Quase uma perda de tempo

Carlos Chagas

Viajou ontem o presidente Lula, para uma semana visitando Moscou, Teerã, Madri e Lisboa. Nem a recém-anunciada seleção brasileira de futebol faria sucesso igual, com a vantagem para o primeiro-companheiro de que não precisa fazer gols e pode até perder um pênalti, como deverá acontecer no país dos aiatolás. A viagem ao Irã, mais do que um desafio,  deverá revelar-se uma derrota de nossa diplomacia, ou melhor, do próprio Lula. Só por milagre ele conseguirá que o governo local se curve às imposições da comunidade  internacional para  permitir fiscalização em suas usinas de enriquecimento de urânio.

Da mesma forma, nem de longe estará agradando os  Estados Unidos e a  Europa em sua tentativa de interromper a marcha das sanções econômicas programadas contra o Irã. Intromete-se numa disputa para a qual não foi chamado, podendo prometer muito pouco em termos de cooperação do Brasil com aquele país. Ao tempo em que se arrisca a despertar a  má vontade das potências ricas e nucleares.

Não deixa de ser curioso imaginar os encontros com os presidentes da Rússia e do Irã, assistidos por intérpretes pressurosos em traduzir salamaleques  de parte a parte. Tempo perdido? Talvez não, na  medida em que conhecerá as excentricidades de dois antigos impérios hoje fazendo parte mais da História: o soviético e o persa, de glórias passadas e de futuro ainda incerto.

Com todo o respeito, mas melhor teria feito o presidente Lula caso permanecesse entre nós, visitando obras do PAC e emprestando seu prestígio à candidatura de Dilma Rousseff.

Recuperando Meirelles

Por falar na candidata, ela também aproveitará para viajar ao estrangeiro, semana que vem. Participará das homenagens que entidades econômicas americanas prestarão em Nova York ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.  O singular é que José Serra  poderá estar presente, nessa espécie de exaltação  da imagem do ministro que queria ser candidato a  vice-presidente, governador ou senador, mas acabou  condenado a permanecer onde se encontra desde 2003.

Nem Dilma nem Serra foram favoráveis à recente alta de juros, imposta por Meirelles, mas como ambos precisam fazer média com os barões do sistema financeiro e bancário,  lá estarão na primeira fila dos convidados. Vitoriosa a candidata, em outubro, certamente manterá o homenageado no Banco Central ou o promoverá a ministro da Fazenda ou do Planejamento. Ganhando o ex-governador de São Paulo, Goiás que se prepare para hospedar sua nova incursão  político-eleitoral, prevista para 2014.

Uma de Winston Churchill

Fala-se  de Winston Churchill que por conta de seus defeitos, certa vez, numa recepção, uma daquelas inglesas de nariz em pé o agrediu, dizendo que se fosse casada com ele, botaria veneno no seu chá. Resposta: “Madame, juro que se eu fosse seu marido, tomaria a  xícara inteira…”

A historinha se conta a propósito  das relações entre o PMDB e o PT, longe de chegarem a bom termo. O presidente Lula e Dilma Rousseff parece que vão engolir Michel Temer como candidato a vice, mas o presidente da Câmara, se eleito, precisará sorver doses diárias de arsênico, senão no chá, ao menos no café…

Mais um

Em agosto deve aposentar-se o ministro Eros Grau, no Supremo Tribunal Federal. Mais uma vaga será preenchida pelo presidente Lula, completando nove nomeações, computada a do falecido ministro Meneses Direito. A corrida já começou, ainda que dentro do maior recato. Mas não errará quem se voltar para as preferências do ex-ministro Márcio Thomas Bastos. Não que ele pretenda voltar a morar em Brasília. De jeito nenhum, seu escritório de advocacia vai muito bem, obrigado, em São Paulo. Quem ele indicar,  porém, já pode encomendar a toga…

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