Iniciada com a venda da BR, privatização da Petrobras é gravíssimo crime de lesa-pátria

Iotti / Agencia RBS

Charge do Iotti (Gaúcha/Zero Hora)

Roberto Nascimento

Essa novela da Petrobras tem um capítulo novo sempre que anunciam uma nova rodada de aumento dos combustíveis. Já trocaram três presidentes e anunciam o quarto, sem contar, o Adriano Pires, que se tornou a viúva Porcina da história, porque foi sem ter sido, ao cair antes de tomar posse, diante do conflito de interesses dos seus negócios privados com o cargo que ocuparia.

Pires ficou tão mal na fita, que parou de escrever seus artigos semanais no Estadão. Suas atividades de consultoria no setor do petróleo vieram à tona e expuseram claramente seu interesse na privatização das estatais.

ESTÁ PRIVATIZADA – O presidente Jair Bolsonaro e o ministro Paulo Guedes sabem que a Petrobrás, na prática, já foi privatizada. Primeiro, pelo volume de ações pertencentes aos investidores nacionais e internacionais; e segundo, porque Guedes e Bolsonaro privatizaram a BR Distribuidora, algumas refinarias e até o gasoduto bilionário da TAG foi entregue a um consórcio francês/canadense.

A festa começou na gestão de Michel Temer. Em abril de 2017, com menos de um ano de governo, a Petrobras vendeu o gasoduto da NST para um grupo liderado pelo Brookfield, fundo canadense de investimentos.

O supergasoduto da TAG foi vendido por R$ 36 bilhões e a Petrobrás paga R$ 3 bilhões/ano para alugá-lo. Foi uma grande negócio às avessas. Em apenas dez anos o total da venda estará amortizado.

APOIO ENTUSIÁSTICO – Todo essa escandalosa e desnecessária venda do patrimônio nacional não aconteceu às escondidas, porque houve beneplácito do Congresso e a grande imprensa apoiou a negociações.

No mesmo governo de Michel Temer, quando a Petrobras era presidida pelo tucano Pedro Parente, foi adotada a política de preços com paridade internacional, que está elevando artificialmente a inflação e travando a economia brasileira.

Agora, o governo Bolsonaro alega que, se congelar os preços dos combustíveis, terá que pagar multas bilionárias aos investidores e até o CPF de quem assinar o congelamento terá que arcar com os prejuízos, mas isso não existe em lei ou nos estatutos da Petrobras.

O QUE FALTA? – Ora, é só mudar a política de preços, para segurar um pouco a inflação, reduzindo ligeiramente os lucros da empresa, que o próprio Bolsonaro considera um “estupro”.

Daí o desespero do chefe do governo. Ao invés de mudar a política que Pedro Parente adotou de forma leviana, Bolsonaro fica de mãos atadas e precisa encontrar um culpado. Um dia, pode ser o general Silva e Luna, no outro o ministro de Minas e Energia, almirante Bento Albuquerque.

Não importa quem seja, pois Bolsonaro precisa dar respostas ao eleitor e às lideranças dos caminhoneiros, passando a imagem de que faz tudo para congelar os preços, mas não tem forças, sua caneta Bic falha e o Supremo não deixa. Afinal, a conta dos aumentos tem que cair no colo de alguém, menos de Bolsonaro, que não pode perder nenhum eleitor, pois os adversários estão se aproximando da reta de chegada.

22 thoughts on “Iniciada com a venda da BR, privatização da Petrobras é gravíssimo crime de lesa-pátria

  1. Desde quando arregimentados estatutariamente enlaçados por Sociedade Secreta submissas à agenda INTERNACIONAL tem alguma vinculação com municipio, estado, pátria ou religião???
    Essa troupe vai ter que se conscientizar que é um malefício para o conjunto das nações, onde alçados vendem ou ENTREGAM para seus cúmplices, o que não lhes pertence.

  2. Criem vergonha nessa cara, pois voces só tem permissão pra perpetrar esses e outros crimes contra os seus tidos “NÃO ASSEMELHADOS”!

      • Mylcio, nessas negociatas com os ativos públicos, quem perde sempre somos nós, o povo, que paga seus impostos para os corruptos aumentarem suas fortunas colocadas em paraísos fiscais. As comissões são polpudas. Por isso, defendem tanto as Privatizações.
        Quando todas as estatais não existirem mais, vão vender território e a Amazônia já está no radar. Será uma nova era do ouro, pior do que a rapina, que os portugueses fizeram nas Minas Gerais.
        E, ainda abrem a boca para falar de patriotismo, mas, falam da boca para fora. Falta verdade e substância. Seria pedir demais eles terem esse compromisso com a nação.

  3. Tanto da Petrobrás como da Eletrobrás.

    Na Europa, muitos países que privatizaram setores de eletricidade, água e esgoto estão vendo que ficar a receber em impostos e as empresas lucrarem foi um erro tremendo.

