Conversa de Helio Fernandes com Santos Aquino sobre as vaias histricas

Este dilogo entre Helio Fernandes e o comentarista Antonio Santos Aquino foi publicado aqui no Blog em 6 de agosto de 2009, mas vale pena ler de novo:

Antonio Santos Aquino:Hlio, a vaia no Jquei Club contra Getlio a que te referes foi no perodo democrtico do governo dele. Precisamente vinte dias antes de seu suicdio.

Comentrio de Helio Fernandes:
Obrigado, Aquino, que bom que voc voltou, era assduo na Tribuna impressa, espero que continue aqui, nesta transio para a mesma Tribuna de antes, quando estiver nas bancas.

Agora voc d mais validade ao fato. Proporcionalmente ao nmero de frequentadores do Jquei, essa vaia foi das maiores. Principalmente por causa das elites que vaiaram o ditador de sempre (mesmo depois de 1950), chamado de pai dos pobres (por ele mesmo) e me dos ricos (pelos privilgios) que eram distribudos por ele e seus governos.

Duas vaias, uma de corpo presente e outra de corpo ausente, estirado no Clube Militar. As duas vaias no Maracan. Uma na tarde de um domingo, a outra na noite de uma quarta-feira.

A primeira, num Maracan lotado, foi sofrida pelo Prefeito do Distrito Federal, Esprito Santo Cardoso, ao lado de sua belssima namorada, a grande cantora portuguesa Ester de Abreu. (Era minha amiga, em 1963, ainda no regime dito democrtico, estava no avio comigo, quando viajei a Belo Horizonte para fazer um programa de televiso, e fui preso. Ela ia cantar na mesma estao de televiso, ficou ao meu lado).

O prefeito, parente de FHC (seria premonio do povo, a vaia ao parentesco s revelado muitos anos mais tarde?) assumira com o Rio dominado pela mais espantosa falta d’gua. Tanto que uma das maiores promessas cumpridas pelo governador Carlos Lacerda foi a chamada obra do sculo, o Guandu, nunca mais faltou gua.

Mas naquele momento, quando a Suderj informou que ele estava presente, a multido gritava: gua, gua, gua. Ester de Abreu, linda e sensvel, chorava.

A outra vaia foi para Castelo Branco, no dia 20 de julho de 1967, ele morrera num desastre. Pediram um minuto de silncio, protesto retumbante. No dia seguinte, na televiso, no seu programa, Nelson Rodrigues diria: O Maracan implacvel, vaia at minuto de silncio.

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