Luciano Huck vem sendo tratado pela mídia como se pairasse acima da disputa política

Primeiro comercial de TV via 4G” é estrelado por Luciano Huck e provoca  polêmica nas redes sociais; entenda | VEJA SÃO PAULO

Huck se projeta no noticiário para faturar novos comerciais

Flávia Lima
Ombudsman da Folha

Desde que sua candidatura se tornou o sonho de um grupo de tucanos da velha guarda, o apresentador da Rede Globo e empresário Luciano Huck mantém posição confortável na chamada grande imprensa.

É tema recorrente nas páginas de política dos jornais e regularmente agraciado com espaços para escrever sobre tópicos de sua escolha. Mas não dá entrevistas, ocasiões em que suas ideias poderiam ser esmiuçadas, confrontadas e apresentadas ao leitor. Esse arranjo cômodo saltou aos olhos na semana em que voltei de férias, agitadíssima no mundo da política.

ALIANÇAS COMPLICADAS – No rescaldo das eleições no Congresso, o ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia, escancarou a insatisfação com o seu partido, o DEM, em entrevista ao jornal Valor Econômico, na segunda-feira (dia 8/2).

Com isso, deflagrou uma crise que envolveu também o PSDB, consumiu as páginas dos principais jornais ao longo da semana e mostrou que o ensaio geral de alianças pela sucessão de Bolsonaro é bem mais complicado do que se imaginava.

No imbróglio, o nome de Huck apareceu com grande frequência. Maia disse que a aproximação entre o DEM e o governo Bolsonaro, promovida pelo presidente do partido, ACM Neto, fez ruir os esforços de atrair Huck, até então “90% resolvido” a se filiar à legenda, antigo PFL. ACM Neto, segundo a coluna Painel da Folha, teria então iniciado uma ofensiva para evitar o afastamento do apresentador de TV.

DISSE MERVAL – No início da semana, o jornalista Merval Pereira, colunista de O Globo, deu algumas pistas sobre o apresentador ao dizer que Huck não pretende se envolver na disputa partidária e continua interessado apenas em discutir ideias, não legendas.

Se é isso mesmo, Huck pode seguir tranquilo. A depender da Folha, os sinais são de que não será incomodado, desfrutando de uma posição pouco comum entre políticos ou aspirantes a políticos: aparecer e falar, sem ser importunado com questionamentos.

No domingo (7/2), o jornal lhe franqueou mais de meia página no caderno Poder, onde Huck aproveitou para saudar os “heróis da resistência democrática” (de profissionais da saúde a jornalistas, passando por políticos, empresários, professores, climatologistas e as Forças Armadas), ressaltar que a boa política vai salvar o país dos “ismos” e se colocar entre os dispostos a se engajar na (re)construção do país.

ESPAÇO ILIMITADO – Não é de hoje que alguns leitores veem a concessão do espaço com desconfiança –algo de que eu mesma demorei para me dar conta. “É incompreensível o espaço enorme que a Folha dá a Luciano Huck, justo ele funcionário do maior grupo de mídia do país”, disse um deles.

A Folha não está sozinha nesse caldeirão. O Estado de S. Paulo oferece ampla vitrine a Huck em entrevistas que o próprio apresentador conduz com personalidades. É como se Huck pairasse acima das disputas políticas. Só conhecemos suas ideias por meio de seus textos.

Para o leitor, seriam mais relevantes entrevistas com o próprio Huck, nas quais lhe fosse perguntado se de fato pretende se filiar a um partido político, quando isso deve ocorrer, o que pensa das reformas negociadas com o Congresso e como o Estado deve se organizar para prestar serviços públicos, além de dizer com base em quais pressupostos afirmou, em 2018, que Bolsonaro tinha uma chance de ouro de dar novo significado à política no Brasil e quais foram os motivos que o levaram posteriormente a se surpreender com o comportamento do presidente.

