Pais e filhos dos mortos na Covid exibiram a maior tragédia do governo Bolsonaro

Obsessão negacionista de Bolsonaro continua a ser inexplicável 

Pedro do Coutto

Os depoimentos selecionados pela CPI do Senado de vítimas das ações e omissões do governo federal efetivamente dimensionam com nitidez o que aconteceu e continua acontecendo no país em consequência da Covid-19, da inação do Ministério da Saúde e das ações inexplicáveis do presidente da República, dos ministros Eduardo Pazuello e Marcelo Queiroga, das transações elaboradas nas escalas administrativas do Ministério da Saúde.

O governo recusou a aquisição de vacinas da Pfizer no início da pandemia e instituiu um sistema de intermediação para adquirir imunizantes a preços 50% maiores que os do mercado, além de incluir adiantamentos e empresas intermediárias como foi o caso da Precisa. A TV Globo e a GloboNews na noite de segunda-feira e as edições de ontem do O Globo e da Folha de S.Paulo destacaram os dramas com absoluto realismo e nitidez.

DEBOCHE DE BOLSONARO – Márcio Antônio Silva perdeu um filho. Kátia Castilho dos Santos acusa o presidente da República de imitar os momentos finais de seu pai, morto por falta de oxigênio em Manaus. Geovana da Silva perdeu o pai e a mãe e tem que assumir a guarda de sua irmã de 11 anos. Outros depoimentos destacam pontos de uma tragédia inconcebível. A reportagem de O Globo é de Adriana Mendes. Na Folha de S. Paulo a matéria é de Matheus Vargas e Renato Machado.

As duas matérias são documentos que se incorporam ao lado obscuro da história do Brasil e conduzem o governo ao silêncio da autocondenação diante da falta de condições de oferecer qualquer resposta aos fatos que se acumulam contra ele. Muitas mortes poderiam ter sido evitadas, mas não foram.

Interessados na comercialização de vacinas atuaram com força para o resultado, mas com força atuou também o impulso interior do próprio Jair Bolsonaro que se tomou de uma obsessão inexplicável e trágica, contra a vacinação e contra o uso de máscaras, não se podendo justificar quais as suas razões.

CRÉDITO COM A CASA PRÓPRIA  – Não sei porque o Banco Central não apresentou argumentos contra o projeto de crédito bancário com base no oferecimento da casa própria como garantia. Afinal, a legislação do país impede a possibilidade de uma execução imobiliária ao proprietário de uma só residência. A ideia destacada em reportagem de Vítor da Costa e Júlia Noia, O Globo de terça-feira, destacou o lançamento deste tipo de crédito, apoiado direta ou indiretamente por um banco.

A modalidade foi comentada pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário. Este ano, de janeiro a agosto, a abertura de créditos tendo o imóvel como garantia cresceu 46% comparado ao mesmo período de 2020: R$ 12,3 bilhões já foram negociados. Os juros, informa a matéria, foram fixados em 0,78% ao mês. Mas, tal valor, será aquele que ultrapassar a inflação de 10% em 12 meses, como está acontecendo no país, inclusive de acordo com o IBGE.

Assim, os juros de 0,78% mensais têm que ser acrescidos aos 10% encontrados pelo IBGE para a inflação. Caso contrário, os juros cobrados seriam negativos. Em alguns casos, são cobrados juros de 0,6% por trinta dias. Digo isso porque muitas pessoas poderão supor que encontrarão uma facilidade muito grande para obter crédito, já que no mercado bancário os juros mensais são de 2,8%. Esclarecida a questão essencial, presume-se que tal modalidade de crédito possa marcar a véspera de uma bolha imobiliária como aquela que aconteceu nos Estados Unidos em 2004. Hipotecas duplas eram permitidas e a segunda não pôde ser saldada em grande número de casos pelos que assumiram empréstimos.

