De dentro da TV Globo, seu editor de Economia desmonta a poderosa rede. Conta tudo o que aconteceu em 1982 e 1989, não esquece ou esconde um detalhe, explica simplesmente “É O QUE VI E OUVI”

Foi muito. E foi quase tudo. E Paulo Henrique Amorim não precisou se movimentar apressadamente, como ele mesmo afirmou, VIA E OUVIA. Naquele tempo, os espaços da TV Globo não eram tão grandes assim. Portanto, chegando simplesmente para trabalhar, já estava no meio da fogueira que os insensatos acendiam e não conseguiam apagar.

Sempre lutei (ou tentei) ser bem informado, em todos os setores ou lugares. Mas a narrativa feita por Paulo Henrique Amorim, que nos foi enviada por Marcos Vinicius, tem a vantagem de quem VÊ E OUVE de dentro da própria fortaleza, e tem a qualidade e a independência de mostrar como tudo se passou.

Mas ele não se preocupa apenas em descer Armando Nogueira do altar em que tentaram colocá-lo (leia-se; “endeusá-lo e canonizá-lo”), mas contesta a própria TV Globo, que permitiu e “construiu” todo o clima das duas datas.

A TV Globo surgiu de uma aliança ILEGÍTIMA com a Time-Life, cresceu com a “compra” da TV Paulista de quem nunca foi dono de nada, e até hoje os verdadeiros proprietários lutam da Justiça tentando reaver seus direitos sobre a emissora. A TV Globo era tão aproveitadora que lançou o Jornal Nacional nunca época que nem tinha rede, o nome surgiu por causa do Banco Nacional.

Dentro e fora da Globo o fato era ridicularizado, até hoje a organização deve royalties à família do dono do Nacional, depois governador, ministro e candidato a presidente.

Desculpem, não vou repetir o que Paulo Henrique Amorim conta com impressionantes minúcias, detalhes e conhecimento. Peço apenas que leiam, releiam e comentem o que ele revelou, denunciou, mostrou de forma irrespondível.

Se puderem, não deixem de ler o blog (ou site) do Eliakim Araújo, que trabalhou na Globo nos tempos em que estes fatos aconteceram. (Agora, ele e a mulher, há muitos anos nos EUA, fazem programa de grande sucesso). Não deixou de entrar no assunto, afinal foi personagem de muita coisa, conheceu muito bem a TV Globo e Armando Nogueira, sabe a parte que cabe a cada um nesse latifúndio.

1 – “Armando Nogueira não foi demitido em 1982, foi diminuído”.

2 – “Apesar de todas as virtudes do Armando CANTADAS AGORA EM PROSA E VERSO, não dá para esquecer que ele esteve à frente do jornalismo mais comprometido do Brasil durante os anos da ditadura militar”.

3 – “O Jornal Nacional era considerado o “PORTA-VOZ DO REGIME”. As ordens militares eram obedecidas sem questionamento. Não vi em nenhuma oportunidade, alguma tentativa de desobedecer ou driblar a censura”.

4 – “Entrei na Globo num momento em que o seu jornalismo passava por grave crise de credibilidade, carros eram ameaçados nas ruas pela própria população”.

5 – “A TV Globo não se livrava da acusação de tentar fraudar a eleição de Brizola para dar a vitória a Moreira Franco”.

6 – “Em 1984, no episódio das DIRETAS, JÁ, onde atuei como off no comício da Candelária, a TV Globo ignorava completamente os movimentos populares que cresciam em todo o país”.

7 – “Mas para a direção da TV Globo, não bastava ignorar o movimento popular, era PROIBIDO usar as DIRETAS mesmo como notícia”.

8 – “Em 1989, segundo e último debate entre Collor-Lula, eu estava representando a Manchete. Havia deixado a Globo. Era visível que Lula estava abatido, cansado”.

9 – Armando Nogueira esteve à frente do jornalismo da Globo, em todos os episódios nebulosos que contei com absoluta fidelidade”.

Era lógico, claro e mais do que evidente, que Roberto Marinho humilhava Armando Nogueira, mas este se deixava gostosamente humilhar e manipular, para gozar seus 15 minutos de fama. Infelizmente, esses 15 minutos chegaram tarde, muito tarde, e rigorosamente mentirosos, a bravura do elogio fácil e enganador.

***

PS – De 1982 a 1989, Armando Nogueira ficou na Globo, HUMILHADO E OFENDIDO, embora não soubesse quem era Dostoievski.

PS2 – Sete anos de pastor, Jacob serviu Labão, pai de Rachel, serena e bela. Mas não servia ao pai, servia a ela. (No texto bíblico, se trocarem os nomes e introduzirem Armando Nogueira e Roberto Marinho, nenhuma violência ou reticência).

PS3 – Como não há nada pessoal, Armando Nogueira não conseguiu ser CANONIZADO, mas mandou para o inferno o “jornalismo” da TV Globo. Nem o título era original, pertencia a um banco.

PS4 – A TV Globo botava banca, subserviente a um banco. Isso ficará (e é mesmo) para sempre inesquecível.

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