitou dez propostas dos militares

Projetos militares foram acolhidos em grande maioria pelo TSE

Pedro do Coutto

Reportagem de Dimitrius Dantas focaliza, na edição desta segunda-feira de O Globo, a resposta concreta dada pelo presidente do TSE, ministro Edson Fachin, às restrições que foram apresentadas pelo ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, que acentuou que o Tribunal não havia prestigiado devidamente a colaboração das Forças Armadas ao processo eleitoral.

Na reportagem, o ministro Edson Fachin apresentou um elenco de sugestões enviadas pelas Forças Armadas que foram aceitas pela Justiça Eleitoral. Foram formuladas 15 propostas, 10 foram aceitas para as eleições deste ano, quatro foram aceitas para as eleições de 2024 e apenas uma foi rejeitada pelo TSE. Portanto, não há razão lógica para que o ministro da Defesa focalize o tema como o fez na última semana.

ABSTENÇÃO –  A proposta rejeitada foi a que formulava a necessidade de o TSE fornecer dados sobre os óbitos ocorridos (presumo que de uma eleição para outra) e os índices de abstenção.

Esse ponto inclui uma análise interessante. Como a média de falecimentos no Brasil, segundo o próprio IBGE, oscila em cerca de 0,7% ao ano, ou seja de cada mil pessoas morrem sete e, muito raramente, os dados são fornecidos ao TSE,  na maioria dos casos as pessoas falecidas constam como parte da abstenção verificada.

De outro lado, é preciso considerar em matéria de abstenção as pessoas que estão internadas em hospitais, que se encontram sob cuidados médicos, que não podem se locomover, e que também por terem mais de 70 anos não são obrigadas a votar. Logo, o índice de falecimentos, na minha opinião, com base nas eleições que acompanhei desde 1955, já se encontram incluídos nos casos de abstenção.

AUDITORIA – A questão foi colocada por pessoas que não acompanham os processos eleitorais. É natural que aconteça. Por isso é que as questões formuladas devem ser feitas por pessoas que entendam da matéria. Uma recomendação do Ministério da Defesa é a possibilidade de contratação de auditoria por partido político.

Fachin esclareceu que essa possibilidade já é prevista na lei eleitoral, incluindo a possibilidade de totalização paralela dos votos. Mas, digo, imaginem os leitores se todos os partidos, ou pelo mesmo a maioria deles, resolvam contratar auditorias particulares.

Seria enorme o número de sistemas de auditorias presentes na computação de votos. Já existe uma proposta, incluindo o nome da empresa que faria a auditoria. Mas não pode ser generalizada a medida, pois assim não haveria espaço para a Justiça Eleitoral funcionar de forma independente.

DEMANDA ATENDIDA – A sugestão de Paulo Sérgio Nogueira foi a de pedir a atuação de empresa especializada de auditoria, contratada por partido político, nas etapas de verificação de votações. A resposta foi favorável. Logo, o ministro da Defesa foi atendido.

O TSE esclareceu também que a identificação biométrica já existe em grande parte, mas ressaltou que nenhuma avaliação biométrica pode ser 100% garantida, pois há pessoas que apresentam defeitos físicos ou sofreram acidentes que impedem a verificação integral.

Mas, digo, desde 1996 não existe nenhuma denúncia concreta de fraude no sistema eletrônico montado no Brasil. O fato essencial é que comprovadamente os projetos militares foram acolhidos em grande maioria pelo TSE.

TEBET – Em uma entrevista a Danielle Brant e Renato Machado, Folha de S. Paulo de domingo, a senadora Simone Tebet afirmou que o presidente Jair Bolsonaro não tem força necessária para dar um golpe de Estado caso perca as eleições de 2 de  outubro.

“Estamos vivendo um momento em que a democracia está sob ataque em face de uma análise mais clara. Mas o Brasil soube se armar contra esses ataques nos últimos anos. O presidente mantém a força. Não tem golpe, não tem ataque à democracia sem o povo na rua. Não vai ter povo na rua defendendo outros resultados a não ser o das urnas”, afirmou Tebet. “O presidente diz que aceitará os resultados se as eleições forem limpas, mas também semeia dúvidas”, acrescentou.