LUCRO DOS BANCOS – Larissa Garcia, reportagem na Folha de S. Paulo,  com base em relatório do Banco Central divulgado na tarde de segunda-feira, assinala que no primeiro semestre deste ano o lucro dos bancos atingiu R$ 62 bilhões, o que representa um aumento de 53% em relação ao espaço de janeiro a junho de 2020. Mesmo se descontarmos a inflação oficial do IBGE, verificamos um lucro concreto de 43%.

O sistema financeiro continua avançando no país enquanto o endividamento das famílias também. Neste caso, ampliou-se ao longo dos últimos 12 meses, de 50,3%% para 59,9%. Como não existe crédito sem débito, se alguém lucrou mais é porque alguém perdeu uma parcela de sua renda. Importante acentuar que o índice de endividamento está atingindo mais de 80% da mão-de-obra ativa do país, pois há uma diferença entre a mão-de-obra e o número de habitantes:a mão-de-obra excetuando o desemprego normalmente é formada pela metade da população.

Assim, para 214 milhões de habitantes, caso brasileiro, o mercado de emprego privado e público deveria reunir 107 milhões de homens e mulheres, mas reúne menos porque o desemprego é muito alto. São 14 milhões de pessoas.

COPA DO MUNDO – Na edição de ontem da Folha de S. Paulo, Carlos Petrocilo revela que a Globo transmitirá com exclusividade a Copa do Mundo de 2022 na televisão aberta, mas perdeu a exclusividade para a transmissão através de direitos digitais pela internet. A Copa do Mundo de Futebol começa no dia 21 de novembro do próximo ano e termina dia 18 de dezembro.

As transmissões digitais poderão ser realizadas pelas plataformas do Youtube, do Facebook e do TikTok que já foram procurados pela FIFA e estudam a viabilidade das transações. Na Copa do Mundo de 2022, além da TV Globo, o grupo terá acesso às transmissões pelos seus canais do SporTV. Carlos Petrocilo afirma que a Globo deverá pagar em parcelas US$ 90 milhões pelos direitos de transmissão. Relativamente aos canais digitais, a FIFA contratou a agência LiveMode, sediada no Rio, para articulação prevista.

A LiveMode foi criada em 2017 pelos empresários Edgard Diniz e Sérgio Lopes e já faz a gestão dos direitos de transmissão da Copa do Nordeste e do Campeonato Paulista. No caso do Campeonato Paulista, a Record transmitirá os jogos. No caso dos direitos pela transmissão da Copa no próximo ano pela TV aberta, a Globo obteve na justiça o direito de parcelar o pagamento total de US$ 90 milhões, mas segundo Petrocilo o caminho judicial poderá ser substituído por um entendimento direto entre a TV Globo e a FIFA.

8 thoughts on “Pais e filhos dos mortos na Covid exibiram a maior tragédia do governo Bolsonaro

  1. A repercussão foi muito grande nos setores da sociedade, com os depoimentos dos familiares das vítimas da Covid.
    Perdemos tempo com discussões inúteis, sobre remédios ineficazes, como Cloroquina, e teses exdruxulas sobre imunidade de rebanho e utilidade do uso de máscaras e pior desacreditando da eficácia das vacinas, insinuando que continham um chip para controlar as pessoas e que tomasse viraria jacaré.
    Isso é inaceitável e quem atuou nessa linha ajudou a matar mais de 600.000 pessoas. Então, esse atuar ilícito, não pode ficar impune, porém, se não der em nada, a consciência dessas pessoas, que disseminam fakenews e ganharam dinheiro, através de esquemas dolosos, se aproveitando da Pandemia, jamais ficarão impunes enquanto viverem. Uma hora, a conta vai chegar, não importa o tempo.
    A CPI fez um bom trabalho, mesmo com a oposição da tropa de choque do governo, que estava lá com o objetivo de tumultuar e atrapalhar a condução das investigações. O povo saberá julgar na hora do voto, os parlamentares, que traíram a representatividade do cidadão. Assim espero, apesar de intuir, que até a próxima eleição, muitos esquecem os assuntos mais relevantes.

