Voto democrático é um direito dos cidadãos, não deve ser transformado em obrigação legal

TRIBUNA DA INTERNET | Eleição de 2018 é mais abrangente e não será apenas  de situação X oposição

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Pedro do Coutto

Em sua coluna sempre brilhante na Folha de São Paulo, Hélio Schwartsman, edição deste sábado, sustenta que o voto não deve ser obrigatório, como acontece no Brasil, e deveria ser facultativo como ocorre nos Estados Unidos, França e Reino Unido, além de grande número de outros países. Concordo integralmente com o intelectual e aproveito para acrescentar detalhes em relação às urnas, focalizando reflexos que na minha opinião aconteceriam caso a legislação brasileira fosse mudada. Mudada para melhor.

Esta hipótese representaria um avanço democrático e, na realidade, iria prejudicar as classes de renda alta e favorecer os segmentos de menor renda.

VOTO FACULTATIVO – No Brasil, era a antiga UDN que no passado representava as elites e a classe média, e aqui a dependência do eleitor em relação ao Estado é muito maior que nos EUA. Portanto, com o voto facultativo, as correntes de menor renda iriam votar e as correntes que formam a classe média não compareceriam com a mesma disposição do que os integrantes dos grupos menos favorecidos.

Esses grupos dependem muito mais dos governos que aqueles cuja renda mensal fica acima da barreira dos 10 mil reais mensais. O saudoso presidente JK me disse um dia que, no fundo, “política é esperança”. Ele era o homem do sim num país que usava e abusava da palavra não.

Meu encontro com ele foi em sua residência em Ipanema, em decorrência de matéria por mim escrita, com base em pesquisa do Ibope que apontava uma ampla margem de tendências eleitorais em favor da campanha JK 65. Ele voltaria ao poder caso o regime de 1964 não o tivesse cassado. Foi uma pena. Mas esta é outra questão.

GABEIRA PERDEU – Alguns  anos atrás Fernando Gabeira perdeu uma eleição para prefeito do Rio, na qual disputava com Eduardo Paes. Paes naquela altura era candidato do governador Sérgio Cabral. Houve um feriado na semana que antecedia as urnas que Sérgio Cabral transferiu para segunda-feira. Em grande parte  o eleitorado de Gabeira era formado pela população de maior renda. O que aconteceu? Eleitores nesse perfil saíram do Rio e foram para casas de campo em outros municípios. Fernando Gabeira perdeu a eleição por 1,6%. Teria sido, penso eu, um excelente prefeito.

Em matéria de eleição, com o passar do tempo os grupos proletários vão aumentar cada vez mais. Basta olhar do alto de um edifício as favelas que expressam esta realidade, cada vez mais agravada pela ocupação dos espaços na antiga Guanabara. Houve tempo em que a UDN e o PSB formavam uma só agremiação. O PSB era a esquerda democrática e se transformou em partido em 1947, não participando portanto das urnas que levaram o General Eurico Dutra à vitória, resultado do apoio que recebeu de Getúlio Vargas.

Mas essa lembrança pertence ao passado cuja névoa desfoca o tempo. Já não é sem tempo que o voto já deveria ter se transformado em facultativo.

Fux acaba com a prática de Gilmar Mendes, que tinha o hábito de conceder prisões domiciliares

Prisão domiciliar! - por Alpino

Charge do Alpino (Yahoo Notícias)

Pedro do Coutto

Em artigo publicado nesta sexta-feira em O Globo, Merval Pereira destacou a importância da decisão  do ministro Luiz Fux, presidente do STF, que transferiu para o plenário da Corte Suprema as decisões monocráticas nos finais de semana, habitualmente concedidas por ministros, em decisões individuais.  Fux estranhou também o sistema de distribuição de ações que ingressavam nos sábados e domingos.

Achei excelente tanto o artigo de Merval quanto a medida de Luiz Fux. Muitos habeas corpus eram concedidos aos sábados e domingos. Agora não pode mais acontecer esse sistema.

GILMAR, O EXEMPLO – Na realidade, em seus despachos o ministro Gilmar Mendes, a rigor, não concedia os habeas corpus, mas transformava as prisões preventivas em prisões domiciliares. Como, por exemplo no caso de Fabrício Queiroz, dentre outros.

No momento em que estabelecia a transferência das grades para os domicílios, ele não estaria revogando as decisões de instâncias inferiores que negaram o habeas corpus. Curioso é que a prisão decretada não era abolida e sim transformada em outro local, a residência dos acusados, que muitas vezes são até suntuosas, como nos casos de Paulo Maluf e Jorge Picciani.

EMPATE TÉCNICO –  A segunda turma do STF, com aposentadoria de Celso de Melo vinha empatando os recursos de habeas corpus quando as matérias chegavam fora do expediente normal. Eram 2 votos a 2. Interpretou-se que, em parte, como é natural, isso beneficia o réu. Porém, penso que o pedido de habeas corpus não era, e tão pouco pode ser considerado um julgamento. Se julgamento fosse a decisão do empate estaria certa. Mas o réu não está sendo julgado, ele está apenas pedindo para se defender em liberdade. Portanto, a teoria clássica de que em dúbio pro reu não se aplicaria àqueles que estão recorrendo contra a prisão preventiva, na minha opinião.

GUEDES E O MERCADO – Reportagem publicada com destaque e assinada por um grupo de jornalistas, em O Valor de ontem, revela que para o mercado financeiro uma eventual saída do ministro Paul Guedes do Governo não se traduz como um fato assustador e seria vista com naturalidade, sobretudo depois do atrito do ministro da Economia com Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central.

O atrito foi negado por Guedes, como é natural nesses casos. Mas ficou aberta uma estrada na política econômica do país. Assinam a reportagem Adriana Cotias, Alessandra Bellotto, Victor Rezende, Lucas Hirata e Marcelo Osakabe.

Mas Bolsonaro agora diz que Guedes é “insubstituível”. Será?   

Os preços disparam, a dívida aumenta, o tempo passa na janela, mas só Paulo Guedes não vê…

TRIBUNA DA INTERNET | Guedes diz que é 'irresponsável' furar teto de gastos  “para fazer política, para ganhar eleição”

Charge do Miguel (Jornal do Commercio/PE)

Pedro do Coutto

O Brasil passou a ser o país em que a alta de preços no atacado subiu em outubro, ocupando o segundo lugar na escala econômica. Reportagem  de Thais Barcelos, O Estadão desta quinta-feira, apresenta estudo de Andrea Damico, economista chefe da Armor Capital. Revela a pesquisa  que os preços no atacado atingiram no ano o percentual de 31%,somente ultrapassado pela Argentina cujos preços chegaram a 38%.

