Pode não dar certo

Carlos Chagas

Dia 11 de junho começa a Copa do Mundo, lá na África do Sul.  Daqui a um mês e uma semana. Trinta e oito  dias. Alguém sabe qual a composição do time do Brasil? Quais os 22 jogadores que serão convocados? Muito menos os  que entrarão em campo? Quantas vezes jogaram junto esses 11 craques espalhados pelo mundo? De que entrosamento dispõem?

Pois é. Anuncia-se a convocação para o próximo dia 10. E o primeiro treino coletivo depois do  dia 27, quando chegarão a Joannesburg.  Os cartolas estão brincando com a verdade,   sem atenção sequer ao hotel  em obras onde nossos craques irão  instalar-se.

Já era para estarem treinando há mais de um mês. Poderão dar sorte, já que a mesma pasmaceira acontece com boa parte  dos demais concorrentes. Mas há os que se encontram  realizando amistosos desde março, como os anfitriões.

Nosso selecionado parece o ministério do Lula, ainda que  falte ao Dunga a popularidade que sobra ao presidente da República. Pode não dar certo. E se não der, quem será o culpado?

A investidura e o desempenho

Acaba de sair um livraço, imperdível para quem se dedique à arte de buscar no passado  lições para o futuro. Intitula-se “Bilac Pinto, o Homem que salvou a República”. De autoria do historiador Murilo Badaró, presidente da  Academia Mineira de Letras, ex-deputado e senador que em boa hora trocou a política partidária  pela literatura política. Entre outras, é autor das biografias de Milton Campos, José Maria Alckmin e Gustavo Capanema. Um memorialista dos grandes personagens das Gerais.

A trajetória de Bilac Pinto confunde-se com o que de mais virtuoso aconteceu em nossa crônica  recente, com ênfase para os anos que precederam e que marcaram, depois, o regime militar. Nossa  História seria outra caso tivesse vingado a proposta do marechal Castello Branco de fazer de Bilac Pinto o seu sucessor, civil e democrata.

Vale pinçar apenas uma de suas lições, expressa num dos múltiplos pronunciamentos feitos por ele da tribuna da Câmara, que, aliás, presidiu. Referia-se a João Goulart, que combateu com lealdade:

“(…) A investidura legal no cargo de presidente da República constitui apenas condição de legitimidade para que um cidadão exerça esse alto posto, mas ela, por si só, não realiza o milagre de colocar o titular à altura de sua missão e nem o transforma num autômato capaz de desempenhar com matemática precisão cada uma de suas funções. A presidência da República, para ser exercida com razoável eficiência,  exige que seu titular, além de reunir as qualidades pessoais que o habilitem  a desempenhar a chefia da administração civil, das Forças Armadas e da política externa, tenha também aptidão para exercer o papel de líder nacional, que é inseparável da sua condição de chefe de estado.”

Entenderam?…

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