Discurso do senador Alvaro Dias sobre Evaristo da Veiga, Cypriano Barata, Libero Badaró e este repórter. Jantar de pernambucanos, ex-governador e governador, reconciliados. Aventureiro Eike Batista quer comprar o mais notável Museu Aberto do mundo, em Minas.

Eike Batista charge

Helio Fernandes

Ricardo Sales, incrível tua percepção, intuição e convicção, publicando este discurso do senador Alvaro Dias. Não tinha o menor conhecimento dele. Pelo aparte do senador Mão Santa (desconhecimento do eleitor, foi excelente governador e senador) deve ter sido em 2010 ou antes, não foi reeleito, quem ficou desfalcado na representatividade foi o Piauí.

Evaristo da Veiga, grande combatente, notável jornalista, foi o primeiro ministro da Justiça. Mas como os civis, durou pouco. Em 15 de novembro de 1889 não houve a Proclamação da República, e sim um golpe militar, militarista e militarizado.

Deixando o ministério, Evaristo fundou o jornal “Aurora Fluminense”, um dos maiores combatentes da volta do Poder aos civis. Conseguiram isso em 1894, não quis mais cargos. E os militares deixaram o Poder ostensivo, mas conseguiram, como sempre, mandar mais que os civis.

(No livro sobre meu primeiro sequestro-desterro-confinamento, em 1967, analiso em profundidade o domínio das Forças Armadas sobre o país. Já vim de Fernando de Noronha com o livro de Recordações pronto. Várias editoras queriam publicá-lo, mas a ditadura PROIBIU tudo. Nem edição, impressão, distribuição, venda.

Todos foram “imprensados”, recuaram. As máquinas da Tribuna não imprimiam livros, uma extraordinária uma extraordinária figura da Baixada imprimiu 600 ou 700 exemplares, fui dando a amigos.

Há mais ou menos cinco anos, uma grande editora quer publicar e mostrar o livro. O episódio está completando 45 anos. Me pediu apenas para acrescentar um depoimento sobre Prestes (escrevi, com mais ou menos 40 laudas) e outros com revelações inéditas sobre a Frente Ampla, que começou na minha casa. (Entreguei, considero substancial e elucidativo, mas ainda não autorizei a publicação do livro).

CYPRIANO, “O GUERREIRO
DA LIBERDADE

Essa denominação que recebeu, justa e indiscutível. Só queria mesmo guerrear, não por ele ou para ele, mas pela coletividade, ainda não se suava a palavra comunidade. Já fizemos o levantamento há muito tempo: contando todos os episódios, e elevando em consideração os que foram presos discricionária ou autoritariamente, ninguém perdeu mais vezes a liberdade do que esse guerreiro da liberdade.

E foi aproveitando os raros momentos em que estava solto, para fundar um jornal (às vezes semanário, diário era mais difícil) com um traço singular, pessoal e audaciosa: colocava como título o nome da última prisão onde estivera. Os militares ficavam desesperados ou revoltados, mandavam prendê-lo novamente, estivesse onde estivesse.

LIBERO BADARÓ,
A CORAGEM CÍVICA

Da mesma formação, coragem, estirpe, perfil e despreendimento dos outros dois, incomparável (a não ser com Evaristo e Cypriano). E com uma particularidade: morreu assassinado. Já vinha sendo ameaçado, mas não intimidado. Suas últimas palavras, antes de morrer em São Paulo, 1831, na rua que hoje tem seu nome: “Morre um liberal, mas não morre a liberdade”. Que tempos, que personagens, era uma outra República, aquela com a qual todos sonhamos.

Cumprimentos a Álvaro Dias e Ricardo Sales.

JARBAS-EDUARDO CAMPOS
NUM JANTAR ATUALIZADO

Antigos e ferrenhos inimigos, agora intimíssimos (o que não é crime, pode ser falta de convicção), o ex-governador e o atual estavam satisfeitíssimos. E diante de 14 senadores, até da base, o governador tentou se mostrar absoluto. Apesar de lotado, o jantar parecia ser só dele e para ele.

