Desembargadora que atacou Marielle vai integrar órgão que julgará denúncia contra Flávio por ‘rachadinhas’

Processo administrativo não interferiu na eleição da desembargadora

Paulo Roberto Netto
Estadão

A desembargadora Marília de Castro Neves foi eleita para compor o Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio, responsável por analisar a denúncia do Ministério Público contra o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), acusado de peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro no caso das ‘rachadinhas’.

A magistrada ficou conhecida por acusar falsamente a ex-vereadora Marielle Franco (PSOL) de ter vínculos com facções criminosas. Na terça-feira, dia 24, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) instaurou processo disciplinar contra Marília por causa desta e outras publicações feitas nas redes sociais, incluindo uma em que defendeu a criação de um ‘paredão profilático’ contra o ex-deputado Jean Wyllys (PSOL).

ÚNICA CANDIDATA – O processo administrativo, porém, não interferiu na eleição da desembargadora, que se lançou pelo quinto constitucional que garante vagas ao Ministério Público. Ela foi a única candidata. Marília já manifestou apoio ao presidente Jair Bolsonaro durante as eleições de 2018.

Em agosto daquele ano, após o então candidato participar do programa ‘Roda Viva’, da TV Cultura, a magistrada escreveu: “Go Bolsonaro Go!!! Let’s make Brazil great again!!! [Vai, Bolsonaro, vai! Vamos fazer o Brasil grande de novo]“, escreveu, parafraseando o slogan de campanha do presidente americano Donaldo Trump.

RACHADINHAS – Composto por 25 desembargadores, o Órgão Especial do TJRJ é o responsável por julgar a denúncia do Ministério Público contra Flávio Bolsonaro no esquema das rachadinhas. O filho do presidente foi acusado de integrar organização que desviou R$ 6 milhões dos cofres da Assembleia Legislativa do Rio.

A Promotoria fluminense afirma que Flávio constituiu e liderou uma organização criminosa que tinha como objetivo desviar recursos mediante nomeações e manutenção de ‘fantasmas’ em cargos comissionados. Os servidores devolviam parte de seus salários ao operador financeiro, Fabrício Queiroz, que então usava o dinheiro para quitar despesas do filho do presidente.

AFASTAMENTO – Apesar de determinar a abertura de um processo administrativo disciplinar contra a desembargadora Marília de Castro Neves, o Conselho Nacional de Justiça negou afastá-la do cargo. Na sessão da última terça-feira, a ministra Maria Thereza de Assis, relatora do caso, declarou que como as publicações feitas pela magistrada eram antigas, não havia necessidade de retirá-la das funções.

“Tendo em vista que os fatos não são recentes, eu não vislumbro a necessidade de afastamento das funções durante o processo”, afirmou Maria Thereza. A ministra frisou que Marília, porém, infringiu diversas previsões da Lei Orgânica da Magistratura, incluindo declaração de apoio político-partidário e comportamento que pode refletir preconceito.

GRAVIDADE – Agora eleita para o órgão que julgará Flávio, o cargo de Marília no Tribunal de Justiça do Rio havia sido discutido durante a sessão do CNJ. A ministra Maria Thereza ressaltou que os ataques da desembargadora contra Marielle são ainda mais graves porque haveria a possibilidade eventual da magistrada atuar no mesmo tribunal responsável pelo julgamento do crime.

“A vítima do crime de homicídio, aqui se tratando de Marielle Franco, é avaliada a partir de suas posições na arena política. O compromisso da Justiça com a apuração e resposta imparcial e proporcional ao fato criminoso parece colocado em segundo plano”, afirmou Maria Thereza.

Além das acusações falsas contra Marielle e a defesa de um ‘paredão’ contra Jean Wyllys, Marília também fez comentários ofensivos contra uma professora que tem síndrome de Down. Em um grupo fechado no Facebook, ela questionou ‘o que essa professora ensina a quem?’ e completou: “Esperem um momento que eu fui ali me matar e já volto, tá?”

4 thoughts on “Desembargadora que atacou Marielle vai integrar órgão que julgará denúncia contra Flávio por ‘rachadinhas’

  1. A imposição da canonização de Santa Marielle Francisco gerou a recente canonização de São João Alberto. Que Pelé viva por mais uns 30 anos para eu não observar coisa semelhante !

  2. O SANGUE DE MARIELLE

    a parte que sou, sou.
    a parte que és, és.
    distintas e interdependentes
    as batidas do coração d’uma
    – na outra ressoa.

    por isso
    minha alegria
    jamais será completa
    enquanto uma injustiça
    contra minha irmã ou irmão
    não for reparada.

    o sangue de Marielle clama por Justiça.

    assim como o sangue de todas as pessoas – assassinadas pelos comparsas desses boçais, ora encastelados nos poderes constituídos desse pobre-rico país -, estuprado e prostituído por pessoas das classes dominantes, com o respaldo de grandes parcelas da população.

    assim como eu, milhares, milhões de pessoas continuaremos a clamar até que a Verdade resplandeça e a Justiça seja feita.

    que esse criminoso perverso, ora na presidência da república, juntamente com sua familícia, pague por seus crimes contra nossa gente e contra a humanidade.

    que as pessoas que neles votaram, conscientes de seus crimes – cúmplices e não meros eleitor@s -, tenham as consciências despertas e igualmente paguem por suas iniquidades.

    batista filho

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