Operação Abafa não dá voto a Jair Bolsonaro que está num redemoinho

Charge do Cláudio Hebdo (folha.uol.com.br)

Pedro do Coutto

O Palácio do Planalto, como era esperado, adotou a estratégia de não responder às acusações que passaram a pesar contra Bolsonaro produzidas terrivelmente pelos pastores que operavam à sombra do também pastor e ex-ministro Milton Ribeiro, que passou inclusive a enfrentar um processo contrário ao seu comportamento pela corrente presbiteriana do protestantismo.

A Operação Abafa – focalizada numa excelente reportagem de Geralda Doca e Thiago Bronzatto, O Globo – tem como objetivo lógico o de jogar com o tempo, esperando que este reduza a pressão de todos os lados sobre o governo. Não vai adiantar, penso, pois o problema não é no fundo da questão uma iniciativa penal, mas sim de efeito eleitoral nas urnas de outubro.

REDEMOINHO – Bolsonaro perdeu terreno e se encontra num redemoinho, como definiu a jornalista Miriam Leitão em artigo publicado também no O Globo de ontem. Do redemoinho, em matéria de votos nas urnas, Jair Bolsonaro não se livrará, sobretudo porque na semana que se inicia a repercussão do episódio envolvendo os pastores do MEC, ampliada com as preces feitas a Deus por Milton Ribeiro e o pastor Arilton Moura acrescentam o grotestco e o ridículo que expõem Ribeiro e Moura à uma contradição religiosa essencial.

Na mente dos verdadeiramente cristãos que são os humanistas, os pastores que saíram da planície para o Planalto, lembram os vendilhões do templo expulsos por Jesus Cristo, a maior figura da humanidade, sobretudo porque foi o homem que dividiu o tempo entre antes e depois Dele.

Esse corte na história da humanidade é inultrapassável. Porém, não adianta alguém se apresentar como cristão e agir como quem deseja se aproveitar da mensagem do Nazareno para obter vantagens ilegítimas exatamente opostas ao pensamento que norteou a vida e a morte do filho de Deus, como acreditam tanto os católicos quanto os protestantes.

DIVISÕES – Os protestantes que de um tempo para cá passaram a se considerar evangélicos, como se os outros cristãos não os fossem, dividem-se em várias correntes: luteranos, presbiterianos, os batistas, os integrantes da Assembleia de Deus, entre outras faixas de pensamento.

No fundo, os que se afirmam evangélicos têm a sua origem no tempo balizada a partir do momento em que pouco antes de 1500, Martinho Lutero rebelou-se contra a Igreja Romana em virtude da venda de indulgências, por influências que nada tinham de religiosas, pela predominância de interesses ilegítimos manipulados por bispos e padres e até por papas.

A expressão redemoinho usada por Míriam Leitão está perfeita. Bolsonaro está nesse redemoinho. Como  é natural, está tentando se livrar, mas não conseguirá. O seu problema não é chegar à margem, mas conquistar o voto e também a tentativa que busca para preparar uma ruptura democrática.

ELETROBRAS –  Em seu artigo, publicado simultaneamente nas edições de ontem de O Globo e da Folha de S. Paulo, Elio Gaspari  afirma que a Eletrobras no ano de 2017 contratou um escritório de advocacia americano, Hogan Lovells, para investigar roubalheiras calculadas em cerca de R$ 300 milhões.

O Tribunal de Contas da União, agora, no dia 15 de junho de 2022, após uma distância de cinco anos, começou a examinar o assunto. O trabalho do TCU vem com atraso, mas a meu ver dá margem para que se estenda ao processo nominal de privatização do comando da holding a partir de uma avaliação incrivelmente pequena de R$ 67 bilhões.

Peço a atenção de Elio Gaspari para o fantástico lance de dados do século XXI, pois como pode valer só R$ 67 bilhões uma empresa que possui em funcionamento 49 usinas hidrelétricas, 40 usinas eólicas, além de uma usina solar? Impossível.  Além das usinas, Furnas é responsável pela transmissão da energia de Itaipu para o sistema brasileiro através de suas linhas no Paraná.