PRESIDENCIÁVEL – Vinicius Mota, secretário de Redação, diz que “Luciano Huck é um nome que se apresenta como possível presidenciável em 2022, e a Folha tem uma longa tradição de publicar opiniões das pessoas que cogitam chegar à Presidência da República, de todo o espectro político-ideológico, o que nunca comprometeu nem comprometerá o compromisso editorial de praticar um jornalismo investigativo e crítico em relação a todas elas”.

De fato, de parte do jornal, é esperado que presidenciáveis sejam ouvidos, inclusive em colunas fixas de opinião. A forma eventual como Huck aparece nos jornais, porém, dá um ar desinteressado a uma estratégia política.

Também não parece jornalisticamente razoável que a Folha se sinta satisfeita em replicar o diz que diz em torno do apresentador, mantendo-o a salvo do escrutínio e oferecendo e ele espaços distantes de algo considerado investigativo ou crítico.

MORRER NA PRAIA – Alguns analistas e políticos dizem que o nome de Huck pode, mais uma vez, morrer na praia. Verdade ou não, Huck não pode ser tratado pela Folha como se fosse um personagem estranho à sucessão presidencial e ao debate político.

Já vimos o que acontece quando se trata com condescendência um candidato à Presidência deixando de informar ao leitor sobre quais são suas ideias e afinidades políticas – ainda que ele pareça inviável.

 

11 thoughts on “Luciano Huck vem sendo tratado pela mídia como se pairasse acima da disputa política

  1. Esse narigudo se vir um dia a presidir esse país vai roubar até o oxigênio , o aparelho grande já possui , ainda mais que vem patrocinado pela sonegadora de impostos , ladrão de 9 dedos , e o sociólogo avarento.

    A verdade é que tudo isso que está acontecendo é porque o bozo cortou a verba da imprensa , a globolixo é a mais interessada em derrubar o imbroxxável mito , porque não quer pagar o que deve .

  2. Era só o que faltava !!!
    Luciano Huck !
    Com a devida vênia, pela expressão :
    PQP !!!
    Esta bagaça de País arrombado, não tem o mínimo de vergonha ou escrúpulo ao cogitar um sujeito deste para candidato em 2022.
    Aliás este Circo Verde-Amarelo aqui, nunca teve um Governante, que pudéssemos nos orgulhar !!!
    Mas Huck ??????
    Vão catar coquinhos, cambada de políticos canalhas, vagabundos, destrambelhados e, principalmente, inúteis…
    Palhaços !
    Lamentável !
    Credo !

  3. Seria interessante que, quando alguém criticasse um candidato, sugerisse o seu preferido para que pudéssemos aprimorar a discussão.
    Isso é só sugestão.

  4. Se o Huck acha que com o apoio desses orgãos de imprensa vai conseguir ganhar a eleição pode ir tirando seu cavalinho da chuva. Se tiver o minimo de bom senso, nem se candidata. A não ser que esteja disposto a fazer o papel de fantoche, participar de uma farsa que até mesmo o desinformado eleitor brasileiro vai perceber de tão gritante. Em 2018 o Bolsonaro teve a “sorte” de tomar uma facada que foi decisiva para sua vitória. Isso o livrou de participar dos debates aonde ele seria simplesmente trucidado pelos concorrentes. No único que participou(o1º) a unica candidata que o questionou foi a Marina e ele simplesmente não teve a minima capacidade de dar respostas aos questionamentos dela. No caso do Huck, anda que tenha um repertório muito maior do que o tosco Bolsonaro(qualquer chimpanzé tem) , o homem tem um telhado de vidro bem frágil a começar pelo fato de que aos olhos de todos vai ser um candidato da Rede Globo e acho que isso não é muito popular, muito pelo contrário. Fora suas questões como predador ambiental é só procurar na Internet que se acha. Essas elites já tiveram candidatos bem melhores, ter que apelar ao Huck só mostra sinais de fraqueza. Ou será que o Huck estaria disposto a também tomar uma facada para ganhar a eleição? Vale o ditado, a história só se repete como tragédia ou como farsa.

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