Renan recua e retira do relatório da CPI a acusação de genocídio contra Bolsonaro

Ministério da Saúde de Bolsonaro e a CPI da Covid

Charge do Duke (domtotal.com)

Renato Machado
Folha

Relator da CPI da Covid, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) recuou em alguns pontos polêmicos do seu relatório, retirando das propostas de indiciamento do presidente Jair Bolsonaro os crimes de genocídio contra a população indígena e homicídio.

As alterações foram informadas pelo presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), ao deixar reunião do grupo majoritário do colegiado na noite desta terça-feira (19). Os membros do chamado G7 participam de um encontro na casa do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) para acertar ajustes ao texto.

CONFIRMAÇÃO – Mais tarde, o próprio Renan Calheiros confirmou a jornalistas as alterações no relatório final, que será lido em sessão nesta quarta-feira (20).

O crime de genocídio era um dos principais pontos de divergência entre Renan Calheiros e os demais membros do grupo majoritário, que controla as ações da comissão.

Renan Calheiros informou que o crime de genocídio seria retirado, mas que não haveria prejuízo ao relatório, pois Bolsonaro continuaria sendo enquadrado em crime contra a humanidade, em denúncia que será encaminhada ao Tribunal Penal Internacional.

OUTRA TIPIFICAÇÃO – Esse procedimento já era previsto na minuta inicial do relatório. Sem entrar em detalhes, Renan e o vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), disseram que uma segunda tipificação de crime contra a humanidade seria acrescentada.

Em relação ao crime de homicídio, o relator teria decidido abrir mão dessa indiciação, por considerar que que os eventuais atos criminosos já estariam bem tipificados no crime de epidemia, com o agravante de resultando em mortes.

“Eram 11 tipos penais usados em relação ao presidente da República, chegamos ao entendimento de que o crime de homicídio ele não seria especificado em função da caracterização de um crime de epidemia”, afirmou Renan. “Nós optamos pelo crime de epidemia com resultado morte que eleva a pena do responsável por esse crime de 20 a 30 anos”, complementou Randolfe.

SÃO NOVE CRIMES – Com isso, a proposta de indiciamento de Bolsonaro agora conta com 9 tipificações de crimes —anteriormente eram 11.

Como o crime de genocídio contra indígenas foi retirado, os membros do grupo majoritário da CPI também retiraram a proposta de indiciamento do secretário especial de Saúde Indígena, Robson Santos da Silva.

Renan também entrou em acordo com os demais membros do grupo majoritário para retirar a proposta de indiciamento do pastor Silas Malafaia. O pastor havia sido incluído no relatório pela propagação de fake news, podendo responder, portanto, pelo crime de incitação ao crime.

OUTRO RECUO – Renan também desistiu de incluir a proposta de indiciamento do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) pelo crime de advocacia administrativa e improbidade administrativa, por ele ter intermediado uma reunião de representantes da Precisa Medicamentos no BNDES.

O filho mais velho do presidente Bolsonaro então vai responder apenas pelas ações de disseminação de fake news, tipificada no crime de incitação ao crime.

Dois de seus irmãos, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) também seguem incluídos no relatório, com propostas de indiciamento por esses crimes.

BRAGA NETO INDICIADO – Os membros do grupo majoritário decidiram manter a proposta de indiciamento do general Walter Braga Netto, atual ministro da Defesa.

O militar será responsabilizado por sua atuação como ministro da Casa Civil, quando coordenava as ações de enfrentamento à pandemia. Braga Netto será responsabilizado no relatório pelo crime de epidemia culposa com resultado morte.

Por outro lado, não houve consenso para incluir no relatório o ministro da Economia, Paulo Guedes. Randolfe havia defendido a responsabilização do ministro, ganhando o apoio de Renan Calheiros. No entanto, a medida enfrentava grande resistência entre os demais membros.

INCLUIR OUTROS NOMES – O relator e os membros do grupo majoritário também decidiram incluir novos nomes entre os indiciados pelo relatório final da CPI.

Foram acrescentados o empresário Raphael Barão e a pessoa jurídica que administra, a Barão Turismo. A CPI acredita que a empresa era apenas uma intermediária para negócios e eventual lavagem de dinheiro da Precisa Medicamentos.

Também foi incluído José Alves Filho, sócio majoritário da Vitamedic, empresa produtora de ivermectina, medicamento sem eficácia comprovada para o tratamento da Covid-19.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O mais importante é que, com as alterações promovidas, há consenso no G7 para aprovação do relatório. (C.N.)

11 thoughts on “Renan recua e retira do relatório da CPI a acusação de genocídio contra Bolsonaro

  1. O que se deve esperar de um político imundo, sem moral, vagabundo e ladrão, do quilate deste tal renan calheiros (minúsculo mesmo, como o próprio) ???
    Um dos piores representantes desta bandalheira que assola este País de miseráveis, desde sempre…
    Aproveitador, sem nenhum escrúpulo…
    Cão sarnento.
    Credo !

  2. A gangue dos 7, um grupelho de corruptos que desmoraliza ainda mais o já desmoralizado senado federal, encena uma “divergência” para tentar dar ares de seriedade a uma palhaçada que desperdiçou milhões de reais com politicagem barata enquanto o povo brasileiro sofria com a peste chinesa. Esses sete senadores corruptos deveriam ir todos para a cadeia!

  3. Como todas as CPIs acabam em pizza, poderiam inovar concedendo oficialmente o Título de MM – Miliciano Mor à Bolsonaro. Garanto que ele se sentiria enaltecido com a honraria.

  4. Este CPI como todas as anteriores não vão dar em nada. Taxaram o mito de genocida e não conseguiram provar o genocídio, ou seja, deram o gás que já estava faltando para a reeleição do cara. Buscar a verdade não é tarefa fácil, muito menos contando com o Renan Canalheiros como o capitão da nau, só podia acabar como acabou. Deu xabu no final.

  5. A Juíza brasileira que é membr9 do Tribunal Penal Internacional disse:

    “Politica de infecção é perfeitamente enquadrada como Genocídio”

    • Se o que fez o Genocida da República não é política de infecção, então nao pode ser mais nada. Então não fez nada não é genocídio quando na sua posição devia ter atuado pró-vida.
      Aliás bom recordar que sua ministra da mulher com sua equipe não foram até a cidade de uma e outras menina(s) de cuja gravidez decorrente de estupro como agentes públicos queriam obrigá-la(s) ou intimidá-la(s) corrompê-la(s) e duas famílias no direito ao aborto legalmente previsto(???)
      Mas na Pandemia o que se viu do Governo Federal foi uma omissão quanto à vida, poupando esforços e deixando para os outros se virarem. Os hospitais federais são os que menos investiram. No Rio de Janeiro sequer foram mobilizados. Na verdade, desmobilizados. Porque falta de tudo. Mesmo com ação da Defensoria Pública da União não fizeram nada . Vários hospitais subutilizados.

  6. Se ele é genocida deve pagar na prisão pelo crime.
    Mas se ele não é genocida, vez que tiraram a acusação, entonces ele não matou todo mundo e deve continuar solto.
    Cantanhede e Bela Megale já começaram a achar que ele não é tão genocida assim, que esse acusacionismo já não cola mais na parede. Todos mandatários das nações do mundo entrariam de roldão na sanha acusatória, todos exceto os mandatários de esquerda, esses jamais foram genocidas. Aquele lance do Holodomor na Ucrânia não foi genocídio, os ucranianos fizeram greve de fome e morreram aos milhares só para sacanear Stalin.
    Até o desfecho da cuanga vou me calar com a língua mais seca que a língua de calango.

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