Ibope confirma Datafolha: Serra na frente

Pedro do Coutto

Pesquisa do Ibope divulgada na noite de quarta-feira e analisada nos jornais do dia seguinte – melhores edições foram as de O Estado de São Paulo e de O Globo, reportagens de Daniel Bramatti e Tatiana Farah – confirmou a vantagem de José Serra sobre Dilma Roussef, funcionando para acentuar que o Datafolha estava certo e o Sensus errado. O Datafolha apontou vantagem de 10 pontos para o candidato tucano e o Ibope encontrou uma diferença de sete pontos: 36 a 29. Para o Datafolha a distancia era entre 38 e 28.

O Sensus falhou, creio. A divergência é muito grande: este instituto assinalou praticamente um empate: 32,7 a 32,4 por cento. Agora, não há razão para mais dúvida quanto às intenções de voto neste momento que antecede as convenções partidárias e o início da campanha eleitoral, oficialmente. Oficialmente porque, de fato, como inclusive é natural, ela já começou há tempo e não existe meio de contê-la. O Ibope ressaltou que a diferença que Serra livra sobre Dilma está no voto feminino. O Datafolha também havia detectado o fenômeno, raríssimo em confrontos eleitorais. Pela primeira vez ao longo dos sessenta anos em que acompanho eleições, prestando atenção nos números, esse fato ocorre. Há razões para isso. Como escrevi recentemente neste site, a pouca comunicação que Roussef consegue estabelecer com as mulheres comuns e menos informadas. Cria um muro entre a candidata e as eleitoras. A candidata do PT, certamente, vai tentar se integrar melhor no pensamento médio das mulheres. Sua postura, na minha opinião, é demasiadamente tecnocrática. Assume o papel de executiva, não de uma pessoa de quem se pensa – pelo menos em tese – em se tornar amigo ou amiga. E por aí. Mas esta é outra questão. O fato dominante é que, também em relação a Ciro Gomes e Marina Silva, os percentuais do Ibope e Datafolha coincidem.

Ciro, por exemplo, se vier a ser candidato, o que não parece provável dada a resistência de seu próprio partido, o PSB, certamente pressionado pelo presidente Lula, retira mais votos de Serra do que de Dilma. Sua saída do quadro sucessório abre um vazio de aproximadamente 8 a 9 pontos, segundo tanto o Ibope quanto o Datafolha. Lula, assim agindo, revela não temer a ausência do ex-governador do Ceará no palanque de Dilma Roussef no segundo turno.

Para alguns observadores, eu entre eles, o presidente comete um engano. Mas para o presidente da República, a lacuna não será decisiva para o destino das urnas. Ele provavelmente acredita que, quando passar a entrar mais pesado na campanha, inverterá a vantagem atual do ex-governador de São Paulo. Caso contrário, claro, não abriria mão de um aliado que, por diversas vezes na televisão, tem-se revelado um admirador de sua administração. Para o Ibope, entretanto, sem Ciro na disputa, Serra, se as eleições fossem hoje, venceria por 46 a 37 por cento. Nove pontos. A diferença num cenário com Ciro, hoje, é de sete pontos. Portanto, o ex-governador do Ceará reduz mais de Serra do que de Roussef.

Os brancos e nulos, em matéria de intenção, neste momento, para o Ibope, situam-se em 18 por cento. A tendência é descer para 7 na reta de chegada. Mas a reta final começa na segunda quinzena de setembro, já que a eleição é a 3 de outubro, no primeiro turno. Relativamente a Marina Silva, que registra 8 pontos, estes votos iriam para Dilma não fosse ela candidata. Em matéria de segundo turno, devem se dividir em partes iguais. Serra vem atuando com sensibilidade. Suas declarações pelo fim da reeleição, por exemplo, voltam-se para assegurar o apoio firme, e não apenas formal, de Aécio Neves. Uma coisa é esperar quatro anos. Outra, oito. É muito diferente. O tempo é, muitas vezes, o senhor do destino e da razão.

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