Ciro, candidato a vice de Dilma?

Carlos Chagas

Desde segunda-feira que se sucedem jantares de indignação na residência oficial do presidente da Câmara dos Deputados, reunindo o próprio, Michel Temer, mais Eliseu Padilha, Henrique Eduardo Alves, Geddel Vieira Lima e outros caciques do PMDB. Numa dessas noites não faltou sequer o  rebelde Jarbas Vasconcelos.

A indignação tem dado lugar a planos de represália, porque o PMDB chegou à conclusão de ser definitivo o veto do presidente Lula à candidatura de Michel Temer a  vice-presidente  na chapa de Dilma Rousseff. As preferências do primeiro-companheiro vão para o deputado Ciro Gomes e devem-se ao crescimento de Dilma nas pesquisas eleitorais. O Palácio do  Planalto acredita que não precisará mais amparar-se na bengala do PMDB,  tamanha a euforia diante da evidência  de que a  popularidade e os  votos do Lula começam a transferir-se para a candidata.

Henrique Meirelles deixou de ser uma alternativa, concluindo o comando da campanha da ministra que o presidente do Banco Central seria um peso morto, apesar de dar tranqüilidade às forças econômicas dispostas em torno do governo. Não traria um voto a mais, precisamente o contrário de Ciro Gomes, com vôo próprio, liderança e percentuais ainda razoáveis nas tomadas de opinião.

Por hora,  Ciro é pré-candidato à presidência da República, mas deve ser registrada a forma  como elogia Dilma Rousseff e o modo como reconhece a liderança do Lula, na aliança integrada pelo  Partido Socialista. O ex-ministro e ex-governador do Ceará já teria sido informado e sensibilizado pela hipótese, ainda que muitas conversas  devam preceder sua decisão final.

Enquanto isso, o PMDB amarga a rejeição e prepara a reação. Apenas a união do partido em torno da candidatura própria poderia assustar o presidente Lula, mas o candidato óbvio,  Roberto Requião, tem pavio curto. Até agora foi desconsiderado pelo alto comando do partido, além de boicotado pela mídia. Se os dirigentes peemedebistas acertarem nos próximos dias  comícios e viagens pelo país, fechados  em torno do governador do Paraná, com Michel Temer à frente, é possível que a candidatura prospere e que aconteça surpreendente virada no quadro sucessório. Porque as bases do partido são favoráveis à indicação de um candidato saído de seus quadros, como maior partido nacional. Caso contrário, Requião concorrerá ao Senado.

Reformulações

Viabilizando-se a chapa Dilma-Ciro, muita coisa mudará na sucessão. A primeira, de que o PMDB tornará mais difíceis suas relações com o governo,  no Congresso,   mesmo sem abandonar a aliança governista e os cargos que ocupa na administração federal. Outra conseqüência parece  levar os tucanos a decolar com  mais empenho e rapidez, não apenas agilizando o lançamento de José Serra como fechando o cerco em torno do governador Aécio Neves, para que aceite ser candidato a vice-presidente  do colega paulista.

Dúvidas inexistem, serão duas chapas de peso considerável emergindo da pasmaceira que vinha caracterizando a corrida sucessória, e com uma peculiaridade: em outubro  não mais  aconteceria um plebiscito entre os governos de Fernando Henrique e do Lula, mas um promissor debate a respeito do futuro.

Antiministro do Planejamento

Um dia depois de reiniciadas as aulas na Universidade de Brasília, entram em greve professores e funcionários, com o apoio dos alunos e do próprio reitor do estabelecimento. A causa não poderia ser mais justa: o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, mandou cortar 26% nas folhas de  pagamento de todos, até dos aposentados, sob o pretexto de que se tratava de auxílio emergencial, concedido anos atrás. A questão está para ser julgada no Supremo Tribunal Federal, mas o ministro negou-se a esperar a sentença final. Dizem que o presidente Lula não gostou, até que não sabia, mas uma redução dessas numa categoria já maltratada como a dos professores será capaz de tirar alguns votos de Dilma Rousseff…

Apoio quase geral

A decisão do governo de aumentar as alíquotas de importação para produtos americanos parece contar com o apoio da população, exceto de certas elites que, menos por prejuízos financeiros, mais por submissão a tudo o que vem lá de cima, imaginam vivermos ainda nos tempos do alinhamento automático. Aguarda-se a tréplica dos Estados Unidos,  ironicamente disposta  em duas vias: uma sustentando sobre-taxas ainda maiores sobre os produtos brasileiros de exportação.  Outra no sentido contrário, da compensação.  Seriam aliviadas barreiras erigidas contra uma série de nossos produtos, em condições de contrabalançar os subsídios que eles concedem aos seus plantadores de algodão, impostos pelo Congresso, mais do que pela Casa Branca. Vale aguardar.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *