Governo recebeu 105 mil denúncias de violência contra mulher em 2020; pandemia é fator, diz Damares

Governo lançou campanha de combate à violência contra a mulher

Alexandro Martello
G1

A pandemia de Covid-19 foi um dos fatores que provocaram aumento da violência doméstica contra as mulheres no Brasil em 2020, afirmou a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves. O país registrou 105.821 denúncias de violência contra a mulher no ano passado, segundo relatório divulgado neste domingo, véspera do Dia Internacional da Mulher.

De acordo com a ministra, houve aumento também nas ocorrências registradas por delegacias virtuais. “Nós, infelizmente, tivemos de deixar dentro de casa agressor e vítima. Isso foi um fenômeno que aconteceu no mundo inteiro e nós lamentamos”, declarou Damares.

CANAIS DE ATENDIMENTO – A ministra diz que, prevendo esse aumento, o governo ampliou os canais de atendimento. Além das plataformas do Ligue 180 e do Disque 100, que já existiam, o ministério oferece contatos por WhatsApp e por um aplicativo próprio chamado “Direitos Humanos Brasil”.

“Como é que a mulher ia ligar na frente do agressor? Ele ia ouvir a voz dela. Aí a gente traz para o Brasil o WhatsApp, o aplicativo, para que a mulher de noite acorde e, mesmo ao lado dele, possa mandar uma mensagem em silêncio. Ou na hora que for ao banheiro tomar um banho, jogar o lixo lá fora”, disse.

REFLEXÃO – Na avaliação de Damares, não há muito o que comemorar no Dia Internacional da Mulher, nesta segunda. A ministra afirma que o momento é de “reflexão”. “Nós não temos muito o que celebrar não. Amanhã (hoje) é um dia de reflexão para nós, especialmente nesse momento de pandemia. Quantas mulheres nós perdemos para o Covid? Quantos maridos amanhã não vão ter uma esposa para quem entregar uma flor, um filho não vai ter uma mãe para abraçar no Dia da Mulher. E aqui a gente registra o nosso abraço às famílias que perderam alguém nesse período de Covid. Isso vai passar, gente. Tenho certeza que isso vai passar logo. Nós estamos caminhando para o fim disso, nós temos que manter essa esperança cada vez mais renovada”, declarou.

Em 2020, segundo o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, foram registradas 105.821 denúncias de violência contra a mulher nas plataformas do Ligue 180 e do Disque 100. As denúncias podem ser anônimas. Os números, por semestre, constam no painel de dados sobre Direitos Humanos.

Segundo o governo, de acordo com a Lei Maria da Penha, esse tipo de violência é caracterizado por ação ou omissão que causem morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico da mulher. Ainda estão na lista danos morais ou patrimoniais a mulheres.

MUDANÇA – De acordo com o ministério, uma mudança na metodologia adotada em 2020 impede que os dados sejam comparados com anos anteriores. Essa mudança permitiu, por exemplo, que mais de uma denúncia fosse registrada sob um mesmo protocolo. Ao mesmo tempo, cada denúncia também pode conter mais de uma violação ou envolver mais de um crime.

As denúncias de violências contra a mulher, de acordo com o ministério, representam cerca de 30% de todas as denúncias realizadas no Disque 100 e no Ligue 180 em 2020. Os canais também recebem denúncias de violações a diversos grupos vulneráveis, como crianças e adolescentes, pessoas idosas, pessoas com deficiência, pessoas em restrição de liberdade, população LGBT e população em situação de rua.

O governo informou ainda que a maioria das denúncias tem como vítimas mulheres declaradas como de cor parda de 35 a 39 anos. O perfil médio da mulher vítima de violência doméstica inclui ensino médio completo e renda de até um salário mínimo. Já em relação aos suspeitos, o perfil mais comum é de homens brancos com idade entre 35 e 39 anos.

COMO DENUNCIAR –  O governo federal oferece os seguintes canais de denúncia: Disque 100; Ligue 180; Mensagem pelo WhatsApp no número (61) 99656-5008; Telegram, no canal “Direitoshumanosbrasilbot”; Site da Ouvidoria do Ministério; Aplicativo “Direitos Humanos Brasil” (para iOS e Android)

O aplicativo, assim como os apps de troca de mensagem mais populares, permite o envio de fotos, vídeos e áudios. Também há um atendimento aos surdos por meio de chamada de vídeo, em Libras (Língua Brasileira de Sinais).

CAMPANHA –  O governo também lançou neste domingo uma campanha, em parceria com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), para combate à violência contra a mulher em todo o país. Entre as mensagens da campanha, estão: “o amor não causa dor, não causa medo, não deixa trauma ou dívidas”.

O objetivo é chamar a atenção para as diversas violências físicas, psicológicas e patrimoniais sofridas por mulheres, informou o governo. Segundo o ministério, a ação publicitária traz peças e vídeo que serão encaminhadas para órgãos e instituições ligadas ao Poder Judiciário, como cartórios e tribunais de Justiça.

A secretária nacional de Políticas para Mulheres do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Cristiane Britto, informou que a campanha é importante para enfrentar um grande desafio na violência contra a mulher, a subnotificação. Segundo ela, o governo está trabalhando em um plano nacional de enfrentamento ao feminicídio.

CPI da Covid ganha força no Senado, mas a bancada do governo reage e não aceita a convocação

F por não cumprimento de emendas

Há chances de convocar a CPI, diz Izalci Lucas, líder do PSDB

Luiz Calcagno
Correio Braziliense

A pressão para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as ações do governo na pandemia do novo coronavírus cresce exponencialmente. Se no começo da semana, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), não via motivos para uma CPI, agora já tem dificuldades em conter os ânimos devido aos recentes episódios sobre a crise sanitária — sobretudo depois que o país bateu, ontem, a marca oficial de 1.910 mortes pela covid-19 em 24 horas.

Segundo o líder da oposição, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vários parlamentares acenam com a possibilidade de assinarem o requerimento que apresentou. A criação do colegiado dependerá do fim do lockdown no Distrito Federal.

HÁ GRANDES CHANCES – O líder do PT na Casa, Paulo Rocha (PA), argumenta que não se trata de uma “CPI genérica”. “O objetivo não ser uma CPI genérica, mas direcionada à questão da saúde. O que Bolsonaro está fazendo alavanca a nossa força para instalá-la. O que ele fez no Ceará, na semana passada, por exemplo, só justifica a instalação”, afirmou.

O líder do PSDB, senador Izalci Lucas (DF), acredita que há grandes chances de a CPI ser instalada. A demora só se daria graças aos debates em torno da PEC Emergencial.

“Há muita cobrança, é um instrumento da maioria. O presidente do Senado pediu para resolver as questões emergenciais primeiro, mas acho que a chance é grande. O PSDB é favorável. Não é ‘oba-oba’, é buscar um caminho para vacina, auxílio emergencial, combate à pandemia. Buscar um rumo”, justificou.

DEM É CONTRA – Já o líder do DEM, senador Marcos Rogério (RO), atacou a iniciativa. “Críticas podem haver em relação à política de condução do enfrentamento da pandemia, tanto do governo federal, quanto de estados e municípios. Mas, em um momento como esse, o Parlamento ocupar ministro, secretário, auxiliar de governo, para gastarem tempo e energia para se defenderem, quando têm que estar atacando o vírus? CPI não gera leito de UTI, não traz vacina, não atua na ponta”, justificou.

