Guedes explode em 2021 a bomba de retardo que armou para o governo Bolsonaro em 2019

Tanto bate até que fura: Guedes vira meme nas redes sociais

Pedro do Coutto

Os fatos concretos predominam sempre sobre as versões, não havendo necessidade de grandes espaços de tempo para que a verdade seja revelada. O ministro Paulo Guedes gerou uma crise na política econômica ao defender a ultrapassagem do teto orçamentário que desde o início da sua administração defendeu como indispensável para a solução de problemas financeiros e retomada do desenvolvimento econômico.

Não aconteceu nem uma coisa e nem outra. O desemprego permaneceu nas alturas, a crise financeira se agravou. Paulo Guedes efetivamente montou uma bomba mágica que representava no fundo uma fantasia, uma fuga da realidade. Fatores que não se ajustam de forma alguma a uma política governamental. Refiro-me a uma política construtiva, já que até hoje, no terceiro ano de mandato, o presidente Bolsonaro não conseguiu que a sua equipe elaborasse um projeto concreto.

FANTASIA – É bom lembrar que no episódio da Reforma da Previdência Social o ministro Paulo Guedes anunciou uma economia anual de R$ 100 bilhões que no final da década somaria R$ 1 trilhão. Uma soma fantástica, praticamente 25% do orçamento federal para este ano. Era tudo uma fantasia. A inflação estava prevista em 3,7% para 2021. Ao longo dos últimos 12 meses, de setembro de 2020 a setembro de 2021, pelo próprio IBGE, passou de 10%. O presidente da República tem o projeto para as eleições e por isso determinou um benefício mensal de R$ 400 através do projeto Auxílio Brasil, substituto do Bolsa Família. Mas o projeto colidiu com as disponibilidades financeiras e com o teto de gastos.

Para obter recursos destinados ao Auxílio Brasil, o governo tenta atrasar o pagamento dos precatórios, mas esquece que a média de tempo entre o ajuizamento das ações e a liberação dos pagamentos, em média, é de 30 anos. Isso de um lado. De outro lado, revela Manoel Ventura, reportagem no O Globo de ontem, o secretário do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, e o secretário do Tesouro Nacional, Jefferson Bittencourt, entregaram os seus cargos ao ministro da Economia. Solidários com a atitude deles, Gildenora Dantas e Rafael Araújo, secretária e secretário adjuntos apresentaram os seus pedidos de demissão.

Ventura lembra que nos últimos anos, 12 auxiliares diretos de Paulo Guedes deixaram a equipe. Os efeitos do episódio levaram à queda na Bovespa e à subida do dólar. A reportagem na Folha de S.Paulo é de Clayton Castelani e no Estado de S. Paulo, de Adriana Fernandes e de Ana Tomazelli, Andreza Matais. O ministro Paulo Guedes realmente transformou-se num desastre, sobretudo na medida em que entrou em conflito com a política que ele próprio traçou, contribuindo para isolar o governo ainda mais.

PODER DE CONSUMO – O governo Bolsonaro vem de queda em queda, processo assinalado por Bernardo Caram, Fábio Pupo e Tiago Rezende, Folha de S. Paulo. Aliás, não poderia ser diferente o desfecho, sempre escrevi sob tal perspectiva que agora se confirma na prática. Na economia não pode existir qualquer milagre que dispense o poder de consumo da população. Se assim fosse não haveria problemas sociais no mundo, e através dos séculos o fato é que não foram resolvidos, a começar pelo exemplo do Brasil.

Mas o drama se agravou com Jair Bolsonaro na Presidência. O episódio de sua resistência à vacinação e ao uso das máscaras que imunizam representa um enigma a ser decifrado, pois os seus efeitos são exatamente contrários aos que deveriam ser os objetivos essenciais de qualquer governo. O presidente Bolsonaro quer ser reeleito, em seu pensamento individual. Mas no sentido coletivo, age exatamente no rumo oposto.

SEM LIMITES – Rompeu com cientistas no caso da vacina, com os ecologistas ao que se refere ao desmatamento, nomeou um ministro da Educação que na reunião ministerial de 22 de abril de 2020 chamou os ministros do Supremo de vagabundos e defendeu a sua prisão sem mais nem menos. Tempos depois, para não citar mais exemplos, o presidente Bolsonaro afirmou que não cumpriria decisões do ministro Alexandre de Moraes. Ultrapassou os limites, teve que recuar lendo uma carta de conciliação redigida para ele pelo ex-presidente Michel Temer.

Uma iniciativa pontual que se reflete no singular, ao invés do sentido plural de que se revestem as ações legítimas de governo. Os preços subiram 16% em relação às cestas básicas. Os salários estão na estaca zero. Paulo Guedes, conforme dito no início, armou uma bomba de retardo, mas o presidente da República aceitou a mágica contra a lógica. A bomba de retardo explodiu e a lógica foi pelos ares. O resultado aí está.