8 thoughts on “Operação Abafa não dá voto a Jair Bolsonaro que está num redemoinho

  1. Aqui um redemoinho e por enquanto de lá, um tsunami, conforme:
    O planeado Tsunami Financeiro Global acaba de começar
    F. William Engdahl [*]
    Comida gratuita para empregados federais.
    Desde a criação do US Federal Reserve há mais de um século, todo grande colapso financeiro do mercado foi deliberadamente disparado por motivos políticos pelo banco central. A situação hoje não é diferente, pois o US Fed está a atuar claramente com a sua arma da taxa de juro para levar ao crash aquela que é a maior bolha financeira especulativa da história humana, uma bolha criada. Eventos de crash globais sempre começaram na periferia, tais como com o Austrian Creditanstalt em 1931 ou a falência do Lehman Bros. em Setembro de 2008. A decisão de 15 de Junho do Fed de impor a maior alta de taxa singular em quase 30 anos quando os mercados financeiros já estão num colapso, agora garante uma depressão global e até pior.

    A extensão da bolha do “crédito barato” que o Fed, o BCE e o Banco do Japão engendraram com a compra de títulos e a manutenção sem precedentes de taxas de juro próximas de zero ou mesmo negativas durante 14 anos está para além da imaginação. Os media financeiros cobriram isto com insensatas reportagens diárias, enquanto a economia mundial está a ser preparada, não para a chamada “estagflação” ou recessão. O que está para acontecer agora, nos próximos meses, a menos que haja uma reversão política dramática, é a pior depressão económica da história até à data. Obrigado, globalização e Davos. Continua, em: https://www.resistir.info/financas/tsunami_21jun22.html

  2. As vendas do patrimônio brasileiro a preço vil é um crime real. Com autores e provas em profusão.
    Aí sim, acredito que só o exército poderia dar um jeito já que a quadrilha está muito bem disfarçada.

  3. Esse escândalo dos Pastores do MEC, realmente relembram os vendilhões do templo.
    Usam o nome de Deus em vão, para negócios ilícitos, enriquecimento as custas dos recursos desviafos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Educacional.
    As religiões deveriam manter distância da Politica. Essa contaminação não é boa para as Igrejas.
    Alguns pastores entraram com tudo na polarização, no enfrentamento político eleitoral se afastando em consequência do Ministério de suas Igrejas.
    O resultado está aí, para todos perceberem a relação de causa e efeito, envolvendo alta corrupção no MEC, que está na fase de Inquérito Policial, portanto, não temos condenação com trânsito em julgado e os envolvidos terão oportunidades para provar sua inocência, que cabe a cada um no processo penal.
    Tudo isso, poderia ser evitado, mas, a sede de Poder é um afrodisíaco incontrolável, a qual, o homem não consegue recusar.
    O Humanismo não é aceito, em algumas denominações evangélicas, estando no mesmo patamar de críticas contra o Marxismo, Socialismo e Ateísmo. Filosofia e Sociologia são consideradas disciplinas de Esquerda. Que fazer?

    • Temos ainda, no segmento conservador arcaico e medieval, a ideia de que os pobres, não deveriam frequentar Universidades, apenas aprenderem Português e Matemática para exercerem as atividades cotidianas nas fábricas e no comércio. O ex ministro Milton Ribeiro deu declarações nesse sentido, sobre o desperdício do pobre ter direito ao curso superior e o ministro Guedes disse que era um absurdo, um filho de porteiro conseguir financiamento público para estudar em Universidade Privada.
      É ou não é, um arraigado espírito escravocrata?
      Se essas figuras pudessem, eliminaram a carteira assinada, o desconto do INSS, décimo terceiro, férias proporcionais, FGTS e a multa de 40% por demissão sem justa causa.
      Quanto retrocesso, em tão pouco tempo, nesse país.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.