O Brasil ocupa assim o segundo lugar no mundo e certamente os preços do atacado se refletirão no varejo e na inflação, com  o consumidor pagando a conta. Mias um desafio para o cálculo inflacionário do IBGE.

ENDIVIDAMENTO – O mesmo jornal publica matéria de Lorena Rodrigues analisando os dados do Tesouro Nacional sobre o endividamento federal. Já chegou a 4,6 trilhões de reais, e uma parcela na escala de 27% vence em setembro de 2021.

Detalhe importantíssimo: o total de 4,6 trilhões não inclui as dívidas dos estados e municípios, o que elevaria o total para 6,4 trilhões, ultrapassando o PIB.

O montante do PIB atinge 6,3 trilhões de reais. Só em relação ao plano federal o endividamento representa 70% do PIB.

NOVOS TÍTULOS –  O governo vem emitindo novos títulos para financiar o déficit orçamentário que inclui despesas que ultrapassam os totais de arrecadação.

No mês passado o governo Bolsonaro emitiu títulos públicos no  total de 173 bilhões de reais, frisa Lorena Rodrigues, revelandio que esse foi o maior volume da história. O governo como se constata, está capitalizando juros que deveria desembolsar.

Agravando o panorama, os investimentos estrangeiros no país somaram 31 bilhões de dólares, menos da metade dos 69 milhões de dólares que ingressaram no país no ano passado.

BOLSONARO E GUEDES – Mas para o ministro Paulo Guedes tudo está bem, não há problemas, como ele próprio afirmou aos repórteres Manoel Ventura e Isabela Macedo, edição de ontem de O Globo.

O presidente Bolsonaro esquece todos esses números negativos e festeja a “recuperação dos empregos”, chegando a dizer que Guedes é “insubstituível”. Portanto, como na música de Chico Buarque, o tempo passou na janela e só Paulo Guedes não viu.

Arrancada de Guilherme Boulos em São Paulo mostra que Lula perde liderança nas esquerdas

Lula declara apoio a Guilherme Boulos contra Covas em São Paulo | Poder360

Lula só decidiu apoiar Boulos agora, às vésperas da eleição

Pedro do Coutto

Com base nas pesquisas do Datafolha e do Ibope, enquanto está mais que consolidada a vitória de Eduardo Paes contra Crivella no Rio de Janeiro, a luta pela prefeitura de São Paulo  projeta um desfecho final apertado entre Bruno Covas e Guilherme Boulos. Nesta quarta-feira, o Datafolha revelou que na última semana Bruno Covas mantém uma liderança estável de 48 sobre 40% de Boulos. Faltam três dias para as urnas.

A pesquisa anterior mantém o percentual de Covas. Mas acrescenta um crescimento de 5  pontos para o candidato do PSol. O favoritismo do prefeito de São Paulo permanece, mas a diferença sobre Boulos reduziu. A ascensão de Boulos está sendo muito forte.

MARGEM APERTADA – Talvez a atropelada do candidato do PSOL não seja suficiente para que ele derrote Covas. Porém indica que a margem será apertada, difícil portanto traçar um prognóstico absoluto nesta altura da campanha.

A chegada de Boulos possui outro aspecto, este com reflexo no plano nacional: Lula não é mais o líder absoluto das esquerdas e nem possui mais a mesma liderança que o fez presidente da República e depois garantiu a eleição e também a reeleição de Dilma Rousseff. A capital paulista é um exemplo do recuo. Com apoio de Lula o candidato do PT Ilmar Tato sequer decolou no primeiro turno.

No segundo turno Lula somente ontem formalizou seu apoio ao candidato do PSOL. Isso porque passou a temer uma vitória de Boulos nos metros finais da reta de chegada mesmo com seu silêncio. Assim entrou no  cordão só na quarta-feira de cinzas, tentando se associar ao êxito eventual do candidato do PSOL.

ESQUERDA REFORMISTA – Aliás, digo eu, Luiz Inácio da Silva não lidera mais as correntes de esquerda, tampouco as de centro esquerda. Da extrema esquerda nem vale apenas falar pois esta já se perdeu na névoa do tempo.

As esquerdas hoje reúnem os reformistas, não os revolucionários. Ser reformista é defender salários para que não percam a corrida contra a inflação do IBGE. É defender o emprego, lutar pela redistribuição de renda. Todas esta faces dentro da democracia e portanto contra o autoritarismo. Ia esquecendo. Também contra a corrupção, pois nada mais concentrador de renda do que o conluio entre corruptos e corruptores.

Nada mais conservador do que foi a corrupção na Petrobrás ampliada pela ação do ex-presidente Lula. Finalizando: para mim, no fundo da questão, Lula é um conservador disfarçado.

Paulo Guedes antecipa-se à decisão de Bolsonaro e veta a prorrogação do auxílio emergência

TRIBUNA DA INTERNET | Povo foi às ruas por Jair Bolsonaro, e não por Paulo  Guedes, que está voando na fantasia

Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

Ao participar de evento promovido pela Firjan na segunda-feira, reportagem de Manoel Ventura e Marcelo Correa, edição desta terça-feira em O Globo, o ministro Paulo Guedes afirmou que não existe a possibilidade de o auxílio d emergência ser prorrogado para 2021, devendo portanto encerrar-se a 31 de dezembro.

A afirmação do titular da Economia representaria uma antecipação da vontade de Bolsonaro, mas o presidente tanto pode seguir o rumo traçado por Guedes como também pode não concordar com ele e prorrogar os pagamentos hoje em 300 reais para pessoas de renda muito baixa.

E O CONGRESSO? – A matéria sobre o assunto saiu também em O Estado de São Paulo, reportagem assinada por Loreana Rodrigues e Idiana Tomazeli. Existe a hipótese de o Congresso resolver que o abono continue a ser pago no próximo ano. Para isso há necessidade de ser votada uma nova lei prorrogando os pagamentos mensais.

Na minha opinião, o ministro Paulo Guedes, uma questão de bom senso, não pode afirmar que a emergência de modo algum pode ser prorrogada. A decisão, é claro, pertence ao presidente da República.

Na Federação das Indústrias do RJ, Paulo Guedes focalizou também a resistência que tem encontrado tanto dentro do próprio governo quanto do poder Legislativo em aprovar as privatizações que tem proposto.

