Montenegro, do Ibope, abala o PT na sucesso

Pedro do Coutto

A entrevista de Carlos Augusto Montenegro ao editor Alexandre Oltramari, publicada na revista Veja que circulou sbado, sem dvida vai repercutir com intensidade no quadro poltico do pas e se estender ao longo de episdios que vm a seguir do escndalo que envolve o Senado federal.Montenegro, com sua larga experincia em analisar intenes de votos e campanhas eleitorais, afirmou direta e frontalmente que o presidente Lula no far seu sucessor, no caso sucessora, j que sua candidata a ministra Dilma Roussef.

Com isso, abalou o governo e o PT. Quanto ao Partido dos Trabalhadores, sustentou inclusive que se encontra em decomposio e se aproxima do fim. Tocou num ponto sensvel da questo: separou o prestgio de Lula da aceitao popular da legenda. E no apenas isso. Desfilou em seu pensamento as contradies que envolvem a atuao partidria e a opinio pblica. E afirmou no acreditar que, no sendo candidato, ao contrrio do que foi ao longo dos ltimos vinte anos, conseguir transferir votos pra a chefe da Casa Civil.

No a primeira vez que o principal pesquisador eleitoral brasileiro atua tambm como analista poltico. Realizou com sucesso este papel duplo nas eleies de 89, prevendo a vitria de Fernando Collor, e na sucesso de 2002. Neste segundo caso, em entrevista a mim, esto acompanhando as eleies para o JB, revelou ter informado antecipadamente ao presidente Fernando Henrique que Jos Serra seria amplamente batido por Lula. Em 89, seu pai, Paulo Montenegro, grande amigo meu, ainda era vivo. Lembro bem que, num almoo no centro do Rio, Paulo e Carlos Augusto previram o segundo turno entre Collor e Lula.

Partiram do princpio de que, fraqussimo em So Paulo e Minas, Brizola no conseguiria classificar-se para o duelo final. De fato, desde a redemocratizao de 45, pelo menos, candidato algum chegou presidncia da Repblica sem vencer em Minas ou So Paulo. Ou nos dois principais colgios eleitorais do pas. Mas esta outra questo. Pertence ao passado.

Em termos de futuro, a entrevista de Carlos Augusto a Veja vai entusiasmar as oposies, sem dvida, ao mesmo tempo em que leva a dvida s correntes do PT e do PMDB, aliana mais que provvel para enfrentar a do PSDB, DEM, PPS, que forma o principal plo oposto. Marina Silva, pelo PV, retira votos de Dilma, porm no se pode hoje inclu-la no segundo turno de 2010.

A dvida entretanto existe, no quanto a Jos Serra, como o prprio Montenegro destaca, mas quanto a Ciro Gomes, que apareceu bem na recente pesquisa do Datafolha e cujo destino depende do desempenho da ministra Dilma Roussef seja na campanha, seja nas urnas. Carlos Augusto no acredita na potencialidade eleitoral de Dilma. E assim, tanto pelo que disse quanto pelo que no abordou, deixou no ar um enigma, alias focalizado por mim em artigo recente neste site. Ciro Gomes joga com a perspectiva de bater Dilma no primeiro turno e, com isso, tornar-se uma alternativa para Lula no turno final.

Talvez seja esta uma iluso. Mas o que seria da poltica e da vida no fossem os sonhos e os projetos? A realidade outra coisa. Mas esta s acontece quando os fatos se esgotam. A candidatura Serra parece no incomodar presidente Lula. Vamos ver como repercute a formulao do presidente do Ibope.

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