MST radicaliza e cria problema para Lula

Pedro do Coutto

Numa entrevista ao reprter Eduardo Scolese, Folha de So Paulo de 12 de outubro, Joo Pedro Stedile, da direo do MST, considerou o presidente Lula mal informado a respeito da invaso e destruio de laranjais da empresa Cutrale, no interior de So Paulo.Primeiro negou a derrubada, depois procurou reduzir seus efeitos dizendo que a produo destinava-se exportao de suco,no mesa dos brasileiros.O argumento no possui a menor lgica. Em primeiro lugar, porque a mesa dos brasileiros, atravs do mercado de empregos,no depende s da comercializao interna, depende igualmente das vendas externas.Em segundo lugar, produo no pode ser confundida com destruio.Emissoras de televiso registraram as aes.Encontram-se portanto registradas. Atribuir aos setores contrrios reforma agrria a produo dos filmes no faz o menor sentido. Stedile sustentou que cerca de 15 mil latifundirios so donos de 98 milhes de hectares. E que a renda mdia dos que trabalham no campo no chega a um salrio mnimo. verdade porque em milhares de casos o assalariado rural recebe, mas suas famlias tambm pela comida. Trabalho escravo ou semi escravo resistindo ao tempo e incrivelmente convivendo com o sculo XXI. Mas esta outra questo. No por si capaz de justificar depredaes. No somente dos ps de laranja, mas igualmente de dezenas de tratores agrcolas. Os tratores, evidentemente, no poderiam pertencer aos grupos do Movimento dos Sem Terra.

O MST vem radicalizando o processo poltico h bastante tempo. Agora de se acreditar que aprofundar suas aes em face do perodo pr eleitoral que comea. Tal ao destina-se a criar um impasse de grande proporo. A represso, que se torna necessria, j que propriedades privadas no pode ser objeto de invaso e ocupao, inclui sempre um risco com reflexo na campanha poltica. A no reao, o conformismo, gera efeitos igualmente negativos junto a sociedade, especialmente os produtores rurais que esto se sentindo ameaados. Uma questo que talvez somente possa ser equacionada pela preveno e pela colocao efetivamente em prtica de lei do estatuto da terra, de novembro de 1964. Esta lei no se baseia apenas na distribuio de terras improdutivas aos que no as possuem. Pois isso no adiantaria nada. Prev a distribuio, sim, mas com assistncia tcnica e implementos capazes de torn-las produtivas e rentveis. Se o governo iniciar finalmente este processo estar dando um passo positivo para descomprimir uma questo econmico social que percorre os sculos e ameaa eternizar-se. No existe outro caminho. Com isso, o presidente Lula retira argumentos do MST. Um deles o falso dilema entre mercado interno e externo. Inclusive porque as aes voltadas para o comrcio internacional so o maior xito do atual governo. Quando comeou, em 2003, as exportaes somavam 70 bilhes de dlares. Duplicaram exatamente. O equilbrio financeiro vem a.

Na economia, no h fatores isolados. So todos interligados. Inclusive o mercado interno essencial, mas no fornece cmbio para o pas pagar as exportaes de que necessita. No existe nao alguma no mundo que somente desenvolva o comrcio interno. A China, hoje a terceira economia do mundo, o melhor exemplo para que os dirigentes do MST compreendam melhor o processo poltico. Ele tem vrias faces e ngulos. Radicalizar no conduz a nada.

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