VIROU BAGUNÇA – Penso que as resistências têm procedência, pois não é possível autorizar a venda de uma estatal como a Eletrobras, por exemplo, sem que que o governo informe o preço estabelecido para a venda. Autorizar a venda sem saber o preço é assinar um cheque em branco.

E os preços continuam subindo de forma acelerada, como se verifica nos alugueis. O GPM de novembro a novembro tem uma atualização da ordem de 20%. Os salários entretanto não têm reajuste algum no mesmo período. Os planos de saúde vão aumentar 20%, elevação que será dividida pelos 12 meses de 2021. Os alimentos estão subindo a cada semana e agora Carolina Brígido e Luciana Casemiro, também em O Globo, revelam que as escolas particulares estão cobrando reajustes de até 5% para renovação das matrículas.

Depois do vendaval de preços, acredito que o IBGE não poderá manter o estranho sistema de cálculo sobre a inflação que adota até hoje.

Papa Francisco rompe com os conservadores e retoma a linha progressista de João XXIII

Resultado de imagem para papa francisco sobre humildade social | Mensagens  do papa francisco, Mensagem do papa, MensagensPedro do Coutto

No dia 17 de dezembro o Papa Francisco completa 84 anos e como parte das celebrações lançará seu livro, uma espécie de relato sobre sua passagem no Vaticano abordando as reformas que já implantou na Igreja e as que pretende implantar, entre as quais a perspectiva de mulheres poderem ser ordenadas, da mesma forma que os homens, e com isso celebrarem missas e cumprirem a liturgia da Igreja de Roma.

O jornalista inglês Austen Ivereigh, já autor de duas biografias do Papa, fala sobre a obra cujo conteúdo conduz a um rompimento ainda maior com a ala conservadora na medida em que aproxima-se de João XXIII, Papa que sucedeu a Eugênio Pacelli.

MATER ET MAGISTER – João XXIII, ao assumir em 1959 lançou a Encíclica Mater et Magister que assinalou o início de um processo de ruptura com o arcaismo do Vaticano. João XXIII reportou-se ao plano social na medida em que – este ponto de ruptura – abordou um tema essencial: o ser humano tem que se realizar tanto na terra quanto no céu, deixando para trás o pensamento milenar que somente se referia ao plano divino da pós-existência terrestre.

João XXIII elegeu seu sucessor, Paulo VI que ocupava uma posição a um passo do Papa na hierarquia da religião. Agora o Papa Francisco já avançou capítulos notáveis como a aceitação das relações homoafetivas e a comunhão de casais divorciados.

IMPORTANTES AVANÇOS – Fica evidente que o Papa Francisco lançou avanços de suma importância social. Pois, a meu ver, ao me referir a seres humanos, contribuiu e contribui para incorporar a todas as escalas da existência os seres humanos sem distinção, de sexo, o que vai de encontro às correntes tradicionais da Igreja.

Mas as etapas conquistadas vão se incorporando à história universal, porém o Papa preocupa-se com o futuro inclusive com a Amazônia no sentido de se tornar essencial à própria vida do planeta.

A reportagem de Renato Grandiete sobre o Papa, em O Globo desta segunda-feira, destaca o tema, que sem dúvida volta-se para o que podemos chamar de contemporâneo do futuro.

Entre o sonho e a realidade, o fato concreto é que o Brasil voltou ao mapa mundial da fome

Fome no Brasil: de exemplo mundial à preocupação - GGN

Brasil está de volta ao mapa, agora na escala negativa

Pedro do Coutto

Mais uma vez a realidade desafia os projetos, por melhor elaborados que sejam e cujos objetivos voltam-se para o desenvolvimento econômico e social do Brasil. Em artigo publicado ontem em O Globo, Merval Pereira destaca um estudo da Macroplan, empresa dirigida pelo economista Cláudio Porto, que traça uma estrada para a retomada da economia brasileira. Inclusive recorre a uma bola de cristal para antever o que será o Brasil de hoje a 2030.

Na mesma edição do Globo, reportagem de Cláudia Almeida e Carolina Nalin revela que o Brasil, que havia se livrado dessa chaga, retornou ao mapa mundial da fome. Estava na escala 39 e passou à escala negativa de 62.

DADOS MUNDIAIS – Este estudo foi realizado pelo economista Marcelo Neri, diretor social da Fundação Getúlio Vargas. Os dados são do Gallup e do programa World POTI que pesquisou a situação de 145 países. Este total é a base da pesquisa, e nosso país que estava na 39ª posição passou a 62ª. A alteração ocorreu em 2019.

Na minha opinião, em 2020 terá mantida essa posição. Afinal de contas os salários permanecem congelados e os preços crescendo. Além do mais, o desemprego atinge a cifra absurda de 14 milhões de colocações perdidas.

POPULAÇÃO CRESCE – Um aspecto que não é abordado pelos economistas é o fato de que a população brasileira ainda cresce à velocidade de 1% a/a. Portanto tem que se somar o índice de desempregados ao movimento demográfico. A cada ano, mais de um milhão de jovens completam 18 anos e têm de ser incorporados à estatística do desemprego, caso tenham parado de estudar.

O panorama, portanto, não é dos melhores. Ao contrário, é dos piores, sobretudo em face do endividamento do país. Está atingindo, acentua a Macroplan, 90% do PIB. Alcança, assim, cerca de 6 trilhões de reais, pois o PIB nacional é de 6,6 trilhões de reais.

Bestas humanas, em repugnante sadismo, assassinaram João Alberto no supermercado Carrefour

Delegada diz que morte de João Alberto no Carrefour não foi racismo

Não é a primeira vez que acontece racismo no Carrefour

Pedro do Coutto

O título do artigo remete ao romance de Emile Zola, filmado por Jean Renoir, um clássico do cinema. Aqui no Brasil, foi um crime hediondo marcado por total sadismo que não encontra motivo lógico capaz de explicar quais as razões das cenas que levaram a um desfecho tão trágico, repudiado por toda a população que assistiu à gravação feita por um motoboy, que trouxe para a realidade um acontecimento tão brutal.

Qual a razão dos criminosos que justifique, não só o assassinato, mas o início de uma abordagem em um loja do Carrefour. A empresa, ela própria sentiu o peso da reação popular revoltada com o que foi demonstrado.