Na minha opinião, não é possível ainda dizer se a entrevista vai acrescentar  votos a Simone Tebet e se ela abriu o caminho disponível no panorama político brasileiro. A meu ver, ela subirá nas pesquisas caso se mantenha nessa linha, mas não o suficiente para ser colocada em um eventual segundo turno.

DIREITOS DAS MULHERES –  Foi um artigo muito bom sobre a questão dos direitos das mulheres e a questão do aborto publicado pela psicanalista Betty Milan, na Folha de S. Paulo de domingo. Ela colocou perfeitamente a questão sobre os direitos do corpo e a prerrogativa da mulher decidir seu comportamento e sua forma de exercê-lo.

Não se trata de defender o aborto apenas. Trata-se de cumprir em primeiro lugar o que diz a legislação brasileira, nos casos de estupro, riscos de vida à mãe e acefalia. Mas, Betty Milan vai além e se refere à necessidade de uma política de planejamento familiar porque em inúmeros casos a mulher não deseja ter filhos ou mais filhos e não saber na prática como evitá-los.

Acrescento um argumento; na década de 70 foi feita uma pesquisa sobre o abrto no Brasil e verificou-se que eram praticados 1,5 milhão por ano, 20% acarretando atendimento médico posterior. A média de permanência de hospitalização por práticas rudimentares era de dois dias. Isso significava que abortos mal feitos acarretavam em uma grande demanda na rede publica de saude. Poderia ser evitado com planejamento familiar.

Força da candidatura de Lula está no eleitorado de menor renda

Reação à política econômica reflete-se nas pesquisas

Pedro do Coutto

Numa excelente matéria publicada com destaque neste domingo, na Folha de S. Paulo, Joelmir Tavares, com base nos dados do Datafolha, mostra que a dianteira de Lula sobre Bolsonaro na última pesquisa (48% a 27%) decorre da maior influência do ex-presidente nos grupos de menor renda da população.

Joelmir Tavares focaliza que os votos variam na maior parte das eleições de acordo com a sintonia dos candidatos em faixas que podem ser sintetizadas na seguinte divisão de renda: de até um salário mínimo , de dois a cinco salários mínimos. E a outra faixa, acima de cinco salários mínimos, incluindo os que ganham mais de dez salários mínimos mensalmente.

EXEÇÕES – Em meu livro “O voto e o povo”, no final da década de 1960, focalizei esse fenômeno, e os resultados eleitorais, principalmente no antigo Estado da Guanabara, serviram de fonte de referência bastante sólida. Na estrada do tempo das eleições de 1955 até as de hoje, duas exceções se verificaram: Jânio Quadros conseguiu penetrar razoavelmente nas classes proletárias, e Jair Bolsonaro venceu disparado em 2018 já num embalo de um movimento intenso contra o governo Dilma Rousseff e o PT.

Os exemplos de votos por divisões por classe são muitos. A vantagem que Lula obtém se explica por temos no país uma maioria esmagadora da população que está contida na faixa de um a cinco salários mínimos.

A faixa dos que ganham até um salário mínimo inclui 35% da população brasileira. Se estendermos até dois salários mínimos, essa proporção chega até quase 60% da população. Essas correntes estão maciçamente com a candidatura de Lula da Silva.

VANTAGEM MENOR – Na faixa que recebe acima de cinco salários mínimos, Bolsonaro tem vantagem, porém menor do que a obtida por Lula nas outras faixas. O que se verifica no país acentua a dianteira do ex-presidente Lula, pois a política de concentração de renda de Paulo Guedes, apoiada por Boslonaro, cria condições contrárias ao voto.

Como o governo que congela os salários, todos praticamente, pode receber os votos dos que estão sob essa intensa crise econômica, sofrendo diariamente com a alta do custo de vida? A reação se faz sentir nas pesquisas e provavelmente nas urnas.

REFINARIAS –  Na mesma edição da Folha de S.Paulo deste domingo, Nicola Pamplona expõe com clareza o problema dos combustíveis no Brasil, gerando a alta de preços da gasolina, do diesel e do gás de cozinha em virtude da quase nenhuma expansão de refinarias brasileiras.

O Brasil é um dos grandes produtores mundiais de petróleo. Sua produção é de cerca de 3 milhões de barris por dia. O seu consumo de 2,5 milhões de barris diariamente. Sobram 500 mil barris para exportação, e que são favorecidos pelos preços do mercado internacional e pela valorização do dólar. Mas tais efeitos não são considerados pelo Ministério da Economia. Só as despesas decorrentes do que importamos.

