Não há lugar para Ciro em São Paulo

Pedro do Coutto

A pesquisa do Datafolha publicada na edição de 29 de março e comentada por Fernando Canzian na Folha de São Paulo, revela que não existe lugar possível para uma eventual candidatura de Ciro Gomes ao governo paulista. Foram realizadas duas alternativas: Geraldo Alckmin, do PSDB, contra Aloísio Mercadante, do PT deu 53 a 13. A outra confrontando Alckmin com Eduardo Suplicy. O PT melhora um pouco. Em vez dos 13 de Mercadante, 19 para Suplicy.

Nos dois levantamentos, Celso Russomano, do PP, surge com dez pontos. O presidente da Fiesp, entidade de classe economicamente mais forte do país, depois, é claro dos bancos, registrou somente 2 por cento das intenções de voto. Vai desistir rápido, evidente. O percentual obtido é ridículo.

O PT revelou estar fraco em São Paulo. Se assim é, imaginem os leitores, como estaria Ciro Gomes. Provavelmente junto com Skaf. Não acrescenta nem retira votos de ninguém. Alckmin parece consolidado com o sucesso de Alberto Goldman que, no dia 2, substitui José Serra que deixa o governo para se desincompatibilizar. Eduardo Suplicy, em dúvida, apesar da separação de Marta, ainda é o nome mais forte ao governo paulista pelo Partido dos Trabalhadores. Os demais candidatos, como Skaf, vão retirar-se do plano. Afinal de contas não fica bem a um presidente da Fiesp ter somente 2 por cento da votação. Parece até que nem os próprios funcionários da Federação das Indústrias se dispõem a votar nele.

A base paulista é importante para Dilma Rousef. A mim parece que deverá terminando escolhendo Suplicy para que a margem de derrota não seja gigantesca em São Paulo, que concentra 21 por cento de todos os eleitores do país. Foi pena que o Datafolha não incluísse o nome de Ciro Gomes entre as hipóteses. Tenho a impressão- apenas a impressão, – que Ciro Gomes tenha dado zero por cento e, por isso, tenha sido retirado da lista. De qualquer forma, ele nada acrescenta a Dilma Roussef.

Em São Paulo, a preocupação de Lula e Dilma é diminuir ao mínimo a diferença de votos, já que as coisas não estão muito boas em Minas Gerais, e tampouco no Rio de Janeiro, neste caso em função da confusão criada pelo governador Sérgio Cabral, em vetar que Dilma Roussef suba no palanque de Anthony Garotinho. Afinal de contas, a inabilidade foi interpretada como um ultimato. E nenhum presidente da República, no caso Lula, pode reagir bem a ultimatos.

O governador precipitou e terminou ampliando o campo de Garotinho. Somados os votos de Gabeira e Garotinho, Gabeira contando com uma pequena parcela proporcionada por Marina Silva, o segundo turno ficou assegurado. Ou entre Cabral e Garotinho ou entre Cabral e Gabeira. Gabeira oferece mais perigo. Em primeiro lugar porque é um debatedor intelectualmente muito acima de Sérgio Cabral; em segundo, se puder contar com o apoio do ex-governador, forte nas áreas pobres do Rio e no interior do estado. Talvez com sua colocação infeliz tenha jogado fora sua reeleição, que a primeira vista pareceria tranqüila, mas se complicou com os royalties do petróleo.

Cabral revelou conhecer muito pouco do assunto e meteu os pés pelas mãos. O debate, no caso do petróleo, ultrapassou seu nível de competência, inclusive não leu nem a legislação complementar nem a própria Constituição do Estado, artigo 20. O artigo 20 define taxativamente a distribuição dos royalties. Alguém, por favor, forneça uma Carta de 89 do Rio de Janeiro para que ele, pelo menos, leia esse ponto da questão.

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