Ecos do carnaval: as elites deveriam pedir perdão do povo do Rio de Janeiro

Carlos Newton

No sábado de carnaval, quando saí às ruas, encontrei a agência da Caixa Econômica em Laranjeiras totalmente cercada de tapumes de madeirit (aquele compensado vagabundo avermelhado). Pensei que estivesse em obras, nem liguei.

 Olha o Bafo, gente!

Mas domingo à noite, quando estive na Av. Rio Branco para participar do desfile dos blocos mais populares, como o Bafo da Onça, meu preferido, vi que  as fachadas de quase todos os prédios estavam cercadas  com os mesmos tapumes vermelhos. Só então entendi que se tratava de uma “proteção” para evitar que os “vândalos” carnavalescos quebrassem tudo, destruíssem as portas blindex e tudo o mais.

É isso que as elites pensam e esperam do povão. Não têm sensibilidade para perceber que não existe a menor possibilidade de depredação, muito pelo contrário. O Carnaval carioca é extremamente pacato, as ocorrências policiais são mínimas para eventos de tamanha dimensão. Essa é a realidade.

Como diz meu amigo e mestre Carlos Lessa, “o povo do Rio gosta de festa e sabe fazer festa”. O Réveillon e o Carnaval são a maior prova disso. Mas as elites não percebem, estão mais preocupadas em “proteger” um patrimônio que não está sob a menor ameaça.

Na Av. Rio Branco, onde se concentra o verdadeiro Carnaval de Rua, o congraçamento é impressionante. Na terça-feira voltei lá, com minha mulher e meu filho, para novo  desfile do Bafo da Onça, e encontramos o centro da cidade cheio de famílias, com crianças de todas as idades, até mesmo de colo, exatamente como minha amiga Dalva Lazaroni, diretora do Bafo, tinha me falado.

Não havia brigas, bêbados importunos, nada, nada, nada. E com policiamento mínimo, apenas meia dúzia de PMs e guardas municipais, que não tinham o que fazer, em meio àqueles prédios cercados de tapumes horrendos, que funcionavam como uma antidecoração de Carnaval, às avessas, sem qualquer finalidade.

Conclusão: as elites precisam imitar os mestres-sala, que se curvam ás porta-bandeiras. Deviam se ajoelhar diante do povão e pedir perdão por serem tão insensíveis e desumanas.

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