PROCESSAMENTO – E importamos gasolina, diesel e gás porque o óleo produzido pelo nosso pré-sal não é processado pelas nossas refinarias em condições econômicas, como consequência da falta de investimentos dos governos nas últimas duas décadas em refinarias adequadas.

Vemos que, no caso do refino, as empresas responsáveis pela exportação de gasolina, diesel e gás para o Brasil não têm interesse que o país refine o óleo do pré-sal, pois assim perderiam o mercado comprador. Existe a atuação de forças ocultas contra a construção de refinarias mais modernas no país. Isso é evidente.

Fachin deve convidar Paulo Sérgio Nogueira para um encontro sobre o sistema eleitoral

Nogueira diz que Forças Armadas não se sentem prestigiadas 

Pedro do Coutto

No ofício que encaminhou ao ministro Edson Fachin, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, o ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, afirmou que as Forças Armadas não se sentem prestigiadas pelo TSE em matéria de contribuição para evitar fraudes eleitorais e erros da computação dos votos nas urnas de 2 de outubro.

O ministro Edson Fachin, a meu ver, deve educada e gentilmente convidar o general Paulo Sérgio Nogueira para um encontro público sobre o assunto, possivelmente através da GloboNews e com a participação de jornalistas também de outros órgãos da imprensa. É uma oportunidade, sem tumulto, sem plateia, sem torcida, para que possa elucidar dúvidas que ainda existem por parte do general sobre o processo de escolha que ocorrerá em poucos meses.

EXAME MAIS PROFUNDO – Para Paulo Sérgio Nogueira há a necessidade de um exame mais profundo sobre a inviolabilidade das urnas e da computação final das eleições. As fraudes, que de 1996 para cá nunca se verificaram, são praticamente impossíveis de ocorrer. Para que houvesse fraudes seria necessário o preenchimento de votos em branco.

No caso das urnas eletrônicas, haveria a necessidade que ocorresse a manipulação de cada urna individualmente e nelas localizar o registro de votos em branco. Nas eleições teremos milhões de urnas em funcionamento. Como poderia-se fraudar tantas urnas em tão pouco tempo? Não se trata de entrar no sistema, mas fraudar uma a uma.

CONVITE – O general Paulo Sérgio Nogueira diz que as Forças Armadas atenderam a um convite feito pelo ex-presidente do TSE Luís Roberto Barroso para integrar o Comitê de Transparência das eleições. Para ele, não houve a oportunidade das Forças Armadas de apresentarem a sua visão sobre o sistema de forma geral.

A matéria publicada no O Globo deste sábado é de Jussara Soares, Maniana Muniz, Aguirre Talento, Bela Megale e Janaína Figueiredo. A Folha de S. Paulo aborda o assunto, mas com um ângulo diferente. Numa reportagem de Marianna Holanda e Matheus Vargas, baseia-se no Instituto indicado por Jair Bolsonaro para mudar as regras de auditoria e práticas do TSE.

Quando sugiro que o encontro poderia ocorrer através da GloboNews é porque a emissora tem realizado coberturas muito eficientes sobre trabalhos de Comissões Parlamentares de Inquérito, Plenários do Senado e da Câmara e julgamentos do Supremo Tribunal Federal. Logo, são coberturas bastante longas, como devem ser para que não ocorram dúvidas no encontro entre Fachin e Nogueira.

SEM MUDANÇAS – O TSE  afirma que não houve mudanças no software, e logo as informações individuais de cada urna não possuem ligação com nenhuma rede, apurando-se cada uma de forma individual. O ministro da Defesa sustenta que as divergências entre o ponto de vista da representação das Forças Armadas e do TSE podem ser resolvidas com a discussão entre as equipes técnicas das duas partes, mas cita o que considera falta de profundidade no debate em curso.Diz o general que o processo eleitoral não se restringe às urnas eletrônicas.

Há uma preocupação sobre o debate por parte do general Paulo Sérgio Nogueira. No documento enviado ao presidente do TSE, o ministro da defesa refere-se à possibilidade de ataques cibernéticos, a ocorrência de falhas e fraudes que possam comprometer as eleições. Portanto, o general deve ter se baseado em informações que chegaram ao seu conhecimento. É preciso ver quais os setores suspeitos de tentarem fraudar os resultados das eleições.