  2. Depois de três anos xingando e acusando levianamente o Bolsonaro, o Globo jogou a toalha. Restou ao jornalismo venal subir nos caixões das vítimas da peste chinesa para fazer discurso político contra o Presidente da República. Que nojo!

  3. Os fundamentos da crítica vindo de onde veio perde a credibilidade.
    Será que só existe esses vendedores de peixe podre para servir de lastro para desconstrução do governo?

    ESTE TEXTO FOI ESCRITO POR CÍCERO NO ANO 42 ANTES DE CRISTO
    “Uma nação pode sobreviver aos idiotas e até aos gananciosos.
    Mas não pode sobreviver à traição gerada dentro de si mesma.
    Um inimigo exterior não é tão perigoso, porque é conhecido e carrega suas bandeiras abertamente.
    Mas o traidor se move livremente dentro do governo, seus melífluos sussurros são ouvidos entre todos e ecoam no próprio vestíbulo do Estado.
    E esse traidor não parece ser um traidor; ele fala com familiaridade a suas vítimas, usa sua face e suas roupas e apela aos sentimentos que se alojam no coração de todas as pessoas. Ele arruína as raízes da sociedade; ele trabalha em segredo e oculto na noite para demolir as fundações da nação; ele infecta o corpo político a tal ponto que este sucumbe.”

  4. Nosso país está prenhe de oportunistas de necrotério. O número de cadáveres é a mola mestra que motiva a narrativa dos cretinos fundamentais. Para eles Bolsonaro é um paranoico que esperou pacientemente uma pandemia para praticar o genocídio canalha.
    Mas o que esperar desse vetustos comunistas que ainda mourejam na vã esperança de trazer suas ideologias macabras que tanta desgraça trouxeram ao mundo. Os cretinos fazem ouvidos de mercador e cara de cachorro que cagou no caminho dos outros e como método olvidam que o legado dessa doutrina miasmática que legou para a humanidade milhões de cadáveres, e não foi pandemia, foram execuções planejada pelas mentes doentias dos carniceiros da humanidade.
    E ainda tem uns desgraçados que querem trazer isso para o Brasil.
    Parte desses ícones não perdem a oportunidade de curtir suas hipocrisias em luxos fornecidos em ricos países europeus ostentando fausto e grandeza em suas indumentárias. Fariseus e sepulcros caiados são o que são.

  5. Parabenizo e me solidarizo com as posições/demonstrações de Espírito humanitário e de Justiça aqui expostas por Pedro do Coutto e Roberto Nascimento.

  6. Realmente triste. Até concordo que se Bolsonaro tivesse um comportamento oposto muitas mortes seriam evitadas, porém ele seria atacado de demagogo. Mas com certeza seria imbatível em 2022.

    • Concordo Pedro do Couto.
      É preciso reagir a essa tragédia, que pode evoluir para outra ainda maior: o fechamento do regime, a moda 1964. No Globo de hoje, artigo de Chico Alencar tocou nos temas fundamentais, relacionados a união do campo progressista contra o mal maior: o retrocesso do governo Bolsonaro, em todas as áreas sociais e politicas, com estragos significativos na Educação, na Saúde e no Meio Ambiente.
      As esquerdas têm um encontro marcado com uma autocrítica, porque seus erros abriram caminho para a extrema direita tomar o Poder. No entanto, ainda não admitem que erraram, logo podem cometer os mesmos erros no porvir.
      Lula e Ciro brigam, enquanto o adversário se alinha para enfrentar os dois. Todos temem a Terceira Via, que é uma quimera.
      Obs: Conheci o historiador Chico Alencar no início da década de 80, quando ele era presidente da Famerj, entidade que luta pelos direitos dos mutuários do Sistema Financeiro da Habitação. Entrou na política, desde então e dela não saiu mais.

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