O líder do PROS, Telmário Mota (RR), vai na mesma linha. “A CPI vai apurar o quê? Qual é o foco? Uma deficiência do governo federal? Isso já está com a PGR (Procuradoria-Geral da República). E se a Polícia Federal e o Ministério Público estão atuando, qual a finalidade da CPI? Por que vai apurar e encaminhar a esses órgãos. É chover no molhado”, destacou.

Substituto de Brandão na presidência do Banco do Brasil terá de vender sua alma a Bolsonaro

Funcionários do Banco do Brasil iniciam greve de 24h a partir desta  quarta-feira – Portal Plural

André Brandão começou a fechar agências e irritou Bolsonaro

Vicente Nunes
Correio Braziliense

A contagem regressiva para a saída de André Brandão da presidência do Banco do Brasil já começou. E seu substituto assumirá com a alma vendida ao presidente Jair Bolsonaro. Ou seja, terá de fazer tudo o que o chefe do Executivo quiser, se pretender continuar no cargo.

Há o temor, entre executivos da instituição e integrantes da equipe econômica, de que o futuro presidente do banco interrompa o programa de reestruturação anunciado por Brandão e que foi o motivo de seu desentendimento com Bolsonaro.

DEMISSÕES VOLUNTÁRIAS – Técnicos do Banco do Brasil dizem que os dois programas de demissões voluntárias, que tiveram adesão de mais de 5,5 mil funcionários, estão praticamente fechados. Mas o processo de fechamento de pontos de atendimento ainda está no início. Quer dizer, pode ser interrompido.

A previsão do BB é de fechar 361 pontos de atendimento, dos quais 112 são agências. Foi esse o item que mais causou estresse entre Bolsonaro e Brandão, diante das reclamações de políticos da base do governo contra o encerramento de atividades do banco em cidades de seus currais eleitorais.

Para André Brandão, o Banco do Brasil precisa levar adiante seu programa de reestruturação para que possa ganhar musculatura a fim de enfrentar, em melhores condições, a concorrência. O BB está inchado e engessado, características que não se adequam a um mercado bancário cada vez mais digital.

PERDA DE ESPAÇO – Portanto, dizem aliados de Brandão, qualquer retrocesso no projeto de modernização do Banco do Brasil levará a instituição a perder mercado. Os principais concorrentes já estão muitas voltas à frente do BB. “Dependendo de quem assumir o BB, os problemas vão explodir”, diz um funcionário da instituição.

Apesar de muito ressentido com Bolsonaro, o ainda presidente do Banco do Brasil não arredou os pés de suas funções. Continua trabalhando normalmente. Mas, como já ressaltou a amigos, não vê a hora de se livrar logo desse fardo.

Novo método canadense dá dicas para identificar “fake news” mais rapidamente

Fake news | Comic book cover, Comic books, Book cover

Charge do Alpino (Yahoo Notícias)

Madeleine Lacsko
Gazeta do Povo

Métodos de checagem de informações são ensinados em diversas profissões, com objetivos diferentes. Médicos, engenheiros, professores, pedreiros, policiais, encanadores, enfim, cada profissão tem métodos técnicos específicos para a aferição daquilo que é o coração do seu dia a dia.

O tipo de checagem de fake news que o cidadão comum faz hoje nas redes sociais é mais relacionado àquele aprendido no jornalismo. Você quer saber a verdade sobre um acontecimento, ouve pessoas, vai atrás de elementos que comprovem o que essas pessoas disseram, verifica a veracidade desses elementos e eventuais elementos ou depoimentos que os contraponham, tenta recontar a história com a maior fidelidade possível. Faz sentido, mas só era suficiente no mundo analógico.

QUEM DEFINE A VERDADE? – Vivemos tempos estranhos em que adultos perguntam, com sinceridade: “quem define o que é verdade?”. Se alguém tem o condão de definir, então não é possível se tratar de verdade. Verdade é algo objetivo e verificável. Existem fatos que não são verificáveis, não deixam rastros, provas, às vezes nem testemunhas.

Nem sempre saberemos qual é a verdade, mas sempre sabemos o que é do nosso interesse e quando estamos sendo explorados. Aí que entra o método SIFT de validação de informações e fontes, voltado para o cidadão comum.

Não falamos apenas de validar fontes e informações, mas de analisar o quanto de tempo realmente queremos dedicar a um tema.

PERDA DE TEMPO – Todos nós que usamos redes sociais já nos pegamos empolgadíssimos pesquisando o detalhe do detalhe do detalhe de algo que não tem a menor importância. Também já tentamos argumentar com pessoas que não estão dispostas a debater, querem só fazer propaganda das próprias ideias para o nosso círculo de relacionamento. Precisamos aprender a decidir conscientemente em que ocasiões vamos dedicar nosso tempo e nossa atenção a essas atividades.

Para facilitar a checagem, o canadense Michael Caulfield criou, com base no método jornalístico mas levando em conta a economia da atenção, uma fórmula para validar informações.

O método SIFT é o acrônimo de stop, investigate, find e trace. 1. Pare; 2. Investigue a fonte; 3. Encontre cobertura melhor do tema; 4. Rastreie afirmações, frases e mídia até o contexto original O processo geralmente demora só dois minutos e, segundo as universidades canadenses que o adotam, é mais efetivo para tomada de decisão do que pesquisas exaustivas.

UM BOM EXEMPLO –  Fontes confiáveis de informação também erram. Uma fonte confiável não é aquela à prova de erros, é a que tem experiência comprovada em um tema.

Suponha que você viu uma postagem de um artista famoso com uma posição inflamada e completamente contrária à reabertura de escolas na pandemia. Você tem filhos e começa a ficar com receio. Vamos ao método SIFT.

Primeiramente, pare. O passo 2 é pesquisar quem é esse artista. Você coloca o nome no Google e vê que é uma pessoa muito ligada a outras que partilham da mesma opinião. No passo 3 você se pergunta sobre a possibilidade de achar rapidamente qualquer fonte mais confiável. É só colocar no Google “reabertura das escolas” e haverá alguns favoráveis e outros contrários à reabertura, mas nenhum terá um posicionamento tão radical quanto do artista, que não pisa numa escola desde que era estudante. Conclusão: não é a melhor fonte sobre o tema, deixe essa fonte de lado.

ESPIRAL DE DESINFORMAÇÃO – Quanto mais tempo for dedicado a tentar contrapor ou buscar informações sobre um tema com base em informações obtidas de fontes que não são as melhores, maior a chance de você acabar entrando numa espiral de desinformação. Nós vamos encontrando tantos pedaços de informação que se torna difícil assimilar e impossível analisar.

Se engajamos num debate então, fecha-se o canal da razão e abre-se o da emoção. Nossa tendência será então aceitar as informações que coincidem com aquilo que já pensávamos e rejeitar de pronto o que não coincida. E, sem que a gente se dê conta, já teve a atenção desviada para outra polêmica na qual não havíamos pensado antes. Novamente repetimos a coreografia e, além da confusão, não ganhamos nada.