O preconceito racial está entre os motivos do crime, a exemplo da  morte de George Floyd nos EUA.  O fato é que o preconceito racial permanece absurdamente na realidade de hoje, apesar de estarmos distante há 130 anos do fim da escravidão. Esta, por sua vez, vigorou no Brasil por 350 anos.  É inadmissível que assim seja.

OUTRO ASSUNTO – Reportagem de Cassia Almeida, O Globo deste sábado, focaliza o levantamento da Confederação Nacional do Comércio a respeito do que seria uma reação do poder de consumo da parte da população cuja renda mensal está acima de 10 salários mínimos. Na minha opinião, trata-se de uma fraude. Afinal de contas, como é possível se configurar uma retomada de consumo se os salários estão congelados e os preços em ascensão? Não consigo aceitar tal afirmativa, a qual não tem nenhuma explicação lógica?

Entretanto a mesma matéria focaliza também uma opinião do diretor social da FGV, Marcelo Neri, que sustenta que um dos motivos da retomada de poder de consumo das classes A e B encontra-se no acesso ao crédito bancário. A CNC também apresenta tal hipótese como a forma de traduzir o que considero algo irreal. Com salários congelados perdendo fortemente para os juros bancários dos empréstimos, como vão poder as pessoas físicas que contratam os créditos poderão pagá-los? Para mim não há explicação, pois os juros são de 2% ao mês.

O que deve estar acontecendo refere-se às pessoas que tinham aplicações que passaram a nada render. Com dinheiro parado no banco, preferiram gastar parte dele em consumo ou em alguma atividade comercial.

Biden vence nas urnas e os americanos comemoram nas ruas a grande derrota da direita

Joe Biden é eleito presidente dos EUA; FOTOS | Eleições nos EUA 2020 | G1

Multidões nas cidades para festejar a vitória democrata

Pedro do Coutto

O povo americano comemorou com emoção a vitória de Joe Biden para a presidência dos EUA, acentuando seu repúdio às reações de Donald Trump, que ameaça recorrer a Justiça contra os votos que decidiram sua própria sucessão. Os posicionamentos de Trump envolviam contradições, como a de atribuir aos democratas roubo na contagem dos votos, o que inevitavelmente se estenderia também à omissão ou a conivência dos próprios republicanos. Claro.

A fiscalização da contagem dos votos, não é possível que fosse diferente, reúne a presença de fiscais de ambas as legendas. Assim, os encarregados da fiscalização por parte dos Republicanos não poderiam estar ausentes da tarefa obrigatória. Portanto, as ações de Trump refletiriam contra os próprios integrantes de seu partido.

RECURSO NEGADO – Além do mais, Trump tentou também suspender a apuração na Pensilvânia, objetivo negado pela Corte do estado. O presidente americano, às vésperas de se mudar da Casa Branca, partia do princípio de que houve fraudes apenas nos estados decisivos para a vitória dos democratas. Era o  caso da Georgia, Michigan, Nevada e também da Pensilvânia.

Trump, os jornais de sábado  noticiaram, teve o impulso de recorrer a Suprema Corte do país. Mentira ou não, faltou tempo porque no início da tarde deste sábado o próprio governo da Pensilvânia anunciou o resultado e o povo entusiasmado tomou as ruas dos EUA.

MEIO AMBIENTE – Os reflexos vão se fazer sentir em grande número de países que de uma forma ou de outra vinculam-se aos projetos de Washington inclusive no que se refere à sensível questão do meio ambiente, cuja devastação vincula-se ao aquecimento global. Se por outro motivo não fosse, também pelo fato de os parques industriais dos EUA e da China serem os mais poluidores do planeta. Isso porque, embora pareça incrível, grande parte de sua geração de energia elétrica tem como fonte o carvão altamente poluidor.

No caso brasileiro a vitória de Biden foi uma derrota para o governo Bolsonaro, já que o presidente de nosso país, ao se encontrar com Trump na Casa Branca, afirmou na ocasião que pretendia ir à posse em sua reeleição.

CENÁRIO INTERNACIONAL – A vitória de Biden acarretará também um sólido avanço nas posições políticas do centro implantando dessa forma um novo equilíbrio no cenário internacional.

No caso do Brasil Joe Biden anunciou um fundo de 20 bilhões de dólares para combater o desmatamento e incêndio na Amazônia. Nos EUA há sempre uma ligação entre o candidato e o presidente da República, no cumprimento dos compromissos de campanha.

Joe Biden se vê a um passo da vitória, enquanto Trump  está atormentado pela derrota

Campanha de Biden diz que declaração de Trump é 'ultrajante' e que apuração 'não vai parar' - 04/11/2020 - Mundo - Folha

Donald Trump está se comportando de uma maneira infantil

Pedro do Coutto

O título deste artigo é a síntese do panorama americano dois dias após a contagem dos votos que deixa Joe Biden a um degrau da vitória definitiva, pois faltam apenas a definição de três estados para que os números confirmem a vontade do eleitorado nas urnas de 2020, quando os EUA encontram dificuldade política para exercer a liderança que lhe cabe no panorama internacional.

Os votos dados pelo Correio, especialmente no caso da Pensilvânia, na minha opinião vão marcar o desfecho definitivo na luta pela Casa  Branca.

TENDÊNCIA MAIOIR – A situação na Pensilvânia, na contagem na noite de ontem dos votos enviados por correspondência, estáo indicando uma tendência maciça em favor de Biden.

Atormentado pela imagem que vai marcar sua saída da Casa Branca, Donald Trump desde a 9 ,já anunciava que partiria para uma luta na esfera da Justiça.. Não havia motivo ainda para desespero uma vez que o amanhecer  ainda estava por vir e a noite guardava as urnas para que a contagem fosse realizada logo ao amanhecer.

Os fatos confirmaram o desespero do atual presidente. Passou então a contestar os resultados dos estados em que havia equilíbrio em matéria de votos.

NÃO SE MANCA – Curioso e contraditório o comportamento de Trump. Ele só deseja impugnar as votações que lhes são contrárias. Não acredito que a justiça americana, incluindo as Cortes estaduais e a Suprema Corte do país, possam aceitar a sombria investida de Trump.

Seria uma desmoralização sobretudo para a Democracia e a Justiça do próprio país. A Justiça não pode se tornar instrumento político de apoio eleitoral, de modo algum.

