Enquanto houver exclusão e indiferença, não haverá solução para as tragédias dos desabamentos

Jorge Rubem Folena de Oliveira:
“Jornalista Hélio Fernandes, peço licença para retornar ao tema, com o coração enlutado, após mais uma noite de fortes chuvas em nosso Estado do Rio de Janeiro, e particularmente pela tragédia que recaiu sobre os moradores de área pobre de Niterói.

Pelo que estou lendo, assistindo e ouvindo, quem tem culpa de tudo, definitivamente, é a população pobre, que construiu suas casas onde não deveria. É o que fica evidente nos pronunciamentos das autoridades constituídas.

Os administradores públicos, conscientes ou não, governam para uma sociedade fundamentada na exclusão, na diferença e na indiferença. Nunca valorizarão o trabalho, base de tudo, porque eles enxergam nos homens e mulheres dos bairros dos subúrbios e das favelas apenas uma fonte de mão-de-obra barata a ser explorada diariamente e um manancial de votos para a confirmação da ordem política.

A letra da lei é bonita e só vale no papel, como todos sabem. É fácil, na tragédia, transferir a responsabilidade para a população, incriminando-a como sempre fizeram ao longo da História. Porém, é negado aos pobres e aos miseráveis o direito de habitar com o mínimo de dignidade e em condições salubres, apesar de estar consignado na Constituição (artigo 6º).

Não podemos perdoar estes políticos, pois o problema não é a falta de dinheiro, tecnologia e áreas em condições de construir residências dignas para todos. Não fazem porque não querem, e por ser próprio do regime em que vivemos a manutenção da desigualdade, apesar de ser apregoado, por todos os cantos, que constituímos uma sociedade livre e democrática.

Enquanto houver a exploração de homens e mulheres, os idosos não forem amparados e as crianças viverem sem esperança de futuro, tudo estará na mais perfeita ordem natural das coisas, com chuva ou qualquer outra forma de tragédia que recaia sobre nós.

Manifesto minha tristeza por tudo isso, que não é novo e infelizmente se repetirá amanhã ou depois de amanhã, na medida em que não existe interesse de acabar com esta lamentável situação. O duro é ver governantes na televisão com charme de tristeza e cara de choro diante de famílias que jamais protegeram ou protegerão”.

Jorge Rubem Folena é presidente
da Comissão de Estudos Constitucionais
do Instituto dos Advogados Brasileiros

Comentário de Helio Fernandes:
Cada linha, cada palavra, cada afirmação da tua manifestação, Folena, é um libelo, que deveria atingir os governantes, que se omitem de tudo e depois se eximem de culpa. São os grandes culpados das construções nas encostas, no Rio, Niterói, Alcântara, Saquarema, estejam onde estejam esses mortos, “fabricados” pela incompetência e pela displicência de prefeitos e governadores.

Eduardo Paes só terá campanha em 2012, até lá usará a falta de memória geral e a ajuda dos amestrados para a recuperação. O governador tem campanha agora mesmo, e como você diz, vai aparecer com “charme de tristeza e cara de choro”, insultando as famílias que esqueceram de proteger.

Não existe forma mais eficiente de condená-los do que a de não votar nele. Mas esse governador desastrado e desinteressado, será protegido pelas falhas da legislação, e continuará sua “luta indômita e indormida”, para arrebanhar nova representatividade em nome de uma população que abandonou completamente.

A hora é de abandoná-lo como ele abandonou a população. Sergio Cabral Filho não representa nem pode representar o povo do Estado do Rio.

Cada residência que desaba, cada cidadão que fica desabrigado, cada morto que compõe essa estatística macabra, devia representar uma punhalada eleitoral na ambição desses “governantes”, que se julgam acima de julgamento, são os prepotentes e arrogantes que não têm o mínimo de responsabilidade ou respeitabilidade.

Agora vem o prefeito, e sempre utilizando a mídia para aparecer, se exibe apregoando a violência e impondo num decreto improvisado: “Determinamos que 158 áreas são de risco, e os moradores podem ser retirados à força pela polícia”.

E indecente, imprudente e inconsciente, afirma textualmente: “QUEREMOS SALVAR VIDAS”. É um irresponsável que se embaraça, mas quer fingir que está reparando a irresponsabilidade anterior com a irresponsabilidade presente.

“Queremos SALVAR VIDAS”. Não dá mais tempo, prefeito, dezenas e dezenas já estão nos cemitérios. E os que estão aqui têm direitos, não podem sofrer a violência da demagogia depois da violência do desinteresse. Devem ser removidas essas famílias, mas não para INOCENTAR esses governantes. Não podem ser arrancadas das residências precárias para serem jogadas em locais mais precários e incertos.

***

PS – Eduardo Paes e Sergio Cabral deviam renunciar, talvez fossem absolvidos ou inocentados. Os dois são os novos arrudas da cantiga capital.

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