Em 1962, na quase guerra dos msseis, McNamara no foi conciliador, Adlai Stevenson, sim

Os jornales no podiam perder a oportunidade, ontem, para dizer bobagem, por ocasio da morte do ento secretrio de Defesa de Kennedy.

Depois do fim da Segunda Guerra Mundial, esse episdio dos msseis que a Unio Sovitica montou em Cuba, foi o mais perto que o mundo esteve de uma guerra nuclear.

Foram 12 dias de tremendos acontecimentos de bastidores. O pblico s tomou conhecimento dos fatos quando o presidente Kennedy, diante da situao insustentvel e no querendo nem podendo assumir sozinho a assombrosa responsabilidade, convocou uma entrevista na televiso. Naquela poca, 1962, foi a maior audincia de televiso, o pas inteiro assistiu.

McNamara no teve importncia ou influncia, o presidente Kennedy no confiava nele. Os militares (Exrcito, Marinha e Aeronutica, o Pentgono inteiro) queriam a guerra por motivos bvios, a guerra a profisso deles. McNamara queria a guerra, desprezava a paz.

John Kennedy s confiava em duas pessoas. O irmo Robert. E o assessor especial Kenneth ODonnell, colega de Universidade e jogando com ele no mesmo time de futebol americano. Os trs desconfiavam dos militares, estes queriam sequestrar ou intimidar o presidente, tentando convenc-lo que a nica sada era a guerra.

Com a entrevista, que teve repercusso mundial, Krushov apareceu para negociar na ONU. Chegaram a levantar a hiptese de que Krushov havia sido deposto no Politiburo, e que os militares soviticos (iguais aos americanos) tambm queriam a guerra, apostavam tudo nela.

Com os fatos transferidos para a ONU, surgiu o nome de Adlai Stevenson. Grande figura, duas vezes candidato a presidente dos EUA (logicamente, derrotado), em 1961, foi nomeado por Kennedy embaixador na ONU. (Continuou l mesmo depois da morte de Kennedy, deixando o cargo em 1965).

Robert Kennedy no confiava em Adlai Stevenson. Achava que ele era muito intelectual e pouco guerreiro, e que a ONU precisava de algum mais agressivo. Stevenson foi mantido por Kennedy e ODonnell, acabou sendo o grande vitorioso, tudo se resolveu nas Naes Unidas.

Dias depois, serenado, evitada a guerra nuclear, ODonnell na casa Branca encontrou Ted Sorensen (que escrevia os discursos de Kennedy), perguntou: De que maneira voc escreveria o discurso do presidente comunicando ao pas que haveria a guerra?

Ted Sorensen, com a maior tranquilidade, respondeu: Eu pediria ao presidente que escrevesse, eu no saberia faz-lo.

Como se v, McNamara no era conciliador nem teve oportunidade de conciliar o que no conhecia. O sigilo era de tal ordem, que o prprio assessor de imprensa da Casa Branca, ntimo dos trs, no sabia de nada.

* * *

PS- Alguns anos depois, eu andava em Londres (perto de Trafalgar Square), uma correria, gente correndo para ver um homem cado no cho.

PS2- Me aproximei, vi o homem morto: era Adlai Stevenson. Tivera um enfarte fulminante, no teve tempo de ser socorrido.

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