POUPAR TEMPO E ATENÇÃO – O método SIFT não muda visões políticas nem é a solução contra a desinformação. Alfabetização Midiática é o caminho, aprender a usar o melhor das redes a nosso favor e evitar trabalhar de graça para as Big Techs, gastando nosso tempo e saúde mental.

Na entrevista ao colunista do New York Times, Michael Caulfield diz que “no momento, estamos pegando o recurso mais escasso e valioso que temos – nossa atenção – e o estamos usando para tentar consertar o ecossistema de informações terrivelmente quebrado”. É como acender vela boa para santo ruim. Nas instruções para acidentes de avião, primeiro colocamos a máscara de oxigênio em nós mesmos e depois nos outros. Enfrentar a confusão de algoritmos das Big Techs começa por aprender a ficar a salvo deles.

(Artigo enviado por Mário Assis Causanilhas)

Apesar de mansão em Brasília, Flávio Bolsonaro mantém imóvel funcional do Senado

Flávio não informou se vai devolver apartamento em Brasília

Julia Lindner e Aguirre Talento
O Globo

Apesar de ter comprado uma mansão em Brasília no final de dezembro do ano passado, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) manteve o apartamento funcional disponibilizado pelo Congresso na capital federal pelo menos até fevereiro, segundo dados divulgados pelo sistema da Casa. A prática não é vedada pelo Senado, e a assessoria de imprensa do parlamentar não soube informar se ele pretende devolver o imóvel cedido pelo Legislativo.

As regras para o uso dos apartamentos funcionais do Senado permitem o recebimento do benefício mesmo para parlamentares com imóvel próprio no Distrito Federal. “Os senadores, durante o período do mandato, fazem jus a um apartamento funcional, cuja entrega estará condicionada à disponibilidade de imóveis por parte do Senado, bem como à prévia assinatura de termo de ocupação de imóvel”, diz o ato da Mesa Diretora que regulamenta a concessão dos apartamentos.

MANSÃO – De acordo com o texto, o único impedimento existente é o parlamentar acumular o uso do imóvel funcional com o recebimento do auxílio-moradia. Neste caso, o senador deve optar por um dos dois. Flávio não recebe o auxílio.Como revelado pelo site “O Antagonista”, Flávio comprou uma mansão por R$ 6 milhões no Lago Sul, bairro nobre de Brasília.

O Globo também teve acesso ao registro do negócio em cartório, no qual consta que o imóvel tem 2.400 m², fica localizado em uma área batizada de “Setor de Mansões Dom Bosco” e teve a aquisição registrada no dia 29 de janeiro — o documento foi formalizado em um cartório em Brazlândia, a cerca de 60 quilômetros da residência.

De acordo com uma testemunha que acompanhou a negociação, as chaves da nova casa foram entregues a Flávio Bolsonaro no dia 23 de dezembro. Devido às festas de fim de ano, o senador só passou a ocupar o imóvel após o réveillon.

CASOS SIMILARES –  O filho do presidente da República não é o único a utilizar o apartamento funcional mesmo tendo imóvel próprio na cidade onde trabalha. Ex-vice-líder do governo no Senado, Chico Rodrigues (DEM-RR), que ficou afastado do cargo por quatro meses após ser flagrado, em uma operação da Polícia Federal, com dinheiro na cueca, declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na eleição de 2018 possuir três imóveis na capital federal. Um deles, uma casa também no Lago Sul, foi vendido há cerca de dois anos.

Segundo a assessoria de Rodrigues, ele adquiriu os outros dois apartamentos para aluguel no fim da década de 1990, de forma regular, e atualmente reside “legitimamente e por direito” no imóvel funcional.

AUXÍLIO-MORADIA – Em alguns casos, parlamentares receberam o auxílio-moradia mensalmente mesmo residindo em imóvel próprio. Até meados de 2019, por exemplo, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) recebeu por oito anos o benefício do Senado, totalizando mais de R$ 500 mil, enquanto possuía uma casa de alto padrão no Lago Sul.

Quatro meses após O Globo revelar o caso, Nogueira deixou de receber o auxílio e passou a utilizar o imóvel funcional. Em sua última prestação de contas ao TSE, em 2018, Nogueira declarou ter um apartamento na capital federal.

Vexame internacional! Em Israel, o chanceler brasileiro é repreendido por não usar máscara

Ernesto Araujo sorri, sem graça, antes de colocar a máscara

Deu no G1 — Brasília

Em visita oficial a Israel para conhecer testes preliminares de uma droga contra a Covid-19, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, foi repreendido por não usar máscara durante uma cerimônia oficial com o chanceler israelense Gabi Ashkenazi.

Ao fim da entrevista, o mestre de cerimônias chama as duas autoridades para bater a foto oficial. Ernesto vai ao encontro do ministro israelense, este já de máscara, momento em que é repreendido pelo apresentador: “Nós precisamos que coloque a máscara”.

MÁSCARA, SÓ NO EXTERIOR – As imagens já divulgadas da missão oficial a Israel também mostram posturas diferentes do restante da delegação brasileira quanto ao uso de máscaras.

Na manhã de sábado, Ernesto Araújo compartilhou uma foto do embarque do grupo na Base Aérea de Brasília. Nenhum dos representantes usava máscara, embora o item de segurança seja obrigatório em áreas públicas e de aglomeração no Distrito Federal.

O presidente Jair Bolsonaro não viajou para Israel, mas também esteve – sem máscara – no local do embarque. Horas depois, o perfil oficial do Ministério das Relações Exteriores publicou foto do desembarque da delegação em solo israelense, onde o uso de máscaras também é obrigatório.

Comitiva oficial do governo Jair Bolsonaro, sem máscara, em embarque para Israel — Foto: Twitter/Reprodução

No aeroporto, na foto com Bolsonaro, ninguém usava máscara

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
No exterior, a delegação brasileira optou por respeitar a regra. Todos os integrantes que aparecem na foto, feita após o desembarque, usavam máscaras de proteção. Mas o chanceler Ernesto Araújo pensou que estava no Brasil e deu o vexame de tirar a máscara em plena cerimônia oficial. Por isso foi repreendido pelo locutor e deu mais um passo para se tornar um pária diplomático. (C.N.)

Só Lula vence Bolsonaro em 2022, indica uma pesquisa do novo Instituto oriundo do Ibope

Defesa de Lula vê processo 'corrompido' e diz que liberdade é 'urgente' |  VEJA

Acredite se quiser! Lula tem mais aceitação e menos rejeição

Deu no Correio Braziliense

Em pesquisa de opinião que mede o potencial de voto de dez possíveis candidatos nas eleições presidenciais de 2022, apenas o ex-presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva demonstra ter mais capital político que o atual ocupante do Palácio do Planalto, Jair Bolsonaro.

No levantamento, feito pelo Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria), novo instituto de pesquisas da estatística Márcia Cavallari (ex-Ibope), 50% dos entrevistados disseram que votariam com certeza ou poderiam votar em Lula se ele se candidatasse novamente à Presidência, e 44% afirmaram que não o escolheriam de jeito nenhum. Bolsonaro aparece com 12 pontos porcentuais a menos no potencial de voto (38%), e 12 a mais na rejeição (56%).

