Na tempestade Ciro Gomes, uma cilada do PT para Lula

Pedro do Coutto

Atravs do ministro Jos Mucio Monteiro, da Coordenao Poltica, o presidente Lula desautorizou frontalmente a posio assumida pela bancada do PT no Senado que, na sexta-feira, defendeu a sada de Jos Sarney da presidncia da Casa. A comunicao, inclusive, foi veiculada pessoalmente pelo lder do partido, Alosio Mercadante. O presidente da Repblica ter conseguido dobrar a legenda e lev-la da rejeio a Sarney? pouco provvel. Na realidade, ao desautorizar Mercadante, Lula fez exatamente o que a agremiao desejava, principalmente a regional paulista. A seo est aproveitando o episdio Sarney para fomentar uma crise e, com ela, inviabilizar a candidatura Ciro Gomes ao governo de So Paulo num esquema de apoio campanha da ministra Dilma Roussef ao Planalto. Aconteceu assim um lance inesperado: O PT como est no ttulo deste artigo aproveitou a tempestade chamada Ciro Gomes para armar uma cilada para Lula. O presidente da Repblica caiu na armadilha. Foi ultrapassado pelos fatos que, em poltica, nunca se desencadeiam por acaso.

O PT, com Mercadante frente, pensou, repensou, articulou e desfechou o lance no plenamente identificado por Braslia. A reao contundente de Luis Incio bancada do PT tornou praticamente impossvel que a regional partidria possa se mobilizar ao lado de Ciro. Era isso que o partido desejava que ocorresse. Tanto assim que a nota de Jos Mucio Monteiro foi prontamente rebatida, no s por Mercadante, mas tambm at por Eduardo Suplicy. Este inclusive, senador eleito e reeleito por So Paulo, o candidato potencial a governador mais ultrapassado pela frmula Ciro Gomes. No poderia, claro ter ficado satisfeito com a iniciativa.

Estava na linha de frente das perspectivas partidrias. Quais os outros nomes? Alosio Mercadante perdeu para Jos Serra em 2006. Marta Suplicy vem de duas derrotas para a Prefeitura da capital. Perdeu para Serra em 2004, perdeu para Gilberto Kassab em 2008. Suplicy seria uma alternativa, sobretudo ao fortalecimento de Dilma no Estado que o maior colgio eleitoral do pas. Mas no foi levado em considerao. As articulaes em favor da chefe da Casa Civil matria de Eliane Catanhede e Valdo Cruz, Folha de So Paulo de 28/07- esto entregues no territrio paulista aos ex ministros Antonio Palocci e Jos Dirceu. Tais articulaes, como ambos j revelaram, passam pela escolha de Ciro ao executivo paulista. O deputado pelo Cear do PSB.

Assim, sua candidatura com o apoio do PT, pela legislao eleitoral exige uma aliana poltica. Exatamente por isso, dificultar e at inviabilizar totalmente tal composio a meta de |Mercadante e do prprio PT. Lula arriscou uma jogada difcil. No ests dando certo. O presidente ficou mal na fotografia, sobretudo a partir de agora: no percebeu a areia movedia que lhe foi colocada frente no maior centro econmico brasileiro.

A ministra Dilma Roussef parece tambm no ter tr4aduzido a manobra. Sobretudo porque nenhum candidato pode ter xito se o seu esquema de sustentao for imposto AA fora. Assim, o conflito aberto com a entrada de Ciro Gomes no teatro paulista, agravado com um apoio nesta altura dos acontecimentos bem pouco possvel dos acontecimentos bem pouco possvel a Jos Sarney, no poder ser positivo para lhe fornecer umas base slida de votos. Pelo contrrio. A entrada de Ciro em cena, ficou claro, promove no a unio do governo, mas na verdade a desunio das foras partidrias. A candidatura Ciro est se evaporando. Passa por So Paulo apenas como uma nuvem que o vento leva. O governo perdeu pontos. Preciosos.

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