Agressividade excessiva de Trump demonstra que a vitória será conquistada por Joe Biden

A ocupada agenda de Biden em seus primeiros 100 dias se for eleito presidente - SWI swissinfo.ch

O democrata Joe Biden já pode ser declarado vencedor

Pedro do Coutto

Escrevo este artigo no final da tarde desta quarta-feira, dia 4 quando os resultados parciais apontavam 248 colégios alcançados por Joe Biden contra 214 do atual presidente dos EUA. Faltavam, portanto,  22 pontos para que completasse a maioria necessárias para decidir a eleição. Pessoalmente, não tenho dúvida quanto a vitória de Biden. Tal certeza reside também no fato de na madrugada de quarta-feira Donald Trump ter começado a anunciar ações na Justiça contra os resultados. Manifestou, com tal atitude, sua própria derrota nas urnas.

Agora a política internacional ganha nova conotação e um novo estilo mais seguro e tranquilo, na medida do possível em relação aos desdobramentos internacionais.

NOVO PARONAMA – A modificação de panorama inclui-se o Brasil de Jair Bolsonaro, que terá de reformular posições as quais a visão conservadora preponderou. Bolsonaro perdeu pontos na eleição da Argentina, perdendo também na solução que apontou para a Bolívia, rumo que foi rebatido nas urnas recentes desse país.

A partir de hoje, seu terceiro posicionamento levou-o a mais uma derrota. Torcia intensamente para Trump, mas a vitória foi do ex-vice presidente de Obama.

Um dos pontos a serem revisados refere-se claramente ao panorama da Amazônia, preocupação que se estende envolvendo desmatamentos capazes de contribuir para o aquecimento global.

DERROTA DA DIREITA – Assim, uma nova fase começa para nosso país. A queda do presidente Donald Trump, acima de tudo, assinala uma derrota da extrema-direita. Claro que nem todos os direitistas são extremados. Mas todos os direitistas são conservadores. E nem vale a pena falar da extrema-esquerda, pois essa já desapareceu nesse mundo, na estrada do tempo.

Hoje as posições de esquerda referem-se a mudanças sociais. Caso da redistribuição de renda.

Pesquisa eleitoral é a única a ser comprovada na prática e publicamente, dizia Paulo Montenegro

21 Estados não sabem quando conseguirão proclamar vencedor de eleição nos EUA | Poder360

Ilustração reproduzida do Poder 360

Pedro do Coutto

A frase que está no título me foi transmitida há muitos anos pelo saudoso amigo Paulo Montenegro, criador do Ibope e pai de Carlos Augusto Montenegro, quando a importância das pesquisas não era tão reconhecida como nos das de hoje. Entretanto, apesar dos acertos dos últimos 50 anos, ainda há pessoas que dizem sempre não acreditar nelas.

Terão mais uma vez a oportunidade de confrontá-las com os os resultados das urnas dos EUA e de nosso país. Os americanos estão ido as urnas hoje, nós brasileiros, iremos votar nos dias 15 e 29 deste mês.

É BOM ACREDITAR – Sempre acreditei nas pesquisas. Elas mudam de direção ao longo das campanhas da mesma maneira que os candidatos avançam e outros recuam. Assim, é preciso entender que os embates políticos se alteram e as pesquisas também.

Nos últimos 50 anos o IBOPE e o Datafolha só erraram poucas vezes. A principal delas foi em 1985, quando Jânio Quadros derrotou Fernando Henrique Cardoso na disputa pela prefeitura de São Paulo.

Mas eu disse que as pesquisas são fundamentais. Os que atuam na busca dos votos devem saber muito bem disto. Acontece que cientistas políticos traçam sempre o cenário ideal para análise. Porém, o panorama ideal não existe. O candidato ideal também não, imagem que se perde nas areias do tempo.

VANTAGEM DE BIDEN – Nesta terça-feira, vamos acompanhar o voto nos EUA. As pesquisas divulgadas pelo New York Times apontam vantagem para Joe Biden. O Globo e a Folha de São Paulo publicaram nesta segunda-feira os números. Na Folha de São Paulo, a matéria é assinada por Rafael Belago. Na Pensilvânia Biden tem 49 contra 43, no Arizona Biden repete os números. Na Flórida está na frente por 47 a 44. No Texas Trump tem 47,6 e Biden 46,7.

Também a FowNews confirma a vitória do democrata por 8 pontos, Penso que Joe Biden vencerá por margem maior. Isso porque os Republicanos estão tentando impedir os votos dos Democratas e tal posição é sinal de derrota.

Vamos ver o que acontece.  Vamos esperar, com pesquisas na mão, a voz das urnas.

Nos EUA, Biden não perde; e no Brasil, pesquisa revela as tendências na reta final

Delegada de esquerda', Martha Rocha ameaça polarização entre Paes e Crivella em eleição no Rio - Correio da Manhã Brasil

Marta Rocha vai passar Crivella e disputar o segundo turno

Pedro do Coutto

Na semana que passou, o Ibope acentuou as oscilações na corrida dos candidatos às prefeituras das cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, destacando as tendências entre os candidatos, a meu ver um aspecto fundamental para os desfechos que começam a 15 de novembro e terminam no dia 29 deste mês.

Acompanhando há vários anos disputas eleitorais, posso afirmar que os candidatos que perdem apoio nessa fase não recuperam mais os postos perdidos. É o caso de Celso Russomano em São Paulo e de Marcelo Crivella no Rio.

DECLÍNIO TOTAL – Em São Paulo. a candidatura Russomano entrou em declínio a meu ver total. Enquanto ele descia, subiam os pontos de Bruno Covas, Guilherme Boulos e Marcio França. Assim o confronto no segundo turno deverá ser entre Bruno Covas e o segundo colocado, seja ele Boulos, seja ele França. O governador João Dória, em conflito com Bolsonaro, deve estar aguardando uma visão mais nítida para apoiar o atual prefeito da cidade.

No Rio, Eduardo Paes já carimbou seu passaporte para o segundo turno quando terá como adversária a delegada Marta Rocha. Marta Rocha vem subindo enquanto Crivella perde pontos e estaciona. Há mais calor em torno de Marta do que em torno de Marcelo Crivella. Crivella é também o candidato com maior percentual de rejeição.

A questão da tendência é fundamental, tanto para cima quanto para baixo. Nesse processo entre avanços e recuos surge o clima de entusiasmo entre as campanhas daqueles que obtêm acréscimos eleitorais.

CASOS PERDIDOS – Não existe caso em que algum candidato, tendo estado na frente e perdido apoio, depois, na reta final, tenha recuperado a posição de liderança que havia conseguido na primeira fase de campanha.