PESQUISA ESPECIAL – Não se trata de levantamento que avalia um possível confronto entre Lula, Bolsonaro ou outros concorrentes. Enquanto uma pesquisa de intenção de voto mostra como está a corrida eleitoral, a de potencial busca medir o piso e o teto de aceitação de cada um dos possíveis candidatos.

Há outro fator determinante no caso do petista: Lula está impedido pela Lei da Ficha Limpa de concorrer em 2022, pois tem condenações penais proferidas por órgão colegiado.

Seus advogados têm buscado anular as sentenças que envolvem imóveis em Guarujá e Atibaia, mas, em entrevistas recentes, ele negou a intenção de se candidatar.

COM CERTEZA OU NÃO – Na pesquisa de potencial, em vez de apresentar uma lista de candidatos e pedir ao entrevistado que aponte seu preferido, o instituto cita o nome de cada possível concorrente e pergunta se o eleitor votaria nele com certeza, se poderia votar, se não votaria de jeito nenhum ou se não o conhece suficientemente para responder. A soma das duas primeiras respostas – “votaria com certeza” e “poderia votar” – é o potencial de votos.

Atrás de Lula e Bolsonaro no ranking de potencial de voto estão Sergio Moro (31%), Luciano Huck (28%), Fernando Haddad (27%), Ciro Gomes (25%), Marina Silva (21%), Luiz Henrique Mandetta (15%), João Doria (15%) e Guilherme Boulos (10%).

Todos esses – com exceção de Moro, cuja taxa de rejeição é de 50% – são descartados como opção de voto pela maioria absoluta do eleitorado.

EMPATE NA REJEIÇÃO – Empatados tecnicamente com os 56% de Bolsonaro no quesito “não votaria de jeito nenhum” estão Marina (59%), Huck (57%), Doria (57%), Ciro (53%) e Haddad (52%).

A pesquisa do Ipec também mostra em quais segmentos do eleitorado os candidatos têm mais apoio. Bolsonaro encontra mais simpatizantes entre evangélicos (53% de potencial de voto), moradores da região Sul (46%) e na faixa de renda entre dois e cinco salários mínimos (45%). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Há um engano nesta matéria. Na semana passada, 15 dias depois de anunciar o nome de Fernando Haddad pelo PT, Lula mudou de ideia e confirmou que é candidato à Presidência. Detalhe: não se sabe se ele está bebendo demais ou de menos. (C.N.)

Senador aciona o TCU para que Bolsonaro seja proibido de realizar eventos com potencial de aglomeração

Bolsonaro não ajuda, mas faz questão de atrapalhar

Gerson Camarotti
G1

O senador Fabiano Contarato (Rede-ES) fez representação ao Tribunal de Contas da União (TCU) na qual pede a proibição de eventos da Presidência da República com potencial de aglomeração, o que favorece a disseminação do vírus da Covid-19. A ação pede ainda para apurar eventuais ilegalidades no uso de recursos públicos nesses eventos, realizados em viagens do presidente Jair Bolsonaro pelo país.

Segundo a ação, os eventos contrariam as orientações de órgãos técnicos de Saúde e contribuem para a disseminação da Covid-19, em desacordo com regras sanitárias. Na sexta-feira, dia 26, em viagem ao Ceará, Bolsonaro causou aglomeração ao participar de dois eventos em Tianguá e em Caucaia, para assinatura da retomada e vistoria de obras viárias.

CRÍTICA – A visita foi criticada pelo governador Camilo Santana (PT-CE) que se recusou a participar das cerimônias em um momento no qual o estado adotou medidas restritivas.

Contarato ainda pede que sejam determinadas diretrizes, de acordo com critérios técnicos previstos por autoridades nacionais e internacionais de saúde, para a realização de novos eventos, em Brasília ou em outras cidades do Brasil, assim como a limitação do tamanho desses eventos de acordo com os indicadores sanitários da localidade onde se pretender realizá-los.

MAIS AGLOMERAÇÃO – Na semana passada, também houve aglomeração no Palácio do Planalto durante a posse do novo ministro da Cidadania, João Roma.Apesar do grave cenário de mais de 257 mil mortes e 10 milhões de infectados e com o sistema de saúde pública comprometido, o presidente da República tem mantido um calendário de eventos públicos que contribui para a ocorrência de aglomerações.

Somente nos dois primeiros meses de 2021, Bolsonaro já realizou ao menos nove atos públicos, cerimônias de diversas naturezas, em todas as regiões do país. “A situação do enfrentamento à pandemia tem se agravado nas últimas semanas. O total de casos e de mortes no país bateu novos recordes. Não é razoável a realização de eventos, quando não cercados dos devidos cuidados e de estrita obediência às recomendações de autoridade de saúde”, disse Contarato ao Blog, para em seguida complementar:

“Cada evento realizado pelo governo federal tem o potencial de levar à contaminação de dezenas, centenas de pessoas, as quais se tornam, elas próprias, também vetores de disseminação da Covid-19. O risco de grave lesão ao interesse público, portanto, está configurado. Essa conduta contraria qualquer esforço destinado a combater a calamidade pública vivida pelo Brasil, além de configurar uma série de ilícitos penais.”

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –  Bolsonaro deveria ser proibido de governar, de pisar fora de um manicômio onde poderia estar após instaurar a sua necropolítica que condena milhares de pessoas diariamente. Além de ser o pior presidente do mundo em uma democracia, atualmente, insiste em promover ações contrárias à preservação da vida. Se isso não é um exemplo explícito de genocídio, apaguem as luzes e cancelem o País. (Marcelo Copelli)

Cotada para assumir CCJ da Câmara, Bia Kicis tem vídeo removido por promover desinformação sobre Covid-19

Kicis entrevistava médico conhecido por disseminar teorias conspiratórias

Deu no O Globo

A deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) teve um vídeo removido pelo Youtube neste sábado por, segundo a plataforma, promover “desinformação sobre a Covid-19”. No vídeo, Kicis entrevistava Alessandro Loiola, médico conhecido por disseminar teorias conspiratórias sobre o novo coronavírus.

Loiola é autor de um livro intitulado “Covid-19: a fraudemia”, e já sugeriu que o uso de máscaras seria ineficiente para combater o coronavírus – o que é desmentido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelas principais autoridades de saúde de todo o mundo.

“RESPOSTA” – Após a remoção do vídeo, Kicis escreveu em seu perfil no Twitter que dará sua resposta “no Parlamento”, e criticou serviços de checagem de informações, que buscam vetar a disseminação de conteúdos falsos: “Os fatos checo eu mesma. Quando preciso de auxílio, peço”, escreveu a deputada.

Apesar da remoção pelo Youtube, um vídeo de uma entrevista de Kicis com Loiola segue disponível no Facebook.
Kicis é a favorita para assumir a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), uma das mais importantes da Câmara, já que tem a prerrogativa de analisar a constitucionalidade de cada projeto de lei submetido pelos parlamentares antes de ir à votação em plenário.

A deputada é investigada no inquérito das fake news conduzido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e costuma defender posturas negacionistas em suas redes sociais. No início deste ano, por exemplo, Kicis gravou um vídeo em que ensinava um “truque” para não usar máscaras em shoppings centers, o que contraria normas sanitárias. Kicis também tem reiterado discursos contra o isolamento social.