        • Leão
          Exemplos de outros países servem para estudos, mas tudo é diferente. sistemas de governo, cultura, instituições públicas.
          Aqui, pelo caráter frágil da democracia e a falta de cultura da imensa maioria da sociedade, é que nos levou a situação atual.
          Fallavena

          • Água e energia são bens essenciais não???
            E assim deveria ser tratado. Já se falou até que por água (falta dela) haveria a guerras… olha, Israel limite o acesso de água da Palestina.
            Então, no caso ali dos EUA que citei a água é que move os geradores de energia… dando a dimensão que o país dá de importância coloca até o Exército para cuidar.

  4. Vejam esse exemplo de gente grande: Thomas Friedman descreveu num artigo no NYT o almoço que teve com Biden na Casa Branca: sanduíche de salada de tuna, pão, refresco de fruta e milkshake de chocolate como sobremesa.
    Fosse no Brasil, em que famintos infestam as ruas, certamente o famoso autor teria comido lagosta, bebido campagne Veuve Clicquot e como sobremesa Baba au rhum. Mas teria que aguentar um ruminante ao seu lado!

    • Obrigado Tomazini.
      O setor elétrico é fundamental para impulsionar a industrialização do Brasil. Nada foi investido pelo setor privado. Foi o Estado, que construiu as grandes hidroelétricas e as Linhas de Transmissão. Tudo será entregue ao setor privado, que tem um único objetivo: lucro
      O argumento, de que o Estado não tem condições de investir é pífio e ilógico. O que o Estado não pode, a iniciativa privada no Brasil, pode menos ainda.

  5. Continuamos andando em círculos e repetindo erros. A cada governo, um desgoverno e o próximo fará tudo diferente.

    O que pode dar certo assim? Nada, absolutamente nada! E por favor, não sou pessimista, apenas leio e enxergo o que acontece.

    Na minha opinião, é preciso dificultar e reduzir a sanha de governantes que desejam implementar SUAS IDEIAS!

    Temos um projeto de nação? Não, só temos projetinhos de governinhos!

    Grandes decisões precisam passar pela sociedade! No sistema atual, é a única forma de comprometer e responsabilizar os brasileiros.

    Apenas dois exemplos: grandes projetos e grandes mudanças, precisam do aval do eleitor: consulta plebiscitária! Errando, vamos dar valor apo conhecimento e a responsabilidade.

    Votar e, alguns meses após, não lembrar em quem votou é uma vergonha, uma sacanagem com a democracia!

    O Brasil tem tudo o que o mundo precisa e o que poderíamos ter. Se pergunte por que não temos?

    Fallavena

  6. Prezado William, muitíssimo obrigado.
    Você acertou na mosca. Estudo esse tema da venda dos ativos nacionais, desde o furacão Collor, que vendeu todas as Siderúrgicas estatais.
    Itamar assumiu após, o Impeachment do presidente e antes de entregar o cargo a FHC, vendeu a CSN de Volta Redonda para o empresário paulista, Benjamin Strainbuck, um desastre para a Cidade do Aço.
    Elena Landau, a economista do BNDES, foi escalada por FHC para vender tudo que era estatal, no Programa de Desestatização. Hoje, Landau é a economista chefe da campanha de Simone Tebet.
    As distribuidoras de Energia Elétrica federais, dos Estados foram vendidas, menos a CEMIG, pela reação enérgica do governador de Minas, Itamar Franco. FHC melou com medo do mineiro de Juiz de Fora.
    A LIGHT paulista, uma potência, foi vendida para uma estatal francesa ( Eletricite de France) e a gigante americana, ENRON, em consórcio.
    A ENRON envolvida em corrupção gigantesca nós EUA saiu do negócio e a estatal francesa também, deixando um vazio para o Estado. Não sei para quem relicitaram depois. Essas coisas ilícitas são realizadas sob o manto da falta de transparência.
    O distinto público precisa continuar com a ideia de que o setor público é incompetente, mas, o privado é uma maravilha.
    Vejam bem, agora, no setor aéreo: Os aeroportos de Viracopus em Campinas, Galeão no Rio de Janeiro e São Gonçalo do Amarante em Natal, sob a administração privada, estão falidos e mal pagos e incontinente estão em processo de devolução para o Estado. Falta avaliar, o valor da indenização que o Estado vai pagar a essas empresas privadas, por elas desistirem do negócio. Isso é o capitalismo entre aspas, que vigora aqui, capitalismo Robin Wood ao contrário, que tira dos pobres para dar aos ricos.
    E a vida segue seu rumo de absurdo em absurdo.

  7. Roberto,
    Essa Elena Landau que citou esteve na campanha do Calero.
    Quando eu ainda tinha rede social entrei numa discussão com ela. É uma Guedes de saia.
    Por isso, deixei de lado minha admiração por Calero e não voto mais nele… sabendo do tipo a quem entregaria a Economia.

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