É exatamente o que se passa na campanha americana. Por isso, vou arriscar e penso que nas urnas de amanhã, 3 de novembro, o vencedor será o democrata Joe Biden. Posso estar errado, mas é o que tudo indica.

Nesta terça-feira, das urnas americanas poderá sair um novo caminho para a humanidade

Joe Biden On Stranded Trump Supporters: "The Longer He's In Charge, The More Reckless He Gets" | HillReporter.com

O democrata Joe Biden continua à frente nas pesquisas

Pedro do Coutto

O título reflete em síntese o que penso a respeito do confronto direto entre as posições de direita e as do centro reformista. Na direita encontram-se fortes correntes extremistas . No cento reúnem-se as vertentes da moderação do poder e aquelas sintonizadas com reformas socioeconômicas, cada vez mais urgentes e relegadas no tempo.

A ciência levou o ser humano em 1969 a pisar na Lua, um grande salto para a humanidade que deveria ter sido acompanhado por reformas sociais. Afinal de contas, já são mais de 50 anos.

AVANÇO CONSERVADOR – A ascensão de Donald Trump à Casa Branca marcou sem dúvida um avanço conservador, que em muitos casos inclui a extrema ideológica na qual se incluem forças de conotações essencialmente antidemocráticas. Não que Trump não pratique a democracia. Mas sua ideia generaliza condições de retrocesso em várias partes do mundo sobretudo no Brasil. 

Portanto, a meu ver, uma vitória de Joe Biden significará uma acentuada descompressão para que o desenvolvimento econômico produza, não só a riqueza, mas o avanço nas etapas politicamente liberais.

EXTREMA ESQUERDA? – Como se sabe, a posição de extrema esquerda desapareceu no universo, exceção da Coreia do Norte e Cuba, mas deixou  de ser um projeto de poder em países como a China e a Rússia. São dois regimes ditatoriais, não há dúvida, porém que abandonaram a ortodoxia ideológica há pelo menos três décadas.

O Comunismo passou a condição de verdadeiro tigre de papel. Mas a extrema direita atual é muito mais ameaçadora, numa forma que assusta as pessoas que têm o pensamento voltado para a democracia e para a liberdade.

POLÍTICA DESUMANA – A extrema direita só tem a oferecer a ilusão calcada na força e na injustiça. Não tem compromissos com  o ser humano, velho conhecido nosso, cuja presença no universo político deve ser eternizada e revestida do respeito entre o poder e as classes sociais que sobrevivem sofrendo a pressão dos preços, do congelamento de salários, num processo sobre o qual recai a inflação disfarçada que tantos efeitos negativos traz sobre as classes sociais.

Portanto, acredito em uma vitória de Joe Biden cujo reflexo será bastante forte numa série de países, entre eles o Brasil. A política conservadora do governo Bolsonaro está contaminando o país. Das urnas americanas poderá surgir um novo caminho para a humanidade.

Ao anunciar combate frontal à corrupção, Fux escreve belo capítulo na história do Supremo

Discurso de Fux trouxe esperanças aos homens de bem

Pedro do Coutto          

Com seu discurso de posse na presidência do Supremo, anunciando a independência do Tribunal e o combate frontal à corrupção, o ministro Luiz Fux começou a escrever um novo e belo capítulo na história não só do STF, mas da própria História do Brasil. Como se sabe, a História se escreve por capítulos e por versões que ficam no tempo e que serão analisadas por vários ângulos. Para mim, parecem bastante afirmativas as palavras do novo presidente da Corte Suprema.

Com seu discurso, tendo ao lado o presidente Jair Bolsonaro Fux supera um período marcado tanto por controvérsias quanto por hesitações que contribuíram para conter o ímpeto da moralidade pública, no que se refere ao enriquecimento a qualquer preço.

O FIM DO CINISMO – Ao exaltar o mensalão e a operação Lava Jato, Luiz Fux balizou seu caminho e desestimulou todos aqueles que tentam obstruir a iluminação dos escândalos financeiros na sequência impressionante em que se encontram e cujos protagonistas assumem posições acentuadamente cínicas.

Acusados há que não se defendem dos roubos a que são imputados: preferem o caminho simples da obstrução dos processos que contra eles lhe move a própria sociedade brasileira. Se inocentes fossem, não seriam necessários tais recursos às sombras. Comprovariam sua própria absolvição. Sobretudo porque não existe absurdo maior do que o de condenar inocentes.

Mas os acusados não querem discutir o conteúdo concreto das acusações que pesam sobre si.

NOMES NA HISTÓRIA -Ao escrever este artigo me pergunto, por exemplo, quais as versões sobre o ex- presidente Lula, o presidente Bolsonaro e o ministro Dias Tofolli que vão ser reservadas nas páginas da História do Brasil. Inspirei-me na comparação entre os discursos de ministros do STF exaltando a gestão de Tofolli com os artigos que sobre ele escreveram Merval Pereira, Miriam Leitão e Bernardo Mello Franco.

São matérias absolutamente opostas. Como opostas são as análises sobre o metalúrgico Lula da Silva, que chegou ao poder nas urnas de 2002. Um fenômeno, que também inclui o vírus da corrupção em larga escala que contaminou o Brasil.

E BOLSONARO? – A História, em seu eterno processo, terá como responsabilidade sua o julgamento de Jair Bolsonaro. Ele se elegeu por ser o antiLula e o antiPT.

Mas que dizer da reunião ministerial de 22 de abril e de sua reação silenciosa diante do ataque do ex-ministro Weintraub ao Supremo. Ao contrário do que se poderia esperar, Weintreaub foi nomeado representante brasileiro no Banco Mundial.

Preços dos alimentos disparam nas feiras e supermercados, forçando nova alta da inflação

TRIBUNA DA INTERNET | Pressão internacional pode causar estragos na luta contra a inflação em 2018

Charge do Alves (Arquivo Google)

Pedro do Coutto   

O preço dos alimentos disparou nos últimos dias. É claro, isso causou reflexos na taxa de inflação e principalmente no custo de vida, pois o item alimentação é o que mais pesa nas classes de menor renda. E as classes de menor renda são maioria absoluta da população, atingindo fortemente os trabalhadores e trabalhadoras. O processo do custo de vida, é lógico, envolve também os funcionários públicos, inclusive os militares.

Reportagem de Cassia Almeida, Ana Clara Veloso, Nice de Paula, Gabriel Shinohara, Vitor Farias e Gustavo Maia, em O Globo de hoje, focaliza amplamente o assunto.

