Que tal proibí-lo de assistir a Copa?

Carlos Chagas

Para  bem  de todos e felicidade geral da nação, os líderes dos partidos e as respectivas bancadas rejeitaram por ampla maioria a sugestão do líder do governo na Câmara, Cândido Vacarezza, de interromper os trabalhos parlamentares durante a Copa do Mundo. Com o adendo de que, iniciada a 11 de junho, a gazeta se prolongaria até as eleições de outubro, emendando com as férias de julho e o recesso eleitoral.

É provável que durante o campeonato mundial de futebol registre-se quorum baixo no Congresso, mas daí a oficializar o privilégio de ganhar sem trabalhar,  a distância parece imensa.

Na maioria das fábricas, o patrão permitirá que os operários interrompam suas obrigações para assistir os jogos do Brasil. Nas repartições públicas, o chefe também ficará colado na telinha. Nas escolas, a mesma coisa. Quem sabe até o pipoqueiro arraste sua carrocinha até a vitrina de uma loja de eletrodomésticos, torcendo pelo nosso selecionado. Antes e depois, porém, serão horas de trabalho normal.  Por que deputados e senadores ficariam em casa por todo o período?

Desses absurdos  compõe-se  a imagem que o cidadão comum faz do Legislativo. Uma gaiola de benefícios e beneficiados. Claro que há exagero nesse conceito. Muita gente trabalha, a começar por parlamentares.  O que não dá para aceitar são  propostas abomináveis como a formulada pelo líder do governo. No mínimo, ele  deveria ser proibido de assistir a Copa, como castigo.

Exageros

Exagerou o Tribunal Superior Eleitoral, esta semana, ao obrigar o PT a retirar imagens de Dilma Rousseff de seus programas de propaganda partidária, bem como  proibir comparações entre as performances do governo atual e do anterior. Trata-se de lesão clara ao direito constitucional de liberdade de manifestação do pensamento e de informação. Além de óbvia tentativa de tapar o sol com a peneira.

Alguém duvida de que Dilma é candidata? Não terão os companheiros o direito de cotejar as realizações dos presidentes Lula e Fernando Henrique? Seria preferível que o PSDB fizesse o mesmo, na preparação da mensagem televisiva a que terá direito.  O eleitor só ganharia, sendo esclarecido e preparado para decidir. E os meretíssimos ministros da Justiça Eleitoral ganhariam tempo precioso para o julgamento de questões de maior importância.

Oportunidade perdida

Da Presidência da República fluem informações de estar o companheiro Lula prestes a determinar o afastamento de Romeu Tuma Júnior da Secretaria Nacional de Justiça. O ministro Luiz Paulo Barreto já transmitiu o recado ao interessado, até atenuando o conteúdo através da sugestão de um simples “licenciamento”.

Salta aos olhos, porém, a oportunidade perdida pelo presidente. A exoneração de Tuma Júnior deveria ter sido sugerida ou executada há duas semanas, assim que estourou a denúncia de suas ligações perigosas com um contrabandista chinês. Não se trataria de condenação antecipada, mas de medida cautelar para que o funcionário pudesse defender-se. Até voltaria, comprovada sua inocência.

Tem sido sempre assim, desde a posse do Lula. Ele custa a reagir, quando se trata de cortar na própria carne do governo e do seu partido. Pode ser por razões de coração, pode ser por formação, mas a verdade é que a dispensa forçada do Secretário Nacional de Justiça chega tarde. Nunca será demais repetir as saudades que o país tem do Itamar Franco…

Dornelles, dor nele ou dor nela?

No fundo,  o presidente nacional do PP, Francisco Dornelles,  já se decidiu entre ficar com José Serra ou com Dilma Rousseff. Segue a tendência da maioria dos diretórios regionais do partido, bem como sua inclinação pessoal. Apenas, aguarda a  formalização da consulta feita às lideranças, preparando-se para causar dor, seja nele, seja nela. Tanto Dilma Rousseff quanto José Serra aguardam a decisão, confiando ambos que lhe será favorável.

Arriscar palpites, além de inócuo, é perigoso. O senador pelo Rio de Janeiro vive sob pressão, mas não perde a tranquilidade. Precisamente porque já sabe para onde vai o PP, mesmo sem a obrigação da fidelidade partidária. Os que ficarem contra a corrente  majoritária serão respeitados, jamais punidos.

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