O “historiador” Lula e a versão sobre o golpe ou revolução que não existiu

Fitzcarraldo Silva:
“Helio, o grande “historiador” Luiz Inácio Lula da Silva  disse no Sindicato dos Metalúrgicos que em 1932, em São Paulo, houve golpe e não revolução. Você concorda?”

Comentário de Helio Fernandes:
Não houve golpe nem revolução, o importante não é a minha opinião e sim o conhecimento dos fatos. Foi um simples e fracassado movimento, cujo ponto relevante, a “Batalha de Itararé”, não se realizou, tudo acabou ali mesmo. O grande e famoso humorista Aparício Torelli, para satirizar esse movimento, passou a assinar e se identificar como Barão de Itararé, os paulistas se sentiam humilhados.

1930 foi um ano terrível para São Paulo. Perdeu o Poder político com a derrubada do presidente Washington Luiz, que não acabou o mandato, deixou de cumprir os últimos 62 dias do Poder. Com isso Julio Prestes, outro paulista, não chegou ao Poder para o qual havia sido “eleito” em 1º de abril.

Isso foi destruidor do ponto de vista político. Mas nesse mesmo 1930, a tragédia da “quebra de Wall Street”, atingiu profundamente o estado. O Brasil chegou a vender 96 por cento de todo o café bebido no mundo. Desses 96 por cento, plantados, colhidos e exportados, 92 por cento vinham de São Paulo, 2 por cento do Estado do Rio e 2 por cento do Espírito Santo.

Como o mundo foi atingido fortemente, houve queda total das compras, São Paulo sentia a desgraça econômico-financeira, se juntando à crise política. Em poucos meses o Brasil passou a exportar apenas 31 por cento do seu café, o que atingia fundamentalmente a aristocracia rural do estado, que dominava tudo.

Essa aristocracia dominadora era representada pelo jornal “Estado de S. Paulo”, que abertamente pregava a reação, tratada como MOVIMENTO e não, logicamente, de GOLPE ou REVOLUÇÃO. Mais tarde, bem mais tarde, é que surgiu a denominação de MOVIMENTO CONSTITUCIONALISTA 9 DE JULHO. Os próprios paulistas, depois colocariam a palavra REVOLUÇÃO, 9 de julho era a data.

Como tudo isso aconteceu exatamente no final de 1930, sendo que a crise do café NÃO VENDIDO E EXPORTADO, começou a se agravar em 1931, o jornalão foi subindo o tom, e muitos até falavam em “separatismo”, com a alegação: “São Paulo é um país, tudo é produzido aqui”.

Só que alguns mais sensatos, se voltavam duramente contra esse “separatismo”, com argumentos que não podiam ser desmentidos: “São Paulo é o grande produtor, mas não é o único consumidor. Vendemos para todos os outros 20 estados e o Distrito Federal”. Mas apoiavam o movimento de protesto.

O jornalão tinha grande influência, seu proprietário, Julio Mesquita (naquela época não existiam jornalistas e sim “donos de jornais”, nenhum deles escrevia uma linha, com exceção de Chateaubriand, que quando comprou o primeiro jornal, escrevia diariamente) pregava incessantemente a insubmissão, ou como chamavam, a REAÇÃO contra o GOVERNO CENTRAL.

1932 começou com grupos de jovens se armando contra as “tropas legalistas”, como eram chamadas as que representavam o Poder que estava nas mãos do Chefe do Governo Provisório, Getulio Vargas, a maior vocação ditatorial que o país passara a conhecer. Mas não houve sangue, apenas alguns conflitos esporádicos, e o fim de tudo.

O rótulo de CONSTITUCIONALITA foi colocado nesse movimento, para “capitalizar” o sentimento de todo o país, que se sentia traído pelo golpe de 1930. Acreditavam que haviam realizado uma REVOLUÇÃO, mas compreenderam logo, logo, que existira apenas uma “revolução”. O povo fora mais uma vez ludibriado. Na História do Brasil, o 3 de outubro de 1930 é tão golpista quanto o 9 de julho de 1932.

Não demorou, foi feito o “armistício”, era necessário, obrigatório e indispensável escolher um interventor para São Paulo. Aí, Vargas mostrou seu maquiavelismo, vá lá, a falta total de caráter, escrúpulos, convicções, usando o Poder para corromper e não para governar.

Inesperadamente e provocando perplexidade geral, Vargas convida para interventor o político paulista Armando Salles de Oliveira. Ser paulista não era absurdo, não era possível levar para São Paulo alguém de outro estado. Seria humilhação, provocação e represália, que não era o espírito do golpista Getulio Vargas. (Que já errara em 1931, nomeando interventor o “Tenente” João Alberto).

Só que o estarrecimento tinha uma causa e nenhuma explicação: Armando Salles era cunhado do doutor Julio Mesquita, proprietário do “Estado de S. Paulo”, principal instigador e incentivador do 9 de Julho.

Sem levar em conta qualquer espécie de convicção, Armando Salles tomou posse. Ficou interventor até 8 de abril de 1935, quando foi “eleito” indiretamente “governador”.

Mostrando o “compradesco” geral, Armando Salles era feito interventor, o cunhado dono do jornal, era exilado em Portugal. Ficou 1 ano, voltou, continuou a negociar com o “governo” Vargas.

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PS – Em abril de 1936, o interventor-“governador” foi a Vargas comunicar que seria candidato a presidente na eleição marcada para 3 de outubro de 1938. Vargas respondeu, “não é a hora de falar nisso, por causa da situação internacional”.

PS2 – Armando Salles voltou para o “governo”, e em abril de 1937, se lançou candidato a presidente. Vargas “fingia ter como candidato José Américo, mas nem pensava em eleição”. Convocou Negrão de Lima para a implantação do “Estado Novo” de 10 de novembro de 1937.

PS3 – A partir daí, tudo é história, como o 9 de Julho também é. Só que não teve nada de Constitucionalista nem de REVOLUCIONÁRIO. É apenas mais um GOLPE na História golpista do país, História e golpes, que começam na madrugada de 15 de novembro de 1889. Que chamaram gozadoramente de REPÚBLICA, que é isso que está aí.

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LEIAM AMANHÃ:

O Supremo errou totalmente ao votar a anistia.
Absolveu torturadores, que são monstros, condenou
o Exército, maioria esmagadora contra a ditadura.
O DOI-CODI firmou jurisprudência?

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