Por que Juca Ferreira abandona o PV? Só para continuar ministro? Há controvérsias e muita lama por trás disso

Os jornalões divulgam notícias sobre a crise interna do Partido Verde e a confusão que “arrumaram” para preservar ou retirar do cargo o ministro da Cultura, Juca Ferreira, que era secretário-geral na gestão de Gilberto Gil e o substituiu no cargo.

Muitos internautas me enviam perguntas a respeito, porque o que dizem no PV são duas versões conflitantes. 1 – Queriam que deixasse o partido para não prejudicar a candidata Marina Silva. 2 – Pretendiam que deixasse o ministério, mas permanecesse no PV. Isso não interessava a ele. Como não vai disputar nada, prefere (acho que já preferiu) sair do PV, mas manter o cargo.

O que nenhum jornalão lembra é que o PV já vem em crise há mais de dois anos, devido às IRREGULARIDADES CONTÁBEIS cometidas pela direção nacional, envolvendo principalmente o presidente José Luiz Penna e o então diretor financeiro Eduardo Brandão, seu parceiro e cúmplice nas tramóias.

Paradoxalmente, a crise surgiu justamente quando o PV vivia seu melhor momento. Em 2006, foi o partido que mais cresceu, fazendo uma bancada de 14 deputados federais. E a perspectiva era de que seguisse se fortalecendo cada vez mais.

Acontece que a direção nacional ESTÁ HÁ 19 ANOS sob controle da mesma facção liderada por José Luiz Penna, um compositor paulista desconhecido, que ninguém sabe por que acabou à frente do PV.

Um mar de irregularidades

As múltiplas e até curiosas irregularidades com dinheiro público do Fundo Partidário são facilmente comprováveis. Basta conferir as contas do PV apresentadas à Justiça Eleitoral, que são acessíveis a qualquer pessoa.

E não foi sem motivos que os especialistas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recomendaram a rejeição das contas do PV, referentes aos anos de 2004, 2005 e 2006, em função das fraudes e irregularidades. Desde que as contas começaram a ser examinadas pelos técnicos do tribunal, a direção nacional do PV enviou sucessivas explicações, mas não foram aceitas.

No final, não restou saída. A direção do PV RECONHECEU AS IRREGULARIDADES e simplesmente se comprometeu a repor aos cofres do partido o dinheiro surrupiado (usando, é claro, outros recursos públicos do Fundo Partidário). O incrível, fantástico e extraordinário (royalties para Almirante) dessa história toda, é que o TSE ACEITOU A FARSA DO PV.

A rejeição das contas causaria automaticamente a suspensão dos repasses do Fundo Partidário, superiores a R$ 5 milhões/ano. Com isso, o partido teria graves problemas para se manter funcionando, porque as contribuições anuais dos filiados são inferiores a R$ 100 mil.

Esta seria a segunda vez que o PV perderia os recursos do Fundo Partidário. As contas de 1998, quando era presidido por Alfredo Sirkis, também foram recusadas pelo TSE, e o ministro Cezar Peluso assim se manifestou: “Tenho como certo que o ora recorrente (Sirkis) prestou informações falsas para assegurar a aprovação de sua prestação de contas. Este fato demanda providências por parte do Ministério Público e da Receita Federal, órgãos competentes para apurar as irregularidades apontadas”.

Na verdade, a administração de Sirkis foi considerada tão desastrosa que o atual presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes, chegou a pedir o CANCELAMENTO DO REGISTRO DO PARTIDO.

Corrupção com dinheiro público

O PV tem usado DINHEIRO PÚBLICO do Fundo Partidário para custear não só mordomias do comando do partido, mas também diárias por viagens de dirigentes que na verdade jamais foram realizadas.  A prestação de contas ao TSE mostra que a mulher do presidente do PV, Patrícia Ribeiro, costuma fazer viagens turísticas acompanhando o marido em encontros partidários. Sempre às custas do PV, a mulher de José Luiz Penna visitou Curitiba em junho de 2005. No mês seguinte, viajou para Manaus. Em agosto, esteve visitando Camboriú, em Santa Catarina. E em setembro foi passear em Fortaleza. Que maravilha viver.

Outras pessoas estranhas ao partido – Alessandro Soares, Renata Fernandes e Gastão Ramos – também tiveram passagens aéreas e estadias pagas pelo PV com recursos públicos do Fundo Partidário. Além disso, o presidente do partido liberou passagens e estadias para a funcionária Joyce Fleury e até para o motorista que serve ao partido, Alexandre Soares. Ainda não satisfeito, fez o PV patrocinar uma viagem a Manaus para seu irmão Hermano Penna.

Tudo isso está na prestação de contas, que mostra também a VORACIDADE do então diretor financeiro Eduardo Brandão para receber falsas diárias, um comportamento que surpreendeu os auditores do TSE. No dia 31/12/2005, o dirigente sacou a quantia de R$ 32 mil, relativa a 128 diárias. Ou seja, em plena festa de Ano novo ele subitamente lembrou que O PARTIDO LHE DEVIA 128 DIÁRIAS, além das dezenas de diárias que já recebera no decorrer do ano.

É também surpreendente o consumo do carro de Brandão nas viagens rodoviárias. A média chega a 1 litro de gasolina por quilômetro percorrido, um verdadeiro recorde mundial, já que nem os carros da F-1 gastam tanto combustível.

PS – Todas essas fraudes e irregularidades (QUE CONFIGURAM DIVERSOS CRIMES CONTINUADOS) foram amplamente divulgadas nas páginas daTribuna da Imprensa, em reportagens de Carlos Newton, e depois os jornalões correram atrás.

PS2 -Mesmo com a impressionante devassa feita pela imprensa, que depois apurou um derrame de NOTAS FALSAS DE FIRMAS FANTASMAS na prestação de contas, o TSE aceitou que o PV repusesse o dinheiro desviado dos cofres públicos, repita-se, usando para tanto mais dinheiro público. Como perguntava o então deputado Francelino Pereira, presidente do PDS, “que país é esse?” E podemos acrescentar, “QUE JUSTIÇA ELEITORAL É ESSA?

PS3 – Todas as fraudes e irregularidades, é claro, chegaram ao conhecimento
dos parlamentares e dos mais destacados militantes do PV que nada tinham a ver com elas. Mas todos os “verdes” amarelaram. Alguns deputados federais de Minas, ressalve-se, pediram providências, queriam expulsar a direção nacional. Mas na época (2008), Fernando Gabeira estava disputando a prefeitura do Rio, com chances de vitória, e pediu que “aguardassem”.

PS4– Estão “aguardando” até hoje. Gilberto Gil e seu secretário Juca Ferreira
também souberam das irregularidades e “amarelaram”. A então ministra
Marina Silva, idem. Agora, Juca Ferreira deixa o partido, imitando dom Pedro I, ”se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, digam a Lula que fico”. Que República.



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