Portais bolsonaristas perderam R$ 5,4 milhões em publicidades em dez meses, segundo Sleeping Giants Brasil

Charge do Dorinho (Arquivo do Google)

Julia Noia
O Globo

Em dez meses de campanha, o Sleeping Giants Brasil conseguiu desmonetizar o equivalente a R$ 5,42 milhões de perfis que disseminam notícias falsas na internet, segundo levantamento feito pelos coordenadores da plataforma, com base em valores estimados de publicidade e assinaturas em mídias digitais.

A mobilização mirou os portais Jornal da Cidade Online, Conexão Política, Gazeta do Povo, Brasil Sem Medo e StopHateForProfit, além dos canais no YouTube Terça Livre e do ideólogo de direita Olavo de Carvalho. Também foram interrompidos anúncios associados a contas dos blogueiros bolsonaristas Sara Giromini e Bernardo Küster.

BLOQUEIO – Os meses com maiores taxas de desmonetização foram junho de 2020 (R$ 1.196.900,00), mês com campanha voltada a bloqueios dos portais Brasil Paralelo, Brasil Sem Medo e Terça Livre na Hotmart, e janeiro de 2021 (R$ 1.052.900,00), com mobilização pela derrubada de anúncios no Terça Livre, do bolsonarista Allan dos Santos, investigado no STF nos inquéritos sobre ake news e atos antidemocráticos, e também por consequência do posterior banimento do canal.

Das 905 empresas acionadas pelo Sleeping Giants Brasil, 744 responderam as cobranças nas redes sociais e retiraram anúncios de canais e sites que divulgam informações falsas, dentre elas, multinacionais como Coca-Cola, Microsoft,  Nubank, o site de cursos Hotmart e a página de pagamentos via PayPal e PicPay.

Apesar da alta taxa de respostas (82%), três empresas nunca retornam o contato. Outras, entretanto, evitam responder em redes sociais para evitar retaliações, como ocorreu com o McDonald’s, em setembro do ano passado, após resposta do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que acusou a marca de se tornar “radical de esquerda”.

AMEAÇAS – “Uma questão que influencia bastante a resposta é o ataque direcionado às empresas. Por exemplo, o McDonald’s, que foi uma das empresas que não respondeu agora (na última campanha, do canal Terça Livre). No caso do canal do Olavo de Carvalho, tinha respondido e acabou tendo 5 mil comentários no tweet, recebeu muitos ataques. Quando uma empresa se sente acuada, atacada, é bem óbvio que ela retire o anúncio e não fale publicamente, para evitar esses ataques”, destacou Leonardo de Carvalho, um dos fundadores do Sleeping Giants Brasil.

Dados da última campanha, voltada para a desmonetização do canal Terça Livre, apontam uma baixa na taxa de retorno das cobranças por parte das empresas. Apenas 68% das marcas procuradas pelo Sleeping Giants Brasil removeu o conteúdo do portal bolsonarista. Entre 22 de dezembro e 3 de fevereiro, 135 empresas foram notificadas, mas 41 não retornaram as notificações.

HISTÓRICO – Segundo os criadores do Sleeping Giants Brasil, Leonardo de Carvalho e Mayara Stelle, a ação voltada para o Terça Livre foi motivada pelo histórico consolidado de notícias falsas, superchats lotados de internautas e pelos próprios antecedentes do dono do canal, Allan dos Santos, investigado nos inquéritos das fake news e sobre a organização de atos antidemocráticos, em curso no Supremo Tribunal Federal (STF).

O canal Terça Livre foi banido do YouTube no começo de fevereiro e, uma semana depois, o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou a retomada da conta, que ainda não foi reativado no YouTube.

A farra continua! TST estima empenhar até R$ 761,8 mil com coquetéis e coffee breaks

Charge do Alpino (yahoo.com)

Fransciny Alves
O Tempo

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) pretende empenhar até R$ 761,8 mil com a contratação de empresa para fornecer coquetéis e coffee breaks em eventos e cerimônias da Corte durante o período de um ano. Vinhos, espumantes e uma variedade de queijos e canapés são alguns dos itens que fazem parte do extenso cardápio. O certame está marcado para ocorrer no dia 11 de março.

A estimativa utilizada pela Corte é de poder atender até 28,5 mil pessoas em eventos ao longo de doze meses. Quando se trata de coquetéis a variedade de alimentos e bebidas é grande. Vinho tinto seco, espumante brut (Chandon, Miolo ou Salton) e sucos são algumas das bebidas. Já quando se trata de comida, alguns dos itens são: canapés, folhados, bolinhos, risoles, iscas de filé mignon, risotos, frutas e doces.

“MODESTO” – Para coffee breaks o cardápio é um pouco mais modesto, com cafés, leites, chocolate quente, brioches, torradas, pão de queijo, salgados, queijo, salada de frutas entre outros. A empresa vencedora do certame, cuja modalidade é de menor preço, deve também fornecer pessoal e materiais (mesas, toalhas, pratarias, guardanapos, talheres, etc.) “com qualidade compatível com o nível de representatividade deste Tribunal”.

No edital, a Corte justifica que a licitação é para atender eventos institucionais do TST, do Comando de Operações Terrestres (Coter) e da Escola Naval do Rio de Janeiro. Entre as solenidades estão:  a Ordem do Mérito Judiciário Trabalhista, posses de ministros, posses da nova administração do Tribunal, seminários e congressos. Ainda é lembrado que o tribunal não é obrigado a adquirir todos itens e, por isso, se trata de registro de preços, em que o pedido é feito conforme as demandas que surgirem.

Ministério Público e Congresso precisam cumprir o dever de afastar Bolsonaro e salvar o País

Para 35% dos brasileiros, Bolsonaro é responsável pelas mortes do  coronavírus | O Cafezinho

Charge do Pelicano (Arquivo Google)

Miguel Reale Júnior
Estadão

Em que momento a considerável parcela da população que ainda acorre às aglomerações ilícitas provocadas pelo presidente vai se dar conta de estar, em crença fanática, a louvar um perverso para quem o medo da morte por asfixia é “mimimi”? Até quando o Brasil será conduzido pelo quarto cavaleiro do apocalipse?

Bolsonaro não é presidente para administrar o País, mas tão só para se reeleger em 2022, seu único interesse, mesmo que venha a ser apenas presidente do cemitério. Jamais assumiu a liderança do enfrentamento da covid-19, preocupado só em atribuir a crise econômica e a perda de empregos a governadores e prefeitos, para se livrar dessa responsabilidade e angariar votos.

INDIFERENÇA SINISTRA – Bolsonaro, absolutamente indiferente ao crescente número de mortos, muitos sem oxigênio ou nos corredores por falta de leitos em UTIs, passeia pelo País sem máscara, promovendo aglomerações, nunca se compungindo diante da dor ou visitando algum hospital. Somente mandou sequazes invadir hospitais para flagrar ser mentira sua superlotação!

Continuamente conspirou contra a importância da vacina, cuja pressa em obtê-la ridicularizou, proclamando mentirosamente haver efeitos colaterais nocivos, desorientando a população.

