O quadro eleitoral do Rio

Pedro do Coutto

Com as candidaturas de Sergio Cabral, Fernando Gabeira e Anthony Garotinho, está basicamente definido o quadro eleitoral do Rio de Janeiro para as eleições do 2010. Cabral, favorito, lidera com ampla margem de intenções de votos. Pela última pesquisa, 38 pontos contra 25 de Garotinho e 17 de Fernando Gabeira. Mas estes números não são definitivos como os que envolvem José Serra e Dilma Roussef em São Paulo. Há a questão do Senado que se apresenta como um enigma. Ainda por cima, agora, com a entrada de Cesar Maia no páreo.

Os candidatos ao Senado são fracos e não sustentam os que disputam o governo. Jorge Picciani no PMDB de Sergio Cabral. Lindenberg Farias e Benedita da Silva dividem o PT e nenhum dos dois acrescenta força à chapa a governador. Muito menos a vereadora Aspásia Camargo, cuja presença não acrescenta entusiasmo ao PV. Alfredo Sirkis melhor do que ela. Além do mais, sua escolha desgostou Gabeira. Fernando Gabeira prefere Cesar Maia, mas será tão fácil assim esquecer o que representou a Cidade da Música entre outras omissões e contradições?

Pelo que se percebe verifica-se uma indefinição quanto à escolha dos dois senadores. Uma vaga parece certa: a do senador Marcelo Crivella. Ele vem obtendo 20% dos votos, o que será suficiente para reconduzi-lo para mais oito anos no Senado. Mas 20% são 20% e os candidatos são muitos. Picciani depende de Cabral e da capacidade que este tiver de transferir votos. Cesar Maia aparece com surpreendentes 10% para a desadiministração que fez. Porém parece mais forte, mais incisivo do que Picciani. Assim, acrescenta votos a Gabeira que podem se tornar decisivos. Não apenas para o Senado, mas para o governo.

Somando dez por cento a Fernando Gabeira, Cesar pode conduzir o desfecho para o segundo turno, ou entre Cabral e Gabeira, ou entre o atual governador e seu antecessor no Palácio Guanabara. A chapa de deputados federais pouco importa em matéria de votos ao governador. Já os candidatos a estadual surgem com mais peso, em função de sua proximidade com as comunidades.

Se Cesar acrescentar dez pontos a Gabeira, este, com o apoio da cidade do Rio decidirá o segundo turno contra Cabral. Caso contrário, Sergio Cabral e Garotinho deixam uma dúvida no ar, partindo do rumo que for adotado por Gabeira e Cesar. O mais viável, entretanto, é que o segundo turno coloque frente a frente Gabeira e Cabral em função do nível mais alto em que se encontra o deputado verde. Mas terá que dividir dois palanques: o de Marina da Silva e José Serra. Neste ponto, a candidatura Marina Silva poderá semear algo para Gabeira, e Ciro prejudicar o PT em São Paulo, encontrando dificuldade em enfrentar Geraldo Alckmin. Afinal Ciro é um adventista na terra paulista. Não terá muito que dizer ao eleitorado. Os candidatos ao Senado precisam esquentar a campanha, ainda fria. No Rio, por exemplo, a vereadora Teresa Bergher esquentaria muito mais a chapa de Gabeira do que Aspásia Camargo, de baixa combatividade. Campanha tem de possuir vibração. Se a razão não resolve, é preciso disposição esportiva para enfrentar o eleitorado e as urnas. Só com raciocínio serenos não se chega  lá. No meio de tudo isso, a dúvida, é saber quem vai a final com Sergio: se Gabeira ou Garotinho. Um turno só não dá para resolver o enigma que aguarda o caminho das urnas e dos votos.

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