Em determinado momento, afirmou textualmente: “Meu carro presidencial não tem marcha a ré, nem posso pensar em engrená-la”. Bateram palmas. Ninguém sabia se era aplauso para o carro deformado ou para o próprio governador. Isso confirma as análises que tenho feito aqui sobre o futuro e os problemas que Eduardo Campos enfrentará para disputar mesmo a eleição presidencial de 2014.

CAMPOS FORA
DO GOVERNO

Além de todos os problemas, o governador de Pernambuco tem um outro, que é exclusivamente dele. Para confirmar a candidatura para 2014, precisa deixar o governo. Requisito não exigido de ninguém.

Aécio é senador, pode discursar sem ser acusado de fazer campanha. Dona Marina não tem cargo nem partido. Dona Dilma está protegida pela pressa com que FHC comprou, pagou e se aproveitou da PEC da reeleição. Ficaram absurdos inacreditáveis, mas rigorosamente visíveis.

PS -Apesar de ter dito que seu carro presidencial não tem marcha a ré, isso não é definitivo em política, eleição ou até mesmo em termos automobilísticos.

PS2 -Tenho certeza que qualquer oficina político-eleitoral retira a marcha a ré do carro supostamente presidencial do governador de Pernambuco.

AVENTUREIRO QUASE FALIDO, EIKE
QUER COMPRAR O MAIOR MUSEU ABERTO
DO MUNDO, EM INHOTIM, MINAS GERAIS

Há mais de 10 anos, Bernardo Paz, um empresário bem sucedido, decidiu montar, em Minas, um Museu como está no título destas notas, de exaltação e de protesto. Comprou obras de arte de valor inestimável (financeiro e artístico), o Museu foi crescendo, hoje é uma coisa assombrosa, atração para a pequena cidade de Brumadinho. Está sempre cheio, gente do Brasil todo, turistas nem se fala.

Como a área é enorme, convidou o grande Burle Marx para, em volta, plantar seus jardins famosos. Que se tornaram grande atração, multidões vão lá. O Museu foi crescendo cada vez com mais obras de arte, os jardins são percorridos em carrinhos como os que se usam no golfe (amador).

Agora, Eike Batista (que “herdou” mina ali perto) insiste, insiste, insiste, quer comprar tudo (Museu, jardins, quadros etc.).

Surpreendente e altamente positivo: o proprietário se recusa a vender, e melhor ainda: tem apoio incondicional dos artistas e dos habitantes. Principalmente donos de pousadas, que prosperaram com a construção do Museu. Todos têm medo que Eike Batista destrua o empreendimento único e maravilhoso.

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5 thoughts on “Discurso do senador Alvaro Dias sobre Evaristo da Veiga, Cypriano Barata, Libero Badaró e este repórter. Jantar de pernambucanos, ex-governador e governador, reconciliados. Aventureiro Eike Batista quer comprar o mais notável Museu Aberto do mundo, em Minas.

  1. Ufa! Que alívio! A volta do site. A volta da Verdade. Ainda chamam este País de democrático. Calar a Tribuna na Internet é ato de terror. Terror no ar!

  2. Sr. Helio, muita vida e saúde.

    O Sr. me assusta com tanto conhecimento acumulado.

    É mesmo assim em Inhotim – aglutinação das palavras: senhor (Nhô) com Sebastião (Tim) -, antigo proprietário daquelas terras de Brumadinho, que fica a 45 Km de Belo Horizonte.

    Estive em visitação a aquele fabuloso lugar por quatro vezes. Um espetáculo em todos os sentidos. São imensos galpões em concreto armado onde são expostas as obras de arte, e, entre um galpão e outro, os incríveis jardins de Burle Marx.

    É gostoso andar pelos jardins entre um galpão e outro; mas, conforme o Sr. diz, dá para ir de carrinho de golfe, também. Melhor ir andando e interagindo com o ambiente.

    Na primeira visitação que fiz, entrei num dos galpões e não consegui sair de lá por duas horas seguidas. Simplesmente o meu espírito e o meu corpo ficaram como que anestesiados, absortos na apresentação artística.

    A artista,que não me recordo do nome, não tenho a sua memória Sr. Helio, tinha gravado o coral de capela da Inglaterra, um moteto executado em quarenta vozes. O moteto é de Thomas Tallis – Spem In Alium -, que viveu de 1505 a 1585. A obra tem todos os timbres de vozes: soprano, contralto, tenor, barítono e grave. De dificílima execução e que dura pouco mais de dez minutos. Fiquei ali por duas horas!