Os obstáculos ao combate ao vírus não se limitaram aos maus exemplos. Deixou de adquirir, em julho, vacinas Coronavac e da Pfizer, impôs vetos de verbas e ignorou a cooperação com Estados e municípios na precaução e reação contra a doença, como ressalta estudo realizado pela Universidade de São Paulo, por meio do Centro de Pesquisas e Estudos de Direito Sanitário (Cepedisa) da Faculdade de Saúde Pública, em conjunto com a Conectas Direitos Humanos (Direitos na Pandemia – Mapeamento e Análise das Normas Jurídicas de Resposta à Covid-19 no Brasil). https://www.conectas.org/publicacoes/download/boletim-direitos-na-pandemia-no-3).

IMUNIDADE DO REBANHO – Esse estudo revelou a existência de uma “estratégia institucional de propagação do vírus”, entendendo ser “razoável afirmar que muitas pessoas teriam hoje” a mãe, o pai, irmãos e filhos vivos “caso não houvesse esse projeto institucional”.

Conclui-se, então, não haver tão só incompetência e negligência, mas “empenho em prol da ampla disseminação do vírus no território nacional, declaradamente com o objetivo de retomar a atividade econômica o mais rápido possível e a qualquer custo”.

A comprovar tal conclusão, verifica-se que, de R$ 24 bilhões disponíveis no Orçamento para compra de vacinas, apenas R$ 2 bilhões foram gastos em 2020 (Folha de S.Paulo, 1.º/3, pág. A13). Tão grave quanto isso foi o corte de financiamento de leitos de UTI nos Estados para atendimento a pacientes com covid-19, que o STF acaba de mandar seja realizado (Estado, 1.º/3, A12).

TRAGÉDIA IMPLANTADA – Ao pôr a ambição política acima da proteção da saúde de seu povo, Bolsonaro revela egocentrismo incompatível com a permanência como primeiro mandatário, pois brasileiros foram lançados, por sua insensibilidade, na tragédia que a OMS reconhece estar instalada entre nós.

Quatro ex-ministros da Saúde clamam por um governo de salvação nacional ou pela criação de um gabinete de crise que dirija e coordene o enfrentamento da pandemia, sob o risco de afundarmos definitivamente na desgraça. Como fazer?

Há meio breve, justo e correto, já aventado antes por vários juristas. Ao Ministério Público, que tem por missão a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos direitos sociais, entre eles o da saúde, cumpre promover, em face desses fatos, ação penal por crimes contra a saúde pública e contra a paz pública, o primeiro previsto no artigo 268 do Código Penal: “Infringir determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa”.

INCITAR AO CRIME – Ademais, ao estimular a população a se aglomerar, não usar máscara e não se vacinar, o presidente incita-a a praticar o crime acima mencionado, configurando-se, então, o delito do artigo 286 do Código Penal: “Incitar, publicamente, a prática de crime”. Ou seja, compele a se infringir determinação do poder público destinada a impedir a propagação de doença contagiosa.

Há, evidentemente, dois desafios: 1) fazer o procurador Aras sair de seu imobilismo, sendo essencial a pressão da sociedade e de colegas procuradores; e 2) a Câmara dos Deputados, ciente da gravidade do momento, aceitar a denúncia, afastando o presidente, para o vice, em governo de união nacional, atuar em prol da salvação de nossa gente.

IMPEACHMENT DO MINISTRO  – Outra forma seria a assunção da condução da área da Saúde pelo Congresso Nacional, via CPI ou promovendo o impeachment do ministro (artigo 14 da Lei n.º 1.079/50), cabendo ao novo titular da pasta atuar em conjugação com secretários de Saúde dos Estados.

A sociedade civil organizada, hoje silente, deve se manifestar por via de suas inúmeras entidades, exigindo que Ministério Público (competente, sim, para processar o presidente, como o fez contra Temer), Câmara dos Deputados e Senado cumpram o dever de salvar o País. Mexa-se, Brasil!

“Também acha que errei?”, pergunta Flávio Bolsonaro aos aliados, sobre sua mansão

Charge do Sonego (A Tribuna de Criciúma)

Bela Megale
O Globo

Criticado até mesmo por aliados, após comprar uma mansão de R$ 6 milhões em Brasília, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) passou a fazer uma pergunta quando fala sobre o assunto com interlocutores: “Você também acha que eu errei?”.

O questionamento, por enquanto, é só retórica. O próprio senador costuma emendar na pergunta sua defesa, falando que é perseguido e que a família vinha sofrendo com a “falta de privacidade” por causa do escândalo das rachadinhas.

O filho 01 de Bolsonaro, no entanto, não entra no mérito de como pagará as parcelas, que chegam quase ao valor total de seu salário líquido de R$ 23,9 mil como senador.

PREJUÍZOS A BOLSONARO – Como a coluna informou, no Palácio do Planalto a avaliação da compra da mansão por Flávio é a pior possível. Para auxiliares do presidente, a mansão mina o discurso de austeridade de Bolsonaro e tem maior potencial de estrago que o caso Queiroz.

Um dos pilares da eleição de Jair Bolsonaro foi o enriquecimento dos filhos do ex-presidente Lula. Hoje, a mesma fatura chega para o presidente.

RECURSO NO STJ – A defesa de Flávio Bolsonaro protocolou nesta sexta-feira (5) um agravo regimental junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) em que questiona a paralisação do julgamento de recursos apresentados pelo senador no caso Queiroz.

Na peça, os advogados Rodrigo Roca e Luciana Pires argumentam que não existe previsão legal no regimento interno da corte para que o relator do caso, Felix Fischer, determine novas diligências após a análise dos recursos já ter sido iniciada pela Quinta Turma. Eles ainda destacam que outros julgamentos, inclusive no Supremo Tribunal Federal (STF), estão atrasados por causa da medida.

“Isso implica em dizer que provocar-se mais atraso na conclusão do julgamento em questão – qualquer que seja o seu resultado – também significa emperrar-se outras duas instâncias – sendo uma delas o STF – que aguardam, como todo o país, a decisão do STJ para poderem seguir com os seus respectivos expedientes e até outros que guardam relação com o tema deste recurso”, escreveram os advogados.

CASO QUEIROZ – Fischer paralisou o julgamento de dois recursos de Flávio Bolsonaro no início da semana passada ao solicitar informações sobre o andamento do caso Queiroz na justiça do Rio. A defesa de Flávio questiona a medida na tentativa de retomar o julgamento que estava previsto para terça-feira passada.

Um dos recursos retirados da pauta questiona a inclusão no processo da rachadinha do relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que mostrou movimentações atípicas de Fabrício Queiroz. O documento trouxe o senador para o centro das investigações.

O outro recurso pede a anulação de todas as decisões de Flávio Itabaiana, juiz da 27ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio que conduziu o caso Queiroz. Se fossem julgados procedentes, os recursos anulariam toda a investigação contra o senador.

Crise faz saques superaram os depósitos da poupança em R$ 5,8 bilhões em fevereiro

Charge do Sinovaldo (sinovaldo.com.br)

Alexandro Martello
G1

Os saques das cadernetas de poupança superaram os depósitos em R$ 5,832 bilhões em fevereiro deste ano, informou nesta quinta-feira, dia 4, o Banco Central. De acordo com a instituição, os saques da poupança somaram R$ 245,656 bilhões no mês passado, enquanto os depósitos totalizaram R$ 239,824 bilhões.