QUEDA DA RENDA –  Carolina Nalin e Jéssica Marques, O Globo de sábado, publicam uma ótima reportagem com base no resultado de pesquisa nacional por domicílios do IBGE revelando que a queda da renda média domiciliar per capita em 2021 foi de 48% para os mais pobres em relação a 2021, e 6,9% entre os de salários mais altos.

A redução para mim é resultado do congelamento de salários e do aumento de preços. Tanto que isso está se refletindo no consumo de alimentos. O resultado da queda de renda per capita não é o mais expressivo indicador da situação dramática que se encontra a população assalariada do Brasil, pois a renda per capita é resultado da divisão do Produto Interno Bruto pelo número de habitantes. No caso brasileiro, resultado da divisão de R$ 6,5 trilhões por 220 milhões de pessoas.

Dará uma renda per capita anual. Mas sobre a renda média referente ao trabalho humano esse cálculo não serve. Fica a ressalva da diferença entre a renda do trabalho e a renda per capita que inclui o trabalho e as outras forças produtivas que integram o PIB. Alessandra Brito, analista da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, destaca que as diversas faixas de renda perderam poder aquisitivo no período de 2012 a 2021.

RENOVAÇÃO DO JB –  Com o brilho de sempre, Ruy Castro na Folha de S. Paulo de sexta-feira, dia 10, escreveu um artigo muito importante sobre a reforma do Jornal do Brasil em 2 de junho de 1959 que acarretou um forte impacto na produção dos jornais da época – e eram muitos – e abriu uma perspectiva nova para o espaço da leitura dos textos, de forma mais nítida, o aproveitamento e a exposição das fotos nas edições.

A reforma foi realizada pelo jornalista Janio de Freitas que se encontrava à frente do JB naquele período. A produção do jornal é muito complexa, pois inclui os textos, sua qualidade, objetividade, sua exposição gráfica, sua clareza e também o seu conteúdo.

MUDANÇAS – A reforma foi muito ampla. Por exemplo, a primeira página tinha oito colunas. Uma coluna à esquerda do leitor, logo à direita da página, era uma coluna de notícias e por incrível que pareça as outras sete colunas eram preenchidas pelos classificados do jornal. Janio de Freitas mudou isso.

O JB passou a ter uma manchete expressiva, uma coluna de classificados e sete colunas para textos e fotografias. Vários outros jornais seguiram o exemplo. A reforma do Jornal do Brasil separou os fios que ligavam uma matéria à outra, tornando as páginas mais leves. A reforma foi extraordinária, promovendo mudanças também em outros veículos que passaram a exercer um novo comportamento editorial.

Inflação não recua e o índice de maio se adiciona ao acumulado que a antecedeu

Charge do Gilmar Fraga (gauchazh.clicrbs.com.br)

Pedro do Coutto

Reportagens de Alce Cravo, Daniel Gullino, Fernanda Trisotto, Carolina Nalin e João Sorima Neto, O Globo desta sexta-feira, e de César Feitosa e Natalia Garcia, Folha de S. Paulo, destacam os apelos intensos feitos pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo ministro Paulo Guedes para que os supermercados do país segurem os preços o máximo possível como forma de ajudar no combate à inflação

Guedes e Bolsonaro referiam-se ao IPCA de 11,7% assinalado pelo IBGE para o período de maio de 2021 a maio de 2022. A meu ver, os técnicos do IBGE tiveram que desenvolver um longo trabalho para concluírem que o índice inflacionário de maio foi de apenas 0,47%. Tal esforço deu margem a que aparentemente o processo da inflação tivesse recuado de 12% de abril de 2021 a abril de 2022 para 11,7% de maio de 2021 a maio de 2022. Uma ideia falsa.

ACUMULADO – O fato concreto é que o índice de maio de 0,47%, como qualquer índice inflacionário mensal, se adiciona ao montante que antecedeu tal índice. Então, temos como exemplo: alguém deve R$ 100 mil a um banco, com juros de 2% ao mês. Não pagando em 30 dias ele passa a dever R$ 102 mil reais. Os juros se acrescentam ao total acumulado da dívida. A inflação segue o mesmo processo.