SEM INTERVENÇÃO – A matéria acentua declaração da Ministra Tereza Cristina, da Agricultura, assegurando que o presidente Bolsonaro não vai intervir no mercado para tabelar preços, mas dirige um apelo aos supermercados para que não só deixem de aumentar, como também diminuam os preços fixados.

Bolsonaro afirmou que “não vou tabelar nada, mas peço para que os lucros desses produtos essenciais sejam próximos de zero”.

A OAB e a Associação Brasileira de Procons já se dirigiram ao ministro Paulo Guedes no sentido de que estabeleça limites para conter a forte alta dos preços.

IMPOSTO DAS IGREJAS – A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, subordinada ao Ministro Guedes manifestou-se contra a transformação em lei do projeto aprovado pela Câmara e Senado que isenta os templos de impostos, entre eles a contribuição social sobre o lucro líquido.

O projeto é do deputado David Soares, filho de R.R.Soares, líder da igreja Internacional da Graça de Deus. Além da isenção, a iniciativa inclui o perdão de dívidas que se elevam em torno de 889 milhões de reais, já inscritos na dívida ativa da União.

Acentuo que o presidente terá de decidir se atende ao Ministério da Economia ou principalmente aos templos religiosos.

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AÇÃO MILITAR NA AMAZÔNIA SERÁ PRORROGADA

Reportagem de Mateus Vargas, O Estado de São Paulo de terça-feira, revela que militares convenceram o presidente da República ser imperiosa a presença do Exército na preservação das matas da Amazônia até o final de 2022. Trata-se da operação Verde-Brasil comandada pelo vice-presidente Hamilton Mourão.

Os militares estão ocupando a administração da área que deveria estar sendo realizada pelo ministro Ricardo Salles, do Meio Ambiente. O general Augusto Heleno, de acordo com a matéria, afirmou-se favorável à presença das Forças Armadas.

Penso que só falta agora o presidente Bolsonaro assinar a demissão do ministro Ricardo Salles.

Documentário sobre Caetano Veloso expõe a face, muitas vezes oculta, da ditadura militar

Documentário sobre prisão de Caetano Veloso é exibido no Festival de Veneza  | Jornal Nacional | G1

No filme, Caetano relata sua prisão no regime militar

Pedro do Coutto

O documentário sobre Caetano Veloso, exibido nesta segunda-feira no Festival de Veneza, representa uma exposição e ao mesmo tempo uma revelação sobre o processo da ditadura militar brasileira, que passou por várias fases, e portanto, tendo terminado em 1985, não foi acompanhada pelas gerações que nasceram depois do arbítrio e da tortura.

Produzido por sua mulher Paula Lavigne, o filme baseia-se no relato de Caetano nos meses em que esteve preso no governo Costa e Silva.

NA SOLITÁRIA – Sua prisão, sem qualquer fato que desse margem à medida, estendeu-se por dois meses dos quais alguns dias na solitária. Seu companheiro de cárcere foi Gilberto Gil, preso nas mesmas condições.

Caetano Veloso forneceu um documento que vai se incorporar à história do Brasil, destacando um dos períodos mais sombrios da memória nacional. O movimento político militar que derrubou o presidente João Goulart dividiu-se em três períodos sombrios: a ditadura do general Castelo Branco, a do general Costa e Silva e a ditadura Garrastazu MedicI. Houve duas fases de relativo afrouxamento. A do general Geisel e a do general João Figueiredo.

Os períodos estão muito bem focalizados nos livros de Elio Gaspari “A Ditadura Envergonhada” e a “Ditadura Escancarada”.

DITADURA DE VARGAS – Para mim a Ditadura Escancarada é a que mais se assemelha à ditadura de Getúlio Vargas no período novembro de 37 a fevereiro de 45, quando presos políticos eram torturados no prédio da chefatura da polícia e no quartel da Polícia Especial, no Morro de Santo Antonio, já demolido.

Assinalo que a deposição de Vargas ocorreu a 29 de outubro de 1945. Mas a censura foi derrubada antes, em fevereiro, por uma entrevista de José Américo de Almeida ao repórter Carlos Lacerda, publicada no Correio da Manhã.

HISTÓRIA DOS PORÕES – Esclarecido o episódio, creio que a importância histórica do documentário focalizando Caetano Veloso é a de que o filme ficará para sempre funcionando para informar às gerações que vierem depois de nós.

O documentário registra o arbítrio, os interrogatórios imbecis sem qualquer conteúdo lógico, as acusações sem quaisquer provas, os gritos dos torturados e os risos dos torturadores. Está na história política dos porões, tanto os que ficam em prédios, e também os que ficam na consciência dos carrascos e nas pessoas civilizadas que manifestam sua repugnância.

LULA NO ATAQUE – Lula, agora, muda de tom e ataca Bolsonaro. O ex-presidente desferiu fortes ataques nas redes sociais contra o presidente Bolsonaro, episódio que deu margem a reportagem de Carolina Linhares, Folha de São Paulo de hoje.

Seguramente pressionado pelas bases do PT, Luis Inácio da Silva culpou Bolsonaro pelas mortes causadas pela Covid-19 e também por seus ataques à democracia que jogaram o Brasil num pesadelo que parece não ter fim. Lula acrescentou que, com a ascensão de Bolsonaro, milicianos atravessadores de negócios e matadores de aluguel saíram das páginas policiais e apareceram nas colunas políticas. Atacou também a política ambiental e as medidas que retiram direitos dos trabalhadores, reduzindo seus salários.

DIZ MERVAL –  Na sua coluna de O Globo de hoje, Merval Pereira focaliza a nova postura do ex-presidente, frisando ter ele recuado da insinuação que lançou no ar na semana passada de que poderia ser candidato a vice presidente de alguém com possibilidades reais de vitória.

Merval lembra que ele citou o exemplo de Cristina Kirchner, porém a partir de ontem passou a reassumir a posição que ocupou no passado recente que marcou a vitória de Bolsonaro nas urnas. Lula pareceu confiante e sua reabilitação quando seu recurso chegar à segunda turma do STF.

Não tenho essa certeza. Com a reportagem de Cristina Linhares e o artigo de Merval Pereira, o panorama político do país passou a ser outro.

