Com Aécio, Itamar retorna em Minas

Pedro do Coutto

Durante a homenagem prestada pela ABL a Tancredo Neves pela passagem de seu centenário de nascimento, o governador Aécio Neves, neto do homenageado, segundo reportagem publicada dia 23 pela Folha de São Paulo, admitiu o retorno de Itamar Franco como seu companheiro de chapa ao Senado por Minas.

Uma chapa forte, sem dúvida alguma, unindo o verdadeiro autor do Plano Real, à nova geração de políticos que ingressou no presente, através de duas vitórias espetaculares para o governo do Estado, o futuro que, como se diz habitualmente a Deus pertence.

Mas em termos atuais a chapa Aécio-Itamar acrescenta também a José Serra como candidato a presidente da República, pois MG é o segundo colégio eleitoral do país. Aécio e Itamar, sem dúvida, compõem uma unidade entre o PSDB e o PPS com reflexo na sucessão presidencial. Não creio que a ponto de derrubar Dilma Roussef fortalecida pelo rolo compressor do governo Lula. Mas capaz de reduzir substancialmente uma diferença de votos que seria grande demais.

Não acredito que a candidatura José Alencar acrescente a Dilma mais votos do que Itamar a Serra. Além disso, Itamar reduz bastante a influência de Ciro Gomes, que foi seu ministro da Fazenda e já o elogiou publicamente por várias vezes. Mas deixou de trabalhar em silencio e decidiu assumir uma ofensiva que estava faltando a José Serra. Estava faltando, não. Está faltando. Pode ser que agora, contudo, com Itamar, adquira maior autoconfiança e parta para uma luta que, se não foi envolvida pelo calor do embate político, perde seu apelo e grande parte de seu charme natural. Política é emoção, já tenho dito.

Hoje, lembro a frase de um discurso do senador Otávio Mangabeira, em 57, quando faleceu o ex-presidente Bernardes, seu adversário político: ele tombou de pé, senhor presidente, ainda sentindo o cheiro da pólvora dos combates políticos. Esta pólvora falta a Serra, mas não a Itamar que, se companheiro de chapa de Aécio, em Minas, pode terminar candidato a vice na chapa do próprio Serra. A oposição não tem homem melhor e mais afirmativo. Afinal um presidente que deixou o Planalto consagrado pela opinião pública. Autor do Plano Real e –parece incrível- do último aumento geral de salários no país: 27% para todos, incluindo os servidores públicos, a partir de dezembro de 94.

Foi sucedido infelizmente por Fernando Henrique, responsável pela pior política trabalhista que o país já teve. Não ficou sozinho nesta posição. Foi acompanhado por Garotinho que agora novamente tenta o Palácio Guanabara. Ambos foram um verdadeiro desastre para os assalariados e ótimos para os banqueiros. Negócios em cima de negócios, doações em cima de doações, procedências estranhas para financiamento de campanhas eleitorais. Mas isso pertence ao passado. Agora só o presente e o futuro.

Itamar fortalece bastante a oposição. Não somente para o Senado mas como candidato a vice presidente. Transfere a Serra uma combatividade que Serra não parece ter. Além disso, retira de Serra a crise de temor que o está visivelmente envolvendo e mostra que em matéria de urna não há ninguém invencível. Com Itamar torna-se possível. Não provável, mas possível. Com Serra sozinho, é impossível.

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