Num governo que desconhece racismo no Brasil, Sérgio Camargo, da Funarte, se sente em casa

Presidente da Fundação Palmares nega existência do racismo estrutural | Poder360

Sérgio Camargo desmoraliza a luta dos negros brasileiros

Eliane Cantanhêde
Estadão

O presidente Jair Bolsonaro e o vice Hamilton Mourão têm posições divergentes numa série de questões, inclusive na política externa e na importância das vacinas contra a covid-19, mas em algo eles estão perfeitamente em sintonia: ambos dizem abertamente que não há racismo no Brasil. Nesse caso, o negacionismo não é exclusividade do presidente.

Ao se dizer “daltônico”, Bolsonaro admite que não consegue ver a realidade, os fatos e estatísticas, mostrando, por exemplo, que 75% das mortes violentas no país que governa são de pretos e pardos.

MOURÃO, DE NOVO – Para disfarçar, Bolsonaro mostra pilhas de fotos com o deputado Hélio Negrão. E o vice Mourão, que já chocou ao falar em “malandragem dos africanos”, voltou à carga. Quando? No dia da Consciência Negra, quando João Alberto foi assassinado brutalmente, como George Floyd nos EUA, por… ser negro.

“Digo com toda a tranquilidade: não existe racismo no Brasil”, declarou Mourão, que chama negros de “pessoas de cor” e, depois de morar nos Estados Unidos, garante que “racismo tem é lá”, aqui “a sociedade é misturada”. Como não é ignorante, muito pelo contrário, deveria olhar os dados oficiais sobre desigualdade, escolas, prisões, violência policial, mercado de trabalho. O racismo é real, massacrante.

DAMARES E CAMARGO – A ministra dos Direitos Humanos, Damares Alves, criticou duramente a morte de João Alberto, o Beto, mas sem usar a palavra “racismo” e sem sequer dizer que ele era negro – aliás, como omitiu a própria ocorrência policial. E o presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, um negro doentio que nega o racismo, diz que a escravidão foi boa e acusa os movimentos negros de “escória maldita”, fez ainda pior.

Em vez de repúdio ao massacre do Beto por dois seguranças brancos – o que não mereceu um gesto ou manifestação dele –, Camargo pregou o fim do Dia da Consciência Negra, porque “não existe racismo estrutural no País”.

AFIRMAÇÃO IMORAL – Partindo de brancos, isso já é inadmissível; de um negro, é imoral. E um negro que preside o órgão responsável pelo rico acervo da história dos afrodescendentes no Brasil.

Por mais absurdo que Camargo seja, porém, ele faz todo sentido num governo que nomeia um cidadão que jamais pisara na Amazônia para o Meio Ambiente, um embaixador júnior de textos e discursos sem nexo para o Itamaraty, uma mulher que é contra os avanços civilizatórios para o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos.

E na Educação? Um estrangeiro que se atrapalhava com o português, um desqualificado que ameaçava prender os ministros do Supremo, um fraudador de currículos e agora um pastor para quem os gays são fruto de “famílias desajustadas”. Sem falar, claro, de um general intendente para o Ministério da Saúde em plena pandemia e de um secretário de Cultura que usava eventos oficiais para divulgar textos e símbolos nazistas. Camargo, portanto, está em casa.

NEGACIONISMO – Uma única palavra resume tudo isso: negacionismo. Porém, ministros e secretários não passam de meros papagaios e executores de políticas que aterrorizam o mundo e o novo presidente dos EUA, Joe Biden, mas vêm “de cima”.

Embriagado pela ideologia e por uma desconcertante ignorância sobre tudo, o presidente nega racismo, pandemia, queimadas, ciência, estatística e, principalmente, bom senso e bons modos.

Não, Bolsonaro não é culpado pelo assassinato do Beto, mas ele precisa admitir que o racismo existe, é imoral e criminoso e que o Dia da Consciência Negra é um grito de alerta, de socorro e de Justiça. Mulher branca, eu jamais seria trucidada por dois brutamontes covardes num supermercado. Beto foi por ser um homem negro e pobre, como tantos filhos, pais, irmãos e maridos trucidados neste País todos os dias, toda hora. É racismo, sim! Vidas negras importam!      

19 thoughts on “Num governo que desconhece racismo no Brasil, Sérgio Camargo, da Funarte, se sente em casa

  1. Acho que essa mulher quer sair com o Bozo de qualquer jeito …

    Vou citar um exemplo de parcialidade da mídia deste país: em fevereiro de 2019, um jovem estudante de nome Pedro Henrique de Oliveira Gonzaga foi estrangulado e morto pelo segurança Davi Ricardo Moreira Amâncio, dentro do Supermercado Extra, na Barra da Tijuca. Um ano e nove meses depois, Amâncio ainda não foi julgado.

    Repercussão: a mínima possível. Por quê ? Porque Pedro era afrodescendente e Amâncio também é afrodescendente, o quem vem ao encontro de minha teoria, segundo a qual negro tudo pode e favelado pode tudo.

    Não uma honesta alma de profissão repórter ou jornalista que não vê que o tal João era muito mais forte que os seguranças. Se ele conseguisse sair da gravata, teria acabado com os seguranças. Aliás, ELE começou a agressão. Aí, com o apoio da mídia, do blog e de muitos “convertidos” do mesmo, essa senhora diz “João Alberto foi assassinado brutalmente, como George Floyd nos EUA, por… ser negro”. Não foi por ser negro, foi por ser forte.

    Pedro Henrique deu azar porque seu algoz era negro também. Calam-se todos, a turma enfurecida lê mais uma vez que o sujeito morreu porque era negro e, se é para ter guerra civil por isso para que a mídia tenha matéria para muito tempo, vamos logo pra ela. Negros x Brancos, LGBTQI++ x Heteros, Favelados x “Burgueses”, vamos logo !

        • Meu Filho,
          Estou dizendo que antes do João socar o Segurança, deve ter acontecido alguma coisa para levar ao fatal
          Segundo que eu li, ele teria mexido com uma caixa do Mercadinho Francês…..
          Quanto ao Pedro Henrique é a famosa Midia Corrupta e Nefasta que faz essa divisão entre brancos negros amarelos verdes azuis…..
          Não era interessante esse caso.,por ser dois negros.

  2. Só não entendo por que a mídia repercute o que esse sujeito vomita.
    Tem que ser ignorado, assim com Lula, Aécio e tantos outros. Sobre qualquer coisa que opinem, Ah, o hipócrita farsante do Dória também. A lista é enorme. Mas os comprometimentos, também.
    putz!

  3. Não seriam os negros e pardos a estourada maioria no Brasil? Daí a que “75% das mortes violentas ” são praticadas contra estes. É apenas uma questão matemática.

  4. Para abusar do argumento da maioria, os movimentos racistas jogaram os pardos no mesmo balaio dos negros. Ganharam e ganham muito dinheiro e privilégios raciais (cota disso e daquilo). Agora, passaram a criar comissões para atestar a veracidade da pureza racial nas universidades, onde pardos de cabelo liso e nariz afilado são solenemente descartados. A depender dessa gentalha, num futuro próximo veremos os não negros sendo marcados com triângulos amarelos; no médio, virão as câmaras.

    No livro ‘Não somos racistas’, Ali Kamel desmonta, tintim por tintim, todas as falácias dos movimentos racistas que infectam o Brasil.

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