Sarney, no tenho nenhum inimigo, volta do recesso para exibir um DOSSI de mais de 40 anos

O presidente do Senado tem falado ininterruptamente, at amigos de sempre, criticam. E outros, assustados, se afastam. Motivo: Sarney est usando um tom agressivo, hostil, at mesmo de intimidao, que no era o habitual nele.

Um s exemplo: tem dito que no renuncia de jeito algum presidncia do Senado. No ligo a mnima para esse cargo que ocupo pela terceira vez, por CONVOCAO.

Mas no admito que me tratem como esto me tratando, como se eu fosse um Jader Barbalho qualquer, que renunciou para no ser cassado.

o nico nome que cita pejorativamente. Um dos mais ntimos do ex-presidente da Repblica, lembra: mas presidente, o senhor no deve provocar o Jader, afinal ele foi seu Ministro duas vezes, como explicar?.

(Jader foi Ministro da Previdncia Social, no cargo, previdentemente, reforou de forma exemplar sua geografia bancria. Depois, deixou esse Ministrio, foi para o da Reforma Agrria. A remanejou as terras de tal maneira, que a reforma agrria teria que ser feita pessoalmente contra ele, passou a ser o maior proprietrio rural do pas).

Sarney se lembrou e justificou: Eu no tinha maior ligao com Jader, ento governador do Par. Fui procurado pelo Passarinho, que me disse: S me elejo senador se voc me ajudar.

Sarney d uma parada e volta a falar: perguntei a ele o que podia fazer, ele disse que bastava o Jader o apoiar, estaria eleito. No podia negar nada a um companheiro como ele, nos ajudamos mutuamente, ele na Arena e depois, os dois no PDS.

Sarney no para mais, continua as lembranas: Chamei o Jader, coloquei o problema. Nenhuma resistncia. Disse que poderia deixar o governo e se eleger senador, ou ficar e eleger Passarinho. Mas depois, fico sem nada, perdido na plancie?

Sarney lembra que ficaram calados, at que o Jader, tranquilamente me disse: Cumpro o q estou prometendo, o senhor me nomeia Ministro da Previdncia Social, conheo muito o assunto. Sarney pergunta ento: Tive algum interesse pessoal, ou apenas salvei um amigo como o Passarinho, era 1986, a ditadura acabara, ele ficaria no ostracismo.

Elogiam sua memria, Sarney pela primeira vez d um sorriso, deixa de lado a amargura que o persegue, e diz num tom de intimidao: Minha memria no nada, importante meu arquivo, o que eu chamo de meu DOSSI. Algum duvida que um poltico como eu tenha deixado de registrar um dia da presidncia, as concesses que fiz, principalmente no setor de rdio, televiso, bancrio e imobilirio?.

Assombro geral. Quase todos vindos de longe com Sarney, no conheciam esse Sarney vingativo e cheio de dio. Sarney sempre fez questo de dizer, no tenho um s inimigo. Agora essa exibio desvairada de destruio. Um dos mais ntimos, me disse: Helio, senti um frio na espinha, o ex-presidente pregava a guerra geral, no era ameaa v, era intimidao mesmo, com base em tudo o que guardara em mais de 40 anos.

Sarney deu por encerrada a conversa-confisso na luxuosa casa oficial do presidente.Coisa que no existia no Rio, o festival de mordomia e hipocrisia, que soterrou a vida pblica no que chama de NOVA CAPITAL.

* * *

PS- Despedida de Sarney: O nico que respeito o presidente Lula, que disse: um homem como o Sarney no pode ser acusado ou julgado.

PS2- Vou para o Maranho ficar com a Roseana e o Fernando, volto no fim do recesso, serei outro Sarney. Disposto luta, represlia, a responder acusaes com fatos documentados. Mais de 90 por cento, que se assustem desde agora, o recesso do medo.

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