Os mesmos de sempre

Carlos Chagas

Apesar de abominável, a moda continua a mesma: quem vai pagar a farra das elites  políticas e econômicas que levaram a Grécia à bancarrota? Os mesmos de sempre, quer dizer, o povo, que terá  salários e vencimentos reduzidos, sem falar nas pensões e aposentadorias, ao tempo em que os impostos serão aumentados e o desemprego se ampliará. Serão, também, privatizadas as empresas públicas e os serviços estatais que sobraram da última lambança. 

A causa da crise está tanto em maus governos quanto na especulação desenfreada de banqueiros e sucedâneos. O remédio vem dos países economicamente poderosos, prontos para “salvar” a economia grega através do sacrifício de seu povo. O cidadão comum  que pague, como de resto vem pagando no mundo inteiro onde surjam situações parecidas. O Brasil já foi a bola da vez e Fernando Henrique Cardoso engoliu caladinho a mesma fórmula  neoliberal que agora aplicam na Grécia.

Por que o trabalhador deve receber a conta, se em nada contribuiu para criá-la?  De que maneira se poderá debitar ao assalariado a responsabilidade pelo fracasso da política econômica apoiada numa falsa livre competição entre quantidades distintas? 

Na Grécia, as massas estão a um milímetro da explosão. Sobre elas, não se poderá alegar manipulação do solerte credo vermelho,  há muito escoado pelo ralo.  É bom tomar cuidado. 
 
Mala cheia ou vazia?

Está previsto para hoje à noite encontro de Dilma Rousseff com Michel Temer. Se não tiver havido adiamento, será a oportunidade para a   candidata convidar formalmente o presidente nacional do PMDB para  seu companheiro de chapa.  Ainda que meio rachado,  o maior partido nacional  oferece ao governo estruturas que o PT não tem, além de tempo no horário de propaganda gratuita na televisão.  Votos, propriamente,  Michel não  levará muitos.

Algumas preliminares  serão discutidas pelos dois, ainda que o poder decisório não se encontre na mesa onde deverão jantar. Quem decidirá que o PT de Minas precisa ser  enquadrado para  apoiar Hélio Costa para governador é o presidente Lula. A mesma coisa nos estados onde ainda não foi celebrado acordo entre as duas legendas. 
 
Deixem Deus de fora

Não se conteve o candidato José Serra em sua  fúria antitabajista. Mesmo negando que se for eleito proibirá o uso do cigarro  em todo o território nacional, o candidato rotulou os fumantes de “pessoas sem Deus”.  Misturou as bolas e deixou perplexos os padres que fumam e os ateus que não fumam. Como pediu a quantos acreditam em Deus que rezem por ele, fica a dúvida:  e os que não  acreditam, devem votar em Dilma?
Nunca é demais repetir que se essa campanha contra o cigarro fosse mesmo para valer, já que fumar faz mal e não raro mata, a grande solução para  defender a saúde dos brasileiros seria fechar as fábricas de cigarro. Mas alguém tem coragem?
 
A farsa de todas as horas

 
Houvesse um mínimo de coerência e de lógica no Congresso e os líderes dos partidos já deveriam, faz muito, ter  revogado todos os dispositivos legais que restringem campanhas eleitorais e fixam prazos fajutos para o cidadão reconhecer que é candidato ou que  vai votar neste ou naquele indicado às eleições. A única restrição deveria ater-se ao uso de dinheiros públicos nas campanhas, bem como à limitação de gastos privados. Agora, se um candidato quer começar a disputar votos no dia seguinte à sua eleição, ou logo depois de ter sido derrotado, o problema é dele e do eleitor. Se estiver perturbando a vida dos outros, receberá a resposta pela rejeição nas urnas. Simples, não parece?     
 

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