Desta forma o 0,47% registrado em maio se acrescenta e não substitui os juros acumulados de 12% de 2021 a 2022. O montante continua a ser acumulado por parcelas mensais sucessivas.

APELO –  Esta é a razão (a de que a inflação se acumula) que levou o presidente Jair Bolsonaro e o ministro Paulo Guedes, agora disposto a atuar na campanha eleitoral, a dirigir um apelo aos supermercados para que controlem os preços tomando por base a inflação do IBGE. A diferença é de 0,27%, mas poderia ter um aspecto psicológico se resultasse num ato concreto.

Sabemos que não adiantará nada. Os supermercados continuam mantendo os preços altos e como estratégica reduzem os preços de alguns poucos produtos. O IBGE constitui sua pesquisa sobre o custo de vida com base nos preços mínimos. Mas os contribuintes de forma geral, só o poderiam fazê-lo percorrendo vários mercados diariamente.

BIDEN E BOLSONARO –  Manchete principal da edição de ontem da Folha de S. Paulo, reportagem de Rafael Balago, focaliza o aspecto fundamental do encontro na noite de quinta-feira entre os presidentes Jair Bolsonaro e Joe Biden. No encontro foram tratados vários temas, destacando-se o Meio Ambiente, em relação ao qual Bolsonaro apresentou o Brasil numa posição excepcional.

Bolsonaro afirmou também que quando sair do governo será de forma democrática. Acentua a matéria, que o encontro foi o primeiro dos dois chefes de Estado pouco depois do início da Cúpula das Américas que está sendo realizada em Los Angeles. Bolsonaro disse que mantinha um relacionamento cordial com Donald Trump, mas que agora o presidente dos Estados Unidos é Biden, e o assunto está encerrado.

“Cheguei ao poder pela democracia e tenho certeza de que quando deixar o governo também será de forma democrática”, afirmou. Essa afirmação diante do quadro político brasileiro foi de extrema importância, pois se reveste no fundo da questão de um compromisso assumido internacionalmente.

MDB E PSDB –  O acordo que está sendo tentado entre o MDB e o PSDB em torno da candidatura de Simone Tebet não resultará em coisa alguma, na minha opinião. Existe o problema dos governadores, das alianças estaduais não previstas pelas duas direções partidárias.

O deputado Alexandre Farah, meu amigo, disse estar informado que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fará um pronunciamento dentro em breve sobre o posicionamento dos tucanos na sucessão de outubro.

ATAQUES –  Quem assistiu ao programa Em pauta da GloboNews e o Jornal Nacional da TV Globo na noite de quinta-feira, ficou surpreso com o ataque do ministro Paulo Guedes aos governadores.

Disse que eles são beneficiados pela política econômica federal e conseguiram manter em caixa R$ 160 milhões, e que, portanto, podem destinar um terço da importância para o equilíbrio das contas da administração Jair Bolsonaro.

Guedes cria confusão e esquece que governadores são também candidatos

Guedes desconsiderou os interesses eleitorais dos governadores

Pedro do Coutto

O projeto Paulo Guedes, endossado pelo presidente Jair Bolsonaro, propondo um novo sistema de distribuição de recurso fiscais na tentativa de reter os preços nas bombas do óleo diesel, da gasolina e do gás, na realidade criou uma confusão muito grande no país e à luz das análises de especialistas, é inexequível.

O corte do ICMS nos Estados, se aprovada emenda constitucional no Congresso, geraria uma queda enorme nas arrecadações estaduais e, também por isso, os governadores estão reagindo à iniciativa.

CUSTO – Reportagem de Manoel Ventura, Fernanda Trisotto, Camila Zarur e Gustavo Schmidt, O Globo desta quinta-feira, analisa o problema e conclui que se colocado em prática o projeto Paulo Guedes custaria R$ 46 bilhões à União. Além disso, a compensação anunciada pelo ministro da Economia só estaria em vigor até 31 de dezembro deste ano, dois meses após as eleições de outubro.

Como ficaria então a compensação em relação à perda de receitas causadas pela redução acentuada do ICMS? O senador Fernando Bezerra, aliado do governo e relator da matéria nesta Casa do Congresso, calcula que o pacote poderá reduzir em R$ 1,60 o litro da gasolina e em R$ 0,60 o litro do óleo diesel.