PEGA PEGA –  A série Pega Pega da TV Globo que começou muito bem como uma trama policial marcada por lances de comédia, na minha opinião foi um sucesso até dois terços da história. Os atores e atrizes estão muito bem em seus papéis, mas a narrativa afastou-se do assalto ao Carioca Palace, hotel de luxo, cenário principal da série para se deslocar a fatos passados que fazem até esquecer o que seria o fato predominante da obra.

Uma pena. A história era muito boa. Com destaque especial, focalizo a atuação da atriz Vanessa Giácomo, excelente no papel da policial que na realidade comanda as investigações sobre o assalto. Mas o fato é que o assalto foi desfocado. A história precisa ser retomada, pois o tema e a narrativa estavam ótimos, mas a série perdeu essa qualidade. Veremos se é possível reencontrar o rumo original.  

12 thoughts on “Guedes explode em 2021 a bomba de retardo que armou para o governo Bolsonaro em 2019

  1. Guedes é um vagabundo e enganador como esse presidente chulé que nós temos.

    A alimentação essencial para o povo como as carnes, feijão, arroz, etc. está um absurdo de cara. Para onde vamos com esta carestia?

  2. O jornalismo militante no Brasil é de uma baixeza moral indescritível. Depois de passar dois anos tentando usurpar as atribuições médicas fazendo campanha contra medicamentos, agora tenta passar aos leitores a idéia de que a crise econômica mundial é de responsabilidade do ministro Paulo Guedes. Os mesmos cretinos que ficaram dois anos gritando “a economia a gente vê depois”, transferem a sua culpa para outras pessoas.

    Por isso ninguém mais acredita no jornalismo venal e prostituido da Folha de São Paulo, Globo, Estadão e seus puxadinhos.

  3. 1) “O presidente da Alerj, André Ceciliano (PT), está empenhado em replicar na pré-candidatura ao Senado a imagem de “homem de diálogo”. Uma das conversas para a suplência é com Samuel Malafaia (DEM) — irmão do pastor Silas.”

    2) Está hoje, 23/10/21, na ótima coluna de Aline Macedo, em O Dia, RJ.

  4. E mais uma ensaia, o ministro, que a conta seja paga pelo contribuinte pessoa física da classe média, pois alega que a reforma do imposto de renda é que seria a salvação foi emperrada no Senado.
    Ora. A micro reforma do imposto de renda divulgada não iria reestabelecer nenhum nem parte daquele congelamento da década de 90 e nem representa verdadeira reforma no sentido de mais justa, pois as faixas de incidência das alíquotas são próximas da base, sem distância alguma como seria de se esperar com valor de contribuição progressivo quanto maiores os rendimentos.

    • Francamente, veja os números da tabela atual em vigor:

      Até R$ 1.903,98: (isento)

      De R$ 1.903,98 a R$ 2.826,65: (7,5%)

      De R$ 2.826,66 a R$ 3.751,05: (15%)

      De R$ 3.751,06 a R$ 4.664,68: (22,5%)

      Acima de R$ 4.664,68: (27,5%)

      O relator da proposta no senado quer aumentar (igual) para todas as alíquotas em 41%…

      Veja como são achatadas as margens para tirar imposto em cima das classes mais baixas e da média…

      Começando a primeira faixa de isento quem recebe até 1.903,98 é uma horrorosa isenção. Quem recebe isso não vive. Mas sobrevive, especialmente nas grandes cidades.

      A última alíquota de 27,5% aplicável para aqueles que recebem acima de R$ 4.664,68…

      Veja. A diferença do contribuinte que está no início da da última faixa final é meramente pouco mais do dobro de quem está no início da primeira faixa de contribuição de 7,5%…

      Isso nada tem de justiça sob aspectos econômico-social de renda.

      Ainda que se aumente todas as faixas como pretende o relator do Senado (em 41%) continuará injusto.

      E não precisa ir muito longe. Pegue dentro do próprio Estado Administração. Entre as esferas federal, estadual e municipal. Há servidores com diferentes faixas de renda que, considerando do mais baixo salário praticado no âmbito da Administração Pública ao mais alto do teto (e tem os fura teto) passa de 35x (trinta e cinco vezes).

      Mais justo, portanto, seriam faixas mais largas de renda, com as últimas duas (se permanecerem quatro alíquotas) de contribuição para aquelas remunerações maiores de 15 mil e 25 mil.

      Isso de duas faixas acima se justifica pela realidade, sem esquecer, embora citado o parâmetro no funcionalismo público existe, AINDA HÁ A NECESSIDADE de alíquota extra fazendo valer o imposto SOBRE AS GRANDES, como previsto na Constituição (algo ignorado pelos políticos cooptados pelas elites). Esta 5º (quinta) alíquota, para rendimentos das casas dos milhões l, é mais que urgente… especialmete considerando que nesse patamar estão, especialmente, os rentistas que com suas remunerações (lucros) sem esforço, só vivendo dos rendimentos nenhum pouco moralmente justificáveis.