    A artista teve o incrível trabalho de gravar cada uma das quarenta vozes separadamente e reproduzi-las em quarenta caixas acústicas, também, separadamente. Dispôs estas caixas em forma circular por todo o ambiente do galpão, que por sinal, tinha uma acústica indescritível!

    A pessoa ia percorrendo cada uma das caixas e tendo a nítida impressão de estar ouvindo o cantor com perfeição. Colocando-se no meio do círculo formado pelas caixas, ouvia-se com perfeição todo o coral em uníssono.

    Olhando para fora do galpão com enormes vidros blindex, via-se os imensos jardins iluminados pelo sol da tarde, enquanto que, dentro do ambiente ouvia-se a incrível obra que é um moteto dedicado à humildade. Um contraponto à uma época de pompas.

    Quem quiser ouvir o moteto é só vir aqui: http://www.youtube.com/watch?v=7Cn7ZW8ts3Y

    Mas, já vou logo avisando: é só uma “palhinha”. Porque a sensação lá dentro do galpão, de espetacular acústica, é, simplesmente, indescritível! O próprio ambiente causa diferenciação.

    E, não, Bernado Paz jamais se desfará de Inhotim. Vi uma entrevista sua à TV Minas. É pura convicção da grandeza e generosidade humana, o pensamento que o guia.

    Quem quiser ir a Inhotim, pode se hospedar em Belo Horizonte. Não deixe para almoçar lá dentro do museu, pois a comida é demasiadamente cara. Tem opção melhor. No meio do caminho há um delicioso lugar para se almoçar, chama-se NOSSA FAZENDINHA. Comida de fogão de lenha deliciosa e servida com muita fartura e opções. Depois de almoçar, vá para Inhotim. A entrada custa R$10,00. Vale muito a pena!

    Bem… é isso Sr. Helio. Parabéns!

  3. Este incompetente que brinca de empresário (não gosto nem de citar o nome) já deve ter arranjado outro cofre de dinheiro público para satisfazer mais uma de suas utopias.
    Sua arrogância não tem limite, chega ser agressiva.

  4. Por uma forte Força Armada

    Poder contar com a devida força militar, é bom, mas custa muito caro. Mas, muito mais caro e trágico vai nos custar, caso não tenhamos nossa Força Armada à altura dos desafios e perigos do mundo atual, exigindo eficiente e permanente defesa de nossas siderais riquezas, de nosso Brasil, e paz de nosso povo. Nesse sentido, faz-se necessário um mínimo de providências, dentre elas:

    1) Implantação de eficiente critério de seleção de seu pessoal, visando escolha dos mais aptos à vocação da carreira militar, exigindo inclusive, patriotismo, inteligência, coragem, bom caráter, etc.;

    2) Sempre que possível, dotar nossas Forças Armadas de equipamentos de primeira geração, focados na qualidade, não na quantidade;

    3) Em paralelo aos necessários curso e treinamentos regulares, propiciar aos militares, outros cursos, palestras e visitas, objetivando mostrar-lhes nossas maiores necessidades e carências, na educação, saúde, tecnologia, meio ambiente, transporte, etc., inseridos numa visão social, econômica e política. Também, continuadas ações de campo, em situações excepcionais e de calamidades, requerendo diversos apoios;

    Evidentemente que para que isso seja possível, a remuneração do militar deverá ser condizente à semelhante proposta. Sem isso, as coisa se complicam.

  5. LEIS SOCIALISTAS BRASILEIRAS

    Código Penal Socialista : art 8º – andar com pouco dinheiro no bolso, prejudicando, humilhando, tripudiando o pobre excluído social, comumente chamado pela burguesia de Ladrão. Pena: Ser incendiado (purificado) !!

    Ato Institucional nº 8 do Governo Bolivariano Brasileiro: “Todo cidadão tem que andar com, no mínimo, R$200,00 no bolso a fim de não humilhar o pobre excluído social (ladrão), sob pena de prisão ou virar fogueira”

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