O problema é grave não só porque a compensação federal terminaria no final de dezembro, sem dizer como ficariam os governos estaduais a partir de janeiro de 2023, mas também pelo fato de deixar os governadores vulneráveis às opiniões contrárias da opinião pública justamente no momento em que terão seus mandatos avaliados nas urnas.

CONTRA A PROPOSTA – Bezerra disse que o reembolso também será no máximo 17%, mas existem estados em que o ICMS cobrado sobre combustíveis vai além dessa porcentagem. Os governadores Rui Costa da Bahia, Mauro Mendes, Mato Grosso, Rodrigo Garcia, São Paulo, Paulo Câmara, Pernambuco, pronunciaram-se contra a proposta de Guedes.

Da mesma forma, os secretários estaduais de Fazenda se preocupam com a queda de receita em seus estados. Dizem que não há qualquer garantia pelo projeto. O ministro Paulo Guedes desconsiderou os interesses eleitorais dos governadores.

ELETROBRAS – A procura por ações da Eletrobras, segundo informou a sua Direção atual, chegou a R$ 55 bilhões no mercado brasileiro e internacional. Matéria de Manoel Ventura, Geralda Doca e João Sorima Neto, O Globo, focaliza o panorama criado. Nenhum grupo chinês se interessou, ao contrário do que se supunha, o que surpreende, já que alguns ex-dirigentes de estatais elétricas vinham realizando trabalhos para empresas da China.

Mas entre os principais adquirentes de ações figuram o Fundo Soberano de Cingapura e um fundo de pensão canadense CPPIB. O Itaú e o 3G Radar, com posições relevantes entre os acionistas, fizeram também reservas. Supõe-se, portanto, que os Fundos ou as empresas que detiverem a maioria vão escalar os dirigentes administrativos e operacionais da nova Eletrobras.

Entretanto, a Eletrobras atual não revelou quais são as condições em que pessoas indicadas pela maioria acionária encontram-se habilitadas para assumir esses comandos, pois não pode ser qualquer um. É um ponto que a Eletrobras ao colocar as ações à venda esqueceu de assinalar.

NOVO REAJUSTE –  Reportagem de André Borges, O Estado de S. Paulo de ontem, informa que a Direção da Petrobras que ainda se encontra em pleno mandato, apesar da indicação de Paes de Andrade, da assessoria de Paulo Guedes, continua no cargo, e agora colocou em estudos um novo reajuste do óleo diesel para suprir a diferença existente entre compra e venda nas bombas, e o produto em relação ao mercado internacional.

Se isso acontecer, será uma nova bomba política para Jair Bolsonaro, uma vez que ele deseja conter os preços dos combustíveis visando evitar novos desgastes eleitorais.

ATAQUES –  A reportagem, edição desta quinta-feira de O Globo, é de Bela Megale e Rafaela Ribas, e revela que aliados de Bolsonaro, entre eles alguns assessores pessoais, têm aconselhado o presidente da República a não mais atacar os ministros do STF e não levantar dúvidas quanto às urnas eletrônicas, porque com base em pesquisas  qualitativas, esses dois fatos são os maiores fatores de perda de votos.

Bolsonaro na quarta-feira, antes de viajar para Los Angeles, participou de um encontro com empresários na Associação Comercial do Rio de Janeiro e voltou a se queixar do Supremo, contrariando as observações que lhe foram enviadas. Ele, em tom de irritação, disse que é preciso uma reação contra certas decisões da Corte Suprema.

Usou um tom de ameaça no que se refere à transmissão do poder , em janeiro,  a um vencedor que tenha obtido tal condição pelo uso indevido das urnas. Como se constata não seguiu ainda as orientações que têm recebido.

PLANOS DE SAÚDE – Reportagem de Luciana Casemiro e André de Souza, O Globo, analisa a decisão do STJ e seus efeitos nos planos de saúde que operam no mercado brasileiro. O STJ, em sua decisão, determinou que os planos não precisam cobrir tratamentos fora da Agência Nacional de Saúde.

O fato é que o STJ não parece ter levado em consideração os contratos firmados entre as partes. Caso contrário, basta que a ANS coloque algum tratamento fora da lista para que contratos firmados percam parcialmente seu valor.