A retirada de recursos da poupança aconteceu pelo segundo mês seguido, algo comum no começo de cada ano. O volume foi menor que o de janeiro, quando R$ 18 bilhões deixaram a modalidade de investimentos – a maior retirada da história.

MAIR SAÍDA LÍQUIDA – Considerando a série histórica dos meses de fevereiro, o Banco Central registrou a maior saída líquida de valores da caderneta de poupança em cinco anos. Em 2016, o saldo de resgate foi maior, de R$ 6,638 bilhões.A retirada de recursos da poupança coincide com os maiores gastos no início de cada ano, como material escolar. Há ainda o pagamento de impostos como o IPVA e o IPTU, em alguns municípios, e parcelas remanescentes das compras de Natal.

Além disso, o auxílio emergencial do novo coronavírus deixou de ser pago em dezembro do ano passado. A interrupção do programa cessou o fluxo de recursos que vinha abastecendo a caderneta de poupança nos meses anteriores.

Nesta quinta, o Senado Federal aprovou em segundo turno a PEC Emergencial, que viabiliza a retomada do auxílio emergencial com controle de outros gastos. O texto ainda precisa passar pela Câmara dos Deputados para entrar em vigor.

RETOMADA DO AUXÍLIO – Em uma transmissão pela internet na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro disse que o auxílio emergencial deverá ser retomado ainda no mês de março, com duração de quatro meses.

Números oficiais mostram que a poupança atraiu um volume recorde de recursos em 2020, quando o auxílio emergencial foi pago em nove parcelas, entre abril e dezembro de 2020. As cinco primeiras parcelas foram de R$ 600, entre abril e agosto de 2020, e as quatro últimas de R$ 300.

Com a saída de recursos da poupança no mês passado, o estoque dos valores depositados – ou seja, o volume total aplicado nessa modalidade – registrou queda. Em dezembro do ano passado, o saldo da poupança estava em R$ 1,035 trilhão, passando para R$ 1,019 trilhão em janeiro deste ano e para R$ 1,014 trilhão em fevereiro. Além dos depósitos e dos saques, os rendimentos creditados nas contas dos poupadores também são contabilizados no estoque da poupança. Em fevereiro deste ano, os rendimentos somaram R$ 1,540 bilhão.

RENDIMENTO –  Com o juro básico da economia na mínima histórica de 2% ao ano, a caderneta de poupança continua rendendo pouco, assim como outros investimentos em renda fixa – fundos de investimentos e CDB’s, por exemplo. Pela norma em vigor, há corte no rendimento da poupança sempre que a taxa Selic estiver abaixo de 8,5% ao ano. Nessa situação, a correção anual das cadernetas fica limitada a 70% da Selic + Taxa Referencial, calculada pelo BC.

Com a taxa Selic nos 2% anuais, a remuneração da poupança está hoje em 1,4% ao ano, mais Taxa Referencial. Em 2020, a poupança perdeu para a inflação e registrou a pior rentabilidade em 18 anos. Entre as opções para os investidores, está o Tesouro Direto, programa que permite a pessoas físicas comprar títulos públicos pela internet, via banco ou corretora, sem necessidade de aplicar em um fundo de investimentos.

Uma alternativa para os investidores conseguirem uma remuneração mais alta é a renda variável, ou seja, a bolsa de valores. Nesse caso, porém, o risco assumido é maior, pois pode haver perda de recursos. Ouro, prata e outras moedas também têm atraído a atenção de investidores.

Nelson Sargento: “Morro, o teu samba foi minado, ficou tão sofisticado, já não é tradicional”

 que lhe rendeu  apelido - Música - Extra Online

Nelson Sargento vestiu a farda, ao completar 90 anos

Paulo Peres
Poemas & Canções

O artista plástico, escritor, cantor e compositor carioca Nelson Mattos foi sargento do Exército, daí o apelido que virou nome artístico. Na letra de “Encanto da Paisagem”, ele mostra  sua visão poética e social sobre a realidade existente nos morros. Este samba intitula o LP “Encanto da Paisagem” gravado pelo próprio Nelson Sargento, em 1986,  pela Kuarup.

ENCANTO DA PAISAGEM
Nelson Sargento

Morro, és o encanto da paisagem
Suntuoso personagem de rudimentar beleza
Morro, progresso lento e primário
És imponente no cenário
Inspiração da natureza
Na topografia da cidade

Com toda simplicidade,
És chamado de elevação
Vielas, becos e buracos
Choupanas, tendinhas, barracos
Sem discriminação

Morro, pés descalços na ladeira
Lata d´água na cabeça
Vida rude alvissareira
Crianças sem futuro e sem escola
Se não der sorte na bola
Vai sofrer a vida inteira

Morro, o teu samba foi minado
Ficou tão sofisticado, já não é tradicional
Morro, és lindo quando o sol desponta
E as mazelas vão por conta do desajuste social 

Nova política diplomática e ambiental dos EUA deixa o Brasil ainda mais isolado

Resultado de imagem para ernesto araujo charges

Charge do Zé Dassilva (Diário Catarinense)

Deu em O Globo

O presidente americano, Joe Biden, superou a expectativa criada em torno de sua política ambiental. Não apenas pôs os Estados Unidos de volta no Acordo de Paris, mas baixou na semana passada uma série de decretos que mudarão drasticamente a atitude americana diante das mudanças climáticas e obrigarão os demais países — inclusive o Brasil — a também rever o próprio papel.

O governo americano investirá numa frota de veículos elétricos e criará uma rede de postos de eletricidade espalhada pelo país. Das terras, lagos e rios de propriedade federal, 30% serão reservados a preservação.

CANCELAMENTOS – Foram suspensas novas concessões para exploração de petróleo e foi cancelada a construção do controverso oleoduto ligando o Canadá ao Texas. Espera-se que amplie o compromisso de emissão de gases de efeito estufa firmado em Paris, de 28% para 40% ou 50% até 2030.

Não tardou a haver reação da oposição republicana e dos estados cuja economia depende da extração de carvão e petróleo. Biden tenta compensar o impacto negativo apostando nos negócios baseados em energia limpa. Em seu decreto, repete a palavra “empregos” 15 vezes. Só na indústria automotiva, quer criar um milhão de novos postos de trabalho (meta considerada exagerada por quem acompanha o setor).

Para os ambientalistas, Biden transmite um sinal cristalino de que suas vozes serão doravante levadas a sério. Sobretudo porque, mais surpreendente do que a aposta econômica, foi a mudança de status político que deu à questão climática, tornada prioridade tanto para a segurança nacional quanto para a política externa.

E O ORIENTE MÉDIO? – A principal dúvida despertada entre os analistas internacionais é o impacto da nova política ambiental na relação dos Estados Unidos com os centros produtores de petróleo no Oriente Médio, em especial com a Arábia Saudita, país com que Donald Trump fez questão de desenvolver um relacionamento estreito. Para o Brasil, a nova política ambiental dos EUA expôs ainda mais os erros cometidos pelo governo Bolsonaro.

O incentivo do ministro Ricardo Salles às queimadas e à devastação da Amazônia sempre foi nocivo ao meio ambiente, contribuindo para agravar o aquecimento global. Também dificulta as exportações de produtos agrícolas. Agora, põe o Brasil em confronto aberto com o país mais poderoso do planeta e nosso segundo maior parceiro comercial.

