Dia de bom futebol

Tostão (O Tempo)

Quando um time, nitidamente superior, com melhores jogadores, com mais força coletiva e com um futebol mais moderno, perde um jogo decisivo, temos de relativizar o resultado, já que existe um grande número de fatores surpreendentes e ocasionais envolvidos no placar, em vez de mudar os conceitos e diminuir as virtudes da equipe favorita.

Se Espanha e Brasil fizessem hoje a final da Copa, e a seleção brasileira vencesse, o futebol coletivo e o estilo de jogar dos espanhóis, com muita troca de passes, continuaria com a mesma qualidade e eficiência. Analisar o jogo a partir somente de um resultado é uma visão estreita e medíocre, diante da complexidade de uma partida.

Hoje, pela Libertadores, o jogo mais esperado é entre Atlético e São Paulo. Deveria ser no Mineirão. Apesar das palavras do presidente Alexandre Kalil, suspeito que a principal razão de o Galo preferir o Independência é técnica, e não comercial. Os jogadores, Cuca e o presidente sabem que, no Independência, são maiores as chances de o Atlético vencer.

No Brasileirão, o Atlético sufocava os adversários, pela pressão da torcida e pela maneira de jogar, marcando mais à frente. A bola estava sempre próxima do gol. As principais jogadas do Galo eram aéreas, com os cruzamentos de Ronaldinho para os grandalhões Jô, Leonardo Silva e Réver, ou os chutões e os passes longos para o pivô Jô ajeitar para o companheiro. Deu certo. No Mineirão, a postura teria de ser diferente.

Outro grande jogo hoje é entre Real Madrid e Manchester United, pela Liga dos Campeões. Por jogar em casa e ter maior número de craques, o Real tem mais chances de vencer. Não dou tanta importância aos tantos problemas de relacionamento noticiados entre Mourinho e os jogadores. Quando o time estava no auge, acontecia o mesmo.

O Manchester United tem uma grande qualidade, cada dia mais rara, que é possuir uma dupla de ótimos atacantes, formada por Rooney e Van Persie. Não há um centroavante fixo. Os dois dão passes e fazem gols. Em vez de ter uma linha de três meias e um centroavante, o time inglês joga com um meia de cada lado e dois atacantes. A armação das jogadas pelo centro é feita por um dos atacantes, que recua para receber a bola, ou por um volante que avança.

Foi o que fez o Corinthians contra o Chelsea, quando Tite tirou o meia Douglas e colocou Emerson mais à frente, formando dupla com Guerrero. O técnico repete essa formação, com Pato e Guerrero. No Brasileirão, o Fluminense cresceu quando Wellington Nem passou a atuar mais próximo de Fred.

Nada mais ultrapassado do que jogar todo compartimentado, com volantes para marcar, com um meia de ligação para dar passes decisivos, com um centroavante para fazer o gol e com um meia de cada lado, que vai e volta.

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