Briga de Paulo Guedes com Rodrigo Maia é prejudicial ao governo e ao próprio país

TRIBUNA DA INTERNET | Piada do Ano! Bolsonaro exige de Guedes um  crescimento mínimo de 2% neste ano

Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

Bernardo Caran, Tiago Rezende, Danielle Brant e Daniel Carvalho, publicam reportagem na Folha de São Paulo revelando que nas últimas semanas o prestígio do ministro Paulo Guedes entrou em declínio, sobretudo quando seu projeto de Renda Brasil foi publicamente condenado por Bolsonaro.

Este projeto tinha como objetivo transferir renda de assalariados pobres para outros mais pobres ainda. Exatamente o oposto do que defendia João Maynard Keynes cuja obra Paulo Guedes citou recentemente. Mas não disse a que capítulo da obra se referia, uma vez que Lord Keynes publicou cerca de 30 livros.

Repórteres acrescentam que sua briga com Rodrigo Maia está sendo interpretada como um episódio que prejudica o próprio governo. De fato não tem cabimento na linguagem adulta que um ministro proíba o assessor de Economia Esteves Colnago e o Secretário do Tesouro, Bruno Funchal de se encontrarem para almoçar com o presidente da Câmara dos Deputados.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O que se estranha é por que Guedes continua no governo, se Bolsonaro não gostou de nenhum dos planos apresentados por ele (Previdência, Sistema Tributário e Administração Público). O mais incrível é que Guedes não é demitido nem pede demissão. (C.N.)

Esvaziar Lava Jato pode ser parte do projeto para aproximar Lula e Jair Bolsonaro?

Iotti: prodígios | GaúchaZHPedro do Coutto    /   Charge do Iotti (Zero Hora)

Merval Pereira, em artigo na edição de O Globo, destaca que o procurador-geral da República Augusto Aras está agindo para esvaziar a Lava Jato e suas consequências, entre as quais principalmente as sentenças de Sérgio Moro que condenaram (digo eu) o ex-presidente Lula. Um caso concreto já ocorreu. A sentença contra um doleiro do processo Banestado foi anulada pela 2ª turma do STF. Houve empate e nesse caso o réu é favorecido.

O ministro Edson Fachin quer alterar esse entendimento. Na Folha de São Paulo, Marcelo Rocha assinala que iniciativas de Aras ameaçam na prática a continuidade da Lava Jato, inclusive com apoio do STJ. Diz Marcelo Rocha que existem pautas pendentes a serem debatidas, entre elas a discussão sobre se deve ou não ser prorrogada a força tarefa de Curitiba.

PARCIALIDADE – Os advogados de Lula, como é público, estão preparando recurso para anular a condenação do ex-presidente fixada por Sergio Moro. Alegam parcialidade. A dificuldade creio eu é que tal sentença foi confirmada pelo TRF e pelo STJ. Entretanto a hipótese de anulação não deve ser descartada, uma vez que a segunda turma continua composta por quatro ministros, com Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski votando sempre juntos, contra a Lava Jato.

Como Lula em entrevista recente publicada pelo O Globo, referiu-se ao fato de a ex-presidente Cristina Kirchner ter se candidatado à vice-presidência na Argentina, para mim ficou no ar uma proposta política que poderia se concretizar se ele tivesse a sentença contra si anulada. Mesmo se ele não fosse o vice de Bolsonaro em 22, na linguagem cifrada da política seu apoio à reeleição ficaria condicionado a perspectiva de ser reintegrado nos direitos políticos.

DECISÃO ABSURDA – A juíza Cristina Serra Feijó assinou decisão absurda de proibir a TV Globo de mostrar qualquer documento ou peça das investigações sobre a ação em que o senador Flávio Bolsonaro é acusado. Caso da chamada “rachadinha”.

O despacho, a meu ver, é totalmente inconstitucional, porque se choca com a liberdade de expressão e de imprensa. Claro que o ato será revogado, mas fica escrito como um dos grandes equívocos do universo jurídico do país. Afinal de contas qual o interesse de um acusado em bloquear fatos do processo? É estranho porque o lógico seria desmentir os crimes a ele atribuídos.

No rumo das urnas e atendendo a pedidos, Bolsonaro pode desistir de privatizar Eletrobrás

TRIBUNA DA INTERNET | Como é fácil quebrar a Eletrobras!

Charge do Latuff (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

A reportagem de Bernardo Caran, Tiago Resende, Fabio Pupo e Gustavo Uribe, Folha de São Paulo de quinta-feira, antecipou pontos importantes do projeto de emenda constitucional sobre a reforma administrativa. Um desses pontos refere-se ao programa de privatização de estatais. A venda poderia ser barrada se o governo de algum estado manifestar o interesse de preservar a empresa estatal. É exatamente o caso da Chesf, em relação a qual o governador da Bahia, Rui Costa, já se anunciou contrário. Logo surge um novo enfoque.

Na edição de hoje da Folhs, Bernardo Caran e Tiago Resende não focalizam este ponto. Ele também não é trstado pela reportagem de Marcelo Correia, Manoel Ventura e Geralda Doca, O Globo. Portanto, vamos aguardar a publicação do texto integral da PEC da reforma.

PARA O FUTURO – Ficou nítido, entretanto, que o presidente Bolsonaro não deseja problemas com o eleitorado, uma vez que fez questão de assinalar que a redução dos direitos do funcionalismo público só valerá para os que ingressarem após a promulgação da emenda.  A emenda encaminhada abrange por igual o funcionalismo federal, estadual e municipal.

Francamente, com base nas afirmações de Rodrigo Maia, não vejo sentido na atitude de Paulo Guedes proibindo que seus secretários se encontrEm com o presidente da Câmara dos Deputados. Isso só pode dificultar os entendimentos políticos e prejudicar o próprio governo. Não se compreende uma atitude tão juvenil de alguém que já acrescentou em seu currículo ter lido John Maynard Keynes no original. Aliás, acentuo eu, as teses de Keynes são opostas das ideias de Paulo Guedes.

CPI DOS GUARDIÕES – Ontem, por escassa maioria a Câmara de Vereadores do Rio não deu sequência ao processo de impedimento do prefeito Marcelo Crivella. Entretanto, a vereadora Teresa Bergher conseguiu o número necessário de assinaturas para instalar uma CPI para investigar as responsabilidades pelas ações da equipe de choque da Prefeitura para impedir as livres manifestações dos que procuram a rede pública municipal de saúde, tentando também impedir o trabalho da imprensa, especialmente as atividades da TV Globo.

Teresa Bergher pretende convocar primeiramente os que comandam a estupidez da administração municipal.