UM MÁ NOTÍCIA – Certamente a política ambiental de Biden não é bom augúrio para Bolsonaro, Salles e companhia. Além do enfrentamento recorrente com a União Europeia, o Brasil fica ainda mais isolado na cena internacional.

Ao mesmo tempo, se os americanos souberem exercer pressão diplomática de modo construtivo — como Biden sugeriu num debate ainda na campanha, quando falou na criação de um fundo para financiar a preservação da Amazônia —, poderá ser uma oportunidade para deter a devastação dos biomas brasileiros, fortalecer a economia baseada em energias renováveis, contribuir para conservar o clima da Terra e salvar o planeta da catástrofe ambiental.

Perdidos no passado, os governos brasileiros não buscam a saída através do desenvolvimento

Invasão do Brasil por uma potência estrangeira teria impacto igual ao do programa de Paulo Guedes – blog da kikacastro

Charge do Duke (O Tempo)

Antonio Machado
Correio Braziliense

O horizonte que se avista para o país não é promissor e isso nada tem a ver com as crises fabricadas pelo bolsonarismo, como a que envolve um deputado inexpressivo do Rio, o tal Daniel Silveira, ex-PM indisciplinado, conhecido pelo despreparo e estilo miliciano.

O que for implantado nos Estados Unidos, como o pacote de gastos fiscais de US$ 1,9 trilhão já tramitando no Congresso, e outro talvez com o mesmo tamanho para reformar a infraestrutura do país, acelerar as pesquisas tecnológicas em disputa com a China e iniciar a mudança para a chamada “economia verde”, terá ampla repercussão global.

DECADÊNCIA – No Brasil, onde a indústria vem num processo de decadência desde os anos 1980 e a economia não por acaso cresce em média abaixo do PIB mundial nestes 40 anos, tais transformações, se não viermos a acompanhá-las, nos condenam a um subdesenvolvimento sinistro.

O pano de fundo das transformações lideradas por Biden nos EUA, que já são reais nos setores empresariais mais dinâmicos tanto lá quanto na China e na Europa, é a releitura da macroeconomia. Nela, o Estado não é problema, como diziam os ícones do neoliberalismo Ronald Reagan e Margareth Thatcher. O Estado é parte da solução.

NOVOS CONSERVADORES – Um dos debates mais acalorados nos EUA, com apoio do grupo que se chama de “novo conservadorismo” — facção do Partido Republicano que se opõe a Trump e à ortodoxia do livre mercado —, trata da volta da “política industrial” ao coração da estratégia de desenvolvimento. O termo é maldito para os liberais do mercado, sobretudo no Brasil, devido às distorções e aos escândalos do crédito subsidiado e dos investimentos estatais, mas começa a ser reconhecido em artigos de expoentes de Wall Street.

Afora estudos isolados, como os do economista André Lara Resende, os cânones da macroeconomia brasileira tratam de um tempo em que as emissões do Banco Central pagavam gasto corrente, inflação era mal endêmico e a crônica escassez de dólares provocava duas a três moratórias externas a cada geração. Livramo-nos destes males. Mas desaprendemos como se faz crescimento e poucos empresários, receosos das políticas públicas, aceitam correr riscos.

INDÚSTRIA VOLTA AO FOCO – Nestes 40 anos de crescimento estagnado, levando-nos a rifar o que só países ricos possuíam, uma manufatura sofisticada, inclusive com centros de pesquisa e desenvolvimento, regredimos à dependência dos setores extrativistas (agro e mineração). A indústria se tornou só montadoras, estágio inferior ao das maquiladoras do México, já que incapazes por si e pelos custos locais a sequer conseguir exportar.

Trata-se de um vício imposto pelo jugo dominante da estabilidade macroeconômica, associado a programas de ajuste fiscal, ao fim do qual crescimento e empregos voltariam. O crescimento se torna uma consequência e não parte dos programas de ajuste do setor público. Que, focados em gasto, perpetuam uma governança disfuncional e sem futuro, pois analógica num mundo digital, além de sem propósito.

É isso o que o modelo asiático de crescimento sempre evitou, dando missão às burocracias e priorizando políticas do estilo New Deal do pós-guerra, do qual Biden é entusiasta. Levou para o Salão Oval, na Casa Branca, uma foto do presidente Franklin Roosevelt, patrono das estratégias de parcerias público privadas e de bem-estar social.

RUMO PARA A POLÍTICA – Agora, pare e reflita: o que você vê e escuta vindo de Brasília e mesmo dos governos locais que tenham o progresso material e social como foco? Políticas como do Bolsa Família e do auxílio emergencial são remendos para tentar amenizar uma explosão social pela falta de empregos e de educação habilitante para a empregabilidade em massa.

Na verdade, não fosse a classificação de prestador de serviço tipo motorista de Uber e encanador como microempresário individual e os autônomos, públicos que foram alvo do auxílio emergencial pensado para os trabalhadores informais, e a taxa de desemprego, em vez de 14% da população na força de trabalho, seria da ordem de 25%.

Essa é a realidade que deve nos incomodar, fazendo o crescimento parte decisiva das estratégias fiscais, por sua vez mais voltadas para a reforma do Estado e sua gestão que para cortar e implodir. Temas assim deveriam mobilizar os parlamentares mais que a agenda sem futuro das PECs emergenciais e a retórica abjeta dos radicais.

Piada do Ano ! Bolsonaro usou imagem de histórias em quadrinhos para divulgar lançamento de satélite

Fãs dos quadrinhos notaram a semelhança e denunciaram o caso

Deu na Folha

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) usou uma imagem das histórias em quadrinhos (HQ) da Liga Justiça, da editora americana DC Comics, para divulgar o lançamento do Amazônia-1, primeiro satélite brasileiro de observação da Terra.

Em uma publicação de rede social feita no dia 27 de fevereiro, Bolsonaro divulgou uma imagem com uma montagem que traz sua foto, a do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações Marcos Pontes e do satélite que originalmente aparece nos quadrinhos da DC (canto superior direito).

FOTOMONTAGEM – Na montagem de Bolsonaro, o satélite ganhou as cores verde e amarelo no lugar das cores originais (roxo e azul). A imagem original do satélite pode ser encontrada no livro “Justice League – The Ultimate Guide” (Liga da Justiça – o guia definitivo), que fala sobre as histórias do grupo de super-heróis. Personagens como Batman, Super-Homem e Mulher Maravilha fazem parte da liga.

Imagem do livro ‘Justice League – The Ultimate Guide’, da DC Comics – Reprodução/DC Comics

 

Fãs dos quadrinhos notaram a semelhança e denunciaram o caso nas redes sociais. Até o momento, a DC Comics não se manifestou sobre o caso. Não é prática da editora liberar uso de suas obras por personalidades políticas. A imagem do satélite dos quadrinhos, porém, não guarda semelhanças com o Amazônia-1.

O Amazônia-1 foi lançado na madrugada do dia 28 de fevereiro a partir do Centro Espacial Satish Dhawan, no sul da Índia. Na terça-feira (2) rastreadores de satélite detectaram atividade do Amazônia-1 que indicava que o equipamento estaria girando fora de controle. Na quarta (3) o Inpe (Instituto Pesquisas Espaciais) afirmou que o satélite está funcionando normalmente.