  5. Luciane Vieira
    ·
    O Brasil criava vacas…
    Desde o descobrimento em 1500, o Brasil passou a criar vacas….
    O Brasil tinha uma vaca que alimentava a IMPRENSA, a qual recebia bilhões para falar bem do governo. Jornalistas ganhavam fortunas e os donos das TVs, jornais e revistas ficavam milionários. Isso era o povo bem informado!
    O Brasil tinha uma vaca que alimentava os ARTISTAS, chamada Rouanet, que pagava milhões para que eles pudessem fazer shows, cobrar ingressos caríssimos e falar bem do governo. Isso era a cultura que o povo precisava!
    O Brasil tinha uma vaca que alimentava PARLAMENTARES com mensalões que garantia a aprovação de leis e do próprio governo. Isso era independência, democracia e respeito aos 3 poderes!
    O Brasil tinha uma vaca que alimentava juízes do STF com passagens aéreas, viagens e mordomias. Isso também era independência, democracia e respeito aos 3 poderes!
    O Brasil tinha uma vaca que alimentava as EMPREITEIRAS, que distribuíam parte do dinheiro como propina ao PT, comprava propriedades e as entregava ao seu líder ladrão. Isso gerava empregos!
    O Brasil tinha uma vaca que alimentava SINDICATOS, que falavam bem do governo. Sindicalistas ficavam ricos. Isso era respeitar o direito dos trabalhadores!
    O Brasil tinha uma vaca que dava dinheiro a PAÍSES COMUNISTAS cujos líderes ditavam as regras, ficavam com parte do dinheiro e deixavam o povo na miséria. Isso era distribuir riquezas com países pobres e miseráveis!
    O Brasil criava uma vaca que transferia bilhões a ONGs no Brasil e no exterior que diziam proteger as florestas e os animais, mas vendiam terras e exploravam ouro, madeira e diamante. Seus líderes enriqueciam. Isso era cuidar da Amazônia e impedir o desmatamento!
    Enquanto isso o Brasil só afundava, o povo do Norte e Nordeste passava FOME e SEDE, o Brasil estava estagnado e só empobrecia…a corrupção e a criminalidade imperava e tomava conta das ruas.
    Daí um presidente foi eleito e assassinou as vacas!
    Isso é genocidio, anti-democracia, desrepeito e negacionismo!

  6. O ministro Paulo Guedes, antes de ser chamado para o governo Bolsonaro era um ilustre desconhecido. Chegou como homem forte com carta branca de Bolsonaro para tocar as pautas econômicas numa agenda liberal dura.
    De início disse, que atingiria o equilíbrio fiscal em um ano de governo, perdeu a aposta e todas que fez com estardalhaço e aqueles trejeitos de ator de filmes B com as mãos treinadas por marqueteiros, que vendem um produto podre para os trouxas comprarem.
    Equilíbrio fiscal, pleno emprego, economia de 1 trilhão, crescimento em V, nenhuma de suas previsões se confirmou, nada, não entregou neca de pitipiriba. É sem sombra de dúvida, o pior ministro da Economia de todos os tempos. O que Guedes sabe bem, mas não recomenda a ninguém é multiplicar suas economias em paraisos fiscais, notadamente nas Ilhas Britânicas Virgens. Se não for legal é Imoral.
    Agora admite que furar o teto de gastos por 100 reais a mais é bobagem, mas disse isso docemente constrangido.
    Entrou na onda eleitoreira de Bolsonaro de olho na reeleição, para manter seu emprego e contas secretas por mais um ano. O Poder é bom e todo mundo gosta, por que Guedes não iria gostar.
    Disseram que pediu demissão, sinceramente não acredito. Ele só sai se for demitido, mas Bolsonaro precisa dele, pelo menos por enquanto. O Mito não tem pena de ninguém, se for manter- se no Poder ele passa a jamanta em quem atrapalhar. Gustavo Bebiano, general Santos Cruz, seus amigos do peito foram demitidos sem dó nem piedade, sem falar no Moro, no Mandetta e quase toda a equipe inicial do Guedes ou saiu ou foi pedido para cair fora, quando começaram a atrapalhar, caso do presidente da Petrobrás, Roberto Castelo Branco, quando resistiu a baixar o preço da gasolina e do diesel e não aceitou nomeações políticas na Petrobrás. O general que assumiu está lá firme e forte, será que cedeu? Em relação aos aumentos dos combustíveis, parece que não. Tá difícil acreditar nestas pautas bolsonaristas, a cada dia é um flash. Pelo menos ninguém está morrendo de tédio nesse governo, porém, o stress se mantém em alta ansiedade.

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